31 março 2006

Noto que nos dias que posso ficar com ela, sem mais nada de específico para fazer, ela me agradece em acções. E nesses dias, em que tiro mais tempo do que o normal para brincarmos e passearmos, reparo que anda mais feliz.
E se lhe faz bem estar com os outros, tenho a certeza que ainda lhe faria muito bem estar mais tempo comigo. Tem quase dois anos, brinca como uma menina, mas requer mimos de bebé.

Jardim dos gatos





Ciclo da vida

é feito de olás e adeus.
(com sentimentos pelo meio)

30 março 2006

De manhã, fui trabalhar. Comprei-lhe a mochila numa papelaria em Bucelas, ao pé da Escola. Comprei porque era gira, porque tinha a Minnie e porque a queria ver sorrir. Porque ainda não tem idade para compreender o porquê destes exames e porque tinha o meu coração mais apertado do que de todas as outras vezes.
Dormimos a sesta juntas, coisa rara. Fomos com muita antecedência e passeámos a pé num jardim.
O exame custou. Mais do que quando era bebé. Agora percebe tudo o que se vai passar mas não entende. Tive dificuldade em me conter, pela primeira vez. Chamei o pai para entrar também.
Depois regressámos com calma. Passeámos outra vez e oferecemo-nos comer fora. Quis comprar-lhe um presente porque merecia. Mas estava feliz com a mochila às costas.



29 março 2006

Assusta-se frequentemente com as motas. O som, em razia de ultrapassagem ao nosso carro, incomoda-a. Agora sempre que vê uma, faz cara de má, aponta e diz:
"Mau!"

Pior que o João Pedro Pais

é ter de ouvir o cd do Sporting. No emprego, com mais três mulheres. Que ainda por cima discutem futebol como se fossem homens.

(o cd do Sporting tem o Miguel Ângelo a cantar. Está tudo dito.)

Há um ano

portou-se lindamente, com direito a elogio da médica e tudo. Este ano estou preparada para o pior. As análises da semana passada confirmam-no: conhece as batas brancas a quilómetros, desata a fugir na direcção oposta à das marquesas e agarra-se ao meu colo como uma lapa. A vantagem é que apesar do pranto, não oferece resistência. Pensar em distraí-la durante um período de 20 a 30 minutos deitada num sítio de onde só quererá sair (com o desconforto de uma sonda com líquido) é tarefa complicada. Amanhã vai ser um dia em que aprenderemos todos mais um bocadinho.
(e, quem sabe, eu não me surpreenda?)

Marco

Um dos dvds está visto. Não tarda o Marco está na Argentina.

28 março 2006

Qualidades do meu marido (4)

Muda de canal quando se fala de futebol no telejornal.

Qualidades do meu marido (2)

Não gasta dinheiro em bilhetes para ir ver jogos de futebol.

Qualidades do meu marido (3)

Não gasta dinheiro em jornais sobre futebol.

Qualidades do meu marido (1)

Não liga a futebol.



27 março 2006

Maria


Ana

26 março 2006

24 março 2006

"Tão novinha..."

Uma das pessoas interessadas na minha casa não me dirigiu palavra durante a visita porque pensava que eu era a filha da proprietária.

23 março 2006

Blogues que leio e gosto (8)

Deste lado do espelho.

(No meu Top 3 de babyblogues que não dispenso. E porque a minha amiga Guida escreve como eu nunca serei capaz!)

Pormenores dela



Depois de ter esboçado um "Schhh!" a dois miúdos que conversavam atrás de nós no concerto do pai, ontem saíu-se com um "Atão?" impaciente com um brinquedo que não obedecia aos seus movimentos.

Sábado


lá vamos nós.

22 março 2006

Sentimento de culpa

é saber que uma amiga precisou de nós e não ouvimos o telefone tocar. Ou estávamos demasiado ocupados.
(existe demasiado nestas ocasiões?)

Ensinou-lhe a politicamente incorrecta resposta:"Papá!" à pergunta sobre quem gosta mais. A parte gira não é esta, é observar o ar incrédulo de algumas pessoas quando sou eu que a questiono. E me perguntarem: "Mas não te importas?"

Ela


a minha filha.

21 março 2006

19 março 2006

Prenda para o papá


feita por nós.

À mesa


com amigos.

17 março 2006

Quando vou trabalhar, consolo-me com rabiscos destes.

(as saudades que tenho dela alguns dias, chegam a doer.)

16 março 2006

O costume

Ele: "Vais-me dar prenda no dia do pai? É que eu já sei o que quero. Um vale da Fnac.."

15 março 2006

13 março 2006

Há gente mais desesperada que eu

Gosto desta época do ano. Até calha bem ser a altura de maior trabalho, porque as tardes ensolaradas, a ausência repentina do sobretudo e os dias mais longos, trazem-me a energia que necessito para o frenesim.
Conduzir mais de 200 km por dia cansa muito, especialmente se ando a correr. As mãos ficam pegajosas ao volante e a primeira coisa que vislumbro à chegada é sempre uma casa-de-banho, por causa dos apertos de mão (sim, continuo a evitar beijinhos a desconhecidos).
Malveira, Lousa, Ericeira, Mafra, tudo cheio de Sol. Ando bem disposta mas ainda não cheguei ao cúmulo de sair de manhã de sandálias ou de tops a atar no pescoço. É que se dei passagem à velhota de bengala e casaco de fazenda, também o fiz com a adolescente de mini-saia (sem collants) e costas à mostra.

10 março 2006

Estreámo-nos nos transportes públicos. Metro Falagueira-Baixa Chiado. Muita gente a entrar no Marquês de Pombal, uns 30 minutos sem trocarmos uma única palavra. Eu que já não andava nestas lides há uns 3 anos, senti-me estrangeira nos bancos públicos. A criança, atenta a toda a agitação, suspirou no fim. À subida das escadas, ouço-lhe a voz : "Mamã, ú-ú-ú..." sem parar, a encostar a cabeça no colo, feliz.

Há um ano, os noves meses que separam a Maria da pequena Alice impossibilitavam-nas de conviver com as mesmas brincadeiras. Hoje, este tempo que as distingue vai sendo cada vez menor, com a mais pequena a quase andar. Os interesses são algo semelhantes e são as duas bem dispostas. Confiamos que as empatias que vão gerando uma com a outra sejam um bonito reflexo de amizade dos pais. Cremos que sim.

Sou feliz com pormenores.
Entristeço-me com pormenores.

09 março 2006



Falar em público

Tenho uma fronteira muito ténue entre o que me parece ser um bom grupo para expôr algo e uma multidão impossível de vencer. Até cinco pessoas estou à vontade, transmito o que quero e não vacilo. Basta entrar mais uma ou outra e estou perante um auditório assustador. Com o passar do tempo ganho alguma prática e reparo que me enervo mais com pessoas mais velhas e que supostamente perceberão mais do assunto e me podem surpreender e atrapalhar.

Hoje começámos com oito mas num ambiente calmo. Aos poucos foram chegando e não me amedrontei. Apesar de ser comum sentir uns calores a subirem e um palpitar cardíaco em compasso acelerado, hoje não foi assim. A semana passada, pelo contrário, quase me saía o coração pela boca. Ao menos já não me treme a voz. Pouco a pouco.

Gostava muito

que a minha mãe fosse eterna.

Prenda de anos V

Ana Rute,

Ainda vamos a tempo de te dar os Parabéns?!?

(da amiga Maria João)

06 março 2006

Prenda de anos (V)




Prenda de anos (IV)

Nuvens de aniversário
Atiras o relógio pela janela, com
raiva, uma trajectória que acaba
no pequeno pátio onde os gatos
brincam com as sombras. Dizes
regresso, navio, Ulisses, palavras
contra a ideia do tempo que passa
por nós assim, quinze andares a
pique e depois nada. Eu olho as
nuvens lá no alto, distantes, são
as mesmas que os gregos viam,
igual brancura e lentidão; os gatos
escondem os ponteiros inúteis, tu
perguntas algo que não entendo,
algo sobre a importância do mar
quando uma cidade nos espera.

Para a Rute, que esteve connosco ontem e em tantos outros dias, a partilhar nuvens e bocadinhos de bolo - o poema está na contra-capa de Nuvens & Labirintos, de José Mário Silva, publicado pela Gótica em 2001 (dois mil e um e depois nada).

(Da minha amiga Guida)

Prenda de anos (III)

Para uma amiga que gosta de nuvens

Parabéns e um beijinho!!

(Não era uma imagem assim que eu queria. Era uma menos "espectacular", um céu azul claro, nuvens brancas em farripas, e uma linha verde em baixo. Não encontrei!
)

(da minha amiga Xana)

Prenda de anos (II)

aquela nuvem

-É tão bom ser nuvem,
ter um
corpo leve
e passar, passar.

-Leva-me contigo.

Quero ver Granada.
Quero ver o mar.

- Granada é longe,
o mar é distante,
não podes voar.

- Para que te serve
ser nuvem, se não
me podes levar?

- Serve para te ver.
E passar, passar.

Eugénio de Andrade, Aquela nuvem e outras, edições quasi, junho de 2005




Imagem retirada daqui

Parabéns Rute!


(da minha amiga Ana)

Prenda de anos



do meu marido.

O estilo


acima de tudo.

05 março 2006

Os aniversários são como as passagens do ano, reavivam-nos na memória a necessidade de nos revermos e percebermos. O ano de 2005 foi feliz. Não me ocorre exigir ao Céu mais do que já tive, até porque não mereço. Tenho mais do que pedi e nada me falta, a começar pela família e a continuar pelos amigos. Tenho uma filha que me trouxe e despertou o melhor e o que não conhecia em mim. Por isso, fico muito satisfeita pelo que já conquistámos e com muito desejo de assim o manter. Pedir mais seria ingratidão e se há coisa que não me posso queixar é do grande cuidado que Deus tem tido connosco. São 29.

04 março 2006



Subtilmente

No intervalo de uma formação, entre uma dentada na sandes de queijo e o regresso à dita, o desabafo da minha directora para quem quisesse ouvir:

"Finalmente parece que a fertilidade no nosso departamento acalmou e nos próximos tempos não vão haver grávidas. Que descanso com os recursos humanos e quadros de substituição."

Dou outra dentada na sandes de queijo e finjo que não ouvi.

03 março 2006

Alegrias

As nossas alegrias fazem-se também das alegrias dos outros, os nossos queridos.
São um aconchego no cantinho do coração.
Tão bom.

Aos 22 meses

faz cada fez menos sentido esta contagem mensal. A menina é crescida e já fala muito, embora a maior parte continue a ser imperceptível.

02 março 2006

Silhueta de menina



Porque o meu amigo Zé Mário faz anos e gosta de Nuvens como eu

publico um texto que escreveu há tempos e que eu gosto muito, muito.

COLECCIONADOR DE NUVENS














Há quem coleccione moedas raras com éfigies de reis assassinados a tiro, selos da Polinésia, discos em vinil de grafismo escabroso, 78 rotações com fados perdidos dos primórdios do séc. XX, borboletas nabokovianas espetadas em alfinetes, cápsulas de bebidas gasosas que já não se vendem há 30 anos, roupa com a assinatura de costureiros famosos (licitada nos leilões do eBay), búzios enormes trazidos de praias longínquas, o diabo a sete. Eu não. Eu não colecciono nada de tão concreto, de tão palpável. Eu colecciono nuvens e continuo a achar que o cúmulo da monotonia é a visão — lisa, opaca, vazia — de um céu completamente azul.Embora não consiga precisar o momento em que terei exclamado pela primeira vez, como Baudelaire, «j’aime les nuages... les nuages qui passent... là-bas... les merveilleux nuages!», sei que este é um fascínio antigo, uma extravagância de todas as idades e de todas as estações. Em miúdo, tal como a pequena Amélie Poulain (ou qualquer outra criança que ainda não esteja completamente atrofiada por Nintendos e PlayStations), adorava estender-me na relva, durante as infinitas tardes de Verão, a decifrar formas naqueles prodígios de brancura suspensa. Aqui um castelo, ali uma nau de mastro partido, acolá uma espada avermelhada pelo poente. Falar de colecção a propósito de nuvens pode parecer um disparate. Como é evidente, eu não tenho nuvens, eu nunca as guardei, nem posso vendê-las ou trocá-las. Mas elas não deixam por isso de existir, catalogadas e tudo, em dois planos: na minha memória (ainda recordo, por exemplo, o relevo de certo cumulonimbo que vi a pairar sobre o Báltico, em Julho de 1988) e na memória do computador, em pastas cheias de fotos captadas com uma máquina digital.O que eu queria mesmo, confesso, era andar pelo mundo à caça delas. Contemplá-las por cima (avião), por baixo (barco ou automóvel), por dentro (no topo das montanhas). E fazer depois um Diário das Nuvens, como o que Goethe escreveu em 1820, só com referências sucintas ao modo como os cumulus, os stratus, os cirrus e os nimbus se distribuem na atmosfera, se avolumam ou se desfazem em chuva. «Uma arquitectura do acaso», chamou-lhes Jorge Luis Borges. Do efémero, acrescento eu. E talvez por serem assim — breves, frágeis, provisórias — me pareçam sempre tão belas.

Publicado por José Mário Silva às agosto 12, 2005 02:25 PM

01 março 2006

A frase mais ouvida hoje:

"Não mascaraste a tua filha?"

Não há

como ter passado por uns dias complicados para conseguir encarar uma situação idêntica com muito mais ligeireza. Deus, ou a vida (como quiserem interpretar) ensina-nos lições.

Portugal 1 x EUA 0

Nova Iorque tem um céu muito distante. Washington melhora um bocadinho e Boston também. Mas para ver nuvens e apreciá-las não há como Lisboa, Cascais, Oeiras, a Marginal.

Mais do que comprar um presente, gosto de o saber fazer.

Impaciento-me com as esperas

e sou exímia na arte de fazer pressão.

Sobre o Carnaval

Muito bom.

Ainda não entrámos oficialmente na faixa etária 2-4 anos e estas cenas já começam a acontecer: puxar brinquedos, recusa de roupas e cenas teatrais.

(suspiro)

Versatilidade

A (des) vantagem dos caracóis é que uns dias acordo com o cabelo nos ombros, outros no queixo e outros mais comprido. Adapta-se o look à disposição do penteado.

Há um ano,

entretinha-se no chão a brincar, arrastava-se sentada, metia qualquer objecto na boca, babava-se muito e os caracóis só se viam de cabelo molhado.

O meu nome por imagens

isto.
(pelos vistos, sou a única com estes três nomes combinados.Uau!)