30 novembro 2006

Cá por casa




Da ausência

a filha crescida deu hoje pela falta da gata. Chamou por ela pelos cantos todos. Foi à casa-de-banho avisar o pai que ela não se encontrava.

(Podemos dizer a uma criança que os animais também vão para o Céu?)

29 novembro 2006

Nuvem


25.07.2002 - 28.11.2006



28 novembro 2006

Do parto da Marta-a história


Há uma semana, tinha ido de madrugada às urgências. Contracções intensas de 10 em 10 minutos e um mau estar que se arrastava há dias. O médico de serviço confirmou a dilatação que a médica tinha diagnosticado no dia anterior (2,5cm) e confirmou que estava para breve. Aconselhou-me a voltar a casa, passear na manhã seguinte e regressar quando as contracções estivessem espaçadas em 5 minutos.

Assim fizémos. Levantei-me determinada a acelerar o processo (caso contrário, no dia seguinte às 8.00 a médica queria fazer a indução). Andei a pé a um ritmo mais acelerado que o normal, apanhei uma molha, fui às compras e carreguei com sacos e cheguei à hora do almoço cheia de dores. Durante a tarde o cenário já era difícil de suportar, mas o silêncio desta casa, só com nós dois, foi importante. Dormitei uns 40 minutos e acordei com uma dor ainda mais forte. Anotava quando me lembrava os intervalos das contracções.

Os meus pais apanharam a Maria na Escola e ficou decidido que ficaria por lá. Eram 18h e já me preocupava com a dilatação que poderia ter (é a única desvantagem deste processo, saber em que ponto estamos. Se é cedo ou tarde demais) e a hora era de trânsito. Tinha receio de fazermos uma viagem para o Hospital atribulada.

Pegámos nas coisas e passámos por Queijas, a deixar a roupa da Maria. Deambulei por lá, até que decidi ligar à médica. Ordenou que fôssemos.

Chegados ao Hospital, tinha quase 5 cm de dilatação. Eram 20h quando dei por mim no quarto 2.11 (ao lado do que esperámos pela Maria), com uma enfermeira a picar-me a mão e uma médica a picar-me as costas. Tudo muito rápido, com a televisão ligada na Sic Notícias.A minha médica tinha acabado as consultas e não tinha mais serviço naquele dia. Ficou por nossa conta.

A epidural fez logo efeito e as contracções depressa aceleraram. 50 minutos depois o efeito tinha passado e as dores eram quase insuportáveis. Deu-me para arrepios de frio e maxilares a tremer. Chorei uma vez. Aguentei 15 minutos e pedi pelo reforço da anestesia. O reforço chegou, o efeito nem por isso. Comecei a sentir vontade de fazer força. Uma, duas vezes. A minha médica confirma que chegou a hora. Eu imploro uma anestesia que me ajude a colaborar. Dão-me.

(Durante este período, ao analisar o CTG, a médica repara pelos acelerados batimentos cardíacos da Marta que deve ter o cordão à volta do pescoço.)

Chego ao bloco tranquila. Desta vez, o cenário bem diferente. A minha médica, um pediatra muito bem disposto e com muitos anos de serviço e uma enfermeira que tinha estado presente no parto da Maria, na altura grávida. Todos bem dispostos. Convenço a minha médica a deixar-me ficar sentada e com os pés onde geralmente se colocam as pernas. Faço força umas cinco vezes e começo a perder alguma sensibilidade. O efeito da epidural com o reforço que pedi começavam a fazer efeito. Era preciso cortar o cordão antes da bebé sair.

Ouço a médica mandar sentar o pai. Diz que não está ali para tratar dele. Quem o substitui a segurar-me no pescoço é o pediatra e oiço a médica, com alguma pena dizer que não gosta daquela anestesia de última hora e que infelizmente me vai ter de cortar (ali fiquei triste, desde o início as perspectivas eram animadoras). Mas continuou o processo, uma ventosa colocada, fazer força uma vez para a Marta sair parcialmente e parar (também porque ela tinha a cara virada para a frente e os cuidados eram maiores). Cortou o cordão (e descobre que o mesmo tinha um nó verdadeiro-expressão dela) e faço força mais umas duas vezes e nasce a Marta. Em cima de mim só vejo um pé lilás e oiço um choro alto, bem alto, que me fez deitar a cabeça para trás e respirar de alívio.

Eram 23h15m.

A partir daí, a festa continuou. A Marta ficou a ser vestida na sala ao lado, com a porta aberta, o Tiago foi vê-la, levou-a para o berçário uns minutos para aquecer e eu fiquei ali, a descansar e a ser cosida, ao som de conversas de outros bebés.

No recobro trouxeram-na para junto de nós. Não nos separámos mais. A mim, nem me ocorreu chorar. Só agradecer, agradecer, agradecer.


Das parecenças

ao primeiro filho todos tentam encontrar parecenças com o pai ou com a mãe (e tios e primos e por aí fora).

Ao segundo, todos tentam encontrar parecenças com o primeiro.

A irmã mais nova

andou duas noites a tentar encontrar-se com o Mundo. Duas noites em que praticamente a luz do nosso quarto não se apagou. Esta última já foi mais tranquila. Ri-se muito depois de mamar. Franze o nariz e chega a emitir uns guinchinhos de satisfação. Quem mais do que um recém-nascido para nos fazer rir às quatro da manhã?

A irmã mais velha

tem ido todos os dias feliz e contente para a Escola e quando regressa faz uma grande festa e depressa volta à rotina de final de tarde como sempre teve. Por enquanto, tudo muito pacífico.

26 novembro 2006

Do parto da Marta - pequena introdução

Pensei nele as vezes suficientes.
As vezes suficientes para recear alguns momentos.
As vezes suficientes para saber que, depois de passar, tudo compensa.

Tinha receio de um parto induzido apenas porque o tempo estipulado de permanência na minha barriga se estava a esgotar. Com a Maria, foi a perda de líquido que levou a que me instalassem numa cama e provocassem o momento que, no fundo, ainda não tinha chegado.

Queria muito ir para o Hospital só quando fosse mesmo a hora. Queria muito contrariar as dores à minha maneira, andar a pé, deitar-me sem os ruídos dos hospitais.

Queria muito escapar a uma episiotomia, que bem me custou a sarar da outra vez.

No fundo, o que eu queria, era um parto o mais natural possível. Com tranquilidade.

25 novembro 2006

4


Quando pensava no parto, só tinha certezas quanto ao que eu não queria que acontecesse. Ou que não desejava. Valeu-me um episódio muito feliz de nascimento de segundo filho, pormenorizadamente escrito por mail pela querida Guida, para acreditar que tudo seria mais fácil desta vez.

E foi. Um destes dias, partilho-o. Não porque algum dia me vá esquecer dele, mas porque há relatos que merecem ser registados.

Por enquanto, entretenho-me com uma bebé que precisa ser acordada para mamar, uma filha mais velha a dormir mais horas que o normal e a tradicional terrível subida do leite.

No meio disto tudo, aprendemos a ser quatro.


24 novembro 2006

Filhas




Do parto

foi quase tudo como pedi a Deus (e pedi muitas vezes!).
Agora agradeço de todas as vezes que a contemplo (e são imensas!).

23 novembro 2006

Sentido de humor particular

Houve quem acreditasse que, juntamente com o anúncio de nascimento da Marta, que o post escrito pelo pai das minhas filhas tivesse alguma ponta de verdade. As minhas desculpas, caríssimas.

É que a ter de vos fazer chorar, ele prefere sempre que seja a rir.

Com a Marta

somos 4.

22 novembro 2006

Comunicado

Minhas doces senhoras,
a Marta nasceu ontem por volta das 23.15 com três quilos, duzentos e trinta gramas. A sua chegada correu bem, parece-me (estive presente e tudo).
A minha estimada esposa, moralizada pela experiência revigoradora da maternidade, pediu-me para vos informar que a partir de agora só mulheres que desejem ter para cima de seis filhos poderão ler este blogue. Saíu do Bloco de Partos com um profundo asco por todas aquelas que fecham a sua madre a uma unidade inferior à meia-dúzia. Nos próximos dias ela tratará de vos enviar novas passwords.
Devo também informar-vos que os seus mamilos parecem almôndegas, coisa que aparentemente não desagrada à pequena Marta.
Os cumprimentos da gerência,
Tiago Cavaco.

21 novembro 2006

Quase, quase.

Quando Deus expulsou Adão e Eva do Paraíso e disse: (Gênesis 3:16)

Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos.

Não estava a brincar.

20 novembro 2006

Bye, bye

rolhão mucoso.

18 novembro 2006

17 novembro 2006

P: A estupidez natural acentua-se com a gravidez?

R: Sim, e bastante no teu caso, Ana Rute.

(Recuso um almoço com amigas alegando falta de forças e depois passo o dito tempo a passar a ferro.)

Da ausência

Há amigos que nunca deveriam estar longe.
Nunca.

Sair à rua

é ouvir constantemente a frase:
"Ainda anda por aqui?"

(e repetir que ainda ando e que ainda estou dentro do prazo).

16 novembro 2006

Em desiquilíbrio

Eu, que não sei andar devagar, nunca pensei ser obrigada por mim própria a diminuir o ritmo da marcha. No Chiado, as ruas estão demasiado íngremes.

15 novembro 2006

A esperteza aos dois anos e meio

"Pode ser, mamã querida?"

Por tudo e por nada,

amua:

"Tou triste contigo!"

Há sempre uma primeira vez OU a minha filha foi ao castigo

Num dos dias da semana passada, chego à Escola, sou recebida com a mesma euforia de sempre e com uma frase dela: "Mamã, a Maria portou mal, foi para a cadeira pensar!". Questionada acerca do porquê, parece que se tinha cansado de emprestar a Minnie à Inês e "a Maria bateu com as pernas".

Não lhe deu um pontapé, repare-se. Bateu com as pernas.

O espanto

A minha vizinha do lado espanta-se quando me encontra às compras, ainda grávida. Tinha acabado de garantir à senhora da imobiliária que a noite anterior tinha ouvido a Marta chorar.

Lol.

14 novembro 2006

2 em 1




Nas idas ao Hospital

a vontade de lá ficar,
a vontade de fugir o mais depressa dali.

Das bonecas

A Minnie é a companheira. O consolo no sono, nas birras, no cansaço. A que está sempre lá.
As outras bonecas são as que servem para brincar às casinhas. A Panca, a Jagget, o Nenuco, a Barbie. Com essas, muda fraldas, veste e despe as roupas, embrulha-as em cobertores e sobretudo, ralha muito com elas. Grandes cenas de educação se assistem nesta casa. Algumas chocantes, pelas parecenças com a vida real.

Ontem à noite, de mão na cintura e com ar muito dramático:

"Ó Panca, não acredito!"

Consulta e CTG

CTG com vitalidade, mais contracções e de maior intensidade.
Colo apagado a 80%, 2 dedos de dilatação.
E é só.

13 novembro 2006




Contagens finais

a barra lá em cima cedeu ao que os médicos acham.
Ainda assim, segundo as minhas contagens de concepção da pequena Marta, hoje estarei com menos uma semana. Pouco interessa. Apenas registar que nunca estive tão grávida como hoje, dado que a Maria nasceu no dia em que completava as 38 semanas.
Tudo a partir de agora é espera. Sem muita ansiedade, por enquanto.

12 novembro 2006

Por estes dias,

convém que não me esqueça de actualizar o blogue, colocar fotos no flickr, ter o telemóvel sempre ligado. Uns segundos de atraso na resposta de uma sms ou telefonema, ou a ausência de um post podem despertar ansiedade em qualquer pessoa.

Continuamos aqui, com a Marta a nadar em líquido amniótico.

09 novembro 2006

Uma imagem a manter

A insistir muito para que a deixasse ver sozinha, na cadeira, os vídeos dela, no computador.

Como disse que agora não podia ser, saiu da sala a resmungar num tom mais alto que o habitual. Regressa, de lenço de papel na mão a tapar a cara e a dizer:

"A Maria está a chorar!".

Desato-me a rir e ela sai da sala, perdida de riso, com o lenço na cara.


Fui arranjar os pés!
Esqueci-me de levar chinelos!
Vim rua abaixo de chinelinhos descartáveis!

07 novembro 2006

To do - adenda

Para quem se assustou com a parte de passar a ferro:

Aquilo era um objectivo, não quer dizer que eu o concretize...aliás, a bem dizer, já não pego no ferro há 2 semanas e não sei se vou conseguir pegar tão depressa.

(mas hoje já comprei as fraldas e recarreguei o telemóvel).

To do - enquanto é tempo.

- Ir ao cabeleireiro arranjar os pés (meu único luxo, poucas vezes por ano). O trauma de ter os pés em estado lastimoso num segundo parto é elevado. Ver aqui e aqui;

- Comprar fraldas recém-nascido. (só tenho um pacote, aquelas embalagens minúsculas continuam demasiado caras...);

- Passar o máximo de roupa a ferro possível (ai, é tanta!);

- Rever o saldo do telemóvel.

06 novembro 2006

Nov 1949

O meu pai nasceu ali para as bandas da Av. Estados Unidos da América em Lisboa. Este facto foi causador de desgosto durante toda a minha infância, dado que a minha mãe, apesar de ser originária das Beiras, também veio para cá com 4 anos.

Dizia eu que este facto me incomodava. Todos os meus colegas de Escola Primária iam à terra nas férias, traziam batatas e cebolas e tinham uma família a viver longe. As minhas composições das interrupções lectivas eram sempre demasiado pobres. Nunca soube o que era acordar com as galinhas nem andar no meio da horta com os avós. Passou-me mais tarde.

Talvez uma das compensações disto, tenham sido as histórias que o meu pai nos contava ao jantar e que me parecem hoje carregadas de algum exagero, mas que encheram o nosso imaginário de miúdos. O meu pai fazia a típica vida de rua de bairro e contava-nos as suas escapadelas para as varandas das vizinhas quando os "chuis" perseguiam os miúdos que jogavam à bola em plena rua.

Isto, à mistura com umas aventuras de uns crocodilos (que não me recordo dos nomes mas que eram inventados por ele) que tentavam a todo o custo sair do Jardim Zoológico, tornavam os nossos serões quase mágicos.

Parabéns, pai.

Consulta de rotina de nefrologia

e por um acaso é pesada e medida.
Cresceu 5 centímetros desde Maio.
Não percebia eu para onde tinham ido as dobras das calças. Agora já entendi.
5 centímetros?



A ver o telejornal

Eu: "Olha, uma tartaruga!"
Ela: "A tartaruga parece um crocodilo!"

05 novembro 2006

(...)

Incomoda-me que ela acorde a chorar. É sempre tão bem disposta e geralmente chama por nós, para a irmos buscar (ainda está na cama de grades e por enquando não se vê necessidade de mudar).

Acordou aos berros, chateada, queixosa, a pedir para não acender a luz. Passados uns minutos e depois de ter bebido leite com cereais, a pergunta:

"A Maria não tem de ir ao Hospital fazer o chichi?".

Re-leituras

Lembro-me de há um ano aqui ter escrito no blogue que tinha ficado emocionada com este post.
Hoje, reli-o. Pareceu-me fazer tanto sentido, as diferenças das nossas filhas são as mesmas, o que me preocupa é quase igual.
Logo se seguida, reli este e este. E tocaram-me muito.

04 novembro 2006

03 novembro 2006

Um episódio depois

da Dora, a exploradora, aponta para a comida e diz:
"Olha, papa! Delicious!"

02 novembro 2006

!

Luzes de Natal em Queijas, Estrelas de Natal em Oeiras.

E ela, espantada:

"Brutal!"

(expressão utilizada frequentemente pelo pai).

Na Escola

já desesperava pela nossa chegada, quase uma hora mais tarde que o habitual.
À saída, em tom eufórico:
"Adeus meninos, a Maria vai para a casinha dela! Adeeeeuuuus!"

01 novembro 2006

Todos dizem que está quase


até os iogurtes.

O pai sai para um concerto, pelas 21.30

e ela encosta-se ao sofá, posição relaxada e mão na anca e diz-me:

"Não tenhas medo, mamã. A Maria dorme na cama da mamã!"

Imaginação não me falta.

Tive mais do que uma ideia para fazer como lembranças de Natal, pelo significado que tem uma coisa feita pelas próprias mãos e como uma tentativa de combater os gastos que se fazem por essa altura do ano (e que tantas vezes me parecem exagerados).

Só me falta a disposição.