01 agosto 2015

Uma bebé ao colo

"Agora não posso", ou: "Está quase, já vou", e ainda: "Menos barulho, menos".

Um bebé ao colo é a desculpa (ou antes, missão) perfeita para não fazer mais nada.

 (Carmo, 3 meses e meio)

30 julho 2015

Campo Caravela


Voltei lá. Não dei logo com a estrada para o canal. Afinal, o último ano em que lá estive foi em 90. Fechou portas pouco depois. Quando cheguei, albergava a esperança de lá poder entrar. Não deu. Muitos arbustos, portão fechado a cadeado, a suspeita de animais por ali, fiquei ao longe a observar um cenário de meter dó.

Fui muito feliz aqui.

As manhãs faziam-se no pinhal, e entre histórias e concursos bíblicos (ah, como eu gostava de competir em destreza bíblica), o final da manhã acabava na praia. A caminhada era feita a cantar, e o regresso era corrido, na recta final: os primeiros a chegar apanhavam a água do duche quente, por causa do sol. Três dos banheiros não tinham tecto, e era com as árvores por cima, caruma a cair, que se tomava banho. Os quartos eram meticulosamente arrumados, para posterior avaliação e concurso, e junto às portas de entrada decorávamos o chão com frases ou versículos bíblicos escritos com pinhas e pedras. Depois do almoço, o bar abria, com a sua janela a fazer de alpendre. Os chocolates eram alinhados, e o meu preferido era o "Coma com pão". As tardes tinham desporto e actividades manuais (muito gesso moldei eu). Foi ali que ganhei o gosto por andar de baloiço. As meninas ficavam nas quatro casas do lado esquerdo, os rapazes nas outras quatro do lado direito. A distribuição era feita por idades.

À noite, depois de empilhadas as mesas de refeição, a sala virava ponto de encontro, junto da lareira. Com mesas ao alto, encenavam-se teatros. Noite escura, sem electricidade nas casas, dirigíamo-nos a uma casinha pequena para apanhar os candeeiros acabados de acender. Sentadas no chão do quarto, à luz fraca, trocávamos os últimos pensamentos do dia e orações. Algumas noites tinham caças aos gambuzinos e outras partidas semelhantes. Na última noite, descíamos em direcção à praia, com sacos-cama e cobertores, e lá fazíamos a reunião com o calor da fogueira acabada de acender. Choravam-se lágrimas de despedida, depois de 10 intensos dias no Caravela.

Foi aqui que algumas histórias bíblicas ganharam outra vida. Deus falou comigo neste sítio especial, e por isso não foi só mais um lugar bonito em que tive o privilégio de passar férias. Foi um sítio onde firmei convicções, alicercei amizades, coloquei questões, recebi algumas respostas e cresci. São boas as memórias.






Aquele instante em que se apercebe que falta um dia para o Infantário fechar para férias, e diz com uma ponta de emoção: "Vou ter saudades da Magda e da São".

29 julho 2015

28 julho 2015

Comemorar a dois.

13 anos já mereciam mais do que um jantar fora e cinema. E, por isso, fomos uns dias pela Costa Vicentina, onde é difícil não ficar de queixo caído com tanta beleza.

Começando pela Praia da Galé, 
continuando pela Ilha do Pessegueiro,
nunca  esquecendo Porto Covo,
passeando por Milfontes,

pernoitando por ali,
 
dizendo olá a Sines,

e respirando Melides.


23 julho 2015

13 anos.


Há 13 anos, no dia 20 de Julho de 2002, ele oferecia-me o nome dele. Eu aceitei. Mal saberia eu que este gesto, acrescentar algo à ordem natural do nome que os meus pais me colocaram, seria um bom prenúncio de toda uma nova vida que estaria a chegar. Foi-me adicionado um nome que não apagaria nada do que até aos 25 anos fui, mas que simbolicamente traduziria o facto de me tornar uma só pessoa com outra: é uma nova vida que começa. O casamento torna-nos pessoas novas. Sim, o casamento transforma-nos. Nos dias bons, nos dias menos bons, nos dias péssimos. Nunca esquecendo que prometemos amar-nos quer estejamos saudáveis, quer estejamos doentes. Ricos ou pobres. Alegres ou deprimidos.
Até que a morte nos separe. 



17 julho 2015

Pessoas

Lá em cima no Arco, pensava na natureza humana. De como nos espantamos com o mal a que assistimos, porque simplesmente nos dissociamos dele. Chocarmo-nos com o mal alheio é não termos noção de que, debaixo de variadas circunstâncias e sem a ajuda de Deus, provavelmente faríamos igual. A natureza humana é pecaminosa, portanto deveríamos reservar o nosso espanto para quando o bem acontece.

13 julho 2015

Cenas à Joaquim

Sei que o que chama mais à atenção neste desenho, é o hilariante protesto de querer tratar os pais pelo nome próprio (coisa que ele nunca verbalizou, que me recorde). Mas o que me deixa enternecida é o pequeno pormenor de, ao escrever o nome completo dele, apontar para o respectivo pai a origem do apelido. Este miúdo só é despassarado no que quer.

09 julho 2015

Fazer família.

Lia um texto da Ann Voskamp que sintetizava mais ou menos isto:

"Família é um verbo. Família não é apenas o que somos, é algo que fazemos continuamente.
Cada vez que tiramos tempo uns para os outros, fazemos família.
Sim, e quando fazemos coisas difíceis uns pelos outros, a cada dia- nós construímos família."



Confiar

é, talvez, o verbo mais difícil de toda a vida cristã. Confiar que estará sempre tudo bem, independentemente do desfecho final. Foi o que me lembrou este estendal em plena baixa de Faro.

07 julho 2015

Joaquim, 7 anos e meio

"Afinal não vou ser polícia nem bombeiro, porque eles trabalham ao domingo. Vou ser cientista e inventar uma pastilha elástica que nunca perde o sabor."

06 julho 2015

Ainda a ilha da Armona - O mar.

Apanhámos uma  temperatura do mar  para lá de maravilhosa. Estava mesmo perfeita. Depois de largos anos em que os nossos banhos e estadia na praia estavam bastante limitadas por bebés e crianças muito pequenas, chegámos a uma fase em que cada um carrega as suas próprias coisas, vão e regressam do mar sem precisar de mais nada a não ser olhos atentos, e nós podemos mergulhar sem ter de ir a correr estender uma toalha ou impedir que alguém coma areia em doses industriais. Resumindo: foram dias de praia muito bons. Cheguei mesmo a regressar para casa sem nada que carregar, de mãos a abanar. Alguém acredita?







01 julho 2015

Numa ilha chamada Armona

Fomos de férias e desligámos. Os telemóveis estiveram em modo vôo, excepto por pequenos períodos do dia, computador nem vê-lo, e a única televisão existente nunca foi ligada. Andámos a maior parte do tempo com os pés descalços na areia e as quatro mudas de roupa que levámos para cada um foram um exagero. Na Armona, o dress code oficial chama-se fato-de-banho, seja a que hora for.

Não há carros, e talvez por isso, os aviões que passavam bem ao longe e que quase não deixavam ruído, nos chamavam tanto a atenção. Todos os dias chegam pessoas novas de barco, que se espalham algures pela ilha, que tanto tem praia de mar como de ria ( de manhã caminhávamos até ao mar, à tarde mergulhávamos na ria), havendo espaço de sobra para todos.

Fizemos amigos, comemos peixe grelhado, muitas saladas e os dias foram longos e descansados. As fotografias abaixo não têm qualquer filtro nem tratamento. A Armona não precisa disso.