16 dezembro 2014

Se é para ser Natal...




Dos últimos dias


Caleb a caminho do aeroporto: "Quando eu vir os tios,vou dar um abraço tão grande, tão grande que até deixam de raspirar. (pausa) Dos primos... acho que vou ter vergonha."

 e

Marta, a chegar a casa muito tarde. Sentada, contemplativa na ponta da cama.

"Marta! Quarta vez que te digo para vestires o pijama. É tardíssimo!"

Marta: "Espera, eu explico-te. É que eu sei que os tios já chegaram. Mas ainda não me parece que é bem real, percebes?"





15 dezembro 2014

Não, não parece que foi ontem.

A família que nos faltava, algures do lado de lá do Atlântico, chegou por 6 semanas. Quando falamos de dois anos e meio de ausência, muita coisa permanece igual - a funcionalidade com que estamos nos lugares que sempre nos foram comuns, por exemplo - mas outra tanta mudou. E não há nada melhor para nos relembrar isso como a velocidade a que crescem os mais novos: mudam-se os dentes, acrescentam-se centímetros, novos idiomas. A expressão do "parece que foi ontem" em nada se aplica aqui. Que saudades.








10 dezembro 2014

Tiro ao alvo

Temos um jogo recente cá em casa: tiro ao alvo. Cada um pode disparar 3 vezes e cada boneco conta um ponto. Não é tão fácil como possa parecer, mas em largos dias de competição notam-se algumas evoluções.

No final, há quase sempre quem não tenha acertado nenhum, como há quem tenha conseguido três pontos. O jogo é divertido, mas como em tudo o que é competição, é sobre saber perder. Descobrir, muitas vezes, que não somos tão desajeitados como pensávamos, que com algum treino até desenvolvemos a perícia, mas que nem sempre podemos ganhar.






Lisboa à noite

Gosto muito do Saldanha. O meu avô teve uma loja na Defensores de Chaves várias décadas, e foi no cafézinho em frente- uma mistura de leitaria com padaria - que me tornei especialista em fazer desaparecer garrafinhas de leite Ucal, sempre à temperatura ambiente ou mesmo fresquinho.

Por isso, passear aqui - seja de dia, seja de noite - nunca me custa. Pelo contrário, é um grande prazer.










09 dezembro 2014

Uma árvore dentro de casa.

Gosto muito de árvores, plantas e flores. Mas não tenho um particular gosto por plantas dentro de casa, embora umas florinhas fiquem sempre bem em cima da mesa. A verdade é que as plantas e eu damo-nos melhor na varanda, no jardim, fora de portas.

Mas o pinheiro, artificial ou natural, com as decorações que passam de ano para ano e ganham brilho com as luzes, fica sempre bem. É pela beleza, e não por algum significado, que sim, construimos todos os anos uma árvore de Natal.





Interstellar



Brand: There's the mountains!
Cooper: Those aren't mountains, they're waves.

04 dezembro 2014

Xadrez e amor.

Agora é a filha mais velha que está adoentada. Esteve um dia inteiro no sofá, entre leituras e sestas. Mais nada. Tossia, acordava e dormia. Depois lia e voltava a dormir. Lembrava-me de como era estranhamente bom ficar doente em criança, o dormir sem horário, faltar à escola e comer o que apetecia. Ou da manta com xadrez igual à deste meu pijama. Deve ser por isso que gosto de xadrez há tanto tempo. Desde a época que ficar doente era conveniente.

Não é orgulho nem vaidade

por ouvir o nosso pequeno de 4 anos dizer alguns dos atributos de Deus. É, pelo contrário, sentir cada vez mais a responsabilidade de que estas verdades sejam uma certeza na sua vida.



03 dezembro 2014

Miopias e exageros.

Se há um ano o exame oftalmológico lhe dava uma visão a 100%, agora já não se pode dizer o mesmo. Como esta miúda é uma exagerada (uma traça é um pássaro e uma picada é quase uma operação) demos-lhe algum desconto quando se começou a queixar, uma vez que tinha ido há tão pouco tempo à médica. Mas esquecia-me eu que quando comecei a usar óculos, não via ligeiramente mal. Via mesmo mal. E com a Maria foi assim. Passamos logo para uma graduação como a que a mãe tinha quando começou (sendo que o pai também é míope).

Depois de termos saído do médico, e ela vir maravilhada com o que tinha conseguido ver lá, fomos escolher os óculos. A cada armação que experimentava, fazia um ar contrariado, indeciso e olhava para mim. Mal a empregada se afasta, segreda-me: "Não vejo bem com nenhum...".

No caminho de regresso, a história do Pedro e do lobo mas acerca do exagero. Ser mais criteriosa nas ênfases a dar, para que os pais não relativizem quase tudo.

(Já disse que mudar fraldas e amamentar era tãããããããooooo mais fácil? Já, eu sei.)

Contando.




02 dezembro 2014

Amor é...


trazer as luzes de Natal para dentro de casa, entre espirros, febres e tosses.

Contar os dias.







01 dezembro 2014

Um desenho bordado numa peça.

O Joaquim foi surpreendido, neste aniversário, por ver o desenho dele numa almofada bordada pela Sara.
Está lindo, não está?

A contagem como lembrança.


O Advento começa com procura. Deus procura-nos. Nós demoramos a querer este encontro.

Chegamos a Ele, todos sem excepção, quebrados. Depois do medo, das dores, das angústias, das preocupações - coisas que nos anunciam que Deus não é suficiente - chegamos despedaçados, para Ele nos compor. Sabemos que a santidade se trata de um percurso difícil mas cheio. É o momento que começa quando finalmente aceitamos que seremos outra pessoa, mas não à custa das nossas forças. Que deixamos que o peso enorme que nos pesa nas costas seja deixado aos pés da cruz. Ele já carregou isso por nós.

Não desistimos dos nossos sonhos nem esperanças, mas confiamo-los aos pés do Criador, para que os confirme ou  converta nos sonhos e esperanças d'Ele e os grave na nossa mente e coração. Rendemo-nos a Jesus, agradecidos pelo sacrifício imenso que aceitou carregar por nós, e ansiamos a verdade.

Deixamo-nos da paz que encontramos nas nossas opiniões e nas dos outros, e Ele inunda-nos com a Sua paz. Recusamos as mentiras que a serpente segredou no Éden, sabendo que a morte não terá mais vitória. Imitar Cristo trará todo um olhar novo, sobre a nossa pequenez mas também de cuidado e misericórdia com os outros que ainda não o conhecem. E tal como Deus nos procura, conduz-nos pelo caminho certo, sabendo que com a nossa capacidade de distracção, facilmente nos desviariamos. Vale-nos que Ele é perfeito, e como não erra, terá sempre a última Palavra. Haja temor e um grande conforto neste aparente paradoxo.

O Advento relembra-nos que Jesus foi homem como nós. Nasceu, cresceu e experimentou vida na terra.

A contagem ajuda-nos a lembrar da Graça. Tudo é Graça!

29 novembro 2014

Oh!

Lord Merton: I state freely and proudly Isobel, that I’ve fallen in love with you. And I want to spend what remains of my life in your company. I believe I could make you happy. I should very much like the chance to try.

!

Mrs. Patmore (about Daisy): Mathematics is one thing, she’s studying to be a revolutionary now.

!


Daisy (to Molesley): You wanted to be First Footman. What did you think? That you’d spend all day with your feet up?

27 novembro 2014

Decorações de Natal.

Cá em casa, há uma pessoa particularmente entusiasmada com as decorações de Natal, e essa pessoa não sou eu. Juntamente com ele, 4 crianças altamente motivadas, que a cada luz e árvore que sabem decorada por aí, fazem questão de me recordar que por aqui ainda não há vislumbres. Eu, que sempre decorei a casa pelo 1º de Dezembro e chego mais ou menos a dia 27 com vontade de meter tudo de volta na arrecadação, sei que não me posso demorar muito mais quando a criança de 4 anos, à entrada do supermercado, aponta para o tecto cheio de barretes de pai natal e diz:

"Olha, que lindo! Está mesmo bonito. O papá tem de vir cá ver."



Downton!


Violet: Hope is a tease, designed to prevent us accepting reality.
Isobel: You only say that to sound clever.
Violet: I know, you should try it.

26 novembro 2014

Não sabemos esperar

Na fila do supermercado, era difícil não reparar na impaciência daquela pessoa. "Mas será que não há um dia em que venha aqui e não tenha de esperar? Detesto filas!".

A verdade é que hoje não sabemos esperar. Vivemos impacientes, o ritmo das vidas de todos é alucinante e o acto de ter de abrandar, forçados, parece-nos um mero desperdício de tempo. Temos de estar sempre a fazer qualquer coisa e, se não estivermos, é opção nossa. Não das filas ou dos outros.

Espantamo-nos que as crianças queiram tudo no imediato, quando de facto é isso que exigimos para nós próprios. Somos impacientes, custa-nos ter de aguardar e desistimos, no geral, quando o esforço parece pedir mais do que sentimos ser capazes de dar. Ora, na Bíblia, estamos recheados de esperas. Sara esperou por ser velhinha para poder ser mãe, Jeremias falava de como Deus é bom para os que sabem esperar n'Ele, já para não falar da quantidade de personagens que esperaram sem que lhes chegasse o objectivo da espera (Moisés, por exemplo).

Enviamos mensagens e aguardamos resposta breve, decidimos fazer uma coisa e tem de ser finalizada no tempo que idealizámos, não lidamos bem quando o outro nos diz que não consegue estar à altura dos nossos prazos.

Ora, a espera trabalha muito o nosso coração. Em especial, a paciência. A nossa confiança em Deus. A forma como gerimos a ansiedade. Como diz no capítulo 5 da carta de Tiago: "Observai como o lavrador aguarda o precioso fruto da terra, esperando com paciência, até que receba as primeiras chuvas de outono e as que encerram a primavera."

Sendo que, em última análise, a nossa vida também é uma espera. Até ao dia em que saiamos desta dimensão limitada que é o tempo.

25 novembro 2014

Viroses.

Este Outono tem sido chatinho.



Dia mundial das queixinhas.

Enquanto se sentavam à mesa e bombardeavam cada um as suas coisas, inclusivé relatórios dos irmãos (é sempre mais fácil apontarmos o que os outros fizeram de mal, certo?), o Joaquim relatava algo da Maria, pela segunda ou terceira vez.

Ela, já ofendida: "Joaquim, hoje deve ser o dia mundial das queixinhas, não?"




24 novembro 2014

Dias cheios e felizes

Os filhos do meio completaram 8 e 7 anos, a Raquel já nasceu e a cunhada Joana baptizou-se.





20 novembro 2014

Parir é um verbo.

Gosto muito do verbo parir. Encerra em si a rudeza do que significa trazer uma criança ao mundo mas rima com sorrir. Gosto muito de verbos acabados em ir. Admitir. Assentir. Bulir. Divertir. Redimir.Rir. Ruir. Submergir. Vestir.

Dêem-me o desconto. A semana é propícia a isso. Completam-se 8 e 7 anos que me nasceram os filhos do meio. Em que os pari. Em que lhes vi o rosto ao fim de tantos meses de os sentir aos pontapés a revirarem-me as entranhas, em que lhes peguei depois de horas de dor. O verbo parir é bonito porque se trata de um sofrimento bom. Quando os minutos de contracções não parecem mais acabar, o jogo emocional de mentalização: "isto é por uma coisa boa, vai nascer um bebé".

Dizia, há dias, que quando penso no passado e sinto alguma nostalgia, não é de estar grávida. Não. Sinto saudades dos momentos mágicos do nascimento. Da espera em casa, do silêncio que se instala quando só há dor, só nós os dois ao som de nada, o tempo a contar, os sons que restam, um calor enorme, a entrada no carro, a chegada ao hospital, o cheiro do internamento, as vozes, as campaínhas, o corropio.

Depois, a magia. Nasceu e já passou. O deslumbramento, a gratidão que não cabe no peito e a certeza que nada mais será igual. Nunca é mais nada igual. Nem o outro com quem vivemos e partilhamos a vida. Somos novos a cada instante, pertencemo-nos mais do que nunca e sabemos que isto tudo nunca é acerca de nós.


(E por não ser nada acerca de nós, em breve escreverei sobre como tudo na vida, e em particular na maternidade - gravidez, parto, amamentação - deve ser vivido na graça de Deus, tendo a noção de que tudo era muito bom quando Ele nos inventou, mas de como a queda de Adão e Eva tornaram todos estes processos imperfeitos.)

18 novembro 2014

Menos.

Foi preciso a Mara aparecer com umas panquecas numa destas semanas para me aperceber que a receita dela era igual à minha, sendo que a dela levava zero gordura. Nada de manteiga, margarina, óleo ou azeite. Mesmas quantidades de farinha, açúcar, ovos. Não tivesse eu provado aqueles pedaços fofos e jamais teria experimentado.

Exactamente como na vida. Não abdicamos por nada de algo que consideramos essencial, até que nos seja arrancado à força. E voilá, apercebemo-nos que não nos era imprescindível, pelo contrário. Ficamos ainda melhores.

17 novembro 2014

Aos domingos,

descansamos no Senhor, ainda que seja uma aprendizagem para toda uma vida, assim me parece. Porque ao domingo também servimos (e nos cansamos). Só ao domingo podem acontecer algumas coisas que apenas acontecem quando se é parte da Igreja: ensinamos aos nossos filhos a reverência da Casa de oração, aprendemos a amar todo o tipo de pessoas e não apenas aquelas com quem temos afinidade, louvamos a Deus a muitas vozes, ouvimos a Palavra lida e pregada.

Aos domingos, partilhamos a comida e limpamos o que está sujo. Acredito eu que, neste serviço, os mais novos também podem ver alegria no trabalho, e juntar-se a ele (umas vezes voluntariamente, outras vezes convocados, como em casa). Aos domingos, não se vêem só sorrisos, como nas fotos. Quase sempre também há dores, há lágrimas, há despedidas, há abraços, há arrependimento.

Aos domingos, quer-se que o centro seja Cristo e por isso ouvimos da Palavra. Paradoxalmente, ontem reforcei algo que na minha vida é um constante desafio, e que parece contraditório a tudo o que escrevi nos parágrafos anteriores: fazer coisas boas nem sempre é fazer as certas, ou as que Deus quer.

Assim Ele nos ajude. Aos domingos e no resto da semana.