30 março 2007

A grande vantagem de frequentar casas de amigos

com filhos da idade dos nossos, é que os disparates são feitos à vez ou até mesmo em simultâneo. Ninguém se fica a rir e no fim ninguém precisa pedir desculpas pelo incómodo.

Inês: "Posso brincar com a Minnie?"
Maria: "Podes, claro."

Casa




Ainda da reunião de pais

ficamos a saber que afinal, a Maria não é sempre a última a chegar de manhã.

29 março 2007

Reunião de avaliação na Escola

Uma folha e meia A4 para descrever quem a minha filha é, aos olhos da educadora. Tanta coisa para me orgulhar, mas bastava-me a frase

É uma criança absolutamente normal.

para me deixar tranquila. Não quero que ela seja nem mais, nem menos. Quero-a criança, apenas.

A transferir a parede dos retratos para a casa nova,

constato que já são alguns o que não estão connosco, mas que temos uma nova geração (à qual já não pertenço) que vai ocupando o seu lugar.


Cá em casa somos uns queridos,

e todos temos nomes invulgares.

A Maria já foi e ainda é:

Feijãozinho;
Miki Mikadas;
Clone;
Clone maléfico;
Pulguita;
Princesa de Oeiras e do mundo inteiro;
Gusmãozinho;
Xica;
Chunguinha;
Croma;
Pirosa.

A Marta é:

Ursinha carinhosa;
Gorda badocha;
Badochinha;
Crominha;
Peixinho;
Terrorista;
Chunga;
Chunguice das loucuras;
Texuguinha;
Martosa gordurosa.

Os sinónimos de amor não terminam, enquanto houver imaginação.

O quarto das filhas

(Aguarelas feitas pela prima Ana, convertidas em papel autocolante.)





"Uau! Eu gosto muito do meu quarto, mamã!"
(Daqui a uns tempos veremos se a Marta tem caracóis como foi idealizada nestes desenhos!)


Para tirar uma fotografia

ela achou essencial colocar-me batôn, eu que nunca uso.

"Tás gira, agora vamos tirar a togafia."



28 março 2007

De manhã, pega no telemóvel:

"Tou? Vó Tina. Tou em casa. Tou muito gira. Vou para a Escola com os meus ténis Reebok (*) e com uma camisola às folhas. Sim, Vó Tina, adeus. Beijinhos pa ti!"

(*) -mania do pai de lhe ensinar todas as marcas de calçado.

As mãos



27 março 2007

À refeição

(a subir o tom da voz)

Ela: "Hoje a Inês disse à Maria: és muito feia. És feia!"

Eu: "E o que é que tu fizeste para ela te chamar feia?"

(a diminuir o tom, baixinho)

Ela: "Bati na Inês."

Raquel,

o nosso girassol começa a dar ares da sua graça.


(5 de Março)

(26 de Março)


Eu tenho de escrever isto

Fiquei sozinha com as duas o fim-de-semana (uma noite incluida) e com a limitação de estar uma ventania descomunal, que impossibilitava grandes passeios.

A noite foi melhor que o habitual (no caso da Marta), a Maria colaborou em todos os planos (horas de comer, de brincar, de tomar banho, de dormir) e até tinhamos ido à Igreja no domingo de manhã e chegado a horas se alguém me tivesse avisado que a hora ia mudar.

A minha filha crescida está mesmo a ficar crescida.

Breve exercício de memória

(ou Eu já estive grávida um ano e meio da minha vida)

Há 3 anos, com 29 semanas de Maria.

Há um ano, com 5 semanas de Marta.


26 março 2007

Falta um mês para o regresso

e ao consultar o mail de trabalho, tenho uma convocação para uma formação de Gestão de Stress, com a seguinte indicação:

Devem levar roupa confortável.
A formação em Gestão de Stress irá implicar alguns exercícios de relaxamento (entre outros) e seria conveniente que se sentissem à vontade para os fazerem.

Ui. Estou cheia de vontade.

A semana passada

tive uma crise e não teve nada a ver com o facto de ter completado os trinta este mês. Tive uma crise.

Às vezes também me acho a mãe mais imperfeita. E às vezes não me apetece estar com todas as outras mães, tão perfeitas. Chateio-me comigo própria e constato que também este blogue pode parecer poético, perfeito, linear. Quando a vida não o é, tantas vezes.
Ao segundo filho, podem também vir as partidas. E a experiência pode não servir para muito. Apenas para bom senso e desdramatizar. Foi o que tive de fazer.

Ontem foi domingo, ninguém me avisou que a hora ia mudar e começou uma nova semana.

Afirmação de um amigo:

"Tás com bom aspecto. Ficas grávida, és mãe, mas depois tens bom aspecto."

(medo!)

24 março 2007

Gostar de coisas antigas (e herdadas) - 11

Aparador e jarra da avó (Maria dos) Anjos;
Ferro grande do tio Joel e da tia Lena.

A nossa casa

começa a sentir-se como lar. Aos poucos, ando pelo espaço e cheira a meu. Habituo-me aos novos sítios das coisas e deixo outras exactamente nos mesmos lugares. Porque mudámos de espaço mas é a nossa casa. Ainda não me acostumei à ideia que já não é preciso sair a correr da casa-de-banho para alguém a ocupar, uma vez que agora são duas. Uma das coisas que me agrada mais, ainda assim, é a possibilidade de receber mais do que três pessoas e não estarmos todos uns em cima dos outros. É bom.

No carro,

passamos pela zona antiga e pergunta:
"Vamos para a nossa casa ou para a casa nova?"

23 março 2007

Há um ano

a Marta crescia secretamente há 17 dias, mas nas nossas cabeças começava apenas a ser uma possibilidade de duas risquinhas num teste de gravidez.

21 março 2007

Nasceu a Leonor, pelas 12h36m


Uma vida longa e feliz.

(Filha da minha homónima Ana Rute Oliveira, com quem partilhei uma infância, muitos sorrisos e esta gravidez.)



4 meses




Duas filhas depois

Só quem passou por um pós-parto absolutamente normal (e não daqueles que ao fim de 15 dias "Ai que eu já visto as minhas calças normais!") sabe o que significa voltar a vestir umas calças de ganga antigas. Ainda que não assentem exactamente como anteriormente, mas que apertam.

Hoje começa a Primavera, a filha pequenina completa quatro meses e deu-me para celebrar.

20 março 2007

(desaperta o robe e mostra os ombros)


"Olha, vou ficar gira, pode ser?"




(no canto, a boneca sentada)

"Mamã, não fales com a Panca. Está de castigo, bateu aos meninos!"

(olha para ela)

"Vês, mamã, a Panca está-se a rir. É feia."

Na sala de espera das consultas

não me chateiam nada os gritos dos miúdos, as brincadeiras, as cadeiras que arrastam, os brinquedos a tocar, as conversas, a agitação.

Chateiam-me as mães, que sem nada para fazer e com os seus filhos quietinhos, têm a excelente ideia, ao olhar para a minha filha pequenina a dormir:

"Ó Rodrigo, olhe ali aquele bebé tão pequenino. Vá lá dar um beijinho e uma festinha, vá."

Uma semana depois

não acha o livro dos cabritinhos (algures ainda por um caixote), e de mão a coçar a cabeça com um ar muito desconsolado:

"Os cabritinhos estão na nossa casa?"

(post provavelmente nojento)

A minha filha chateia-se com o meu pai por ter puxado o autoclismo antes de ela avaliar o conteúdo da sanita, da sua própria autoria.

Voltou

um dos meus blogues (e família) favoritos.

Consulta dos 4 meses

e não podia ser mais diferente da irmã, com esta idade.
Peso e altura, percentil 95.
Na cabeça, percentil 50.

O tempo todo a rir e constipada mais uma vez.
Nada de papas, começamos com a fruta e com a sopa.

19 março 2007

Das coisas pré-maternidade

Não sinto que tenha perdido muita coisa.

Não é a vida nocturna, que nunca tive nem apreciei. Não são as muitas viagens, que até nisso sempre estive limitada. Não são as idas ao cabeleireiro, às compras, jantares fora.

São aqueles bocados sozinha, em que não tinha preocupações. A facilidade com que pegava na mala, saía, cirandava por aí e ninguém dava pela minha falta. Aqueles minutos meus.

Disso, sinto a falta, às vezes. Como hoje.

18 março 2007

Como nas pessoas

mas apenas em 21 dias, forma-se um pintaínho.

Ainda há quem não acredite em Deus.


É triste, mas é verdade

quem herda as roupas que já não me servem é a minha mãe.

17 março 2007

Brincadeiras - II

"Panca, ainda não fizémos oração. Não podes começar a comer."

Brincadeiras

"Ó Anita, não acredito. Tens de tirar as botas, tás toda mijada!"

(Mijada? Ainda me vêm falar que a educação é na Escola!)

Vazia, foi como ficou.

mas também foi vazia que a encontrámos e a enchemos, como nossa.




(2001/2002)

16 março 2007

Novo bairro

A nova casa fica a 5 minutos de carro da nossa antiga. Contudo, as zonas são distintas, embora sendo ambas dos anos setenta. As traseiras dão para um passeio com comércio, onde não há trânsito e para onde todos têm uma porta de serviço. Esta porta tem tanto movimento como a porta principal. É rara a hora do dia em que não está a entrar ou a sair alguém, com sacos das compras na mão. Cumprimento as pessoas por quem passo, mas o facto de este prédio ter muito mais apartamentos que o outro faz com que ninguém nos olhe com estranheza.

No primeiro dia, achei que as janelas deixavam passar mais som do que o habitual, visto que ouvi o carro do marido a chegar e a filha a perguntar se esta era a casa nova.
Demorei a perceber que o defeito não estava nas janelas, mas que tinhamos descido de um quinto andar para um primeiro.

A nova casa

começa a parecer-se com uma casa. Os quartos estão arrumados, o escritório uma bagunça e a sala está transitável, embora caótica.

Perdi a conta à quantidade de noites que dormi com a garganta a saber a pó.

15 março 2007

Mudanças - III

Hoje entreguei as chaves da nossa outra casa aos novos moradores. Cheguei 15 minutos antes para me despedir e encontrei paredes, despidas. Uma casa vazia, mas com marcas nossas. De repente, cruzam-se na minha cabeça tantos momentos lá vividos, quase cinco anos. A campaínha tocou e tive de explicar como funcionava o forno, o fogão, o esquentador. Onde estavam as chaves dos roupeiros, que podiam estender a roupa no terraço e a que vizinho deviam recorrer se precisassem de um segundo elevador a funcionar. Os olhos do rapaz brilhavam de contentamento, quando lhe passei as chaves para as mãos.

Quis desejar-lhes tanta felicidade por lá como a que nós vivemos mas nesse preciso instante emocionei-me e tive de conter o choro.

(Saí de lá a sentir-me ridícula por me sentir assim tão triste.)

Mudanças - II

É viver temporariamente no caos.

Mudanças

embalar tudo em três dias seguidos, sair, e dormir já na outra casa, tudo no espaço de 12 horas não foi cansativo. Foi uma loucura.

Desde segunda-feira

que as nossas frases começam todas por:

"Onde estará...?"

09 março 2007

Dos preparativos para a mudança

só vejo tralha à minha frente.



Herança do pai

Iguaizinhos, neste capítulo. Quando estão a ver alguma coisa na televisão que os divirta mesmo ou que gostem particularmente, não o conseguem fazer sozinhos. Chega a ser massacrante, quando ando pela casa a tratar de coisas.

"Estás a ouvir, anda ver. Estás a perder!", repetidamente, até eu me sentar no sofá.

Ela, hoje de manhã, como já fez noutras, aos murros à porta da casa-de-banho:

"Papá, anda rápido. Está a dar o Abre-te Sésamo! Anda!"

Ela

"Olha, vamos brincar. Tu és o papá, eu sou a mamã."

Da linguagem evangélica,

eu sei que usamos palavras pouco frequentes no português comum. Frases estranhas, expressões esquisitas. Uma delas é benção. Ninguém, sem ser no nosso meio, diz a outro que recebeu uma benção, ou que foi abençoado. Mas para mim, que cresci a achar que das melhores coisas que podemos receber na nossa vida, são precisamente as bençãos que vêm de Deus, uma das minhas músicas preferidas é esta, que tem como refrão:

Chuvas de bençãos
Chuvas de bençãos dos Céus
Gotas somente nós temos
Chuvas pedimos a Deus.

(Isto a propósito de a Xana ter recebido publicidade religiosa no Gmail. Percebi a parte hilariante do vocabulário.)

Casa nova-2

tem portas iguais às da nossa actual casa, mas em castanho. O prédio é ligeiramente mais recente, mas na mesma zona. A diferença é que as nossas actuais portas são brancas, coisa que não é muito comum, mas que nos trouxe sempre muita luz às divisões. Vai-me custar habituar a horizontes mais sombrios.

Casa nova

Sempre me intrigou a ideia que o quarto maior da casa tem de ser para o casal, quando quem de facto precisa de espaço, são as crianças. À conta disso, e apesar de todas as instruções repetidas, a parede colorida das miúdas, ficou no nosso quarto.

É cómico

que as únicas pessoas que me tratam por senhora sejam os brasileiros.

08 março 2007

Março ainda vai no início

e já são 10 as grávidas que conheço a ter bebé este ano.

A desculpa perfeita

Uns bons dias depois de a minha mãe me ter oferecido um ramo de tulipas, deito-as no lixo, mortas. O meu marido, com a tampa na mão, seriamente, afirma que nunca me deu flores porque não gosta de dar prendas que se deitam fora.

No genérico do Noddy

ouve-se: "Abram alas para o Noddy", mas cá em casa a versão é "A-pá-só-Noddy".

Ao segundo caixote embalado,

tenho um saco cheio de lixo.

Frases soltas, no Minipreço: (cont.)

"Ele é um banana, não tem querer."

Frases soltas, no Minipreço:

"Eu estou em crer que ele até gosta dos filhos, mas aquela mulher que ele arranjou agora parece banhada a maldade!"

Eu já disse que

acho o dia da Mulher uma parolada?

07 março 2007

Eu: "Já és tão crescida, tão crescida, que vais passar para uma cama de crescida."
Ela: "Eu não sou nada crescida. Eu sou uma bebé. Uma bebézinha pequenina."

Gostar de coisas antigas (e herdadas) - 10

Capa com capuz, ao xadrez. Da prima Alexandra.
(que tem agora 27 anos)

Fotografia da minha sogra.


De noiva a mãe, de mãe a Rute

(Depois de vasculhar fotografias do nosso casamento), suspira e constata:

"Já não és noiva? A mamã já não é uma noiva? (esta última ainda diz "môva")"

Eu: "Não, agora sou mãe. Deixei de ser noiva!"

Ela: "Não, não és nada mãe. Tu és a Rute."

06 março 2007

Ai!



Dia de anos

Scoop

Um dia destes, acordo estilo Scarlett, mas em moreno.

05 março 2007

1977

Hoje acordei trintona.

04 março 2007

Casa de amigos

Os cheiros, as cores, os objectos, a disposição das coisas. Quando me sento no chão é porque estou confortável. Em casa de amigos, é assim.


Um bocadinho apressada, na rua ao entardecer,

digo-lhe: "Sobe para a cadeira que está frio!"
Ela: "Acalma-te."

02 março 2007

Aviso à navegação

ninguém prove disto. É péssimo.


Filhas




01 março 2007

Lá no ginásio,

aquele a que eu chamo o submundo dos lesionados, anda uma rapariga há cinco meses. Fala pouco e tem sempre um olhar triste. Anda de forma contida, com os ombros presos e tem imensa dificuldade em virar a cabeça. Exercícios muito simples como tentar colar a orelha no ombro, são-lhe tarefas dolorosas, que observo pelo espelho. Cruzo-me com ela desde Dezembro e é das poucas que nunca se meteu com a Marta. Sempre a achei muito reservada, metida com ela.

Hoje soube que está assim por causa de um acidente de automóvel em que não teve culpa nenhuma. Vítima do "golpe de coelho" (nunca tinha ouvido isto, mas percebi-o aqui.)

É ligeiramente mais velha do que eu e pode nunca recuperar totalmente.

(Saí de lá pequenina, muito pequenina...)

Volta e meia,

espreito o meu mail do trabalho. Hoje:

Caros e caras,

Precisamos de trabalho suplementar para dar resposta às solicitações que temos actualmente (horas extraordinárias).

Indiquem por favor as vossas disponibilidades entre o dia 3 de Março (Sábado) e 10 de Março (Sábado) no ficheiro colocado em Rede.


Está bonito.

Nunca trato as fotografias

e às vezes até gosto que saiam tremidas.