15 janeiro 2018

Copo meio cheio.


Há uns meses, o pai tentava relativizar um drama desnecessário de uma filha acerca de visão, dando o exemplo do Joaquim.
"O teu irmão praticamente não vê de um olho, e nunca o ouvi queixar-se".

Depois, pedia ao Joaquim para tapar o "olho bom" e dizer o que não conseguia ver. Era muito. Enquanto se explicava, o Joaquim dizia:"Não há problema, já estou habituado. Depois, abro o outro e vejo um bocado melhor, até ali. Por mim não faz mal, desde que eu veja bem, está tudo bem".

( Lembrava-me da quantidade de vezes que se magoou em mais pequenino, ou até da quantidade de vezes que ainda hoje passa por um desastrado apenas, ou até do dia em que descobrimos que andávamos a ver filmes 3D e ele não vê 3D, e se lhe perguntarmos ele continua a garantir que até conseguia ver bem.)

Desde esse dia, recordo muitas vezes esta constante forma de estar do Joaquim, que tanto tem para me ensinar, acerca de como escolho focar-me nas desilusões ou nas bênçãos. Que Deus sempre lhe aumente esta capacidade de viver agradecido com o que Deus lhe dá e faça comigo o mesmo.

(Lembrar-me constantemente que, para o Joaquim, o que conta são os 100% que vê do olho esquerdo, e não os 10% que vê do direito. O copo meio cheio, sempre. )

11 janeiro 2018

Constatações

O Caleb lia uma história em que alguém diz: "por favor".

Sobrinha Madalena: "Eu digo sempre por favor e obrigado!"
Caleb: "Também podes dizer "se faz favor", é a mesma coisa. Ainda me lembro do dia em que descobri isso, que dizer "por favor" ou "se faz favor", era igual!"




09 janeiro 2018

Cenas da vida de um acumulador

Duvido que alguma vez me dê para o minimalismo, mas isso não significa que seja apegada a lixo. Dizem que a maternidade testa os nossos limites no seu melhor, e é verdade. Tenho um filho que colecciona tudo o que é catálogo, que guarda as etiquetas e cartões de peças de roupa acabadas de comprar, e que quando se abre a caixa do correio diz sempre: "Tudo o que não quiseres, dá-me." Arrumar a prateleira de tralha dele é um perigo, porque a tralha está acumulada e organizada, assim:

Chama-se Caleb e veio comprovar que, mesmo sendo o quarto filho, há sempre imensas novidades.

08 janeiro 2018

Disponibilidade


As pessoas costumam comentar que agora que estão mais crescidos é bom, porque ajudam. Certo. Mas para irem ajudando, cada vez mais, precisamos estar continuamente a ensinar. E essa é a parte mais difícil na correria dos dias: paciência e tempo para explicar e um olhar tolerante com o resultado de quem ainda está a aprender. Ainda assim, mais vale uma cama mal feita por mãos pequenas do que uma cama eternamente arrumada pela mãe ou pelo pai.


E não me estou a dar como exemplo, estou num processo de aprendizagem também.

30 dezembro 2017

2017

Foi um ano de viagens. Uma delas, muito sonhada e planeada em família. Graças ao esforço dos nossos 4 miúdos, que abdicaram de prendas durante quase dois anos, e à generosidade de quem lhes ofereceu dinheiro em vez de prendas, fomos visitar a família a Praga (e também comemorar os 500 anos da Reforma protestante a Wittenberg - Alemanha, mas sobre isso planeio registar noutro post).

Além disto, eu e o Tiago viajámos em trabalho, ora para Inglaterra, ora para os Estados Unidos. Foram oportunidades que Deus nos deu de partilhar o que fazemos em Portugal, mas também de ver o que acontece pelo mundo.

Deus é soberano, ele cuida disto tudo e está a fazer coisas fantásticas, seja através de sofrimento, seja através de alegria. Os registos que temos são muitos (eu continuo a não resistir e andar sempre com a minha Canon atrás), e por isso achei boa ideia fazer um calendário para oferecer aos que nos são queridos.

Além desses e outros passeios, temos a nossa Oeiras e Lisboa. Porque chegámos à conclusão de que, quanto mais viajamos, mais amamos o sítio que Deus nos deu para viver.



24 dezembro 2017

Contagem decrescente

Contámos os dias, numa caminhada que quisemos lenta e alegre. Esperámos, quando na verdade, sempre foi ele quem esperou por nós, e continuamente espera. Com paciência, amor e misericórdia. O natal é e será sempre este milagre do bebé Deus, que veio ao nosso encontro.





Advento, dia 24.



Muito longe, três homens sábios viram a mesma estrela. A estrela que Deus tinha colocado no céu quando Jesus nasceu. Eles sabiam ser um sinal. O rei bebé tinha nascido.
Eles aguardavam esta estrela. Sabiam que apareceria.
 “Ele está aqui!” gritaram.

Ao anoitecer, fizeram as malas e embrulharam presentes para o bebé. Embrulharam os presentes mais preciosos de todos: ouro, incenso e mirra. Presentes dignos de um rei.
Então, os três homens sábios partiram (na verdade, se os visses, pensavas que eram reis, de tão bem parecidos que eram).


Montaram os camelos, atravessaram o deserto, subiram montanhas, desceram vales, passaram rios, dia e noite, dia e noite, durante horas que se transformaram em dias, e mais tarde em meses, até que chegaram… a Jerusalém.

Jerusalém era, de longe, a cidade mais importante nas redondezas. Era lá que o palácio estavam e era lá que os reis nasciam. E foi lá que eles foram. E lá tiveram uma surpresa.
Foram ter com o rei Herodes. Seguramente ele saberia onde estava este bebé.
Mas ele não sabia. Na verdade, ele não gostou nada da ideia de haver um novo rei. Não queria que existisse outro rei que não ele.
Mas os conselheiros de Herodes alertaram para os homens sábios o que estava escrito nos seus livros – o que Deus tinha anunciado: “Vão a Belém, é lá que está o rei.”

De repente, a estrela que estava para Este começou a mover-se, mostrando-lhes o caminho. Seguiram a estrela pelas ruas de Belém, até chegarem a uma pequenina casa.
Não se assemelhava nada com um palácio. Não tinha guardas. Nem criados. Nem bandeiras, trombetas ou passadeiras vermelhas. Será que era mesmo este o lugar?

Foi mesmo neste lugar que encontraram o bebé. Os três homens ajoelharam-se perante ele. Retiraram das suas cabeças os turbantes, inclinaram as suas cabeças e entregaram-lhe os seus presentes.
A viagem que tinha começado há tantos, tantos anos, tinha conduzido os três homens sábios até aqui. Mas esta criança era um novo tipo de rei. Mesmo sendo o príncipe do céu, tinha nascido pobre. Mesmo sendo o único Deus, tinha chegado na forma de bebé. Este rei não tinha chegado para reinar. Tinha chegado para servir.


23 dezembro 2017

Advento, dia 23.



Nessa mesma noite, no meio de todas as outras estrelas, uma estrela mais brilhante apareceu. De todas as estrelas no céu escuro, esta brilhava muito mais.
Deus colocou esta estrela no céu quando o seu filho bebé nasceu – para ser como um holofote, a brilhar apontado para ele. Iluminando a escuridão. Mostrando às pessoas o caminho até ele.
Sabes, Deus era como um recém papá – não conseguia guardar estas boas notícias para si próprio. Tinha esperado por este momento, e agora queria partilhá-lo com todos.
Então, emitiu alertas. Tinha enviado um anjo para avisar Maria. Colocaria uma estrela especial no céu, por cima do sítio onde o bebé nasceria. E agora iria enviar um coro de anjos para anunciar ao mundo esta boa notícia: “Ele chegou, está aqui! Venham vê-lo, o meu pequeno bebé!”

Onde enviaria Deus o seu coro magnífico? A um auditório? Ao palácio? Deus enviou-o a um campo, fora da grande cidade, no meio da noite. Enviou os seus anjos para cantar a um grupo de pastores que guardavam os seus rebanhos longe de tudo e todos.
Não sei se sabes, mas naqueles dias era comum as pessoas fazerem troça dos pastores, dizendo que eram mal cheirosos e outras coisas que nem vale a pena mencionar agora. Sabes, as pessoas não tinham grande consideração pelos pastores. Era uma profissão que ninguém queria ter. Mas Deus terá pensado que os pastores eram mais importantes do que os outros julgavam porque foi a eles quem Deus escolheu para contar esta notícia em primeiro lugar.
Nessa noite, alguns pastores estavam pelos campos, quando descansavam e se aqueciam junto a uma fogueira, de repente uma ovelha fugiu. Parecia estar assustada com algo. As oliveiras sussurraram. O que era aquilo? Um bater de asas? Os pastores viraram-se. Na frente deles estava uma luz enorme, brilhando no escuro. “Não tenham medo! Venho trazer-vos notícias alegres. Hoje, na cidade de David, em Belém, nasceu o filho de Deus! Vão lá vê-lo. Dorme numa manjedoura.”

Atrás do anjo, uma estranha nuvem surgia… não era uma nuvem, mas um coro de anjos, cheios de luz! E cantavam uma linda canção: “Glória a Deus! A Deus toda a glória!”
E de repente, da mesma forma que apareceram, desapareceram.
Os pastores desataram a correr, deixando o rebanho, descendo as colinas, atravessando os portões de Belém, até que finalmente chegaram… recuperaram o fôlego, e calmamente entraram no estábulo. Ajoelharam-se no chão sujo. Tinham ouvido falar da criança prometida, e ali estava ela! O filho do céu. O criador das estrelas. A dormir nos braços da sua mãe.
Este bebé seria como uma estrela brilhante no céu escuro. Uma luz para iluminar o mundo. Afastando a escuridão. Ajudando as pessoas a ver.
  E à medida que a noite escurecia, a estrela brilhava cada vez mais.

22 dezembro 2017

Advento, dia 22.



Estava tudo pronto. Deus vinha ajudar o povo, tal como tinha prometido no início. Mas como é que ele o iria fazer? Como é que ele seria? O que faria?
As montanhas poderiam ter-se curvado. Ou os mares rugido. As árvores poderiam bater palmas. Mas em vez disso, a terra conteve a sua respiração. Tão silencioso como a neve que cai, assim chegou ele. E quando ninguém estava a prestar atenção, ele chegou.

Havia uma jovem moça que estava noiva de um jovem chamado José. (José era filho de um filho de um filho do rei David.) Uma manhã, um estranho vulto de luz apareceu no seu quarto. Era Gabriel, um anjo, um mensageiro enviado do céu.
Quando viu aquele homem luminoso, Maria ficou assustada.
“Não tenhas medo”, disse Gabriel, “Deus está muito satisfeito contigo”. Maria olhou em redor, para ter a certeza se era com ela que o anjo falava.
“Maria, vais ter um bebé. Um pequenino rapaz. Chamar-lhe-ás Jesus. Ele é o filho de Deus, o prometido salvador!”
O mesmo Deus que tinha inventado planetas a girar pela galáxia, que tinha criado o universo apenas com a sua palavra, aquele que podia fazer qualquer coisa, iria tornar-se pequeno. E apresentar-se na forma de um bebé.
Espera. Deus iria enviar um bebé para resgatar o mundo inteiro?
“Mas isto é demasiado maravilhoso” disse Maria, sentindo o coração a galopar. “Como pode ser verdade?”
“Há alguma coisa demasiado maravilhosa para Deus?” perguntou Gabriel.
Então, Maria confiou em Deus mais do que os seus olhos podiam ver. E acreditou no que iria acontecer. “Sou uma serva de Deus”, disse. “O que quer que Deus diga, eu faço.”

Em pouco tempo, aconteceu tal como o anjo tinha dito. Uns meses depois, Maria estava já no fim da gravidez. Maria e José tinham de fazer uma viagem até Belém, a terra do rei David. Mas quando lá chegaram, não havia sítio onde dormir, estava tudo cheio. “Está tudo lotado, lamentamos!”, diziam-lhes as pessoas.
Onde é que eles iriam ficar? O bebé de Maria estava a dar sinais de querer nascer. Não encontraram nada além de um velho estábulo. E então lá ficaram, juntamente com os cavalos, os burros e as vacas.

E mesmo ali, no estábulo, onde as galinhas, os cavalos, os burros e todos esses animais estavam, nessa noite calma, Deus ofereceu ao mundo o presente mais precioso de todos. O bebé que iria transformar o rumo do mundo, o seu bebé.

Maria e José embrulharam-no e aqueceram-no. Fizeram uma cama fofinha com a palha que se usa para alimentar os animais. E contemplaram-no com ternura, ali enrolando em panos, deitado na manjedoura.
Maria e José chamaram-lhe Jesus, Emanuel – que significa: Deus veio para viver entre nós, Deus está connosco.
  
  Porque de facto, ele estava.