30 abril 2007

Não me cabem nas mãos

as pessoas com quem cresci e com quem vivo extraordinariamente generosas. Sem interesses, exibicionismos. Retribuir é sempre tão pouco, mas estar atento às necessidades dos outros pode ser o caminho.

Chamo-a

e ela: "Agora não posso, o meu bebé está a nascer!"

A miúda merece ser incentivada

e já passou mais de uma semana a dormir noites completas. Ainda me parece surreal.

28 abril 2007




5 meses e uma semana

e estamos na fase de pegar desajeitadamente em objectos, testá-los com a boca e falar prolongadamente com eles, emitindo esporadicamente guinchos de satisfação.

A miúda crescida

dorme um disparate de tempo, uma eternidade. Deita-se às 21.30 e se ninguém a acordar são 10.45 (como hoje) e ainda dorme.

"Mamã! Quero água! Sabes, acho que dormi muito. Não havia monstros e dormi bem."

27 abril 2007

Amigos que nunca deviam estar longe

Raquel.


Isto pode parecer um bocadinho idiota e diferente do habitual

mas já é possivel dormir sestas com a minha filha mais velha, tranquilamente, de pernas entrelaçadas e a respiração colada à minha. O que eu sonhava com isto.

(E o som, a adormecer, do chuchar no dedo e :"Ficas aqui não te vais embora, pois não, mamã?")

26 abril 2007

Haja boa disposição

(Avó Tina)


No MSN, com o meu novo chefe

Eu: -"Preciso mesmo acertar contigo o meu horário com a redução de amamentação para me orientar."

Chefe: - "É extremamente complicado reduzir-te o horário quando toda a gente está a fazer horas extraordinárias."

Começamos bem.

Ontem,

diz que no dia do aniversário vai com a Escola à Quinta Pedagógica (diz com todas as sílabas Pé-da-gó-gica), que vai ter uma bicicleta e acrescenta um elemento novo importante para as prendas: "e queria muito um vestido às flores".

24 abril 2007

A miúda minorca

ri sem critério. A quase toda a hora.
No meio do choro, perante um estímulo qualquer, acha graça e ri.
E prossegue o choro.

A vergonha da minha filha

leva-me aos extremos da compreensão, por saber do que se trata e aos limites da impaciência, pelos momentos que se geram.

Está tão crescida

que quando lhe perguntamos o que gostava de ter responde prontamente: "Uma bicicleta."

Vamos dizer isto baixinho, baixinho

é a terceira noite que o clone pequenino dorme a noite toda sem acordar. Das 22.30 às 7.45. Terceira noite.

23 abril 2007

"Que saudades de ti",
diz-me a filha ao final do dia.

Da arte de não passar a ferro

O número de peças que é colocado na tábua para passar é cada vez mais reduzido. A semana que passou consegui a proeza de vestir directamente do estendal umas calças de ganga direitinhas e confortáveis.

Bichos raros

O processo do novo crédito desta casa atrasou-se porque por mais do que uma vez se enganaram no nosso regime de casamento e hoje, no notário, a procuradora esperava encontrar um casal de velhos. Parece que ninguém da nossa idade se casa em regime de comunhão geral de bens.

22 abril 2007

Passo-me






A brincar com plasticina

pergunto-lhe se quer que faça um coração.

Ela: "Sim, boa, um coração!"

(um segundo de pausa, entrelaça os dedos das mãos e debruça-se)

Ela: "Sabes, se quiseres podes fazer uma estrela, um Sol com cara, um arco-íris. Podes fazer o que tu quiseres!"

Porque só na Igreja faz sentido cantar músicas como esta: (III)

Recebi um novo coração do Pai
Coração regenerado, coração transformado,
Coração que é inspirado por Jesus.
Como fruto deste novo coração

Eu declaro a paz de Cristo, te abençôo meu irmão,
Preciosa é a nossa comunhão.
Somos corpo e assim bem ajustados,
Totalmente ligados, unidos, vivendo em amor

Uma família sem qualquer falsidade
Vivendo a verdade, expressando a glória do Senhor.
Uma família vivendo o compromisso
Do grande amor de Cristo,

Eu preciso de ti querido irmão.
Precioso és para mim querido irmão,

Eu preciso de ti querido irmão;
Precioso és para mim querido irmão.

Porque só na Igreja faz sentido cantar músicas como esta: (II)

Somos povo comprado por Sua cruz,
Real sacerdócio, Santa nação.
Somos vidas que o Seu poder mudou,
Real sacerdócio, Santa nação.

Construir morada de Deus
Pedras que conhecem Sua voz
Doce oferta de Santidade
Que possa agradar ao Senhor.

Porque só na Igreja faz sentido cantar músicas como esta:

É teu povo, aqui presente,
Todos numa só voz declarando que só Tu és grande.
Exaltamos Teu doce nome,
Pelo amor, pela cruz, por Teu filho Jesus,
Pois és Santo, sim és digno,
De louvor e de ser adorado,
És bondoso, Pai querido,
Sobre todas as coisas Tu és verdadeiro Senhor.

Eu sinto falta da minha Igreja

e de tudo o que lá está.

Em Abril, ainda não fui um único domingo à minha Igreja. Na prática, a bebé pequenina tem estado doente desde o último fim de semana de Março. Falta-me tudo: descanso, um bom sono, dias normais sem marcações de consultas ou ginásticas respiratórias.
Falta-me a normalidade para ir ao Jardim ou a lado nenhum.

21 abril 2007

Pensava eu que era do povo

e numa nova ida às urgências hoje de manhã a médica garante que consegue visualizar a minha cara antes de me chamar porque afinal somos os únicos "Cavacos" com criancinhas nos registos.

5 meses



Há seis anos


também era sábado.
Já bem de noite, e rodeada dos netos, a minha avó materna morria.
Com ela, partia o maior exemplo de simplicidade que conheci.

- avó Maria dos Anjos -

20 abril 2007

Ruca ao vivo no Coliseu.


A mãe do miúdo, anafadinha na televisão, é mais magra ao vivo. Em nome de todas as mães do Mundo: não gostei.


Nas bancas

os amigos com o babyblogue mais giro.


19 abril 2007

A minha filha descobriu o puré de batata um destes dias

e a quase todas as refeições pergunta se vou fazer. No supermercado,com ar de quem não come regularmente (felizmente aquele físico demonstra o contrário) pedincha-me que compre puré, ervilhas, cogumelos, perante o olhar espantado de uma senhora. Com se não bastasse, mesmo na hora da saída:

"Mamã, mamã. Esqueceste-te dos feijõezinhos para a sopa!"

Cenas da vida da criança mais velha - III

(limpa o rabo da Panca)

"Que linda, Panca. Fizeste um grande cocozão!"

Cenas da vida da criança mais velha - II

(Já deve ter chegado do Pingo Doce, porque atira com os óculos escuros para cima do sofá)

"Ai que eu não estou a acreditar. Esta miúda cheira a cocó, que nojo!"

Cenas da vida da criança mais velha

Com a Panca enfiada no carrinho, fralda a tapar-lhe o corpo,entra de óculos escuros no escritório:

"Vamos ali ao Pingo Doce, eu não demoro nada, tá bem?"

(perante o meu silêncio, aproxima-se, agarra-me no queixo, vira-me a cara para olhar para ela e com ar compenetrado:)

"Promete que te portas bem!"

Eu gosto de nuvens

mas também gosto do céu azul.
Agora, céu como o que estava hoje às 8.30 da manhã, é feio. Monótono. Deprimente.

A propósito do post anterior

a Marta já tem 21 semanas?

Recebo umas newsletters

no e-mail, vindas dos sites que consultava na gravidez.

Hoje o título era: Week 21 in Your Baby's Development e demorei a perceber que não eram 21 semanas de gravidez, mas de vida de bebé.
Eu sei que pode parecer egoísta, mas no pós-parto o maior descanso que se pode ter é saber que não há gravidez nenhuma. As saudades, no meu caso, demoram a vir.

18 abril 2007

Eu tenho uma grande lata, pelos vistos

e assim nasceu uma com o meu nome.
Obrigada, Rita.

17 abril 2007

E agora?

Como é que eu explico à minha filha que ela não vai aparecer no Canal Panda no dia de anos?

(Aldrabo a data e mostro-lhe mais tarde?)


Fui ao meu emprego,

com as duas filhas atrás, que assim se disfarça o nervosismo de quem trabalha no mesmo sítio há 6 anos mas se sente uma novata. O local é novo, o director é novo, as pessoas não são lá novas mas não pertenciam ao meu ambiente habitual. Um open space de demasiados metros quadrados, uma secretária nova, o meu velho monitor e as minhas costas viradas para a porta de entrada. Vou estar cheia de privacidade,portanto.

Muitas conversas, todo um rol de tarefas que não me agradam nem desagradam, um sítio onde eu não me sinto pertencer. Não tem só a ver com aquele síndrome de quem tem pena que a licença de maternidade termine, tem a ver com pontos de vista, com ambições, com estilos de vida.

Não é só a angústia da separação da minha filha, que nesta parte eu sei que custa mas todos nos habituamos e a vida é mesmo assim, tem a ver com o que eu gosto de fazer e com quem gosto de trabalhar. Não vou ter nada disto. Mas como 90% das pessoas são mulheres, ninguém deve ter reparado na desilusão que senti ao observar aquilo tudo, ocupadas que estavam a conferir as minhas medidas 86-70-102 pós-parto.

Somos quatro cá em casa

mas desdobramo-nos por força das mais variadas circunstâncias. A que mais pesa são as maleitas que não matam mas moem. Anteontem ficou o pai a tomar conta da Marta que teima em permanecer constipada e lá fomos nós, as crescidas da casa, ao primeiro aniversário do pequenino (e já tão grande) Lourenço.

O drama da chegada, para a minha filha, é porque "vão estar lá pessoas" e mesmo conhecendo-as de ginjeira, "não tenho lá amigos" que a revela na primeira meia-hora uma pequenina criatura mal criada e selvagem e no restante tempo a menina bem disposta e divertida que é.

Descubro amigas ainda não entregues à maternidade, mas dispostas a tomar conta dos filhos das que, como eu, necessitam exorcizar todos os fantasmas e maldizer as noites passadas.

O Lourenço revelou a mesma apreensão que a Maria no primeiro aniversário com as velas do bolo e os parabéns cantados por demasiadas vozes mas a chegada da Primavera trouxe ao Alvito a mesma alegria, ainda que sem o meu avião e o meu eléctrico, de outros tempos.

No fim da tarde, sem sesta dormida e cheia de sono, a minha filha obrigava-se a abrir os olhos e a dizer que queria ir para a casa do Lourenço, da Alice, da Filipa, da Guida, da Inês, da Sofia e da outra miúda (o sono tinha-a anestesiado quanto ao teu nome, Patrícia!). E adormeceu.

Trabalho 40 horas semanais

e gostava de saber porque é que a minha redução de amamentação é igual a quem trabalha 35 horas semanais. Não devia ser proporcional?

16 abril 2007

(Há dois anos)


Tenho pena de nunca ter slingado a Maria. Difícil como era de acalmar quando estava agitada, consigo ter quase a certeza de que resultaria, o efeito de aconchego que um sling proporciona e que nada se compara. Bem sei como é com a Marta, quando não tem fome, não tem necessariamente sono e está irritável.
Há dois anos, a Maria era demasiado pesada para andar ao colo e na rua os curtos passos que dava em casa ainda não tinham ganho a segurança necessária. Viciei-me neste porta-bebés, que distribuia o peso dela sem me cansar como no marsúpio e que lhe permitia ver tudo de cima.


15 abril 2007

Nos blogues

escrevem-se as coisas bonitas da maternidade.
Ao vivo, com as amigas, desabafa-se sobre as noites mal dormidas, a falta de tempo, de dinheiro, de paciência, de privacidade, de ar puro.

É o que dá não sermos normais

no Pingo Doce uma senhora pergunta-lhe o nome e ela responde:

"A mana é a Marta badocha e eu sou a Maria croma."

A nossa casa às vezes é uma enfermaria

Quase a dormir e segreda-me ao ouvido: “Quem é o tesourinho da Maria quem é? É a mamã!”

A nossa casa às vezes é uma enfermaria

As duas doentes, o pai dorme com a pequena, eu durmo com a crescida. Deitadas de lado, viradas uma para a outra com uma das pernas flectidas no meio das minhas. Sinto-a a enrolar o rabinho da Minnie nos dedos, que toca na minha cara ocasionalmente. A outra mão desliza pelo meu braço e diz-me: “De quem é esta pernoca boa?”.

14 abril 2007

12 Março-12 Abril

(post guardado em draft)


Faz hoje um mês que mudámos de casa.

(ainda não me habituei às portas escuras.)


Minhas ricas filhas

já dizia a outra senhora.


Vários dias de febre,

Dois deles com temperaturas mais elevadas, e a decisão de ir ao Hospital fazer a análise da urina. Em casa, enquanto a visto, decido explicar exactamente o que se vai passar, contra a opinião do pai, que acha que mais vale não valorizar a ida.

Não se trata de valorizar, mas de ela saber com o que pode contar. É tão parecida nisto, com a criança que fui. Se nos episódios de vergonha tenho sido tão bem sucedida quando lhe explico o que poderá vir a acontecer, esta ida ao Hospital foi a prova que necessitava.

Não lhe minto. Desta vez, saberia que não iria doer. Bastaria ter um frasco com urina e deixar-se observar pela médica. No caminho para lá, apenas lhe podia garantir essa parte e a minha presença sempre.

E foi o que aconteceu. A minha filha crescida foi ao gabinete médico, disse: “boa tarde”, enquanto toda ela tremia de medo e não me largava a mão, mas foi uma valente. Não chorou, fez chichi para o frasco, conversou com a médica e colaborou na sala de espera.

É tão bom ela já perceber tanta coisa. E senti-la segura por confiar no que eu lhe digo.

Com a segunda filha,

As febres, tosses, mau estar, choros, vómitos e diarreias ainda me angustiam. Angustia-me sempre ainda mais a possibilidade de ter de ir ao Hospital. Detesto cada metro de cada corredor, não há um único gabinete das urgências que eu não conheça, quando sou encaminhada para o gabinete 4, faço o exercício mental de me recordar do quadro que vou encontrar pendurado mesmo por cima da marquesa onde vou ter de deitar a minha filha (o cão azul com a abelha amarela, com o fundo vermelho).

Talvez a abismal diferença em ir às urgências sendo mãe de duas, é a credibilidade que de repente se ganha perante um profissional de saúde. E nisto não estou a delirar. Lembro-me da forma como me questionavam da Maria e da maneira como o olhar e pose de um médico muda quando falamos na outra filha, que ficou em casa com o pai. Da certeza com que lhe falo no historial da mais velha, de quando mudou de terapêutica, por quem foi vista, quantos dias lá ficou. O cruzar da minha memória com os registos do computador de lá.

E da facilidade com que nos passam a receita para a mão, para dar o medicamento, “como de costume”.

Do maravilhoso mundo dos irmãos rapazes:

“Tás com o rabo mais pequeno.”

Pratos preferidos da Maria

Salada de atum com legumes;
Almôndegas com puré de batata;
Qualquer sopa que leve feijões inteiros;
Ovo estrelado com salsichas;
Salsichas frescas com couve lombarda;
Cogumelos com qualquer coisa (ou mesmo sem nada).

Sai à mãe. Somos muito tasqueiras.

Uma semana sem blogue

mais outra sem conseguir postar, e os senhores do blogger já perceberam que afinal isto não é spam. Ou se calhar até é, mas eu recuso-me a aceitá-lo. Continuemos então.

02 abril 2007

Perde a chucha a meio da noite,

coloco-a e fico, deitada, meia a dormir, com o braço estendido e a palma da mão aberta na cara dela. Com gestos rápidos, agarra-me com as duas mãos os meus dedos e desliza-as pelo meu pulso, pele, mão. Fico de braço estendido alguns minutos, muitos, poucos, não sei. Adormeço pelo meio e acordo com o peso de ter o braço pendurado. Deslizo suavemente a mão, para a tirar e as duas mãos pequeninas que a seguram, apertam-na com força.

Fim-de-semana




não são necessariamente os sítios, mas as pessoas.


01 abril 2007

Fim-de-semana fora

um frio de rachar.
Minha rica casinha.