30 junho 2005

Joana

Voltámos de umas merecidas mini-férias. Tenho muitos pequenos momentos a registar, mas por agora, fica o mais importante da semana: nasceu a minha sobrinha Joana e a família está muito contente.

Para ela:

"O Senhor te abençõe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o Seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti. O Senhor levante sobre ti o Seu rosto e te dê a paz".

Números 6:24-26

24 junho 2005

A trouxa e o farnel

É árdua a tarefa de fazer as malas e partir para mini-férias. Ó que maçada, apanhar o barco e pisar o areal de Cabanas de Tavira. Ó céus, que chatice vestir o biquini, preparar o lanche e não fazer nenhum o dia todo. A vida é injusta, sempre achei.

Ciúmes?

Ontem, tivémos a primeira cena da Maria. Uma cena de uma bebé que estava habituada a ser a única na família desde que nasceu. A minha cunhada Marta estava a dar de mamar e a Maria queria ir para o colo dela. Não podia. Esperneou, gritou, gesticulou. Chorou.

(A Maria vai ao colo de toda a gente. A pediatra diz que é uma vendida, até aos médicos vestidos de bata branca quer ir. No outro dia foi na mercearia com um senhor que estava na fila. Mas tem as suas preferências, muito claras. Ontem queria a tia, que até agora, tinha o colo sempre disponível para ela.)

Evoluções-o tempo passa

Quando canto para o meu sobrinho ele fica muito atento e sorri várias vezes. A Maria quando se aproxima dele é com gestos mais moderados, faz-lhe festas e ri de excitação.Ele já não fica tão agitado quando ouve os gritinhos dela, ela já parece perceber que aquele boneco não é para atirar para um qualquer canto da sala.

Está um bebé crescido

De manhã, enquanto me arranjo, nunca sei se a Maria vai acordar antes de eu sair ou não. Mas o meu primeiro gesto, depois de me levantar, é ir em direcção à cozinha e aquecer o leite, que fica pronto na mesa de cabeceira do pai.

Ontem e hoje, acordou, entre um creme que punha na cara e o perfume. Entro no quarto e está numa converseta difícil de traduzir, em pé, agarrada às grades. No momento que me dirijo a ela, senta-se e atira-se para trás, em posição de receber o biberão.

Por favor.

Sou espectadora de um grupo de discussão na net sobre mulheres, partos e afins. Espectadora, porque raramente participo. Sou dada a poucos fundamentalismos e contra a ideia retrógrada que mulher que sofre muito é melhor mãe. Contra a ideia que as heroínas são as que correm riscos e que, apesar de não serem médicos tomam como usurpação serem iguais a eles ( esta até parece um versículo bíblico) e completamente contra a ideia de que a mulher está na sua plenitude na gravidez.

Eu que até já passei por esses mágicos nove meses e agradeço muito a Deus pela capacidade de procriar, tenho a ideia que a gravidez é um meio para se atingir um fim. E o auge, na minha opinião, é quando a criança que desconhecíamos está nos braços do casal que a desejou. No auge, senti-me eu uns meses depois, a desempenhar o meu papel de mãe com segurança e com o meu corpo de volta. Egoísmo ou não, temos de ser realistas: a epidural pode ser a grande ajuda psicológica e física para uma mulher em trabalho de parto. E negá-lo, para levarmos o título de: "eu aguentei tudo e levei não sei quantos pontos a sangue frio" parece-me deprimente.

Eu até posso falar: antes de engravidar, achava que parto era sem epidural e tinha muitas teorias. Mas quando vi o momento aproximar-se, nem hesitei. E nisso, não há como passar pela experiência. Quem não quiser, não leva. Agora não façam disso um estandarte de elevação aos céus, por favor.

23 junho 2005

10,9,8,7,6,5,4,3,1,0!




(In) certezas

Leio alguns baby blogs. Dos que acompanho desde o início, reparo que nem todos se pautam pelo pânico e pelas dúvidas. Com alguns identifico-me, com outros nem tanto.

Tento retroceder um ano atrás, não me recordo de passar os dias com dúvidas. Talvez por, anos antes, ter tratado 12 horas por dia de uma bebé que tinha 13 meses e de quem me despedi aos 19. Das 7.30-19.30 estávamos só as duas. Eu era a baby-sitter, mas sentia-me ama. Sem falsas modéstias, adaptei-me facilmente a este papel da maternidade. Deus faz as coisas bem feitas e disso não tenho dúvidas.

Dúvidas sim, apareciam-me com os mil e um conselhos que todos me teimavam em dar mesmo quando não os pedia. E esclarecimentos, fazia-os com a pediatra, em quem confio na totalidade. Depois, a gestão era feita entre as consultas e o bom senso que tentávamos manter em nossa casa.

Há sempre pessoas a quem recorremos, mas as que me soavam sempre a mais preciosas eram as amigas que tinham sido mães há pouco tempo e que compreendiam todos os pequenos obstáculos que se metiam pelo caminho.

22 junho 2005

Há um ano atrás

Recordo este post. E sorrio.

Incómodos da vida

Encontro esta senhora todos os dias por volta das 8h30m. Limpa gabinetes e diz: "Bom dia menina!". Tem idade para ser minha mãe mas a qualquer gesto que faz pede desculpa. Incomoda-me esta posição hierárquica que submete as pessoas a esta inferiorização. Bem sei que o Mundo é feito destas coisas mas não consigo deixar de me sentir mal ao me tentar colocar na pele de alguém que vive a vida a julgar-se sempre abaixo de qualquer um. Mesmo de uma menina com metade da sua idade e que ainda sabe tão pouco da vida.

Eram quatro da manhã

E um bebé chorava muito.Acordei sobressaltada. Não era a Maria, mas o recém nascido que habita há uns dias mesmo por baixo de nós.

Da aceitação, mesmo como nós somos

Tenho uma amiga que se lembra de mim mesmo quando me lembro dela e não o manifesto. Alegra-me os dias, conforta-me o coração e tolera as minhas imperfeições. De ora em vez solta uma exclamação de impaciência, mas sempre com uma ternura impossível de não gostar.

21 junho 2005

Euzinha (pequenos grandes obstáculos)

A ideia de ter de entrar numa sala cheia de desconhecidos e ter de travar conversa de circunstância, põe-me doente.

É favor

ler este post que a minha amiga Filipa publicou.

Será morena, será loura, cabelo escuro, cabelo claro?

Por um destes dias serei tia de uma menina que tarda em nascer.

POEMA ENJOADINHO

Filhos... filhos?

Melhor não tê-los!

Mais se não os temos

Como sabê-lo?

Se não os temos

Que de consulta

Quanto silêncio

como os queremos!

Banho de mar

Diz que é um porrete...

Cônjuge voa

Transpõe o espaço

Engole água

Fica salgada

Se iodifica

Depois, que boa

Que morenaço

Que a esposa fica!

Resultado: filho.

E então começa

A aporrinhação:

Cocô está branco

Cocô está preto

Bebe amoníaco

Comeu botão.

Filhos? Filhos

Melhor não tê-los

Noites de insônia

Cãs prematuras

Prantos convulsos

Meu Deus, salvai-o!

Filhos são o demo

Melhor não tê-los...

Mas se não os temos

Como sabê-los?

Como saber

Que macieza

Nos seus cabelos

Que cheiro morno

Na sua carne

Que gosto doce

Na sua boca!

Chupam gilete

Bebem xampu

Ateiam fogo

No quarteirão

Porém, que coisa

Que coisa louca

Que coisa linda

Que os filhos são!

Vinícius de Moraes - Obra Poética. Rio de Janeiro: José Aguilar Editora, 1968. p. 346-347

Urgente:

preciso de férias.

20 junho 2005

Para chatear o pai

Eu digo: Viva o Álvaro Cunhal!
E a Maria ri e bate palmas.

Porque vivemos no Planeta Terra

Um dos problemas dos evangélicos é esperarem sempre dos outros a perfeição, as frases correctas, as atitudes puras. É um fardo pesado, esse de ser educado a exigir dos outros esse nível de comportamento e ser-nos imposto esse modelo.

Uma das coisas que quero que a Maria perceba desde cedo é que cá em casa não somos perfeitos. Que temos defeitos mas assumimos os nossos erros. Que temos momentos em que nos envergonhamos do que fazemos e que ficamos tristes, se for preciso.

Em nenhuma altura quero que a Maria duvide dos nossos sentimentos, mesmo quando se portar mal. E que cresça a saber aceitar os outros como eles são, independentemente de concordar com as suas opiniões ou gestos.

Das 18.00 às 23.00

Os finais de dia são muito cansativos. A Maria exige que brinque com ela cerca de meia hora na cama, a seguir ao banho, depois é preparar o jantar e dar-lhe atenção. Mesmo quando jantamos no sofá, de tabuleiro nos joelhos, tem de estar no meio, a espreitar e a provar. Depois brincamos, enquanto se ouvem as notícias. Na hora de ir deitar, damos um beijinho, agarra-se à Minnie e chucha no dedo. Dorme a noite toda, eu ainda trato de muitas coisas. E depois, umas horas depois, chega o meu descanso.

Momentos deliciosos

Ao colo, o meu sobrinho. Canto umas das músicas da Maria e ri-se de satisfação quatro vezes. Fiquei derretida. Depois disso, adormece nas minhas pernas, flectidas no sofá. É tão lindo a dormir.

Medo, muito medo

Repensarei seriamente ao entrar pela terceira vez na Sociedade Guilherme Cossoul. Um dia destes explico.

17 junho 2005

Vou ligar ao Sindicato ( mas qual Sindicato, rapariga?)

E eu, não posso fazer greve hoje?
É sexta-feira, dava mesmo jeito!

Com jeitinho

O reembolso do IRS já caía na continha que temos no BPI.

Santos populares

Querida Ana,
O manjerico que me deste tem como base uma tacinha com água, que todos os dias desaparece.Continua lindo e bem tratado.

Eu também aprendo ( de vez em quando)

Existem várias categorias para os blogues que leio: uns gosto, acho que são muito bons e dão-me prazer ler. Outros, são blogues que leio pela simpatia que nutro por quem escreve.

Existia uma terceira categoria de blogues que lia mas que deixei de ler: os que me enervavam mas que não resistia a espreitar.

Demorei algum tempo, mas agora consigo ir ao que interessa. A bem da minha sanidade mental.

16 junho 2005

Flagrantes da vida real

(senhor com bom aspecto)

-Olhe que o bebé tem um cd na mão.
-Eu sei, é dela.
-Mas assim vai estragá-lo...

(Ó meu senhor, quer brinquedo mais barato que um cd virgem? Custa 50 cêntimos e tem o ar de realidade que ela quer! E ainda se vê ao espelho!)

Que bom.

Os senhores das imobiliárias que vêm ver a nossa casa cheiram a mofo e são simpáticos. Aliás, para vendedores nem são nada chatos. Se é uma seca a preocupação de ter a casa ordenada para quando vêm cá, há a consolação de demorarem pouco e falarem apenas do que interessa. Bye bye e até amanhã.

Vantagens em não ser a Directora

Respondo assim ao auditor:
"Quando tenho dúvidas, pergunto ao meu superior hierárquico".

(ah pois é!)

Auditoria

Resolveram começar pela Administração. Agora estão na Gráfica. Aqui esperamos, esperamos, esperamos. Fazemos a revisão da mátéria dada e rimos de nervoso miudinho.

Os meus meses preferidos

Maio, Junho, Setembro.

Ritual

Gosto quando a Maria acorda ainda antes de eu sair de casa. Abrimos o estore juntas e vamos até à varanda ouvir os passarinhos que pousam na árvore mesmo encostada a nós. E cantamos as duas:

Bom dia Sol, bom dia mar, bom dia varandinha!

E depois vamos para dentro beber o leitinho.

15 junho 2005

Amanhã e depois

Temos auditoria. E é ver os decotes ampliados por soutiens comprados para ocasiões especiais. Assim se disfarçam algumas não conformidades.

Dos locais com sentido

Tenho tido sorte nos locais onte tenho vivido: 14 anos em S. Domingos de Benfica, 11 anos em Queijas e 3 em Oeiras. Tenho a certeza dos locais onde não gostaria de morar, mas só a vida para me dizer se conseguirei viver sempre onde gosto de estar.

De uma coisa tenho a certeza: só faz sentido morar num local se perto de nós tivermos quem queremos bem. Os avós, os tios, os amigos, os irmãos. Gente indispensável ao meu meio ambiente.

14 junho 2005

Não há fome que não dê em fartura

Só para dizer que acabei de atingir e ultrapassar os meus objectivos.

.

O que se faz quando se esperou meses por uma consulta e se descobre que calha precisamente no mesmo dia da auditoria externa da empresa?

13 junho 2005

De cavalo para burro (cont.)

De mãos sujas à espera que cheguem as 18.00 para mergulhar na minha banheira, as mudanças correram bem. Valeram-me quatro anos de antiguidade e alguma determinação para ter um bom lugar na sala.

Morreu Eugénio de Andrade

Mas deixa versos belíssimos que gosto tanto de ler.

Madrigal


São como cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,

cruéis, desfeitas,

nas suas conchas puras?


De cavalo para burro

Quem trabalha no Cacém, não tem direito a feriado lisboeta. Como se não fosse suficientemente mau trabalhar aqui, ainda tenho de gramar com trabalho e algum cansaço da noite anterior. A juntar a isto, mudanças de sala. Depois de quatro anos num gabinete com duas enormes janelas (sem vista, é certo, mas com ar), mudamos juntamente com mais quatro pessoas para uma sala interior. Nada de ventilação nem janelinhas. Pior ainda, há um lugar que coloca em causa a privacidade de qualquer um. E ainda se está por decidir se vamos a rifas ou se a escolha é feita pela antiguidade na empresa. Se fôr por esta última, estou safa. Se fôr com papelinhos, com a sorte que eu tenho com estas coisas, estou lixada.

Nós por cá

somos protestantes e não temos santos nem em casa nem na Igreja. Mas lá por isso, não deixamos de achar que o Santo António deve ter sido boa pessoa. Daí que na noite de 12 de Junho não dispensamos as sardinhas num qualquer lugar típico de Lisboa. Desta vez foi no Chiado, na companhia do Tomás com 31 semanas de barriguinha e da Maria com 13 meses. Todos se portaram bem.

12 junho 2005

Caminhar

Dos três passos trapalhões que já tinha conseguido dar por diversas vezes em casa, contei dez seguidos, hoje na Igreja. Algures entre a abertura da Escola Dominical e um dos coros, a Maria estava muito bem disposta e repetiu a graça de caminhar para mim e para a tia avó Lena. Foram uns dez minutos a vê-la caminhar. No entretanto, meteu-se a Escola Dominical, o culto com direito a sesta e uma pregação que até eu consegui ouvir e a chegada a casa. Queria muito mostrar o novo equilíbrio da Maria ao papá. Mas parece que este solo é menos sagrado e reduziu-se novamente aos três passos inseguros, terminados com resmunguice de quem exige uma das nossas mãos como amparo.

24 meses

Há dois anos chegávamos bronzeados e felizes da Madeira. Nascia o Joãozinho, filho de amigos nossos, pequenino. A primeira marca de que a nossa geração começava a dar frutos.

Gás?

Provou água pela primeira vez tinha 5 meses e meio. Estava com febre, também pela primeira vez, e por recomendação médica tinha de ingerir líquidos. Estranhou de tal forma o sabor que vomitou o jantar todo. Foi difícil introduzir este líquido sem sabor no dia a dia da Maria, mas agora já não passa sem ele. Qualquer garrafa ou copo serve para lhe lembrar que quer água. Mesmo que tenha acabado de beber.

Ontem, insistia apontando para um copo. Que tinha Coca-cola. Querendo fazer com que desistisse da ideia, dei-lhe a provar, contando que o gás fizesse o seu papel e me ajudasse a demover a cabeça desta bebé. Provou, abriu as narinas e saboreou. Queria mais. Escondi o copo, claro.

Coisas que não se esquecem

Posso já estar baralhada cronologicamente em algumas coisas, outras não faço muita questão em lembrar, mas a sensação de sentir um bebé a mexer dentro da minha barriga, isso lembro.

11 junho 2005

Casa arrumada? Com filhos?

O roupeiro tem três portas de correr que deslizam facilmente nas mãozinhas da Maria. As duas prateleiras de baixo estão quase à prova dela, com livros infantis e outros objectos a aparentar realidade e que não há problema que lhes mexa. Descobriu que a actividade estava a ficar sem emoção, de tão calculada que estava. Lia descansadamente um e-mail quando a vejo empoleirar-se no terceiro nível e fotografias da minha adolescência voarem para o chão.

Músicas que cantamos para ti e pareces gostar (13)

Quero cantar uma linda canção
de um homem que me transformou
Quero cantar uma linda canção
de Aquele que minha vida mudou
Meu amigo Jesus
Meu amigo Jesus
Ele é Deus
Ele é Rei
É amor e verdade
E só n'Ele encontrei
Essa paz que busquei
E só n'Ele encontrei
A felicidade.

Músicas que cantamos para ti e pareces gostar (12)

Ho-Ho-Ho-Hossana!
A-A-Aleluia!
Ele, Ele, Ele, Ele ama-me.
E tenho alegria no Senhor.

Pois Deus assim o Mundo amou
Por nós Seu Filho entregou
Para que todo aquele que crê
Não se venha a perder.

Um dia serás tu a querer pôr gel.

Fomos comprar sapatos que ajudem a bebé gordinha a equilibrar nas pernas os seus doze quilinhos. Vamos ao lado uma da outra, sozinhas na carrinha comercial que a empresa tem a gentileza de ceder para fins pessoais. O rádio começa a tocar "Boys don't cry", a minha música preferida em entrada na adolescência, no tempo em que se punha muito gel e se faziam polpas rijas de cabelo encaracolado. A bebé acha graça e, enquanto a música dura, os braços agitam-se no ar e as pernas abanam freneticamente. Cumplicidades entre mãe e filha.

09 junho 2005

Vergonha do quê?

Desde 25 de Maio que as minhas tardes são passadas no Parque Eduardo VII. Apesar de começar a acusar bastante cansaço físico, gosto do ambiente, gosto da rotina parcialmente alterada, gosto de falar com pessoas, de as ajudar a encontrar o que procuram. E gosto quando os clientes são crianças. Olhe, desculpe, o que dá para comprar com este dinheiro? (abre a mão e conto 21 cêntimos).

Dou por mim incrédula quando uma das minhas colegas se baixa repentinamente para não ser descoberta por alguém conhecido. Pelo que percebo, é uma vergonha ser encontrada por antigos colegas da Faculdade e estar a vender livros. Explico-lhe que o país está atulhado de licenciados a fazer das mais variadas coisas. Que mal por mal, antes vender livros do que não ter emprego. E que até acaba por ser engraçado a quantidade de pessoas que não vemos há imenso tempo e que se não fôsse estarmos ali, provavelmente não encontraríamos aquele colega nem nos próximos dez anos.

Mas não compreende. E todos os dias se esconde. E se há dias que isto me faz soltar umas boas gargalhadas, outros aborrece-me.

08 junho 2005

Provérbios que a minha avó Maria dos Anjos dizia (3)

Antes filho de pobre, que escravo de rico.

Provérbios que a minha avó Maria dos Anjos dizia (2)

Amigo na necessidade é amigo de verdade.

Provérbios que a minha avó Maria dos Anjos dizia

Quem não se sente, não é filho de boa gente.



Sempre a olhar para o tecto

Depois de ter descoberto as ventoínhas em rotação no café, na companhia da amiga Ana, a Maria descobriu que há uma igualzinha em casa do avô João e da avó Tina.

Músicas que cantamos para ti e pareces gostar (11)

(à refeição)

Por Teu grande amor,
A luz e o calor
Queremos, Senhor, dar-Te graças
Também pelo pão,
Pela habitação
De bom coração damos graças.
Louvamos-te ó Deus!

07 junho 2005

Livro quadrado, de capa dura e a quatro cores

Por mim, este blogue já era livro há muito tempo.

E que saudades.

Hoje estou tão parva que até fiquei cheia de saudades de uma colega com quem trabalhei em tempos.

Para quem aponta os dedos

que corte as unhas, por favor. É que nunca gostei de mãos muito arranjadas.

Eu sei, falta-me paciência.

Antes trabalhar sozinha do que com preguiçosos.

Estou a 99% dos meus objectivos

quase a morrer na praia. Este compasso de espera, em que o trabalho está feito e aguardo por resultados, é pior que perder.

E agora?

Quandos os bebés nascem, existe uma obsessão com o aumento de peso. A balança, quantos gramas, se mama bem, como estará o bebé. Ganhar peso, ganhar, como se apenas nesse ganho estivesse a saúde. Mais tarde, é controlar os percentis. E chegar aos 8 meses e ficar a dieta. Aconteceu com a Joana, a filha da minha colega V., que está fora do percentil no peso.

(fico muito baralhada!)

Pior que fazer aeróbica todos os dias

É a Feira do Livro de Lisboa. Dói-me tudo. Os braços, as pernas, os joelhos, as mãos, a cabeça, as costas. E ainda falta uma semana para acabar. Sinto-me uma velha completamente acabada.

Tudo porque comunicamos como gente grande

No hipermercado, a Maria arqueava as costas. Queria sair do carrinho e ameaçava refilar. Nessas alturas tiro de uma prateleira uma coisa qualquer que faça barulho e a distraia. Não resultou. Até que lhe disse, em tom sério:

"Olha, Maria, eu tenho de fazer as minhas compras. Tu não queres, não é? Então vai à tua vida que eu vou à minha."

Sinto o meu braço a ser puxado. Senhora de uns sessenta anos:

"Tem de ter paciência, o bebé é muito pequenino e ainda não compreende estas coisas."

(e bláblábláblá...)

06 junho 2005

seis de Junho de mil novecentos e quarenta e oito

Há 57 anos, num monte chamado Papão, que ainda hoje permanece afastado da civilização, com algum calor e rodeada de animais, nascia a minha mãe.

Por várias vezes

Entre o papá e a mamã, dá dois passos sozinha e desiquilibra-se quando repara que não está agarrada a nenhum.

(aperto)

Ai os meus objectivos!

04 junho 2005

Verões antigos que não voltam

O Verão aproxima-se. E recordo as férias que tinha há 10 anos atrás. As férias que tive durante a infância, as férias que continuaram na adolescência, na juventude. Íamos a vários acampamentos. Não com tendas, mas com edifícios. Cheios de amigos, muitos deles só encontrados nesta altura. Das histórias que se aprendiam, dos jogos que se faziam, das músicas que se cantavam, dos laços que se criavam e das lágrimas que se vertiam no regresso.

Foram muitos anos de acampamentos, de poucas preocupações, sem saudades da família, em que o que interessava eram os amigos, o local (geralmente no pinhal) e também as escolhas que se faziam. Agora vamos na mesma ao acampamento, desta vez familiar. É bom, mas já não é mágico.

É difícil de compreender para quem não foi educado assim, mas o acampamento conseguia ser mais importante do que as férias que se seguiam no Algarve. Era mesmo.

03 junho 2005

Falta um bocadinho assim...dizem na TV

Estou a 7/8 de atingir o meu objectivo. O 8/8 nunca mais chega e hoje é sexta-feira. Deve ser das poucas vezes que eu não queria mesmo nada que chegasse o fim-de-semana.

13 meses

Sempre achei esquisita esta ideia de perguntar aos pais que idade é que os filhos têm e responderem em meses, depois de terem passado a barreira do primeiro ano. Mas agora compreendo. Faz diferença um bebé de 15 meses de outro de 19.
Nós vamos nos 13. A chegar o Verão, com a Maria a poder andar em breve e a querer banhos de mar. A perceber mais ou menos os gostos dela, duvido que se assuste com a areia e com a água salgada. Vão ser dias divertidos, esses.

Grito ao Mundo:

Dói-me cada pequeno músculo das pernas, braços e tronco. Acartar livros é duro, subir e descer escadotes ao mesmo tempo, é impossível.

02 junho 2005

(In)segurança

Do post anterior, creio que a maternidade transfere para a mãe uma responsabilidade tal, que a premeia com mais segurança. E se isto é bom ( acho que é, aprendemos a desvalorizar algumas coisas), por outro há retrocessos. Como dizia a minha querida amiga Guida ontem, há sempre alguém que vai aparecendo para colocar em causa o nosso papel, como se ainda não tivéssemos passado no exame final.

01 junho 2005

E a culpa é...da maternidade!

A última vez que falei para um canal televisivo tinha sido intoxicada na minha empresa e explicava o episódio. Nunca vi a figura, mas saíu tremida de certeza.

Hoje disse que sim a um directo com uma hora de antecedência, não me atrapalhei e até me saíram as palavras suavemente. Ana Rute, tu surpreendes-me, rapariga!

Das lides da casa

e dos meus truques, ainda não descobri maneira de se aspirar sozinha. Mas com tempo e alguma imaginação, lá chegarei.

Hoje é o dia da criança

E acho que nunca falei com tantas crianças num dia. A minha cabeça quase que rebenta. Estou a ouvir-me aos ecos.