18 janeiro 2019

Desafio dos 10 anos


Anda por aí um desafio dos 10 anos, que desconfio que sirva para todos nos dizerem como éramos mais novos mas também para nos assegurar que o nosso processo de envelhecimento está a ser generoso. Vou poupar-me a isso, fico à espera dos vossos comentários para quando eu estiver mesmo ali na decadência total e começar a pensar em botox (estou a brincar!).

Resolvi ir ver o que se passava com a minha pessoa há uma década, e ora me dá vontade de rir, ora me apetece mandar-me calar. Bolas, que chata.

Basicamente, no início de 2009 eu tentava encontrar um equilíbrio entre ter três filhos abaixo dos 4 anos, que ora iam à escola porque eu tinha um trabalho permanente ao computador que era essencial ao nosso rendimento, ora estavam doentes com mil e uma coisas. Nesta fase, a rainha das doenças era mesmo a Marta, e era raríssimo estar sem a companhia dela em casa.

Há 10 anos, eu precisava muito de encontrar alguém nas mesmas circunstâncias que eu, e isso vê-se nas minhas maravilhosas declarações no Facebook, ou neste blogue. Exorcizar o meu desespero era parte da terapia e acho que teve o seu papel. Mas... prometo que não voltarei a esse nível. Se começar a descarrilar, por favor dêem-me uma paulada na cabeça e o assunto fica encerrado.

Ao mesmo tempo, vejo ali uma pessoa cansada, mas ainda assim com energia. Eu queria mesmo sair à rua com três crianças, só porque não aguentava mais estar em casa? Eu trabalhava no computador a todas as horas e mais algumas, inclusive ao serão de sexta-feira? No final desse ano, não contente com o caos desta casa, engravidei mesmo do quarto filho?

Efectivamente, passaram-se 10 anos. Os meus níveis de energia estão mesmo nos 40 (desculpem, pessoas super jovens e cheias de energia com a mesma idade que eu), não me passa pela cabeça ter o computador ligado ao serão de uma sexta-feira, estar em casa sem ter um plano é coisa que hoje me agrada sobremaneira, embora passeios sem destino também me soem bem, e uma boa notícia: os miúdos raramente estão doentes. De tal maneira que tive de usar o termómetro a semana passada com a nossa gata, e ele não reagia por falta de uso.

Dez anos depois, ainda não comprei o papel para a polaroid que a Miriam me deu. Prometo que compro nos próximos dez anos, ok? Uma década depois, acho que há lugar para tudo mas sobretudo para a gratidão. Deus foi bom nesses tempos e deu-nos tudo o que precisávamos e até mais. Tem feito crescer os miúdos de forma saudável, harmoniosa, e tem-nos ajudado enquanto pais. Hoje, o trabalho ao computador deixou de ser essencial para os dias. Quase tudo o que faço é voluntário, e escrevo para abençoar outros, sobretudo. Sirvo com o Tiago na Igreja que Deus nos deu, e quero ter a capacidade de olhar sempre para trás e identificar quem se possa estar a sentir sozinho nas suas dificuldades. Ter alegria, independentemente das circunstâncias, continua a ser um desafio, mas não vamos desistir.

2009 parece que foi ontem, mas não parece nada que foi ontem. É sempre assim, certo?

17 janeiro 2019

Uma gata chamada Sombra

[25.7.2002 - 15.1.2019]


Desde que existe casa dos Cavacos que existe a gata Sombra. Há duas semanas, pela primeira vez nos seus 16 anos e meio, deu sinais de estar a ficar doente. Pela segunda vez em toda a vida dela, entrou num veterinário. A Sombra sobreviveu à chegada de 4 bebés, perda da gata Nuvem, mudança de casa, queda de uma varanda, entre outros. Teve uma vida mais longa que a maioria dos gatos e saudável. Apesar de ser um assunto recente, o de que poderíamos ficar sem esta companhia, as lágrimas têm sido bastantes por aqui. E assim se aprende em família o que é perder.











14 janeiro 2019

Introdução ao estudo do livro de Juízes



O livro de Juízes não é o livro mais reconfortante da Bíblia. Fujo dele sempre que posso - quase sempre. Se o livro de Juízes fosse um filme, estaria classificado como um thriller, ou então puro horror.

É composto por 21 capítulos cujos ingredientes são a decepção, a opressão, a idolatria, o assassinato, violação, e apostasia, isto só para mencionar alguns. Os heróis, aqueles que esperaríamos que fossem as figuras modelo, não se comportam da maneira que idealizámos.

Sabemos que a Bíblia é inspirada e proveitosa, e quero acreditar que o livro de Juízes pode ser especialmente proveitoso para nós, hoje. Para mim, aqui em Lisboa. Como? Lembram-se do livro de Josué? O livro termina com a tomada de posse das terras, de uma maneira quase gloriosa. O livro de Juízes começa com o fracasso dos israelitas em tomar posse de algumas dessas terras, fazendo o povo viver no meio de uma cultura pagã, por causa da desobediência. E é aí que eu me encontro hoje, e qualquer cristão se encontra hoje: a viver numa cultura pagã. E um dos problemas é que estamos demasiado encaixados neste paganismo, também por causa da nossa desobediência, de todo um passado cheio de erros na forma de viver e ensinar.

No geral, Juízes é um conto sombrio, por que é que este livro se encontra na Bíblia?
Porque mostra a a depravação humana, a fraqueza da nossa natureza e a necessidade de um verdadeiro rei e salvador. Os seres humanos não podem salvar-se sozinhos; eles precisam de um salvador.



Quem escreveu?
Não sabemos quem o escreveu mas terá sido alguém ligado à casa de David.

É composto por várias tradições orais  – acredita-se que o cântico de Débora é um dos poemas mais antigos que do Antigo Testamento, e que foi incorporado nesta mescla de histórias, que não estão necessariamente organizadas por ordem cronológica; temos até histórias que se sobrepõem, como Sansão com Samuel.

Quando foi escrito?
O livro abarca a história entre a morte de Josué e o começo da monarquia em Israel (1400 – 1050 AC – 300 anos). Talvez tenha sido escrito entre 1010 e 1003 AC. Foi escrito há mais ou menos 3000 anos!

Para quem foi escrito?
Para a nação de Israel e com o objectivo de validar a monarquia da linhagem de David, e para nós, que vivemos deste lado da morte de Cristo, serve para validar a monarquia do próprio Cristo. 


Quais os temas centrais?
A ideia da necessidade de um rei. O povo acabou de chegar a Canaã e tomou posse mas não ocupou a terra.. Esta fase em que estão a afastar os povos – ou não, não há um governo civil que tenha sido estabelecido. Como é que eles vão governar? Esse é um dos temas.

A fidelidade de Deus é uma constante ao longo do livro.

A relação causa e efeito entre obediência e desobediência. 

Em que género literário foi escrito?
O estilo é uma narrativa histórica, mas também é um livro profético. Quando lemos esta narrativa, devemos ter em consideração que no Oriente a história era usada como propaganda. De forma a favorecer o líder. A forma como esta narrativa é escrita vai contra a cultura da época porque a nação de Israel sai bastante prejudicada. Também por  isso vemos como é inspirada por Deus. Em nenhum momento os homens saem bem na sua desobediência. 

A forma como os factos nos são dados é para nos transmitir uma mensagem sobre Deus. Não vamos assumir que só porque o escritor não demonstra repulsa nos factos que está a relatar, que não devemos sentir repulsa por episódios mesmo muito maus. Não podemos assumir que a ausência de emoções na descrição que significa que a Bíblia apoia este tipo de acontecimentos. 

Estou a começar Juízes e sei que não acaba bem. Vou ler com estas coisas em mente e com a noção de que não vou perceber muita coisa. Mas vou ler, porque a Palavra de Deus é para ser lida, digerida e absorvida. Quem está comigo?


Esta foto foi tirada em Novembro de 2016, no Vaticano, em Roma. 
Ilustra o episódio de Jael e Sísera. - Juízes 4. Lá chegarei!




 













04 janeiro 2019

Esta noite dormi mal

Aqui há uns tempos cometi a ousadia de comentar, na presença de jovens mães, que não tinha passado bem a noite.

"Duvido que esteja aqui alguém que tenha dormido bem a noite." - foi a resposta pronta.
Num pequeno instante, as reacções saltaram. Como pipocas.

E foi assim que me calei quase instantaneamente, porque me senti a provar do meu próprio veneno. De nada valia a pena explicar a estas mães que eu vivi durante largos anos um estado zombie, que sei muito bem o que é estar no limite das minhas forças e paciência, que vivi vários internamentos de filhos, que também sei o que é estar eu mesma doente e ter filhos doentes, que sei o que é ter o pai ausente e ter de acudir a vários colos de pequeninos... enfim.

O que eu experimentei naquele dia, razão pela qual me calei no imediato, foi aquilo que eu acreditei  durante muito tempo, e ainda hoje é uma tendência para mim em muitas áreas: acharmos que aquilo que nós vivemos é mais difícil do que os outros vivem.

Não foram poucas as vezes, que perante uma mãe de filho único a queixar-se, eu tinha a resposta presente: "era tudo tão fácil quando tinha só um". Ou quando uma mãe se lamentava de uma bronquiolite, eu pensava: "sei o que são bronquiolites há meses seguidos". Quando alguém dizia que era impossível ir às compras com os filhos, eu dava uma gargalhada cínica: "Nunca deixei de ir às compras com filhos atrás". Podia continuar o chorrilho de respostas que me tornavam a maior mártir da história da maternidade.

Ainda hoje caio facilmente neste tipo de julgamentos. Quando alguém se queixa de algo, minimizar a queixa (nem que seja em pensamento); ou também, ao contrário: quando alguém faz algo visto como extraordinário, desvalorizar esse esforço lembrando as inúmeras pessoas algures na história da humanidade que fizeram igual ou melhor (eu, incluída).

Este tipo de pensamentos não são nada bons, e muito menos cristãos - falo por experiência própria. Alimentam as nossas fraquezas. Se tendemos para a auto-comiseração, aumentam-na. Se tendemos para o ressentimento, alimentamos esse ressentimento. E por diante.

Outro dos perigos é resguardarmo-nos em conversas com "pessoas que nos compreendem". Se por um lado é bom falar com pessoas que estão na mesma fase ou a passar pelo mesmo desafio, por outro isso convence-nos que só essas pessoas sabem das nossas lutas e nos podem ajudar.

Descobri que ver em perspectiva é sempre uma boa opção. Darmo-nos o benefício da dúvida. A história do copo meio cheio ou meio vazio. Claro que uma mãe que está privada de sono sabe que esta fase não durará o resto da vida e não encontra grande conforto no: "Isso vai passar". Pode, até, ficar irritada com o "Ainda vais ter saudades". Mas alargar a visão e buscar ouvir não só o que nos conforta ou agrada, pode parecer um contra senso, mas tenho aprendido que ajuda a olhar além de nós.

Experimento, há alguns anos, a presença de amigas que desejariam muito ter uma noite mal dormida. Mas não conseguem por nada engravidar. Foi com elas que aprendi a refrear os meus queixumes, numa primeira fase. O poder que um olhar triste e desejoso de ter esse tipo de angústias teve no modo de me expressar acerca dos meus dramas, foi muito grande. Já viram ou partilharam as lágrimas de alguém que vive infertilidade? Experimentem.

Desde aquele dia que peço ainda mais ajuda a Deus para me calar. Para me ajudar a reagir com amor, com compreensão e sem julgamento. Para que haja lugar a um desabafo (eu tinha mesmo dormido mal aquela noite graças a uma enxaqueca com aura), porque acredito no poder aliviador de um fardo. Às vezes, o silêncio é a melhor compreensão. Outras vezes, "vais conseguir ultrapassar, sei o que isso é", e ainda outras: "nunca passei por isso, mas lamento muito" e sempre: "Vou orar por ti".

"O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. 
Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor."

-excerto de 1 Coríntios 13-


Imagens retiradas daqui.



30 dezembro 2018

Adeus, 2018


A clássica foto de oferta a amigos e família pelo Natal, a relembrar que Deus continua a cuidar de nós, mesmo quando os anos não se tornam mais fáceis. Como lia por aí: não vamos fazer resoluções para o novo ano, façamos hábitos.

25 dezembro 2018

Dia de Natal

Hoje foi o dia de voltar a lembrar o nascimento do nosso Salvador. Pela manhã, quando celebrávamos juntos em família na Igreja da Lapa, olhei em redor e observei a forma como orávamos uns pelos outros, confirmei uma das coisas que Jesus veio fazer quando se tornou homem e habitou entre nós: ensinar o que é o amor. Amar é difícil, dá trabalho, é uma escolha e um mandamento. Só podemos amar porque alguém nos amou primeiro. De forma perfeita.

"Nós amamos porque ele nos amou primeiro." - 1 João 4:19


24 dezembro 2018

Advento, dia 24


Hoje, relembro o bebé a dormir debaixo das estrelas que ele próprio criou, e relembro também o dia em que fui adoptada como filha de Deus, pela graça. Agradeço o Espírito Santo que habita em mim e vivo este dia com outros, a quem quero amar como a mim mesma, num acto de obediência  Deus Pai.

Seja com bacalhau, perú, rabanadas ou filhoses, a alegria deste dia só existe porque me foi dada uma alegria maior, que eu tenho o ano inteiro. Aguardo ansiosamente o dia mais alegre de todos, aquele em que vou conhecer o meu Salvador. Ansiosamente!

"Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, 
e lhe deu um nome que é sobre todo o nome;
Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, 
e na terra, e debaixo da terra,
E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, 
para glória de Deus Pai."

Filipenses 2:9-11


23 dezembro 2018

Advento, dias 22 e 23


"Não tenhas medo!" - esta frase que o anjo disse a Maria, é uma frase repetida ao longo de toda a Bíblia, em inúmeras situações. Lembro-me de Josué, lembro-me de Zacarias, dos pastores em Belém.

O medo é um estado de alerta que previne que nos defendamos em situações de perigo. Também pode ser o receio de algo que está para a acontecer (e nem sempre ser uma ameaça real), pode ser um estado de ansiedade que se descontrola, pode ser um sentimento de culpa prolongado no tempo, o medo de morrer. Acho que já experimentei todos estes tipos de medo.

A Bíblia diz que Jesus veio e que venceu a morte. Com ele, temos vida, e uma libertação que nos deve livrar de todo o tipo de ansiedades, receios, medos. Isso, medos! Se a morte representar o pior medo de todos - sendo aquele que mais aterrador e desesperançoso pode ser, e esse medo tiver sido vencido com Cristo Jesus, então não há razão nenhuma para ter outros medos.

"Não to mandei eu? Sê forte e corajoso;
não temas, nem te espantes;
porque o Senhor teu Deus é contigo,
por onde quer que andares."

- Josué 1:9 -

Não tenhas medo. Não tenhas medo. Não tenhas medo.

21 dezembro 2018

Advento, dia 21

Entre as aparições dos anjos, a gravidez, o casamento e o censo, a vida de Maria e de José estava virada de pantanas. Tudo indica que eles ainda eram jovens (Maria uma adolescente). Esta gravidez, não só tornaria a família que eles tinham planeado completamente inédita, como este nascimento mudaria o rumo de toda a história.
Chegou o dia de Jesus nascer. Um parto. Nos braços destes jovens pais, o filho de Deus, um bebé completamente dependente e frágil. Juntos, Maria e José cuidaram deste bebé, enrolaram-no em panos para o aquecer e deram-lhe o nome de Jesus, tal como tinham sido instruídos.

A encarnação do Salvador do mundo poderia ter acontecido de muitas formas. Mas Deus, no seu plano maravilhoso e misterioso, escolheu que fosse assim. Ele escolheu este casal, numa noite longe de casa, para trazer ao mundo este bebé. Este menino, segundo as palavras do anjo, seria o herdeiro do trono de David. Ele seria o Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. O governo estaria sobre os seus ombros (Isaías 9:2-7).

Mas não havia nada particularmente complexo ou real nesse momento no estábulo Não havia megafones nas ruas a anunciar o nascimento do rei. À primeira vista, este era apenas e só mais um nascimento a acontecer, com rigorosamente nada de extraordinário. Mas este nascimento foi tudo menos banal. Fazia parte do plano de Deus desde o início.

Em Belém, nasceu uma criança. Um filho nos foi dado. Foi o momento mais significativo da história do mundo.

Porque um menino nos nasceu, 
um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, 
e se chamará o seu nome: 
Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.
Do aumento deste principado e da paz não haverá fim, 
sobre o trono de Davi e no seu reino, 
para o firmar e o fortificar com juízo e com justiça, 
desde agora e para sempre; o zelo do Senhor dos Exércitos fará isto.

Isaías 9:6,7

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.
Do aumento deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o firmar e o fortificar com juízo e com justiça, desde agora e para sempre; o zelo do Senhor dos Exércitos fará isto.

Isaías 9:6,7


20 dezembro 2018

Advento, dia 20.

A história de Maria intriga-me sempre. Imagino uma jovem com boa reputação, prestes a casar com um jovem carpinteiro, com uma vida estável pela frente. Num dia como qualquer outro, apareceu-lhe um anjo. Um anjo? Isso: "Não tenhas medo, Maria, porque achaste graça diante de Deus" (Lucas 1:30). O anjo, então, informou-a do que aconteceria a seguir: ela iria ter um filho. Ela deveria dar-lhe o nome de Jesus e ele seria o rei prometido. Naturalmente, Maria, não sendo ainda casada, questionou: "Com acontecerá isso, se sou virgem?" Maria temia o que podia ouvir, a sua reputação estava prestes a ser manchada. Em tempos que a identidade de uma jovem e o seu futuro na sociedade dependiam de valores altos como a virgindade, resta-nos imaginar o espanto e a confusão de Maria, ao saber que Deus escolhia um caminho tão pouco popular para trazer o Messias ao mundo.

Muitas vezes, Deus mexe com os padrões pelos quais somos avaliados pelos outros para fazer o seu trabalho. A sociedade poderia difamar Maria, poderia evitá-la, poderia discriminá-la. Nada disso mudava o facto de Deus a achar altamente favorecida. É assim que Deus faz connosco também: pessoas favorecidas por meios não tão tradicionais.

Maria, porém, guardava todas essas coisas e sobre elas refletia em seu coração.

Lucas 2:19
Como acontecerá isso, se sou virgem"

Lucas 1:3Ela temia a resposta que estava prestes a ouvir. Seu Filho seria ótimo, mas aos olhos do mundo, ela não seria mais.
"Maria, porém, guardava todas estas coisas e sobre eles reflectia em seu coração." - Lucas 2:19

Maria guardou para o Senhor Deus as suas questões, e escolheu confiar sem mais respostas. A reserva e a sabedoria de Maria inspiram-me. Comovem-me. Quando duvido da minha capacidade de confiar em Deus, lembro-me de Maria. Confiar em Deus implica relembrar a sua fidelidade ao longo de todas as gerações, redefinindo o que é bom, aos seus olhos.

Com o tempo, ao ver o Senhor Deus a trabalhar, a confusão e a reserva de Maria  transformaram-se em adoração: “pois o poderoso fez grandes coisas por mim e santo é o seu nome”(Lucas 1:49). A minha oração é que o meu louvor esteja sempre pronto, em todos os momentos em que estou confusa. O seu nome é santo, e grandes coisas o Senhor Deus tem feito por mim. Amém.

19 dezembro 2018

Advento, dia 19

David é descrito na Bíblia como "um homem segundo o coração de Deus". David é descrito assim porque se comportava como um servo que desejava e amava fazer a vontade de Deus.
David servia a Deus e queria, acima de tudo, agradar-lhe. Não o fazia para agradar aos homens. David também cumpria o que lhe pediam e fazia-o com sabedoria e prudência, e agia de modo tão excelente, que conquistou a simpatia de todos os que com ele estavam e serviam (1 Samuel 18.5).
David era, também, um guerreiro. A sua missão diante de Deus era guerrear para livrar o “povo de Deus” dos seus inimigos (2 Samuel 3.18). Dessa forma, ele estava consciente da sua missão: servir a Deus.
Isso não significa que David tenha tido uma vida perfeita - pelo contrário, cometeu erros enormes, mas o seu coração estava disposto a assumir os erros cometidos e a arrepender-se deles.

Contudo, temos Jesus: melhor que David.

David foi ungido de Deus e escolhido para ser um rei de Israel.
Jesus é o Messias prometido e reinará para todo o sempre, em todo o Universo.
David era imperfeito e pecador, ainda que temente a Deus.
Jesus nunca pecou e é perfeito. Digno de todo o louvor e adoração.
David cumpriu grandes coisas, com a ajuda de Deus e era um exemplo a ser seguido.
Jesus fez coisas grandiosas e sempre tudo bem, e e/é o nosso exemplo maior a seguir.
David julgou o povo israelita.
Jesus julgará todo o mundo.

Importa sempre ler a Bíblia com o foco em Jesus. Não há gigante que David não tenha derrotado, Salmo que não tenha composto, oração que não tenha feito, que não tivesse o seu eco final no bebé que viria a nascer mais tarde. O bebé que hoje merece todo o nosso louvor, mal chega o Natal.

- A foto acima é com o grupo com quem estive a estudar na Escola Bíblica de férias de Natal 2018, na Igreja da Lapa-



18 dezembro 2018

Advento, dia 18



Se tivéssemos de resumir a vida de Moisés, poderíamos dizer: mediador de conflitos. Basta imaginar que grande parte da sua vida foi ser o constante portador da mensagem de Deus ao povo. Moisés não só representava Deus para o povo, mas também se encontrava na posição desconfortável de dar a cara pelo povo de Israel, ao seu Deus.
Moisés amava a Deus e amava o povo. E esta é uma característica fundamental de um bom mediador: alguém que ama as duas partes e que deseja que as partes se amem também.
Moisés queria que Deus perdoasse a enormidade dos pecados de Israel. Ele queria que Deus fosse com Israel para onde eles iam e que Israel fosse para onde Deus ia. Moisés deu a sua vida para lembrar a Deus e a Israel o quanto eles se amavam.

Hoje, temos um melhor Moisés.
Moisés abdicou do lugar na casa do Faraó e juntou-se ao povo judeu.
Jesus abdicou do seu lugar, tomou a forma de servo, e fez-se homem.
Moisés libertou o povo judeu da escravidão.
Jesus libertou judeus e gentios da escravidão do pecado.
Moisés recebeu a lei e deu-a ao povo.
Jesus recebeu a lei de Deus e escreveu-a no coração dos que chamou.
Com Moisés a aliança com Deus era feita através da lei.
Com Jesus, a aliança faz-se pela fé.

Hoje podemos agradecer a Deus por enviar Jesus como um verdadeiro e melhor mediador que, como Moisés e outros sacerdotes do Antigo Testamento, é o nosso meio de ligação ao Pai, para todo o sempre. Com a sua vinda, morte e ressurreição temos vida. E vida para sempre!


"Porque há um só Deus,
e um só mediador entre Deus e os homens, 
Jesus Cristo, homem."

- 1 Timóteo 2:5 -
Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.

1 Timóteo 2:5


Dia nº 2 da Escola Bíblica de férias da Igreja da Lapa

17 dezembro 2018

Advento, dia 17

Em plena Escola Bíblica de férias da Igreja da Lapa, reciclo parte do material que estamos a estudar com as crianças e partilho convosco, nesta caminhada comum do Advento.


"O qual, na verdade, foi conhecido ainda antes da fundação do mundo..."
O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo

1 Pedro 1:20

- 1 Pedro 1:20 -

É difícil imaginar o tempo " ainda antes da fundação do mundo", mas de facto, a Bíblia conta que houve um tempo antes da existência da Terra. E apesar de estarmos familiarizados com o: “No princípio criou Deus…” (Génesis 1:1), também não é coisa simples conceber a ideia que, com apenas a sua palavra, Deus criou tudo a partir do nada.
"No início era o verbo." - a palavra
João 1:1

A Palavra era Jesus - Ele era Deus e estava com Deus desde o início. Jesus nunca foi um plano B. Toda a Bíblia aponta constantemente para Jesus. Cada simples palavra.

Vivemos no tempo em que podemos ler toda a história descrita no Velho Testamento, a forma como a imperfeição, os desastres, a incredulidade dominaram, desde o Éden, o coração dos homens; ao mesmo tempo existimos hoje enquanto Igreja do Senhor Jesus, sabendo que todas as promessas foram cumpridas com Cristo. Não existe mundo perfeito sem a vinda de Jesus.

Desde Adão, vemos as semelhanças, e também as diferenças que tornam Cristo o nosso modelo perfeito e a quem devemos seguir.

Adão foi criado à imagem e semelhança e Deus. Ele vivia num jardim perfeito.
Jesus encarnou num corpo e é o próprio Deus. Veio a este mundo caído.
Adão foi tentado no jardim e escolheu desobedecer.
Jesus foi tentado no deserto e escolheu obedecer ao Pai.
Adão trouxe a morte a este mundo.
Jesus veio trazer vida, através da sua própria morte e ressurreição.


Jesus é o verdadeiro e melhor Adão - aquele cuja obediência trouxe perdão e vida onde a desobediência tinha trazido condenação e morte. Nesta caminhada para o Natal, precisamos olhar para todas as promessas de anos longos e duros em que o povo esperava por uma redenção. O resgate que hoje temos como certo.

16 dezembro 2018

Advento, dia 16



Fui mãe de 4 filhos em 6 anos. Podem - tentar - imaginar o ruído da minha casa, ao longo destes últimos 14 anos. Apesar de ter crescido numa família numerosa, o ruído é algo que interfere muito no meu sistema nervoso, especialmente nas alturas de maior cansaço. Não foi só no passado, ainda hoje acontece, nas alturas de maior agitação, cair em pensamentos de desesperança. Que mãe, no final do dia, com todos na cama - ainda que por pouco tempo - não deu consigo a pensar: Finalmente paz!

Infelizmente, ter paz interior não se resume a silêncio ou a um ambiente mais tranquilo. Essa é uma versão de paz que eu posso controlar e alcançar no imediato, mas muito breve e exterior. É muito fácil achar que ter comportamentos controlados, casa arrumada, tudo tratado traz paz a esta vida. Mas não traz.

Felizmente, tenho a Palavra de Deus para me ajudar neste assunto. Em Tiago lemos:

"Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz (3:18)".

Esta ideia é tão bonita: semear a paz! Quanto mais leio acerca da paz, vejo que é algo que não sou eu que faço, é algo que Cristo semeia e dá.

Hoje, em tempos que tudo se faz a ritmos alucinantes e que há tanto para fazer, em que desespero para alcançar breves momentos de tranquilidade, preciso correr para Cristo e lembrar-me das suas palavras: " A minha paz vos dou".

A sua paz me dá. A paz que só Ele pode dar.

15 dezembro 2018

Advento, dia 15


De todas as promessas que leio na Bíblia, a promessa de que tudo será restaurado é talvez a que mais me maravilha e também a que tenho mais dificuldade em entender. Só conheço este mundo de agora, que tanto me parece lindíssimo, como cheio de fragilidades. Como será um mundo completamente novo e sem doenças ou devastação? Sem dor, sem morte, sem perdas?

A ideia deixa-me deslumbrada, mas a minha imaginação não chega lá. Parece-me mais um sonho por concretizar do que uma realidade futura. Mas sempre que caio nestes momentos, em que fico tonta com a ideia de eternidade, em que não consigo ver como será a perfeição, recordo a minha pequenez perante a grandiosidade do que me é descrito na Bíblia, e recolho-me ao meu lugar: de pessoa limitada e imperfeita.

Quando me detenho na ideia de um futuro que me parece tão distante, penso em todas as coisas que já foram restauradas na minha própria vida e no que é o processo de santificação. Quando reconheço isto em mim e nos que me rodeiam, a minha esperança aumenta acerca do futuro. Pode haver restauração para outros já, e podemos fazer parte desse trabalho.


Pedro, acerca deste assunto, escreveu assim:

"Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite;
no qual os céus passarão com grande estrondo,
e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra,
e as obras que nela há, se queimarão.
Havendo, pois, de perecer todas estas coisas,
que pessoas vos convém ser em santo trato, e piedade,
Aguardando, e apressando-vos para a vinda do dia de Deus,
em que os céus, em fogo se desfarão,
e os elementos, ardendo, se fundirão?" 2 Pedro 3:10-12 

Se Deus me pôde restaurar a mim, e continua a restaurar-me diariamente,  não há limites para o que ainda vai fazer noutros. Hoje, quando leio sobre a nova criação, tento mudar a minha ideia do que não consigo imaginar, mas a certeza de que Deus pode restaurar o que ele entender, quando entender.

Então, se hoje eu duvido se este mundo tem uma cura, ou se há relacionamentos que podem ser reconciliados, ou doenças que podem desaparecer, olho para as verdades das Escrituras, lembro o que Deus já fez em mim e a promessa: "Eis que faço novas todas as coisas." - Apocalipse 21:5

Não foi para isso mesmo que Jesus veio um dia?
Eis que faço novas todas as coisas

Apocalipse 21:5


14 dezembro 2018

Advento, dia 14



É muito fácil perceber que tantas vezes sou mais influenciada por outras pessoas do que por Jesus. Dou comigo no Instagram, ou no Pinterest a ver ideias perfeitas, vidas perfeitas, e inúmeras confirmações do quanto a minha vida é imperfeita. É muito perigoso, porque me traz sentimentos de desejo por coisas que me afastam do melhor exemplo de todos, Jesus Cristo.

Não posso dizer que seja errado navegar pelas redes sociais, nem o desejar fazer coisas bonitas que tiro do Pinterest (e que tanto jeito dão para trabalhos com os miúdos ou ideias de organização). Simplesmente, o desejo por esta beleza que me é vendida e que posso desejar, será sempre um desejo pouco satisfeito ou completo se não o for feito ao abrigo do Deus que inventou toda esta beleza.

Em Sofonias lemos sobre uma chamada ao arrependimento para o povo de Deus, que estava atraído por ídolos vizinhos. A passagem fala acerca de Israel, mas dá mais ênfase ao julgamento iminente destes vizinhos.


"Congregai-vos, sim, congregai-vos, ó nação não desejável;
Antes que o decreto produza o seu efeito, 
e o dia passe como a pragana; 
antes que venha sobre vós o furor da ira do Senhor, 
antes que venha sobre vós o dia da ira do Senhor."

Sofonias 2:1,2

A atracção pelos ídolos levou Israel à beira da destruição. Os meus ídolos de hoje não são feitos de ouro, mas mostram-me como sou facilmente atraída pelo material. É fácil querer mais, desejar mais.

Deus escolheu o povo de Israel para si, para sua glória. Mas o povo afastou-se dele e aproximou-se dos ídolos pagãos. Da mesma forma, Deus escolheu-me para si. Estou muito agradecida por isso e por ler estas passagens bíblicas que me recordam que o meu coração deve estar focado na beleza do meu Senhor e não na beleza deste mundo, por si só. A beleza deste mundo só deve ser apreciada com o seu Criador sempre em vista. Fui criada para adorar, a começar por este bebé que nasceu há 2000 anos em Belém. Ele merece tudo o que tenho para dar.

Advento, dia 13


Quem tem filhos, sabe que há uma fase quando eles são bem pequeninos, que quando têm vergonha tendem a tapar a cara, como se o facto de eles próprios deixarem de ver, fizesse com que os outros os deixassem de ver também (acho essa fase o máximo).

Com Deus, comportamo-nos muitas vezes assim. Sempre que o nosso pecado é exposto, tal como Adão e Eva no jardim, queremos deixar de ser vistos. Mas como lemos na Bíblia, Deus está sempre a observar-nos, e não só sabe onde estamos como o que vai no nosso coração. Não podemos esconder nada dele.

Um dia, todos nós daremos conta do que fizemos (Romanos 14:12), mas já não haverá lugar a arrependimentos ou justificações - Deus já conhece todas as coisas (Salmo 139). Em vez de nos escondermos, estas verdades que hoje conhecemos devem levar-nos a constante confissão, arrependimento e adoração.

As boas notícias é que, apesar de o julgamento estar para breve, é a  bondade que nos leva ao arrependimento (Romanos 2:4). Através da sua enorme misericórdia, somos procurados para nos tornarmos conhecidos, mesmo quando só queremos permanecer escondidos (Romanos 1:20). Mas quando nos voltamos para Deus e oramos para receber a sua misericórdia, reconhecemos, como Paulo, que a nossa justiça está completamente nas mãos do Senhor:

Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia.
Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece.

Romanos 9:15,16
"Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, 
e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia.
Assim, pois, isto não depende do que quer, 
nem do que corre, mas de Deus, que se compadece."

Romanos 9:15,16

A redenção não depende da nossa vontade ou do nosso esforço, mas do nosso bondoso e misericordioso Deus. O Senhor Deus está presente, e trabalha de muitas maneiras e em muitos lugares. Mas podemos facilmente prescindir dele, no meio das nossas distracções e afazeres. Podemos tentar escondernos, mas mesmo assim, a Bíblia diz que ele nos persegue - fazendo o seu trabalho por todo o  mundo e dentro dos nossos corações - para nos trazer de volta para onde pertencemos: à sua presença. Embora estivéssemos longe e perdidos, o sangue de Jesus nos trouxe de volta (Efésios 2:13).

Fomos feitos para ser encontrados. Precisamos colocar-nos dispostos a querer ser achados. Precisamos ouvir, prestar atenção. Precisamos contar as bênçãos, aproximarmo-nos em gratidão, e ir ao seu encontro. À melhor presença de todas.



"Buscar-me-eis, e me achareis, 
quando me buscardes de todo o vosso coração. 
E serei achado de vós, diz o Senhor, 
e farei voltar os vossos cativos, 
e congregarvos-ei de todas as nações, 
e de todos os lugares para onde vos lancei, diz o Senhor; e tornarei a trazer-vos ao lugar de onde vos transportei. "

Jeremias 29:13,14


12 dezembro 2018

Advento, dia 12


Caminho a passos largos para o Natal de 2018 com uma noção de amor um bocadinho mais aprofundada. Em Setembro propus-me, com as minhas amigas-irmãs da Igreja da Lapa, a estudar as três cartas de João. Apercebi-me que conhecia melhor o Evangelho do que as cartas, e que o segundo maior mandamento de todos (amar o outro como a mim mesma) ainda é um processo bastante lento em mim.

Cresci com um equívoco que me trouxe anos de sarilhos: "Deus é amor mas também é justo". Como se estes conceitos vivessem em oposição. Embora eu soubesse, em teoria, que o carácter de Deus é perfeito e que nenhum atributo entra em conflito com outro, habituei-me a viver com a enorme dificuldade de ser julgada, confrontada - era como se não me sentisse amada nesses momentos. Não percebia eu que quando Deus - ou alguém - me corrigia, o amor não se suspendia, pelo contrário: demonstrava-se de outra forma.

Tinha, também, alguma dificuldade em situar - entre o amor e a justiça - a graça e misericórdia de Deus no meu relacionamento com os outros. Percebi isso ainda melhor quando comecei a ter filhos: não sabia como aplicar a justiça. Era como se ser justa fosse incompatível com ser graciosa, ou como se ser graciosa significasse ser negligente. Aprendi que a justiça deve existir sempre, não fechando os olhos ao pecado, mas abordando-o. A graça entra na forma de aplicar a justiça. Sempre que estas coisas ficam mais complicadas, recorro aos exemplos da Bíblia. Lembro das ocasiões no deserto em que Deus abordou o pecado e perdoou sem mais consequências, e as outras em que Deus puniu severamente.

Nesta caminhada do Natal, preciso lembrar do enorme sacrifício que foi feito no meu lugar e a grande dádiva que isso trouxe. Não só para mim, mas para todos os que acreditam. Quando me sinto perdoada e amada com tão grande amor, tenho um dever: escolher amar sem excepção.



11 dezembro 2018

Advento, dia 11




As pessoas daquele tempo tinham crescido com as histórias acerca da vinda do Messias. Jesus cresceu como uma simples criança e diz na Bíblia que não tinha nada de apelativo na sua aparência (Isaías 53: 1–3). Ninguém iria imaginar, olhando para ele, que seria aquele rapaz a vir cumprir todas estas promessas. Jesus foi traído, preso, julgado e condenado à morte como um criminoso. Jesus não foi vítima dos homens: ele veio cumprir a vontade do seu Pai.Ninguém lhe tirou a vida, ele deu-a de livre vontade. Com esta vida, temos vitória sobre a morte.

Jesus é o descendente de Eva que veio para esmagar a cabeça da serpente (Génesis 3:15). Ele é o carneiro de Isaac, a provisão de um substituto perfeitamente cronometrado por Deus (Génesis 22:13). Ele é o herdeiro da linhagem de Abraão - nascido miraculosamente e que traz riso a todos nós (Génesis 22:18).

Jesus representa-nos em todas as nossas fraquezas e nele encontramos o modelo perfeito de como enfrentá-las. Jesus é o novo José, o irmão esquecido, desprezado numa terra estrangeira (Génesis 42: 8).

Ele é o novo Moisés, enviado por Deus para nos libertar da terra da nossa escravidão para a nossa herança prometida (Êxodo 3: 7–10).

Ele não vem para nos entregar a lei (Êxodo 34:29), ele vem para cumpri-la, no nosso lugar, de forma perfeita (Mateus 5:17).

Ele é o juiz perfeito. Ele faz o que nenhum outro juiz é capaz de fazer - ele pega nos nossos corações de pedra e dá-nos corações de carne (Ezequiel 11:19).

Ele traz esperança onde só existe desespero. Traz cura ao que está quebrado. Transforma a tristeza em alegria. Dá vida onde só existia morte.

Imaginar que isto tudo começou com um simples nascimento. Um simples bebé.

10 dezembro 2018

Advento, dia 10

Faz-me ouvir a tua benignidade pela manhã, pois em ti confio; 
faz-me saber o caminho que devo seguir, 
porque a ti levanto a minha alma. 
- Salmos 143:8 -

Os momentos de decisão podem ser muito angustiantes. Queremos tomar a decisão certa e responsável, sem mais tarde ter de sofrer consequências negativas. Muitas vezes somos levados a acreditar que existe apenas uma decisão certa diante de nós. Quando o caminho parece enevoado, como acontece muito, o medo de tomarmos a decisão errada pode paralisar-nos . Mas David escreveu este salmo que me consola muito. Tenho de levar a Deus os meus medos, as  minhas ânsias, confiar as incertezas do meu coração e identificar o que está por detrás de cada medo ou desejo.

Para quem olho ou quem quem falo quando preciso de conselho? Para Deus. Recordo-me do seu amor, da sua imutabilidade, dos braços seguros do Pai que me abraçam. Este é o único lugar certo onde posso ficar e que não falha.

Por isso, em momentos de incerteza e em que uma decisão se avizinha, penso: quais são os medos que me bloqueiam? Que pensamentos constantes me vêm à mente? Quais são as ideias que mais assaltam o meu coração? Quando a coisa fica muito baralhada, levanto a minha alma e contemplo o meu Criador, que é o meu Pai, o meu Salvador, o meu maior amigo. Ele é a verdadeira bússola que me guia, a quem devo servir, amar e obedecer. Quando isto norteia a minha vida, dou passos confiantes. Cada um no seu tempo, mesmo nem sempre com a certeza de qual será o próximo, mas sabendo que Deus já tratou de tudo e vai estar sempre ao meu lado.

Recordo o Senhor Jesus no momento de decidir obedecer ao Pai, no momento mais angustiante de todos da história da humanidade, que foi entregar a própria vida no nosso lugar. Jesus tomou a decisão de obedecer num grande sofrimento, o que me mostra que é possível ter medo e ser obediente, é possível não ter grande paz e seguir em frente, é possível estar profundamente triste mas confiante no plano de Deus.

Quando me lembro da vinda perfeita de Jesus, lembro todas as decisões que tenho pela frente e a forma como escolho enfrentar as minhas emoções e os meus medos. Preciso confiar no meu Senhor.

09 dezembro 2018

Advento, dia 9

"Bendiz, ó minha alma, ao Senhor! 
Senhor Deus meu, tu és magnificentíssimo; 
estás vestido de glória e de majestade.
(...)
Ó Senhor, quão variadas são as tuas obras! Todas as coisas fizeste com sabedoria; cheia está a terra das tuas riquezas.

Salmos 104:24
 Ó Senhor, quão variadas são as tuas obras!
Todas as coisas fizeste com sabedoria;
cheia está a terra das tuas riquezas."
- Salmos 104: 1 e 24
Ó Senhor, quão variadas são as tuas obras! Todas as coisas fizeste com sabedoria; cheia está a terra das tuas riquezas.

Salmos 104:24
Ó Senhor, quão variadas são as tuas obras! Todas as coisas fizeste com sabedoria; cheia está a terra das tuas riquezas.

Salmos 104:24

A glória de Deus é revelada no que ele fez, na beleza da sua criação. Esta demonstração da beleza do nosso Deus está directamente relacionada com a sua própria essência e o seu carácter inabalável. Deus usa a sua criação como demonstração de quem ele é, do poder que tem e do prazer que tem nela. Nós, como portadores da sua imagem, devemos ter prazer na sua criação. E, porque Deus é eterno, toda a sua criação existe para não parar de o louvar: “Ele estabeleceu a terra em suas fundações; nunca será abalada ”(Salmo 104: 5).

Neste grande plano, existimos nesta terra - desde o momento em que nos levantamos de manhã, até ao momento em que repousamos o corpo ao deitar, para tributar um louvor contínuo ao nosso Criador, Salvador e Redentor. Se toda a natureza se une para reflectir a glória de Deus, nós não existimos para menos. Jesus veio ao mundo e com essa vinda, a nossa existência ganha uma alegria segura e confiante: estaremos toda a eternidade a reflectir esta glória, a começar por aqui e agora.