24 Outubro 2014

Bicho do mato


Este Verão, alguém que me conhecia desde criança, me felicitava - com a mais sincera ternura - por ver como cresci, como hoje estou na vida. O elogio, uma coisa a que já sei agradecer sem que o embaraço me faça parecer uma ingrata, trazia em si uma critica implícita, ainda que não fosse a intenção. Parece que segundo os parâmetros sociais desemburrei o suficiente. "Tu eras muito querida, mas um bicho do mato. Ninguém te conseguia dar beijinhos". Esta pessoa não sabe que ainda hoje eu detesto beijinhos como cumprimento (deve ser por isso que eu gosto tanto dos States!), mas percebi o que estava ali a ser dito.

Vejo isso hoje nos meus filhos e na forma até como os filhos dos outros são avaliados. Uma criança encolhida é sempre vista como tendo ali um pequeno problema de segurança. Tem de, efectivamente, desemburrar. Tem de conviver constantemente com outros, senão não socializa. Tem de saber partilhar, senão não socializa. Tem de se dar com crianças da mesma idade, senão não socializa. E tem de fazer tudo isto da forma como nos impingiram: a ter de ir à frente em peças de teatro, a ter de cantar perante um público, a ter de se expressar a todo o instante.

Depois de ter filhos a coisa simplificou para mim. Eles servem-nos como um escudo e servem também para vermos tanto de nós neles, e para fazermos uma espécie de terapia. No carro, a caminho, fazem-se recapitulações da matéria dada, mas em jeito de auto-mentalização também: "Meninos, chegamos ao casamento, cumprimentam as pessoas que já conhecem, não fogem de ninguém e não fazem má cara".

Quanto a mim, 37 anos, o pensamento que me ocorre sempre, em vésperas ou minutos antes de uma multidão se ajuntar, é: onde é a saída de emergência? Quero fugir daqui o mais rapidamente possível. Mas como sou uma crescida, coloco o sorriso que consigo, cumprimento as pessoas, fico no meu lugar e no final foi sempre menos doloroso do que a minha imaginativa cabeça arquitectou.



23 Outubro 2014

Sem preço.



E de repente o momento chega. Eles brincam e nós conseguimos descansar e... adormecer! Ah...

Preciso ser mais alegre. É uma obrigação.


Confissão de pecados: não sou uma pessoa naturalmente alegre. E quando penso em alegria à luz da Bíblia, não penso em pessoas sempre bem-dispostas, mas em pessoas que em qualquer circunstância têm a capacidade de espelhar a fé. De chorar e de animar. Falho muito na alegria e na forma como a demonstro. Mesmo quando sinto paz no meio da tristeza, acho que transparece mais a tristeza do que a paz. E se a alegria não depende de bem estar físico ou emocional, se não está até dependente da felicidade que sentimos, ela tem de saltar à vista.

É um bocadinho como a gratidão. Os dez leprosos curados por Jesus saíram dali felizes e curados. Mas só um voltou para agradecer. Com a alegria pode ser igual. Reconhecemos que Deus está no controle de tudo, que tudo o que Ele faz é para o nosso bem, mas nos intervalos do dia-a-dia parece que se esvai a alegria. No cartão multibanco que se perde (ontem), na imensa espera numa sala, numa doença que não passa, na ausência de alguém.

Preciso ser mais alegre. É uma obrigação.

21 Outubro 2014

O Tiago fez 37 e a Comporta é ♥

Ainda não foi desta que nos estreámos numa autocaravana. Mas com o patrocínio de alguns familiares, que anteciparam secretamente a prenda de aniversário do Tiago, fomos até à Comporta festejar. Os seis.



16 Outubro 2014

Fim-de-semana cheio IX


Concerto de Manuel Ferreira.

Fim-de-semana cheio - VIII

Painel sobre C.S. Lewis.



Fim-de-semana cheio - VII


Pedro Gil, assessor de imprensa do Opus Dei, a falar sobre ser minoria em Portugal.




Fim-de-semana cheio - VI


"Devemos ser fiscais das nossas próprias convicções";

"Se tudo é relativo, então o canibalismo não é mau;  é apenas uma questão gastronómica."

Henrique Raposo

Fim-de-semana cheio - V








Não lhe chamem confusão. Chamem-lhe vida!

Fim-de-semana cheio - IV

"Só me arrependo das piadas em que ninguém se riu."

Nuno Markl

14 Outubro 2014

Fim-de-semana cheio - III



"A entrevista falhada é a entrevista em que não consegui chegar à outra pessoa. Não soube pegar-lhe."

- Anabela Mota Ribeiro -

Fim-de-semana cheio - II




A família Richardson (Adelaide e Tracy) a apresentarem o projecto Guerreiras, cujo livro estará nas bancas já esta sexta-feira, dia 17. Fala sobre mulheres que tiveram cancro na mama.

Fim-de-semana cheio - I

A importância da pregação do Evangelho e a ideia de que uma liderança forte não é insegura e está preparada para deixar os outros sonharem.

- Com Mário Rui Boto, Nuno Ornelas, Tiago Cavaco, Carlos Cardoso, Jónatas Lopes, pastores em Igrejas Evangélicas de diferentes denominações.

09 Outubro 2014

4 de Novembro

A Mary que há em mim encontra-se em contagem decrescente.



08 Outubro 2014

Viseu - Tocha - Porto


 © Luís Pinto






 © Carlota Vilaça
  © Carlota Vilaça
 © Carlota Vilaça


Comovo-me sempre com a amizade. O carinho de quem recebe. Espanto-me ao finalmente cumprimentar pessoas que conheço há anos apenas pelos blogues. O fim-de-semana que passou foi isto e mais. Bom, bom, bom!

07 Outubro 2014

Cheio, cheio, cheio!

O Fim-de-Semana Cheio na Lapa quer fazer em concentrado aquilo que uma Igreja deve fazer sempre: relacionar-se com a cultura à sua volta. O nosso modelo é, entre outros textos bíblicos possíveis, o de Actos 17 quando o Apóstolo Paulo discursa no Areópago demonstrando conhecimento do seu contexto para uma apresentação clara da fé. 

Para isso convidamos pessoas interessantes e inteligentes que nos desafiem a sermos uma comunidade cristã mais preparada e entusiasmada para dialogar competentemente com aqueles que podem ainda não partilhar da nossa fé cristã. Na prática, significa investir em boas conversas e, na medida do possível, em boa arte.


Apareçam a qualquer uma das horas que as portas estão abertas a quem queira entrar. As crianças também são muito bem-vindas e terão quem as receba.

Venham!



06 Outubro 2014

A Raquel está quase a chegar.

É uma espécie de sobrinha, mas a rigor é mais uma neta. A "filha" que ganhei em 2010 vai ser mãe já no próximo mês.

02 Outubro 2014

Mudanças.


Comprei o primeiro soutien da minha filha mais velha ao fim de um verão em negação. Um corpo a transformar-se na frente dos nossos olhos e a mãe e o pai a comentarem a velocidade do tempo.

"Acho que preciso de um soutien", dizia quando vestia roupas mais justas. "Vamos tratar disso". Mas nada nas lojas me encantava e tudo em mim se recusava. Até que um dia vi-a a brincar com bonecas, num corpo enorme que parece que não termina de se esticar, e entrei decidida na loja: "É hoje". Estudei a forma, a cor, o tecido. O tamanho certo não correspondia com a idade, tal como quando têm 3 meses e tanto usam uma camisola de 6 como uma de 1.

Enquanto decidia o tamanho do dito cujo, tive vontade de reclamar. Então assustam-nos para as cólicas, para as noites mal dormidas, para as dificuldades de um desfralde. Também enfatizam a importância da amamentação, o equilíbrio do afecto com a autonomia. Os limites, ah, os limites que são testados e a que os pais têm de responder. As birras, os terríveis dois anos, as febres das vacinas.  Mas ninguém nos prepara para isto.

Cheguei a casa e ensinei-lhe como se regulavam as alças do soutien cinzento mesclado. Viu-se ao espelho, orgulhosa. "Ponho para lavar todos os dias, como as cuecas?", perguntou.

Comprei-lhe o primeiro soutien, acabou de entrar no 5º ano. A minha primeira filha.

30 Setembro 2014

Cedo erguer.

 
Da janela da minha cozinha, o céu sempre a surpreender.

 - Todas as fotos com o tel.-