28 março 2015

Prendas "porque sim"

As prendas que eu mais gosto são as prendas "porque sim". Ninguém faz anos, não é Natal nem nenhuma data em especial, mas cruzei-me com algo que me fez lembrar alguém, e podendo comprar, trago. Por isso, não hesitei quando uma amiga lá longe no Brasil partilhou que a Playmobil estava a fazer uma edição comemorativa dos 500 anos da Reforma Protestante, a acontecer em 2017, com um boneco do Martinho Lutero. Secretamente encomendei do Ebay e lá chegou, duas semanas depois. Devia ter filmado a cara do meu marido quando abriu a caixa.


"Posso brincar com o Martinho Lutero?" - pergunta o mais novo.

Há frases que uma mãe nunca esperou ouvir.

(Apesar de ter comprado no Ebay por 8€, entretanto os primeiros 500 bonecos destes esgotaram e os que há à venda são a preços irrazoáveis, por isso deve ser necessário aguardar que a histeria inicial passe e que até 2017 os valores se tornem novamente normais.)

26 março 2015

Vencendo o mundo.

Os últimos dias foram passados na Conferência Fiel. A aprender, absorver, meditar. Quando se ouvem verdadeiros homens de Deus a falar da Sua Palavra, é como se o tempo se suspendesse e desse vontade de ficar a ouvir, mais e mais. Mas a vida tem mesmo de continuar, e o desejo é que estas coisas todas anotadas em um sem número de páginas, sejam cravadas no meu coração. Que Deus me aumente amor pela Sua Palavra e que Ele seja engrandecido nos dias da minha vida . Que os interesses temporários deste mundo ganhem cada vez menos relevância, porque eles não são de facto o que importa.

"No mundo tereis aflições, mas tenham bom ânimo. Eu venci o mundo", disse Jesus. Assim seja!

23 março 2015

Kara Lynne Thewlies Tippetts, 14.07.1976 - 22.03.2015 

"Mas porque acredito que os planos de Deus para mim são melhores do que os que eu poderia alguma vez planear, em vez de fugir do caminho que Ele colocou diante de mim, eu quero correr em direcção a ele. Eu não quero tentar mudar os pensamentos de Deus - eles são perfeitos. Eu não quero mudar o tempo de Deus - porque o Seu tempo é perfeito. Eu quero ter a graça de andar ao ritmo de Deus. Quero abraçar o Seu plano e poder ver como Ele é glorificado nisso. Quero submeter-me a Ele."


Nestes últimos dois anos, aprendi com a Kara como se aprende a morrer, não só no sentido real do que é perder a vida, mas de como é morrermos para nós próprios e vivermos em Cristo. Quando se falava da tristeza de deixar quatro filhos pequenos e marido, ela sabia que apesar da ausência brutal que iria deixar, que quem cuidava realmente dos seus filhos não era ela: era Deus. E ainda assim, um dos textos que mais me tocou sobre esta realidade que se seguiria à sua morte, ela ainda encontrou lugar para pedir a Deus por uma nova mulher para o seu marido e uma mãe para os seus filhos.

"No outro dia orava por uma mulher que venha a seguir a mim. Orei a Deus, pedindo-lhe que seja gracioso com o Jason e as crianças, e que lhes traga alguém que os ame com uma singularidade feroz. Pedia a Deus que esta mulher chegasse a este lugar cheia de graça, a este sítio difícil de corações despedaçados, e que os inunde com amor e gentileza. Oro para que ela seja também recebida com carinho e corações abertos, por todos. E que em todas as contrariedades que encontrar nesta nova vida, que seja paciente."

Hoje, o meu coração chora.


20 março 2015

Permanecer


Permanecer, tantas vezes, é o mais difícil. Para quem arrisca mudar, pode ser até uma ousadia que traz reconhecimento. Para quem fica, é muitas vezes confundido com comodismo. Ficar firme sem qualquer tipo de encorajamento pode ser desanimador. Mas quando sabemos que há caminhadas que são feitas de permanecer a criar raízes, e não de dar passos consecutivos, ficamos. A obediência e a fidelidade podem nunca vir a ser recompensadas nestes dias aqui. Mas há toda uma eternidade pela frente.

19 março 2015

Expressões infelizes.


Quando alguém se refere a alguém como estando "ao Deus dará", a ideia é a de penúria, ficou largado ao acaso, já nada lhe resta senão a sorte. A expressão não é só infeliz. Encerra em si um completo desconhecimento de Deus. Ficar a aguardar com confiança aquilo que Deus tem para dar é o melhor que nos pode acontecer!

18 março 2015

Envelhecer graciosamente


São duas as semanas que separam estas fotografias. As rosas são daquelas flores que quando começam a secar se tornam ainda mais bonitas. Não saem daqui tão depressa.

Mamã, queres um burreçadinho?




17 março 2015

16 março 2015

Caminhar sem destino nenhum.

Talvez um dos desafios com os filhos, numa época em que tanto corremos, é ensiná-los a gozar de momentos sem objectivos. Sem entretenimentos, sem nada para comprar ou fazer, simplesmente estar.
Neste dia, os rapazes foram a uma estreia no futebol e fiquei só com as meninas. Achei que era uma boa oportunidade de não irmos a lugar algum, apenas ficar onde nos apetecesse. O meu jardim preferido da zona, com o palácio, estava fechado (efeito da greve do dia anterior, acho), mas havia o outro.

Numa tarde de sábado cheia de sol, fiquei intrigada por onde andariam as pessoas, já que nos cruzámos apenas com meia dúzia no espaço de uma hora. Aproveitei que a mais velha já se sente demasiado crescida para entrar no parque infantil onde a mais nova gosta ainda de brincar, para conversarmos. E assim nos demorámos sem questões sobre quando iriamos embora, ou o que iriamos fazer a seguir. Às vezes é bom sentir que a missão vai sendo mais ou menos cumprida. Que lhes fique na memória passeios com vagar, a apreciar coisas bonitas e a apenas conversar.







E agora um momento de regresso ao passado: este banco onde nos sentamos é o mesmo desta foto.

14 março 2015

Mamã





13 março 2015

Estes dois.

Ela, mal o vê entrar no carro, estende-lhe logo a mão. Ele tem uma predilecção por bebés e por esta crominha em particular. Neste dia estavam os dois doentes, e por isso, viam desenhos animados no sofá. Ela foi-se encostando, escorregando, escorregando, até que adormeceu. Ele sentiu-se vitorioso por servir de almofada.









Elefante Elmer

 



12 março 2015

Brincar às noivas

(Foto com o tel.)

11 março 2015

Mulheres de Deus

Quando Paulo escreve a Tito e lhe recomenda que as mulheres mais velhas devem ensinar as mais novas a amarem os seus maridos e os seus filhos, sabia do que falava. Só uma mulher mais velha e com maturidade pode ensinar a mais nova a ter paciência, a ver com o distanciamento do tempo que passou, a colocar em perspectiva o que deve ter importância e o que não tem assim tanta importância. Estas mulheres mais velhas podem dizer às mais novas que, sabendo o que sabem hoje, teriam tido menos ansiedade, que teriam desfrutado mais, que apreciariam o tempo de uma forma mais intensa. Que se chateariam menos e seriam mais firmes no essencial. Podem encorajar e advertir.

Eu ainda sou nova, mas com o tempo a passar de uma forma que não via há dez anos, quero e preciso muito de mulheres mais velhas. Mulheres a quem reconheça maturidade e a capacidade de dizer coisas sérias e à luz da palavra de Deus. Mulheres a quem vejo humildade, amor e um carácter mais e mais à imagem de Jesus. A Magali é uma dessas mulheres e hoje foi dia de a absorver no nosso grupo na Lapa. Ah, e como foi bom!




10 março 2015

38, mulher de Pastor e mãe de 4.

Tal como eu.

Comecei por ler a Kara como mais um diário de luta contra o cancro, no tempo em que os médicos ainda acreditavam poder combatê-lo. Há muitos meses foi assim. O cancro voltou como nunca e os médicos disseram que já chega. Nada mais há a fazer, do ponto de vista humano.

Nas últimas semanas, assisto a uma família de 6, como a minha, a preparar-se para uma despedida. A cada momento que abro o computador, é como se pressentisse uma nova confirmação de que o fim se aproxima. Desde a enfermeira que conversa abertamente sobre o momento da morte, ora a cadeira de rodas que chegou para ficar. Uma perda progressiva de funcionalidade, à vista de todos. Quando hoje lia que a cama articulada de hospital chegou e que, pela primeira vez nestes anos, esta mulher da minha idade, dormirá ao lado do marido, mas já não na mesma cama, sinto uma dor profunda no peito. Como é que uma mãe de 38 anos prepara filhos pequenos para crescerem sem ela? Como se diz adeus a um marido com quem se sonhou envelhecer?

Mas a cada relato de uma morte que se anuncia ao virar da esquina, encontro sempre, sempre, sempre a fé e confiança na soberania do Deus que está a tomar conta de tudo, ainda que seja muito difícil de compreender em alturas como esta.


"I can’t understand that I’m not sleeping in my wedding bed with my guy tonight. I hurt that I understand what this greater pain I’m experiencing means. I feel too young to be in this battle, but maybe I’m not in a battle at all. Maybe I’m on a journey, and the journey is more beautiful than any of us can comprehend. And if we did understand, we would hold very loosely to one another because I’m going to be with Jesus. There is grace that will seep into all the cracks and pained places when we don’t understand. In the places we don’t understand we get to seek. And how lovely is one seeking truth. Stunning."

                  

Podem acompanhar a história da Kara aqui, e se for o caso, intercedam aos pés do Pai do céu por esta família.

Começar a ler



09 março 2015

Caminhar anonimamente





Uma coisa bonita na cidade é aquela sensação de passarmos despercebidos no meio da multidão.

Mais uma voltinha ao sol.

                           
Na semana que passou completei 38 anos e nasceu a Teresa, que é a minha 14ª sobrinha.
Deus é bom.

04 março 2015

Visitas


Ter hóspedes em casa duas noites faz com que quatro crianças se levantem muito mais depressa da cama quando o despertador dá sinal, que se vistam com dupla rapidez e que ao pequeno-almoço estejam com uma disposição adicional.

Dos que amamos.

Há umas semanas, pensávamos que esta foto era a 11. No dia a seguir saberíamos que na verdade já éramos 12, com a Sofia em modo 2 em 1. Em Outubro, se Deus quiser.

02 março 2015

Boca do inferno






Sabonetes e sabão



Se gostam de sabonetes que cheirem mesmo bem e sejam mimosos, e de sabão artesanal, aconselho-vos que encomendem aqui. Vale a pena, fiquei fã!

28 fevereiro 2015

É uma contagem. Não se trata bem de quaresma.


Gostava de dar um pequeno esclarecimento em relação a esta contagem que fazemos na Páscoa, e que também fazemos aquando do Natal. É o quinto ano que o fazemos (ver aqui) porque quando demos conta da possibilidade de o fazer, pareceu-nos oportuno chegar a esta importante data do calendário sem aquela sensação de: "Mas já é Pascoa? Mais uma vez o tempo voou!" E assim começámos.

Acontece que estamos num país católico romano que comemora este período e lhe dá um nome: quaresma. Associado a este período, há toda uma ideia de penitência e sacrifício associada à cruz, com a qual eu não me posso identificar. Por um simples motivo: o que havia a ser feito, foi feito uma vez. O sacrifício de Jesus na cruz foi único, irrepetível, e suficiente. Chegou para me salvar e é por isso que sou cristã. Não há rigorosamente nada que eu possa fazer para contrariar isto (que segurança!) nem nada que lhe precise acrescentar (o que poderia eu acrescentar, miserável que sou?).

Assim sendo, um cristão tem o dever de continuamente celebrar a Páscoa, e é por isso que temos o domingo. Fazemo-lo ainda mais intencionalmente neste calendário, porque todas as razões são boas para o fazer. Quanto à ideia de privação, eu entendo-a num sentido de me aproximar mais a Cristo, se são coisas que me afastam dele, mas não no sentido de as sofrer e as entregar como sacrifício. Privo-me de coisas que estão a ter um lugar que não deveriam e me desviam do mais importante. Exemplos: jejuar partes do dia, ou maiores períodos, ou optar por não comer determinados alimentos. Não estar em contacto com alguns ambientes ou pessoas, optar pelo silêncio, não ver televisão ou alguns filmes, escolher que leituras fazer. Isto, sim, faz-me todo o sentido. Contudo, uma achega: estas práticas devem ter lugar o ano inteiro. Posso fazê-lo agora na Páscoa, tal como o farei em Agosto, Novembro e sempre que o  Espírito Santo me incomodar. Mas sempre no sentido de caminhar mais e mais em direcção a Jesus. A cruz aconteceu uma única vez, e chegou!

26 fevereiro 2015

Vida preciosa.


A Taíssa tem 13 meses e é portadora de trissomia 18 total. Esta trissomia é daquelas doenças que qualquer grávida se alarma em rastreios pré-natais. Segundo os médicos, e as estatísticas, é incompatível com a vida. 80% dos bebés com esta trissomia morrem naturalmente dentro do útero, e dos 20% que chegam a ver a luz do dia, a maioria não vive mais do que um mês. Por isso, é daqueles casos em que a maioria dos médicos aconselham à interrupção da gravidez. Porque é "desnecessário prolongar o sofrimento", entre outras explicações. A Taíssa viu a luz do dia, continuou a ver, e continua a ver. Para a Ema e para o Paulo, os pais dela, têm sido 13 longos meses de batalha. O último ano tem sido largamente passado no hospital, entre muitos momentos de angústia, incerteza, mas de muita fé.

Tomámos conhecimento da doença da Taíssa mal ela nasceu, por amigos comuns. Temos orado por ela mês após mês e aqui há umas semanas, finalmente conheci esta família (que têm também uma filha de 4 anos, a Tamara). No quarto de hospital, pude testemunhar da alegria que é confiar em Deus, mesmo na maior das incertezas. Testemunhei de pais que ousam pedir a cura da filha, mas que estão dispostos a aceitar o plano que Ele traçou para ela, independentemente do desfecho.

Entretanto, a Taíssa regressou a casa e tem estado sem internamentos há praticamente duas semanas, um record desde que nasceu. E neste interregno - que esperamos que seja longo - os meus filhos puderam finalmente tocar e conhecer esta bebé que todos os dias enche as nossas orações.


Na foto em cima, vêem uma boneca que a nossa querida Sara fez para a Taíssa, no hospital. Surgiu a ideia de se fazerem mais bonecas destas para ajudar esta família, que dadas as circunstâncias se encontra a tempo integral a cuidar da filha (que não pode ser deixada sozinha em nenhuma parte do dia ou noite). Na nossa Igreja, várias mãos se estão a juntar para coser, outras tantas para trazer materiais, e outras para etiquetar. Se quiserem fazer parte desta corrente, cujos fundos reverterão para esta família - ou outras que eles conheçam em igual necessidade - sigam os passos abaixo.

Página da Taíssa no FB: Aqui.

Contagem para a Páscoa



"Nesta cruz padeceu
E por mim já morreu,
Meu Jesus para dar-me
O perdão;
E eu me alegro na cruz,
Dela vem graça e luz
Para minha santificação!

Sim eu amo a mensagem da cruz
Até morrer eu a vou proclamar.
Levarei eu também minha cruz
Até por uma coroa trocar."

(Excerto do hino "Rude cruz")