19 março 2019

Dia do Pai

(imagem retirada daqui)

Hoje assinala-se, em Portugal, o dia do pai. As memórias de tantos podem ser turbulentas: pais ausentes, despreocupados, negligentes. Outros há com memórias doces de um pai que já partiu. Por último, há os que tiveram e têm um pai, e podem desfrutá-lo em toda a sua plenitude. Agradeço a Deus porque me deu um pai, e agradeço também porque os meus filhos têm um pai, que está sempre presente, a cuidar.

Independentemente da forma como nos situamos neste dia, e do cabimento que a homenagem pode ter, o Pai melhor de todos é o do Céu. Ele desejou, no seu plano, adoptar tantos filhos que fez uma coisa aparentemente horrível: sacrificou o seu filho único. Nunca compreenderemos a dimensão deste gesto, nem podemos. O que sabemos é que ele deseja ser o nosso Pai.

Deus é um pai perfeito: ele não se ausenta. Ele não só nos ama; ele é todo amor. Deus é um pai que nos guia: não desiste de nós. Deus é um pai misericordioso, apesar de todas as nossas imperfeições. Deus é um pai que nos corrige: ele é sempre justo.

Deus é o verdadeiro e perfeito Pai, para todos aqueles que crêem nele. Os modelos que podemos ter nesta terra, uns melhores que outros, servem para nos apontar para o maravilhoso Pai que sabe sempre o que é melhor para nós, pode dar-nos colo a qualquer hora, e melhor ainda: toma conta de tudo. Não é uma segurança maravilhosa?




13 março 2019

12 anos

Fez ontem 12 anos que nos mudámos para esta casa.
Este prédio tem 40 anos. As janelas de madeira de origem não mentem e o estore do nosso quarto que encravou há uns dias também não. Estava a pensar nas coisas boas de poder ter um lar (e também no trabalho de o manter).

Gosto da contenção inerente a este apartamento ( vivi anos suficientes em casa própria para saber que eu sou uma pessoa de apartamentos). Gosto de saber onde está quem (esta parte só percebe mesmo quem viveu em casas espaçosas). Gosto da obrigatoriedade do convívio mesmo quando não apetece (na altura nem sempre gosto, mas sei que isso nos obriga a saber estar em qualquer estado de humor). Gosto de estarem todos à distância de um grito (a não ser quando há música, mas pronto). Gosto da vizinhança (são uns santos!). Gosto de poder ter um sítio onde acolher amigos. Gosto desta mistura da mobília da minha avó com tantas outras coisas.
Sonho, muitas vezes, com a possibilidade de ter um quarto de hóspedes (e ao mesmo tempo biblioteca-quarto de estudo). Mas peço a Deus que, independentemente do que tem para nós, nos faça uma família contente com o que tem e a transmitir essa simplicidade e gratidão a outros.

É mais do que merecemos.





08 março 2019

Dia da mulher


Do meu avô, só lhe conheci a velhice. Mas cresci a ouvir os relatos de como ele batia na família, em especial na minha avó. Foi necessário que os filhos crescessem para se intrometerem e imporem uma separação judicial (naqueles tempos, o B.I. não contemplava a palavra divórcio). Nessa época, atribuía-se a continuidade da violência à prisão da dependência financeira e ao contexto social.

Hoje, não há obrigatoriedade de casar e são poucas as mulheres que dependem totalmente dos companheiros. Há uma suposta liberdade conquistada, mas a violência só aumenta. Já pensaram nisto? O que é que estamos a ensinar aos nossos filhos sobre relacionamentos, amor, compromisso? Sobre ser mulher e sobre ser homem? Sobre igualdade e dignidade? Estamos a agarrar-nos a que conceitos, a que valores?

No outro dia, a minha filha mais velha perguntava-me o que eu achava de ser feminista cristã. Eu respondi-lhe que me chega ser cristã, porque a ideia de que mulheres e homens têm o mesmo valor e dignidade, não é uma ideia feminista, é uma ideia cristã bem antiga. Basta regressar à carta aos Gálatas, em que Paulo escreve que com Cristo "não há judeu, nem grego, escravo ou livre, homem ou mulher". Precisamos voltar à Bíblia, reler o propósito para o qual fomos criados, mulheres e homens, a como nos devemos relacionar, e onde está o nosso valor.


06 março 2019

Caminhada para a Páscoa - está a contar!

Sempre que chega a esta altura da Páscoa (ou do Natal), sou contactada por pessoas que vêem as minhas fotografias, e se questionam o que é isto que fazemos, com uma vela acesa e uma espiral.
Para começar, a ideia não é minha e este objecto foi comprado há 9 anos a uma família do Canadá.

Nessa altura, achámos que ter uma peça de madeira bonita ajudava a fixar a atenção dos nossos filhos, que acendem a vela em dias alternados, e contam os buraquinhos que faltam para chegarmos à data final. O que acende a vela é o mesmo que a apaga (e não vale ser outro, senão alguém fica chateado - o mundo dos irmãos no seu melhor!)



Portanto, este adereço é só um acrescento a um momento habitual na nossa casa: tirarmos tempo para adorar o nosso Salvador Jesus - ele merece todo o nosso louvor, sempre. A isto costumamos chamar de culto doméstico, que acontece todos os dias do ano (à excepção do domingo, cujo culto se comemora em Igreja).

COMO É QUE ISTO ACONTECE?
Seguimos uma ordem, que é a nossa ordem. Pode servir de ideia para outros, mas cada família deve decidir o que deseja fazer, tendo em conta que o fazemos não por nossa causa, mas porque queremos honrar o nosso Deus (e ensinar aos nossos filhos a importância de o fazermos). Já passámos por diversas fases de crescimento dos filhos, e diferentes períodos e duração. Nunca deixámos de o fazer, mesmo no meio de dias caóticos, porque é uma prioridade. Não é fácil, mas Deus tem sido bom e tem-nos mostrado que vale muito a pena fazer o esforço. Ele agrada-se do nosso louvor no meio da nossa imperfeição

QUAL A ORDEM?
Geralmente, recitamos alguns versículos que decorámos em conjunto, perguntas e respostas do Catecismo Nova Cidade que também decorámos todos juntos (em 2013, eles eram bem mais pequeninos, demorou um ano a conseguir!), cantamos músicas, lemos uma passagem bíblica, partilhamos motivos de gratidão e intercessão, vemos notícias da Igreja perseguida e oramos. Pode durar dez minutos, pode durar mais. Depende dos dias.

QUAL É A DIFERENÇA ENTRE O CULTO DOMÉSTICO E ESTA CONTAGEM?
Na forma de o fazermos, nenhuma. Temos a vela para acender, nada mais. Nós, os pais, podemos escolher leituras mais intencionais para este período, tal como fazemos no Advento.
A nossa leitura preferida, desde há muitos anos, é o livro Jesus Storybook Bible. Se não têm a tradução em português e desejam, enviem mail para anarutecavaco@gmail.com .

Há outros planos diversos que podem seguir, individualmente. Eu, pessoalmente, apesar de ter este momento em família, escolho fazer um plano individual além disto, e este ano seguirei este plano do qual participei (que neste caso não são 40 dias, mas são 35, começa próximo domingo).

QUAL A CONTAGEM?
Seguimos a tradicional contagem dos 40 dias (que não contempla domingos) que se inicia na quarta-feira de cinzas e termina com a sexta-feira santa.


Espero ter ajudado. Se querem ver o nosso historial nesta matéria, cliquem na etiqueta Páscoa, aqui. Encontrarão muitos cultos domésticos passados e algumas leituras também.






25 fevereiro 2019

Caminhada para a Páscoa - a começar a 17 de Março


É com muito prazer que partilho o resultado de bastante trabalho e dedicação (tudo voluntário), de forma a termos uma caminhada para a Páscoa de cinco semanas. Somos 5 autoras, juntamente com 5 ilustradoras, de 5 países diferentes, todas a trabalhar para um mesmo propósito. Junto com este caderno (que podem encomendar por 5€ para anarutecavaco@gmail.com - os portes são gratuitos) teremos mensagens audio para cada uma das semanas.

Consultem mais informações acerca deste estudo aqui.




24 janeiro 2019

O problema de nos esquecermos de Deus

O livro de Juízes relata uma época trágica do povo de Israel, que ignora as instruções de Deus, e abandona a fé para viver no meio dos pagãos. O povo de Deus tinha suportado 400 anos de escravidão no Egipto, que foram seguidos por quarenta anos de peregrinação no deserto, acabando com Josué a guiar o povo para a terra que Deus lhes tinha prometido. Perto do fim da vida, Josué lembrou os israelitas do dever de adorarem apenas e só a Deus, ao mesmo tempo que expulsavam os cananeus da terra, de forma a que não estivessem expostos a outras fés e fossem tentados a seguir religiões falsas (Josué 24: 14- 15).

E se o livro de Josué termina com a declaração das terras a serem conquistadas, o livro de Juízes começa com uma lista de falhanços, resultados de desobediência. O povo falha em expulsar os cananeus das terras, e esse foi apenas o começo de um período negro para o povo. Em menos de nada, convertem-se às mesmas práticas dos pagãos, entrando num ciclo de caos, violência e opressão nunca antes vistos. Na verdade, à medida que mergulhamos nos relatos, fica mesmo complicado identificar este povo como o povo de Deus.

Mas mesmo no meio desta confusão, Deus continua lá e a trabalhar. Se enquanto leitores, ficamos espantados e até chocados com o rumo dos acontecimentos, precisamos colocar-nos no lugar do povo. Poderíamos ter sido nós, ou podemos estar mesmo a ser nós, no presente século, a viver vidas semelhantes.

Se o fizermos, ganhamos humildade e contrição, e não perdemos a esperança de que Deus continua a trabalhar através de pessoas e circunstâncias moralmente duvidosas. A acção de Deus não se limita às nossas imperfeições. O trabalho de Deus nunca pára, ele não dorme.

Em Juízes 2, lemos sobre duas gerações de israelitas: a geração de Josué e a geração pós-Josué. A geração de Josué foi fiel. Em Juízes 2:7 lemos:

“O povo adorou ao SENHOR durante toda a vida de Josué 
e durante as vidas dos anciãos que sobreviveram a Josué. 
Eles tinham visto todas as grandes obras 
do Senhor que Ele havia feito por Israel.”

No entanto, a geração pós-Josué não foi fiel. Depois da morte de Josué e depois da morte dos anciãos que tinham vivido debaixo da sua liderança, esta geração cresceu como uma geração que "não conhecia o Senhor ou as obras que fizera a favor de Israel". Portanto, eles "fizeram o que era mau aos olhos do Senhor". (Juízes 2: 10-11). Uma geração que tinha testemunhado as grandes obras que o Senhor havia feito pelo Seu povo esqueceu-se de viver de forma a transmitir às gerações seguintes como ser fiel.

A memória do povo falhou e a nossa também não presta. Facilmente nos esquecemos de todas as bênçãos e livramentos que temos diários. E é também por causa disso que nos reunimos todos os domingos. Todos os domingos? - Sim, todos os domingos. Precisamos contar e relembrar sempre a mesma história, a nossa memória é curta.

Precisamos lembrar Deuteronómio 4:9:


"Tão somente guarda-te a ti mesmo, e guarda bem a tua alma, 
para que não te esqueças daquelas coisas que os teus olhos viram, 
e não se apartem do teu coração todos os dias da tua vida; 
e as farás saber a teus filhos, e aos filhos de teus filhos."


- Senhor, ajuda-nos a lembrar o que tens feito e a contar aos outros acerca de Ti. Ajuda-nos a adorar-te como o único e verdadeiro Deus e a passar esta lembrança à próxima geração. -

É oficial: perdi a conta.


Quando, no posto dos correios, a senhora me cumprimenta:

"Então, menina, são mais uns livrinhos?",

dei comigo a tentar fazer as contas à quantidade de embrulhos que já fiz para enviar estudos. Já não sei. Assim por alto, sei que um grupo de adolescentes no Brasil esteve a estudar Tiago, há um grupo no Norte também a estudar Tiago, outro no Porto a estudar as cartas de João, ainda outro com a primeira carta de Pedro, além de outras igrejas que estão neste momento a estudar Juízes, como nós na Lapa. Também já perdi a conta aos pdfs que enviámos por mail, gratuitamente, para o Brasil, Inglaterra, e até Estados Unidos (portugueses pelo mundo, sim!).
São dois anos e meio a espalhar aquilo que nos abençoa, e isso comprova que há uma fome e uma sede de estudo da Bíblia, consistente. Uma vontade de conhecer quem Deus é e descobrir o que Ele quer de nós.
Além disso, as mensagens audios disponíveis para cada semana de estudo, no Youtube da Igreja da Lapa, têm sido um investimento feito cujo encorajento se recolhe pelo relatório das visualizações.

Se é o caso de quereres receber o caderno por correio ou o pdf no mail, contacta-nos para mulheresdalapa@gmail.com. O custo do caderno são 5€ e cobre apenas os custos de impressão. Todo o trabalho envolvido de tradução, revisão, edição (incluindo audios) é oferta das mulheres da Igreja da Lapa.

[Se tiver sido o caso de já me terem enviado mail ou mensagem e eu ainda não ter respondido (que também já aconteceu), avisem-me!]







18 janeiro 2019

Desafio dos 10 anos


Anda por aí um desafio dos 10 anos, que desconfio que sirva para todos nos dizerem como éramos mais novos mas também para nos assegurar que o nosso processo de envelhecimento está a ser generoso. Vou poupar-me a isso, fico à espera dos vossos comentários para quando eu estiver mesmo ali na decadência total e começar a pensar em botox (estou a brincar!).

Resolvi ir ver o que se passava com a minha pessoa há uma década, e ora me dá vontade de rir, ora me apetece mandar-me calar. Bolas, que chata.

Basicamente, no início de 2009 eu tentava encontrar um equilíbrio entre ter três filhos abaixo dos 4 anos, que ora iam à escola porque eu tinha um trabalho permanente ao computador que era essencial ao nosso rendimento, ora estavam doentes com mil e uma coisas. Nesta fase, a rainha das doenças era mesmo a Marta, e era raríssimo estar sem a companhia dela em casa.

Há 10 anos, eu precisava muito de encontrar alguém nas mesmas circunstâncias que eu, e isso vê-se nas minhas maravilhosas declarações no Facebook, ou neste blogue. Exorcizar o meu desespero era parte da terapia e acho que teve o seu papel. Mas... prometo que não voltarei a esse nível. Se começar a descarrilar, por favor dêem-me uma paulada na cabeça e o assunto fica encerrado.

Ao mesmo tempo, vejo ali uma pessoa cansada, mas ainda assim com energia. Eu queria mesmo sair à rua com três crianças, só porque não aguentava mais estar em casa? Eu trabalhava no computador a todas as horas e mais algumas, inclusive ao serão de sexta-feira? No final desse ano, não contente com o caos desta casa, engravidei mesmo do quarto filho?

Efectivamente, passaram-se 10 anos. Os meus níveis de energia estão mesmo nos 40 (desculpem, pessoas super jovens e cheias de energia com a mesma idade que eu), não me passa pela cabeça ter o computador ligado ao serão de uma sexta-feira, estar em casa sem ter um plano é coisa que hoje me agrada sobremaneira, embora passeios sem destino também me soem bem, e uma boa notícia: os miúdos raramente estão doentes. De tal maneira que tive de usar o termómetro a semana passada com a nossa gata, e ele não reagia por falta de uso.

Dez anos depois, ainda não comprei o papel para a polaroid que a Miriam me deu. Prometo que compro nos próximos dez anos, ok? Uma década depois, acho que há lugar para tudo mas sobretudo para a gratidão. Deus foi bom nesses tempos e deu-nos tudo o que precisávamos e até mais. Tem feito crescer os miúdos de forma saudável, harmoniosa, e tem-nos ajudado enquanto pais. Hoje, o trabalho ao computador deixou de ser essencial para os dias. Quase tudo o que faço é voluntário, e escrevo para abençoar outros, sobretudo. Sirvo com o Tiago na Igreja que Deus nos deu, e quero ter a capacidade de olhar sempre para trás e identificar quem se possa estar a sentir sozinho nas suas dificuldades. Ter alegria, independentemente das circunstâncias, continua a ser um desafio, mas não vamos desistir.

2009 parece que foi ontem, mas não parece nada que foi ontem. É sempre assim, certo?

17 janeiro 2019

Uma gata chamada Sombra

[25.7.2002 - 15.1.2019]


Desde que existe casa dos Cavacos que existe a gata Sombra. Há duas semanas, pela primeira vez nos seus 16 anos e meio, deu sinais de estar a ficar doente. Pela segunda vez em toda a vida dela, entrou num veterinário. A Sombra sobreviveu à chegada de 4 bebés, perda da gata Nuvem, mudança de casa, queda de uma varanda, entre outros. Teve uma vida mais longa que a maioria dos gatos e saudável. Apesar de ser um assunto recente, o de que poderíamos ficar sem esta companhia, as lágrimas têm sido bastantes por aqui. E assim se aprende em família o que é perder.











14 janeiro 2019

Introdução ao estudo do livro de Juízes



O livro de Juízes não é o livro mais reconfortante da Bíblia. Fujo dele sempre que posso - quase sempre. Se o livro de Juízes fosse um filme, estaria classificado como um thriller, ou então puro horror.

É composto por 21 capítulos cujos ingredientes são a decepção, a opressão, a idolatria, o assassinato, violação, e apostasia, isto só para mencionar alguns. Os heróis, aqueles que esperaríamos que fossem as figuras modelo, não se comportam da maneira que idealizámos.

Sabemos que a Bíblia é inspirada e proveitosa, e quero acreditar que o livro de Juízes pode ser especialmente proveitoso para nós, hoje. Para mim, aqui em Lisboa. Como? Lembram-se do livro de Josué? O livro termina com a tomada de posse das terras, de uma maneira quase gloriosa. O livro de Juízes começa com o fracasso dos israelitas em tomar posse de algumas dessas terras, fazendo o povo viver no meio de uma cultura pagã, por causa da desobediência. E é aí que eu me encontro hoje, e qualquer cristão se encontra hoje: a viver numa cultura pagã. E um dos problemas é que estamos demasiado encaixados neste paganismo, também por causa da nossa desobediência, de todo um passado cheio de erros na forma de viver e ensinar.

No geral, Juízes é um conto sombrio, por que é que este livro se encontra na Bíblia?
Porque mostra a a depravação humana, a fraqueza da nossa natureza e a necessidade de um verdadeiro rei e salvador. Os seres humanos não podem salvar-se sozinhos; eles precisam de um salvador.




Quem escreveu?
Não sabemos quem o escreveu mas terá sido alguém ligado à casa de David.

É composto por várias tradições orais  – acredita-se que o cântico de Débora é um dos poemas mais antigos que do Antigo Testamento, e que foi incorporado nesta mescla de histórias, que não estão necessariamente organizadas por ordem cronológica; temos até histórias que se sobrepõem, como Sansão com Samuel.

Quando foi escrito?
O livro abarca a história entre a morte de Josué e o começo da monarquia em Israel (1400 – 1050 AC – 300 anos). Talvez tenha sido escrito entre 1010 e 1003 AC. Foi escrito há mais ou menos 3000 anos!

Para quem foi escrito?
Para a nação de Israel e com o objectivo de validar a monarquia da linhagem de David, e para nós, que vivemos deste lado da morte de Cristo, serve para validar a monarquia do próprio Cristo. 


Quais os temas centrais?
A ideia da necessidade de um rei. O povo acabou de chegar a Canaã e tomou posse mas não ocupou a terra.. Esta fase em que estão a afastar os povos – ou não, não há um governo civil que tenha sido estabelecido. Como é que eles vão governar? Esse é um dos temas.

A fidelidade de Deus é uma constante ao longo do livro.

A relação causa e efeito entre obediência e desobediência. 

Em que género literário foi escrito?
O estilo é uma narrativa histórica, mas também é um livro profético. Quando lemos esta narrativa, devemos ter em consideração que no Oriente a história era usada como propaganda. De forma a favorecer o líder. A forma como esta narrativa é escrita vai contra a cultura da época porque a nação de Israel sai bastante prejudicada. Também por  isso vemos como é inspirada por Deus. Em nenhum momento os homens saem bem na sua desobediência. 

A forma como os factos nos são dados é para nos transmitir uma mensagem sobre Deus. Não vamos assumir que só porque o escritor não demonstra repulsa nos factos que está a relatar, que não devemos sentir repulsa por episódios mesmo muito maus. Não podemos assumir que a ausência de emoções na descrição que significa que a Bíblia apoia este tipo de acontecimentos. 

Estou a começar Juízes e sei que não acaba bem. Vou ler com estas coisas em mente e com a noção de que não vou perceber muita coisa. Mas vou ler, porque a Palavra de Deus é para ser lida, digerida e absorvida. Quem está comigo?


Esta foto foi tirada em Novembro de 2016, no Vaticano, em Roma. 
Ilustra o episódio de Jael e Sísera. - Juízes 4. Lá chegarei!


04 janeiro 2019

Esta noite dormi mal

Aqui há uns tempos cometi a ousadia de comentar, na presença de jovens mães, que não tinha passado bem a noite.

"Duvido que esteja aqui alguém que tenha dormido bem a noite." - foi a resposta pronta.
Num pequeno instante, as reacções saltaram. Como pipocas.

E foi assim que me calei quase instantaneamente, porque me senti a provar do meu próprio veneno. De nada valia a pena explicar a estas mães que eu vivi durante largos anos um estado zombie, que sei muito bem o que é estar no limite das minhas forças e paciência, que vivi vários internamentos de filhos, que também sei o que é estar eu mesma doente e ter filhos doentes, que sei o que é ter o pai ausente e ter de acudir a vários colos de pequeninos... enfim.

O que eu experimentei naquele dia, razão pela qual me calei no imediato, foi aquilo que eu acreditei  durante muito tempo, e ainda hoje é uma tendência para mim em muitas áreas: acharmos que aquilo que nós vivemos é mais difícil do que os outros vivem.

Não foram poucas as vezes, que perante uma mãe de filho único a queixar-se, eu tinha a resposta presente: "era tudo tão fácil quando tinha só um". Ou quando uma mãe se lamentava de uma bronquiolite, eu pensava: "sei o que são bronquiolites há meses seguidos". Quando alguém dizia que era impossível ir às compras com os filhos, eu dava uma gargalhada cínica: "Nunca deixei de ir às compras com filhos atrás". Podia continuar o chorrilho de respostas que me tornavam a maior mártir da história da maternidade.

Ainda hoje caio facilmente neste tipo de julgamentos. Quando alguém se queixa de algo, minimizar a queixa (nem que seja em pensamento); ou também, ao contrário: quando alguém faz algo visto como extraordinário, desvalorizar esse esforço lembrando as inúmeras pessoas algures na história da humanidade que fizeram igual ou melhor (eu, incluída).

Este tipo de pensamentos não são nada bons, e muito menos cristãos - falo por experiência própria. Alimentam as nossas fraquezas. Se tendemos para a auto-comiseração, aumentam-na. Se tendemos para o ressentimento, alimentamos esse ressentimento. E por diante.

Outro dos perigos é resguardarmo-nos em conversas com "pessoas que nos compreendem". Se por um lado é bom falar com pessoas que estão na mesma fase ou a passar pelo mesmo desafio, por outro isso convence-nos que só essas pessoas sabem das nossas lutas e nos podem ajudar.

Descobri que ver em perspectiva é sempre uma boa opção. Darmo-nos o benefício da dúvida. A história do copo meio cheio ou meio vazio. Claro que uma mãe que está privada de sono sabe que esta fase não durará o resto da vida e não encontra grande conforto no: "Isso vai passar". Pode, até, ficar irritada com o "Ainda vais ter saudades". Mas alargar a visão e buscar ouvir não só o que nos conforta ou agrada, pode parecer um contra senso, mas tenho aprendido que ajuda a olhar além de nós.

Experimento, há alguns anos, a presença de amigas que desejariam muito ter uma noite mal dormida. Mas não conseguem por nada engravidar. Foi com elas que aprendi a refrear os meus queixumes, numa primeira fase. O poder que um olhar triste e desejoso de ter esse tipo de angústias teve no modo de me expressar acerca dos meus dramas, foi muito grande. Já viram ou partilharam as lágrimas de alguém que vive infertilidade? Experimentem.

Desde aquele dia que peço ainda mais ajuda a Deus para me calar. Para me ajudar a reagir com amor, com compreensão e sem julgamento. Para que haja lugar a um desabafo (eu tinha mesmo dormido mal aquela noite graças a uma enxaqueca com aura), porque acredito no poder aliviador de um fardo. Às vezes, o silêncio é a melhor compreensão. Outras vezes, "vais conseguir ultrapassar, sei o que isso é", e ainda outras: "nunca passei por isso, mas lamento muito" e sempre: "Vou orar por ti".

"O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. 
Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor."

-excerto de 1 Coríntios 13-


Imagens retiradas daqui.



30 dezembro 2018

Adeus, 2018


A clássica foto de oferta a amigos e família pelo Natal, a relembrar que Deus continua a cuidar de nós, mesmo quando os anos não se tornam mais fáceis. Como lia por aí: não vamos fazer resoluções para o novo ano, façamos hábitos.

25 dezembro 2018

Dia de Natal

Hoje foi o dia de voltar a lembrar o nascimento do nosso Salvador. Pela manhã, quando celebrávamos juntos em família na Igreja da Lapa, olhei em redor e observei a forma como orávamos uns pelos outros, confirmei uma das coisas que Jesus veio fazer quando se tornou homem e habitou entre nós: ensinar o que é o amor. Amar é difícil, dá trabalho, é uma escolha e um mandamento. Só podemos amar porque alguém nos amou primeiro. De forma perfeita.

"Nós amamos porque ele nos amou primeiro." - 1 João 4:19


24 dezembro 2018

Advento, dia 24


Hoje, relembro o bebé a dormir debaixo das estrelas que ele próprio criou, e relembro também o dia em que fui adoptada como filha de Deus, pela graça. Agradeço o Espírito Santo que habita em mim e vivo este dia com outros, a quem quero amar como a mim mesma, num acto de obediência  Deus Pai.

Seja com bacalhau, perú, rabanadas ou filhoses, a alegria deste dia só existe porque me foi dada uma alegria maior, que eu tenho o ano inteiro. Aguardo ansiosamente o dia mais alegre de todos, aquele em que vou conhecer o meu Salvador. Ansiosamente!

"Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, 
e lhe deu um nome que é sobre todo o nome;
Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, 
e na terra, e debaixo da terra,
E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, 
para glória de Deus Pai."

Filipenses 2:9-11


23 dezembro 2018

Advento, dias 22 e 23


"Não tenhas medo!" - esta frase que o anjo disse a Maria, é uma frase repetida ao longo de toda a Bíblia, em inúmeras situações. Lembro-me de Josué, lembro-me de Zacarias, dos pastores em Belém.

O medo é um estado de alerta que previne que nos defendamos em situações de perigo. Também pode ser o receio de algo que está para a acontecer (e nem sempre ser uma ameaça real), pode ser um estado de ansiedade que se descontrola, pode ser um sentimento de culpa prolongado no tempo, o medo de morrer. Acho que já experimentei todos estes tipos de medo.

A Bíblia diz que Jesus veio e que venceu a morte. Com ele, temos vida, e uma libertação que nos deve livrar de todo o tipo de ansiedades, receios, medos. Isso, medos! Se a morte representar o pior medo de todos - sendo aquele que mais aterrador e desesperançoso pode ser, e esse medo tiver sido vencido com Cristo Jesus, então não há razão nenhuma para ter outros medos.

"Não to mandei eu? Sê forte e corajoso;
não temas, nem te espantes;
porque o Senhor teu Deus é contigo,
por onde quer que andares."

- Josué 1:9 -

Não tenhas medo. Não tenhas medo. Não tenhas medo.

21 dezembro 2018

Advento, dia 21

Entre as aparições dos anjos, a gravidez, o casamento e o censo, a vida de Maria e de José estava virada de pantanas. Tudo indica que eles ainda eram jovens (Maria uma adolescente). Esta gravidez, não só tornaria a família que eles tinham planeado completamente inédita, como este nascimento mudaria o rumo de toda a história.
Chegou o dia de Jesus nascer. Um parto. Nos braços destes jovens pais, o filho de Deus, um bebé completamente dependente e frágil. Juntos, Maria e José cuidaram deste bebé, enrolaram-no em panos para o aquecer e deram-lhe o nome de Jesus, tal como tinham sido instruídos.

A encarnação do Salvador do mundo poderia ter acontecido de muitas formas. Mas Deus, no seu plano maravilhoso e misterioso, escolheu que fosse assim. Ele escolheu este casal, numa noite longe de casa, para trazer ao mundo este bebé. Este menino, segundo as palavras do anjo, seria o herdeiro do trono de David. Ele seria o Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. O governo estaria sobre os seus ombros (Isaías 9:2-7).

Mas não havia nada particularmente complexo ou real nesse momento no estábulo Não havia megafones nas ruas a anunciar o nascimento do rei. À primeira vista, este era apenas e só mais um nascimento a acontecer, com rigorosamente nada de extraordinário. Mas este nascimento foi tudo menos banal. Fazia parte do plano de Deus desde o início.

Em Belém, nasceu uma criança. Um filho nos foi dado. Foi o momento mais significativo da história do mundo.

Porque um menino nos nasceu, 
um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, 
e se chamará o seu nome: 
Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.
Do aumento deste principado e da paz não haverá fim, 
sobre o trono de Davi e no seu reino, 
para o firmar e o fortificar com juízo e com justiça, 
desde agora e para sempre; o zelo do Senhor dos Exércitos fará isto.

Isaías 9:6,7

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.
Do aumento deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o firmar e o fortificar com juízo e com justiça, desde agora e para sempre; o zelo do Senhor dos Exércitos fará isto.

Isaías 9:6,7


20 dezembro 2018

Advento, dia 20.

A história de Maria intriga-me sempre. Imagino uma jovem com boa reputação, prestes a casar com um jovem carpinteiro, com uma vida estável pela frente. Num dia como qualquer outro, apareceu-lhe um anjo. Um anjo? Isso: "Não tenhas medo, Maria, porque achaste graça diante de Deus" (Lucas 1:30). O anjo, então, informou-a do que aconteceria a seguir: ela iria ter um filho. Ela deveria dar-lhe o nome de Jesus e ele seria o rei prometido. Naturalmente, Maria, não sendo ainda casada, questionou: "Com acontecerá isso, se sou virgem?" Maria temia o que podia ouvir, a sua reputação estava prestes a ser manchada. Em tempos que a identidade de uma jovem e o seu futuro na sociedade dependiam de valores altos como a virgindade, resta-nos imaginar o espanto e a confusão de Maria, ao saber que Deus escolhia um caminho tão pouco popular para trazer o Messias ao mundo.

Muitas vezes, Deus mexe com os padrões pelos quais somos avaliados pelos outros para fazer o seu trabalho. A sociedade poderia difamar Maria, poderia evitá-la, poderia discriminá-la. Nada disso mudava o facto de Deus a achar altamente favorecida. É assim que Deus faz connosco também: pessoas favorecidas por meios não tão tradicionais.

Maria, porém, guardava todas essas coisas e sobre elas refletia em seu coração.

Lucas 2:19
Como acontecerá isso, se sou virgem"

Lucas 1:3Ela temia a resposta que estava prestes a ouvir. Seu Filho seria ótimo, mas aos olhos do mundo, ela não seria mais.
"Maria, porém, guardava todas estas coisas e sobre eles reflectia em seu coração." - Lucas 2:19

Maria guardou para o Senhor Deus as suas questões, e escolheu confiar sem mais respostas. A reserva e a sabedoria de Maria inspiram-me. Comovem-me. Quando duvido da minha capacidade de confiar em Deus, lembro-me de Maria. Confiar em Deus implica relembrar a sua fidelidade ao longo de todas as gerações, redefinindo o que é bom, aos seus olhos.

Com o tempo, ao ver o Senhor Deus a trabalhar, a confusão e a reserva de Maria  transformaram-se em adoração: “pois o poderoso fez grandes coisas por mim e santo é o seu nome”(Lucas 1:49). A minha oração é que o meu louvor esteja sempre pronto, em todos os momentos em que estou confusa. O seu nome é santo, e grandes coisas o Senhor Deus tem feito por mim. Amém.

19 dezembro 2018

Advento, dia 19

David é descrito na Bíblia como "um homem segundo o coração de Deus". David é descrito assim porque se comportava como um servo que desejava e amava fazer a vontade de Deus.
David servia a Deus e queria, acima de tudo, agradar-lhe. Não o fazia para agradar aos homens. David também cumpria o que lhe pediam e fazia-o com sabedoria e prudência, e agia de modo tão excelente, que conquistou a simpatia de todos os que com ele estavam e serviam (1 Samuel 18.5).
David era, também, um guerreiro. A sua missão diante de Deus era guerrear para livrar o “povo de Deus” dos seus inimigos (2 Samuel 3.18). Dessa forma, ele estava consciente da sua missão: servir a Deus.
Isso não significa que David tenha tido uma vida perfeita - pelo contrário, cometeu erros enormes, mas o seu coração estava disposto a assumir os erros cometidos e a arrepender-se deles.

Contudo, temos Jesus: melhor que David.

David foi ungido de Deus e escolhido para ser um rei de Israel.
Jesus é o Messias prometido e reinará para todo o sempre, em todo o Universo.
David era imperfeito e pecador, ainda que temente a Deus.
Jesus nunca pecou e é perfeito. Digno de todo o louvor e adoração.
David cumpriu grandes coisas, com a ajuda de Deus e era um exemplo a ser seguido.
Jesus fez coisas grandiosas e sempre tudo bem, e e/é o nosso exemplo maior a seguir.
David julgou o povo israelita.
Jesus julgará todo o mundo.

Importa sempre ler a Bíblia com o foco em Jesus. Não há gigante que David não tenha derrotado, Salmo que não tenha composto, oração que não tenha feito, que não tivesse o seu eco final no bebé que viria a nascer mais tarde. O bebé que hoje merece todo o nosso louvor, mal chega o Natal.

- A foto acima é com o grupo com quem estive a estudar na Escola Bíblica de férias de Natal 2018, na Igreja da Lapa-



18 dezembro 2018

Advento, dia 18



Se tivéssemos de resumir a vida de Moisés, poderíamos dizer: mediador de conflitos. Basta imaginar que grande parte da sua vida foi ser o constante portador da mensagem de Deus ao povo. Moisés não só representava Deus para o povo, mas também se encontrava na posição desconfortável de dar a cara pelo povo de Israel, ao seu Deus.
Moisés amava a Deus e amava o povo. E esta é uma característica fundamental de um bom mediador: alguém que ama as duas partes e que deseja que as partes se amem também.
Moisés queria que Deus perdoasse a enormidade dos pecados de Israel. Ele queria que Deus fosse com Israel para onde eles iam e que Israel fosse para onde Deus ia. Moisés deu a sua vida para lembrar a Deus e a Israel o quanto eles se amavam.

Hoje, temos um melhor Moisés.
Moisés abdicou do lugar na casa do Faraó e juntou-se ao povo judeu.
Jesus abdicou do seu lugar, tomou a forma de servo, e fez-se homem.
Moisés libertou o povo judeu da escravidão.
Jesus libertou judeus e gentios da escravidão do pecado.
Moisés recebeu a lei e deu-a ao povo.
Jesus recebeu a lei de Deus e escreveu-a no coração dos que chamou.
Com Moisés a aliança com Deus era feita através da lei.
Com Jesus, a aliança faz-se pela fé.

Hoje podemos agradecer a Deus por enviar Jesus como um verdadeiro e melhor mediador que, como Moisés e outros sacerdotes do Antigo Testamento, é o nosso meio de ligação ao Pai, para todo o sempre. Com a sua vinda, morte e ressurreição temos vida. E vida para sempre!


"Porque há um só Deus,
e um só mediador entre Deus e os homens, 
Jesus Cristo, homem."

- 1 Timóteo 2:5 -
Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.

1 Timóteo 2:5


Dia nº 2 da Escola Bíblica de férias da Igreja da Lapa

17 dezembro 2018

Advento, dia 17

Em plena Escola Bíblica de férias da Igreja da Lapa, reciclo parte do material que estamos a estudar com as crianças e partilho convosco, nesta caminhada comum do Advento.


"O qual, na verdade, foi conhecido ainda antes da fundação do mundo..."
O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo

1 Pedro 1:20

- 1 Pedro 1:20 -

É difícil imaginar o tempo " ainda antes da fundação do mundo", mas de facto, a Bíblia conta que houve um tempo antes da existência da Terra. E apesar de estarmos familiarizados com o: “No princípio criou Deus…” (Génesis 1:1), também não é coisa simples conceber a ideia que, com apenas a sua palavra, Deus criou tudo a partir do nada.
"No início era o verbo." - a palavra
João 1:1

A Palavra era Jesus - Ele era Deus e estava com Deus desde o início. Jesus nunca foi um plano B. Toda a Bíblia aponta constantemente para Jesus. Cada simples palavra.

Vivemos no tempo em que podemos ler toda a história descrita no Velho Testamento, a forma como a imperfeição, os desastres, a incredulidade dominaram, desde o Éden, o coração dos homens; ao mesmo tempo existimos hoje enquanto Igreja do Senhor Jesus, sabendo que todas as promessas foram cumpridas com Cristo. Não existe mundo perfeito sem a vinda de Jesus.

Desde Adão, vemos as semelhanças, e também as diferenças que tornam Cristo o nosso modelo perfeito e a quem devemos seguir.

Adão foi criado à imagem e semelhança e Deus. Ele vivia num jardim perfeito.
Jesus encarnou num corpo e é o próprio Deus. Veio a este mundo caído.
Adão foi tentado no jardim e escolheu desobedecer.
Jesus foi tentado no deserto e escolheu obedecer ao Pai.
Adão trouxe a morte a este mundo.
Jesus veio trazer vida, através da sua própria morte e ressurreição.


Jesus é o verdadeiro e melhor Adão - aquele cuja obediência trouxe perdão e vida onde a desobediência tinha trazido condenação e morte. Nesta caminhada para o Natal, precisamos olhar para todas as promessas de anos longos e duros em que o povo esperava por uma redenção. O resgate que hoje temos como certo.

16 dezembro 2018

Advento, dia 16



Fui mãe de 4 filhos em 6 anos. Podem - tentar - imaginar o ruído da minha casa, ao longo destes últimos 14 anos. Apesar de ter crescido numa família numerosa, o ruído é algo que interfere muito no meu sistema nervoso, especialmente nas alturas de maior cansaço. Não foi só no passado, ainda hoje acontece, nas alturas de maior agitação, cair em pensamentos de desesperança. Que mãe, no final do dia, com todos na cama - ainda que por pouco tempo - não deu consigo a pensar: Finalmente paz!

Infelizmente, ter paz interior não se resume a silêncio ou a um ambiente mais tranquilo. Essa é uma versão de paz que eu posso controlar e alcançar no imediato, mas muito breve e exterior. É muito fácil achar que ter comportamentos controlados, casa arrumada, tudo tratado traz paz a esta vida. Mas não traz.

Felizmente, tenho a Palavra de Deus para me ajudar neste assunto. Em Tiago lemos:

"Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz (3:18)".

Esta ideia é tão bonita: semear a paz! Quanto mais leio acerca da paz, vejo que é algo que não sou eu que faço, é algo que Cristo semeia e dá.

Hoje, em tempos que tudo se faz a ritmos alucinantes e que há tanto para fazer, em que desespero para alcançar breves momentos de tranquilidade, preciso correr para Cristo e lembrar-me das suas palavras: " A minha paz vos dou".

A sua paz me dá. A paz que só Ele pode dar.