28 fevereiro 2015

É uma contagem. Não se trata bem de Quaresma.


Gostava de dar um pequeno esclarecimento em relação a esta contagem que fazemos na Páscoa, e que também fazemos aquando do Natal. É o quinto ano que o fazemos (ver aqui) porque quando demos conta da possibilidade de o fazer, pareceu-nos oportuno chegar a esta importante data do calendário sem aquela sensação de: "Mas já é Pascoa? Mais uma vez o tempo voou!" E assim começámos.

Acontece que estamos num país católico romano que comemora este período e lhe dá um nome: Quaresma. Associado a este período, há toda uma ideia de penitência e sacrifício associada à cruz, com a qual eu não me posso identificar. Por um simples motivo: o que havia a ser feito, foi feito uma vez. O sacrifício de Jesus na cruz foi único, irrepetível, e suficiente. Chegou para me salvar e é por isso que sou cristã. Não há rigorosamente nada que eu possa fazer para contrariar isto (que segurança!) nem nada que lhe precise acrescentar (o que poderia eu acrescentar, miserável que sou?).

Assim sendo, um cristão tem o dever de continuamente celebrar a Páscoa, e é por isso que temos o domingo. Fazemo-lo ainda mais intencionalmente neste calendário, porque todas as razões são boas para o fazer. Quanto à ideia de privação, eu entendo-a num sentido de me aproximar mais a Cristo, se são coisas que me afastam dele, mas não no sentido de as sofrer e as entregar como sacrifício. Privo-me de coisas que estão a ter um lugar que não deveriam e me desviam do mais importante. Exemplos: jejuar partes do dia, ou maiores períodos, ou optar por não comer determinados alimentos. Não estar em contacto com alguns ambientes ou pessoas, optar pelo silêncio, não ver televisão ou alguns filmes, escolher que leituras fazer. Isto, sim, faz-me todo o sentido. Contudo, uma achega: estas práticas devem ter lugar o ano inteiro. Posso fazê-lo agora na Páscoa, tal como o farei em Agosto, Novembro e sempre que o  Espírito Santo me incomodar. Mas sempre no sentido de caminhar mais e mais em direcção a Jesus. A cruz aconteceu uma única vez, e chegou!

26 fevereiro 2015

Vida preciosa.


A Taíssa tem 13 meses e é portadora de trissomia 18 total. Esta trissomia é daquelas doenças que qualquer grávida se alarma em rastreios pré-natais. Segundo os médicos, e as estatísticas, é incompatível com a vida. 80% dos bebés com esta trissomia morrem naturalmente dentro do útero, e dos 20% que chegam a ver a luz do dia, a maioria não vive mais do que um mês. Por isso, é daqueles casos em que a maioria dos médicos aconselham à interrupção da gravidez. Porque é "desnecessário prolongar o sofrimento", entre outras explicações. A Taíssa viu a luz do dia, continuou a ver, e continua a ver. Para a Ema e para o Paulo, os pais dela, têm sido 13 longos meses de batalha. O último ano tem sido largamente passado no hospital, entre muitos momentos de angústia, incerteza, mas de muita fé.

Tomámos conhecimento da doença da Taíssa mal ela nasceu, por amigos comuns. Temos orado por ela mês após mês e aqui há umas semanas, finalmente conheci esta família (que têm também uma filha de 4 anos, a Tamara). No quarto de hospital, pude testemunhar da alegria que é confiar em Deus, mesmo na maior das incertezas. Testemunhei de pais que ousam pedir a cura da filha, mas que estão dispostos a aceitar o plano que Ele traçou para ela, independentemente do desfecho.

Entretanto, a Taíssa regressou a casa e tem estado sem internamentos há praticamente duas semanas, um record desde que nasceu. E neste interregno - que esperamos que seja longo - os meus filhos puderam finalmente tocar e conhecer esta bebé que todos os dias enche as nossas orações.


Na foto em cima, vêem uma boneca que a nossa querida Sara fez para a Taíssa, no hospital. Surgiu a ideia de se fazerem mais bonecas destas para ajudar esta família, que dadas as circunstâncias se encontra a tempo integral a cuidar da filha (que não pode ser deixada sozinha em nenhuma parte do dia ou noite). Na nossa Igreja, várias mãos se estão a juntar para coser, outras tantas para trazer materiais, e outras para etiquetar. Se quiserem fazer parte desta corrente, cujos fundos reverterão para esta família - ou outras que eles conheçam em igual necessidade - sigam os passos abaixo.

Página da Taíssa no FB: Aqui.

Contagem para a Páscoa



"Nesta cruz padeceu
E por mim já morreu,
Meu Jesus para dar-me
O perdão;
E eu me alegro na cruz,
Dela vem graça e luz
Para minha santificação!

Sim eu amo a mensagem da cruz
Até morrer eu a vou proclamar.
Levarei eu também minha cruz
Até por uma coroa trocar."

(Excerto do hino "Rude cruz")



25 fevereiro 2015

Conversas sobre o Céu


Filho: Mamã, no Céu não vamos ter braços, pois não?
Mãe: Não, no Céu vamos ter um corpo diferente deste.
Filho: E no Céu não vamos ter cabelo?
Mãe: Pois, não como este que temos aqui.
Filho: E boca também não.
(pausa)
Filho: Mas no Céu podemos conversar, Mamã?
Mãe: Sim, isso acho que sim.
Filho: Então já sei. A tia Rute está a conversar com o Pastor João Rosa.



Prendas bonitas

Quando alguém se dá ao trabalho de apanhar pedras do próprio jardim, as decora e nos oferece. O meu frigorífico fica mais bonito com o passar dos anos.





24 fevereiro 2015

De infância em infância.


O que é que estes livros têm em comum? Foram lidos mais do que uma vez na minha infância. Uns já eram da minha mãe, outros são mesmo meus. O papel é amarelado, áspero, e causa-me muitos arrepios. Mas nem isso me impediu de me apaixonar por estas histórias. Todas elas são acerca de pessoas humildes, sem grandes possibilidades de visibilidade no meio onde viviam, mas pessoas cujo Deus usou e marcou vidas. Vidas essas convertidas em livros, e livros esses sem idade. Foram lidos na minha infância, posso lê-los hoje sem me desinteressar e chegou a altura de os passar para os meus filhos. Para que actos heróicos, fantásticos e deslumbrantes lhes falem que nada na vida é acerca de coragem. Mas de fé.

23 fevereiro 2015

O tempo não está ao nosso dispor mas fazemos de conta que sim.


Vivemos como se o tempo estivesse ao nosso dispor. Todos sabemos que não, mas não é isso que fazemos na prática. Não vou hoje ali, vou amanhã. Não combinamos isto este Verão, fica para um próximo. Acalentamos todos o desejo de chegarmos a uma idade avançada a tricotar e a ler histórias aos netos, e se não vivemos este dia muito bem, amanhã também não será o último.

"Foi tudo muito rápido", foi a frase mais repetida nestes últimos dias. No carro, falávamos de como no espaço de uma semana se deixou de recear uma súbita alta médica e arranjar alternativas de apoio domiciliário, para se falar em cuidados paliativos. Na segunda-feira tudo parecia mais ou menos igual. Na terça, uma febre do mais novo, uns telefonemas, "Não vamos hoje. Vamos amanhã ver a tia".

Secretamente albergava o desejo de - numa passagem para uma enfermaria - os miúdos ainda poderem entrar. Segundos depois desta fotografia, uma sms do Tiago que tinha subido antes de mim: "A tia pode partir a qualquer momento".

Subi minutos depois. As campaínhas de acesso. As portas que batem em silêncio. Os sussurros de quem está. As últimas frases que se dizem. O pesar da espera. Os meninos que já não entraram. O dia de visita que nunca mais se repetirá.

"Foi tudo muito rápido. Foi tudo muito rápido."


O tempo de Deus não é o nosso.

"(...) um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia." - II Pedro 3:8


20 fevereiro 2015

Abram as comportas do céu.

Sempre que chove lembro-me daquela música, que me habituei a ouvir pela voz do Michael W Smith, que tem apenas duas frases:

"Let it rain.
Open the floodgates of heaven."






19 fevereiro 2015

Tia-avó Rute, para os mais pequeninos.

A tia Rute está com o Senhor, desde ontem à noite.

A pesquisar nos arquivos das fotos, tenho dificuldade em encontrar uma foto só da tia. E a resposta é simples e encontram-na mais abaixo:







O colo da tia-avó Rute fará falta aos mais novos.

17 fevereiro 2015

Uns anseiam pelo Verão





Outros antecipam o Verão.





Ciclos

Nesta sala almocei, lanchei e jantei muitas vezes, embora a mesa fosse mais no canto e lá ao fundo existisse um sofá, onde embalei bebés, lhes mudei fraldas e brinquei. Foram alguns anos a ver esta família passar de apenas dois para vários filhos, sempre a chegar. Hoje são 10 e a casa já não é só esta, mas a de baixo também. Na sexta-feira passada foi com esta descendência que os meus ficaram a brincar e a ser tomados conta. Por isso, não foi um mero babysitting. Foi um ciclo que se renovou. E foi bonito.

(Foto: Madalena Reinaldo)

Passeios

Fazer do que temos perto um cenário sempre novo. Porque o que é belo nunca se gasta.











16 fevereiro 2015

Mais mártires.

A lembrança de Hebreus 11: "O mundo não era digno deles".

"As pessoas da Cruz", segundo o Estado islâmico. 21 egípcios cristãos a pagar um alto preço, mais uma vez.

10 fevereiro 2015

Motivação

Trabalhar e estar sozinha nunca me incomodou e traz-me, até, muita produtividade. A motivação é que nem sempre é fácil de encontrar, não pela forma do que tem de ser feito, mas muitas vezes porque o conteúdo não nos interesse de todo. Prosseguir sem ânimo, porque o que se começa tem mesmo de ser acabado.

09 fevereiro 2015

Leituras

Ter direito a um primeiro livro como prémio pela persistência em ler do início ao fim um exemplar do Lucky Luke. Ainda o 1º ano de escolaridade vai a meio. Bravo, Joaquim!

06 fevereiro 2015

Boleias diárias.

Saio com os miúdos de casa pouco depois das 8h. Chegamos à escola dos três mais velhos para os deixar e tenho lá à minha espera o Isaac e a Rebeca, que vêm comigo, porque andam na mesma escola do meu mais novo. Deixo-os depois aos três.

A meio da tarde chegam os mais velhos que regressam com a Marta (a mãe do Isaac e da Rebeca). Depois, muitas vezes, o Caleb regressa com o Filipe e com a Rita. Isto é uma confusão de nomes e parece uma confusão de coisas, mas na prática é algo que me faz cada vez mais sentido, numa altura em que recursos, tempo e energias devem ser muito bem contados.

Isso e aquela frase retórica repetida tantas vezes: "Se precisares de alguma coisa, diz", ter realmente ressonância. Mas isso é outra conversa.






05 fevereiro 2015

Castanho com azul

Sei bem de onde vem este gosto por esta combinação de cores.

- foto com o telemóvel -


04 fevereiro 2015

Don Algodon

Era um perfume - na minha entrada na adolescência - bastante consensual. O cheiro era suave, o preço muito acessível, mas tinha um senão: o cheiro desaparecia ao fim de pouco tempo, coisa que nenhuma adolescente pretendia, pois claro. A embalagem era como esta, e acho que ainda se vende hoje. Bom, tudo isto para dizer que nem sempre o céu está azul tão clarinho e com nuvens esbatidas como hoje estava. Mesmo Don Algodon.
 
 - foto com telemóvel -


03 fevereiro 2015

Sabemos que é um ponto sem retorno

quando a nossa filha mais velha já não precisa de um assento automóvel, e em caso de necessidade, pode viajar ao nosso lado, no banco da frente. Ou ainda, quando uma camisola XS de adulto lhe serve perfeitamente.

Questões verdadeiramente importantes, aos 4 anos.

"Papá, foi Deus quem inventou o Mac Donald's?"

02 fevereiro 2015

Escolhas


Uma coisa que falamos cá em casa, e que tem vindo a crescer em intensidade, é acerca da forma como transmitimos aos miúdos as escolhas e a forma como nos divertimos em função disso . Ainda a respeito de coisas que não fazemos ou não deixamos fazer por convicção, talvez o que possa ganhar melhor o coração deles seja que aquilo que fazemos pese mais do que aquilo que não fazemos.

Quando escolhemos que os nossos filhos não vão fazer, ver ou participar em algumas coisas - e quando a maioria à nossa volta não tem problemas nenhuns com fazer o contrário - ficamos tristes por eles se sentirem de parte. Eu experimentei isso na pele: Portugal inteiro viu o Roque Santeiro menos a casa dos meus pais. Acontece que ainda hoje tenho um profundo desprezo por telenovelas. Poderia ter-se dado o oposto e eu hoje ser uma espectadora compulsiva. Pois podia. Mas a verdade é que acredito que nenhum princípio que consideramos fundamental para os nossos filhos deve ser quebrado porque mais tarde existe a possibilidade de eles escolherem o oposto (ou de até o tentarem fazer às escondidas no presente). O que consideramos como prejudicial no presente não é menos prejudicial se no futuro eles gostarem. Isso será uma decisão deles.

Então, voltando ao conceito de diversão: talvez o que tenha de crescer mais e mais não é aquilo que nos demarca pela negativa mas o que nos demarca pela positiva. Fazermos coisas que nós próprios inventamos. Criar tradições. Usar o tempo cada vez menos para entretenimento e cada vez mais para saber estar. Ainda ontem na Igreja, o Henrique Raposo falava da forma como esta nova geração é a da imagem, dos ipads e das tecnologias e cada vez menos dos livros e do silêncio. Ensinar o valor de saber aguardar por uma consulta a ler ou a simplesmente contemplar o que nos rodeia é o desafio dos nossos tempos. E para isso, é urgente que nós os adultos demos o exemplo. Assim Deus nos ajude.

30 janeiro 2015

4 anos e meio de um rapazinho

Depois de chegar em estado de calamidade mundial à sala por não conseguir colocar o capacete do playmobil na respectiva cabeça e de o irmão o ter feito pacientemente, suspira e sorri:

"Obrigado, Joaquim. És um bom amigo."

Não ter problemas em ser diferente

O desafio não é de agora. Jesus falou nisso, Paulo falou nisso. Vivemos temporariamente aqui. Quando Paulo fala que não nos devemos conformar com este mundo, fala necessariamente sobre ser diferente. Sobre não ser aceite por toda a gente, sobre fazer escolhas que engrandeçam o Deus para o qual nós fomos criados. Existimos com um propósito apenas: adorar a Deus. Logo, tudo o que fazemos deve ir ao encontro disto.

É muito frequente dizermos que não podemos viver alheados, que estamos inseridos numa cultura, temos de saber estar. Pois, devemos ser sal e luz no mundo. Mas ser sal significa fazer diferença. Não é ser igual ou mais ou menos ou assim assim.

Também quando penso em educação de filhos, tão difícil que é não ceder a tudo o que nos é imposto ao nosso redor, penso que talvez o grande desafio seja conseguir educar para ser diferente. Crescer a ser diferente e não ter problemas com isso. Muitas vezes escolher não ir quando a maioria vai. Falar quando todos se calam. Ficar calado quando todos falam. Amar quando todos odeiam. Ser diferente. Mesmo que isso pareça loucura. Se for para sermos mais como Jesus, enlouqueçamos todos rapidamente.

27 janeiro 2015

Holocausto

Em miúda, enquanto lia e relia o Diário de Anne Frank, a par com O Refúgio Secreto, ambos sobre o período do Holocausto, imaginava como teria sido se eu própria tivesse nascido judia naquele tempo. Era comum pensar, até por se dizer que os apelidos com nomes de árvores poderiam ter essa origem.

Hoje, relembrando os 70 anos sobre a libertação de Auschwitz, as pessoas escrevem e perguntam-se como pôde o Holocausto ter acontecido, como pôde o homem fazer tanto mal a um seu semelhante. Foi horrível! Enquanto cristã, claro que ainda fico chocada com o que se fez em Auschwitz.  Mas ainda na semana passada via um documentário sobre o terror que o Boko Haram espalha pela Nigéria. Ou pela forma como mulheres cristãs são violadas, torturadas e mortas pela Argélia. Na Coreia do Norte, ter-se uma Bíblia implica ir para um campo de trabalhos forçados e ser missionário é sinónimo de escolher tortura e execução pública. 

O ser humano pôde fazer o que fez em Auschwitz, pela mesma razão que meninas que hoje desejam estudar são mortas na Nigéria, ou que cristãos que se assumam na Síria são executados: porque o homem sem Deus, entregue à sua ganância, sede de poder e ódio, é capaz de fazer o pior que poderemos imaginar. Por isso hoje, adulta, já não penso muito se terei origens judias. Penso antes que sem Deus não seria nada.