31 outubro 2008

4 dentes.



Na Escola,

depositam-me a chucha da Marta na mão.

"Olhe, ela não a pede nunca e até dorme a sesta sem ela. É cinco estrelas, esta miúda."

Está bem.

As músicas do pai (e amigos) que ouvimos no carro

dão sempre direito a muitas perguntas. Ontem tinha-me perguntado o que era paixão, eu respondi a única coisa que me ocorreu no momento: "É gostar muito de alguém, assim de repente." Hoje de manhã, perguntou-me o que era o amor. Respondi que era gostar mesmo muito de alguém.

Reacção:

"Ó Senhora mamã, mas estás a brincar comigo? Gostar muito é paixão. O amor é quando queremos casar!"

Ah, está bem.

30 outubro 2008

Filhos depois do jantar.




Ajudei-as a escolher,

3 brinquedos e 3 livros (por cada um deles) para oferecer na Escola, numa recolha para a Guiné, a propósito do Dia Internacional de Luta contra a fome. Claro que a Marta não entendeu bem, mas quando a Maria percebeu que os contentores se enchiam de brinquedos de outros meninos e que também ia chegar a vez dela, custou-lhe um bocadinho. Cada vez que pegava num no quarto, passava a outro e adiava a decisão. Lá escolhemos, mas o critério foi estarem em bom estado e serem úteis. A mesma coisa com os livros.
Custou, mas foi. Eu acredito que assim se aprende a alegria de dar. Não dos restos, mas do que temos e até gostamos.

"E agora, mamã, podemos ir à Guiné dar aos meninos? Eu nunca andei de avião..."

A habitual toalha plastificada

que usamos para as refeições, estava para lavar. Usei uns marcadores às riscas.
Quando reparo, vejo a mão da Marta a deslizar suavemente pelos ditos e um ar de espanto, doce:

"Uau, mamã!"

29 outubro 2008

Diz que é uma espécie de sorte.

Desdobramo-nos em atenções. Eles são 3, nós só somos 2. Achamos importantes as regras, os horários, as rotinas. Tentamos que apreciem as coisas mais simples, que brinquem juntos, que gostem de ouvir histórias. Também tentamos não ceder à tentação, no meio do cansaço, de condescender nas coisas mais importantes e saber afirmar do que não podemos abdicar. Abrimos excepções em alturas especiais, acreditando que assim apreciam o momento.

Queremos que sejam as crianças, nós os adultos. Ensinamos-lhes a saberem rir-se de si próprios, a dar gargalhadas com pequenos disparates. As emoções expressam-se de forma livre e se for preciso, nem sempre estamos alegres. Temos a paciência que nem sempre julgávamos ter, perdemo-la quando pensávamos que não poderíamos.

Falhamos todos os dias, esforçamo-nos todos os dias. Desobedecem-nos, sim. Obedecem-nos, a seguir. Eles cumprem o seu papel e tentam encontrar o seu lugar aqui no mundo. Nós protegemo-los nas nossas asas, damos-lhes um lar e vamo-los ensinando a, lentamente, voar. Na nossa casa, parecem felizes e crescem de forma harmoniosa. Queremos que seja assim sempre e, embora não sabendo o que a vida nos reserva, pedimos ajuda a Deus, lutamos.

Só me custa um bocadinho, no meio deste esforço todo, ouvir dizer:

"Têm imensa sorte com os vossos filhos...".

28 outubro 2008

Temos andado ocupadas, sim.

Eu e a minha mãe.
Vendemos artigos já feitos, fazemos outros por encomenda.



22 outubro 2008

Gostar de colchas antigas

A minha avó tinha uma assim e eu não sei o que foi feito dela.


Gostar de nuvens

mesmo das negras.

11 meses

Arrasta-se de rabo. Nada de gatinhar, tal como a Maria na mesma idade. Simplesmente, fá-lo a metade da velocidade, que isto de se mexer dá trabalho e não convém gastar muitas calorias. Constipado como tem estado, fica mãe-dependente a triplicar e fecha os olhos em descontentamento, ameaçando chorar, se desapareço.

Está quase a fazer um ano (1 ano?) e eu proponho como prendas: um comando de televisão, um telefone e um molho de chaves. Tudo verdadeiro, nada de ir a lojas de criancinhas com objectos a fingir.


21 outubro 2008

23 meses


A um mês de fazer dois anos (como, 2 anos?) continua enorme, despachada, feliz. Tem muita vontade própria, é reguila, mas também muito fácil de convencer. Ninguém lhe recuse mimos e contacto físico que ela amua, ofendida. De há uns dias para cá, sem ainda lhe termos falado no assunto, quer usar a sanita e fá-lo com propriedade. Aguardamos que na Escola comecem o plano, cheira-me que a Marta começa a dar sinais de estar preparada.


A minha sina.


Roupa, roupa e mais roupa.

20 outubro 2008

Viva o sling.

Joaquim doente na semana passada, 3 dias comigo.

Uma mordidela na cara no primeiro dia de regresso à escola e nova virose, hoje novamente comigo. A grande diferença deste miúdo em relação às irmãs, é que apesar de não dar trabalho nenhum, depende de me visualizar no horizonte para estar contente. Limpo a casa, passo a ferro, escrevo no computador com um olhar de bebé regalado para mim.

Sou o máximo, deve ser.

Depois da Maria,

a Marta com piolhos. Nem hesito em despejar produtos na minha cabeça. Passámos o sábado a cheirar a Dr. Bayard (*). Estou doutorada em pentes, óleos, shampôs e cremes.

(*) Um dos produtos cheira a anis. Parecia que cheirávamos a rebuçados.

A minha irmã fez 28 anos.

A Maria tenta perceber como era quando nós éramos crianças.
"Quem é que fazia de mãe, eras tu ou a tia Raquel?"

17 outubro 2008

Parabéns aos meus gémeos preferidos.


Cunhada e marido.

( e também à Tia Rute que teve a sorte de ter logo dois sobrinhos a nascer no mesmo dia que ela!)

15 outubro 2008

Deflux

Aguardávamos resultados de exames para saber a que tipo de tratamento a Maria teria de se sujeitar para resolver o problema de refluxo urinário. Existem dois tipos de tratamentos, com pós-operatórios diferentes e taxas de sucesso igualmente diferentes. Com algum alívio, soube pelo médico que vamos tentar a forma mais simples e aguardar para ver. O mais chato deste processo todo é que levará cerca de 1 ano a sabermos se resultou e se não teremos de fazer mais nada. Mas confiamos que Deus guia todos os processos e este é só mais um.

Abaixo informação retirada deste blogue.



"O Deflux® é um produto utilizado actualmente para a correcção do refluxo vesicoureteral. O refluxo vesicoureteral define-se pelo fluxo de urina desde a bexiga para o ureter ou para o ureter e rim através da junção uretero-vesical, que normalmente deveria ser estanque.

Este refluxo surge porque o orifício que une o ureter à bexiga é anormalmente largo. O método clássico de correcção do refluxo consiste em fazer a reimplantação do ureter, isto é, fechar esse orifício e recolocar o ureter noutro ponto da parede vesical (da bexiga), com um orifício menor. No entanto, desde finais dos anos 90 que surgiu esta nova técnica, o Deflux, que consiste em injectar um gel por via endoscópica, reduzindo a abertura do orifício e criando uma espécie de válvula, que impede que a urina flua de novo para o ureter e/ou para o rim.

A cirurgia é muito menos invasiva do que a técnica clássica, o que significa um tempo de recuperação menor, com resultados bastante satisfatórios. No caso do meu filho, que possuía refluxo bilateral, parece que foram ambos resolvidos com recurso ao Deflux. A cirurgia foi feita em ambulatório, o que significa que teve alta no mesmo dia da operação. Teve anestesia geral, mas todo o procedimento durou cerca de 1 hora e poucas horas depois já estava de volta ao normal.

Para mais informações, consulte o site do Deflux®."

O sempre bem disposto Joaquim,

que aprecia todo o tipo de macacadas, ofende-se quando - depois de imitar todo o tipo de animais- me lembrei da vaca. Não gosta do Mú... , fica triste e até chora com lágrima.


14 outubro 2008

Nasceu o terceiro dente

(em cima) e o quarto (mesmo ao lado) está quase a rebentar.

Medo do macaco

foi o que a Marta teve há uns dias, quando se ligou a televisão e passavam estas cenas do King Kong. Choramingou e ainda hoje o pai goza "o macaco caíu, não foi?"

"Foi, o macaco caíu" com um ar muito desconsolado.


Quem sai aos seus

é esta a cara que ela faz de gozona.



Os 4 anos trazem uma novidade:

Não são bem as birras irritantes, o choro queixume, o lidar com a frustração. É uma pequena pessoa em potencial, com demonstrações claras de inteligência e capacidade de resposta. Confesso que o que me deixa mais desconcertada nesta idade é a forma como já sabe gozar com as situações e o faz com propriedade. Já ficou várias vezes de castigo, mas há outras tantas em que simplesmente evito desmanchar-me a rir, como desta vez, de mão na anca e cara de engraçadinha:

"Sabes que tu és mais bonita quando não estás zangada, mamã?"

De manhã,

queixava-me ao pai, na cozinha, das 1001 exigências da mais velha logo pela manhã(" Quero cereais e leite, duas tranças, os ténis roxos e os ganchos das princesas") com um "Que mania que o mundo gira à volta dela!" já meio irritada.

Maria: "Ó mamã, mas eu sei que o mundo não gira à minha volta!"

(Ah, bom.)

Reencontro,

anos depois, naquela que foi a minha primeira Igreja, tanta gente com a qual cresci, construi a minha personalidade, tive as minhas alegrias e desilusões, a minha infância e adolescência. Cheguei de coração apertado e com a visão de um lugar muito próprio, desocupado. Das pessoas mais excêntricas, alegres e criativas que conheci, a Manuela. Olhava em redor e só me lembrava de coisas boas. A idade adulta tem disto, traz-nos a maturidade só das coisas boas, e agradeci a Deus. Por aquele sítio, pelas pessoas, por tudo.

Quem passasse naquela rua, ao final da noite, suspeitaria de tudo menos que se estaria a dar uma cerimónia fúnebre. As pessoas reencontravam-se com alegria e saudade, conversavam com sorrisos no rosto.

Creio muito que a quantidade de abraços que ontem dei foi só uma amostra pequenina do que teremos no Céu. Os "até já" desta vida custam menos pela esperança do que ainda aí vem.

(Descreveste mesmo bem a Manuela, Nini)

13 outubro 2008

Graças a ela,

a minha mãe converteu-se ao protestantismo, conheceu mais tarde o meu pai e a nossa família aconteceu. Quem cresce numa Igreja evangélica, sabe que o conceito de família vai muito além dos laços de sangue. A última vez que a vi, maquilhada como sempre, tinha consciência que o seu corpo estava a ceder, mas confiava em Deus.
O mundo ficou mais pobre ontem, mas o Céu onde eu acredito ir morar ficou muito mais alegre.

Até um dia, Manuela.

10 outubro 2008

Maria: "Rainha pequena, posso penteá-la?"
Marta: "Xim, mana."
Maria: "Agora vou ter com a Rainha grande."
(vem ter comigo)
Maria: "Rainha grande, acho que a Rainha pequena tem piolhos."

Hipnose

De manhã, mal entra luz no quarto, o Joaquim procura logo vislumbrar as palmeiras.



09 outubro 2008


Hoje, cansada de andar com o Joaquim ao colo, desde o instante em que saímos da Escola até passar pelas salas das miúdas e até ao carro, tentava lembrar-me que há um ano eu estava assim: grande. Cansada, ofegante e com a Marta ainda mais pesada que o irmão.

Somos capazes do impensável, e eu passei uma gravidez inteira com uma bebé de colo, gordinha. Não me poupando a esforços físicos, contra todos os manuais de pré-mamãs e teorias de gravidezes saudáveis. O Joaquim aí está, um ano depois, a gozar de um colo bem mais levezinho.

O que tem de ser tem muita força, ó se tem.



Não posso ver nada


Pyzam Family Sticker Toy
Estamos (somos) muito giros!

:)


Get your own Family Sticker Maker & MySpace Layouts.



Nas minhas orações,


é onde estás, S.
Peço a Deus que te console nesta hora, já que as palavras não saem.

08 outubro 2008

Sling e saco

feitos para a Júlia e Sara.




Dada a quantidade de gente que mostrou interesse, aceitamos encomendas para anaruteoliveira@hotmail.com

Outros tecidos disponíveis.

Sê paciente; espera
que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça.


Eugénio de Andrade

07 outubro 2008

O Joaquim no quarto com as irmãs

a Marta acorda e pergunta logo pelo mano, a Maria confirma: "O mano agora dorme sempre no nosso quarto, não é? Yes!"

Esta já tem uns meses

(mas eu esqueci-me de registar aqui)

Maria, despida para tomar banho, às danças pela casa:

"Ai, gosto tanto de ser nua!"

Há uma primeira vez para tudo:

Piolhos.

(Chama-se pediculose e é um nojo)

04 outubro 2008

Nasceu a Júlia!

A sobrinha que tanto aguardámos nestes últimos dias de Setembro, chegou hoje para colorir ainda mais a nossa família. Agradecemos a Deus por existires e podermos amar-te!

03 outubro 2008

No seguimento da conversa anterior:

Maria: "Mamã, porque é que Deus se esqueceu de te pintar?"
Eu: "Diz?"
Maria: "O papá diz que quando Deus te fez, estava um bocadinho distraído e se esqueceu de pintar essas partes da tua pele!"

"Mamã, quando eu fôr grande vou ter manchas como as tuas?"


Começaram a aparecer quando tinha 7 anos. Coincidência, ou não, alastraram muito nas minhas gravidezes. É hereditário e não se sabe ao certo o que provoca o seu aumento. Interessante que só me lembro que as tenho quando alguém me pergunta, geralmente no Verão, porque contrastam com a restante pele bronzeada. Tive os tradicionais complexos no crescimento: não gostava do meu cabelo, das minhas orelhas, disto e daquilo. Mas das minhas manchas nunca tive vergonha. Tenho, até, um certo carinho por elas. Sou só um bocadinho mais diferente!

(Vitiligo)



E continua a crescer.

Depois de lhe explicar que a partir de agora não leva nenhum boneco para a Escola e que ficam todos em casa, saíu com um beijo e com a resposta que ficavam todos a dormir.
(Pode não parecer uma coisa do outro mundo, mas desde que é pequena que anda com a Minnie atrás).

02 outubro 2008

Momentos que se repetem

Maria, Abril de 2005 (com 11 meses)
Marta, Agosto de 2007 (com 9 meses)

Joaquim, Setembro de 2008 (com 10 meses)

01 outubro 2008

A Maria cresceu.

Previ todos os cenários, exemplifiquei os exames com ela deitada aqui em casa, luzes meio apagadas, sem esconder eventuais desconfortos. Ficou prometido o almoço antes disso, no Mac Donald's e uma prenda à escolha. Minutos depois de sair de casa, apercebo-me que não lhe dei o Atarax para a tranquilizar, mas não olhei para trás e confiei.

Chegadas ao Hospital, a miúda recapitula tudo o que lhe disse, entra no gabinete sem esboçar cumprimentos, mas deita-se na marquesa e agarra-me na mão. À repetição, mais tarde, do mesmo exame, a confiança com que o fazia, a felicidade por ter conseguido permanecer e os elogios do médico, fizeram com que saísse do Hospital contente. Não por ela me ter poupado a trabalhos de choro, trepar por mim acima e eventuais cenas, mas feliz por ela. Mais um pequeno passo no crescimento. São quatro anos, quase meio.

Uma das salas mais bonitas em que já estive,

tem aquilo que eu gosto muito numa casa: estantes diversas, livros, alguma tralha. Uma sala bonita, para mim, tem fotografias e sofás em que temos vontade de nos atirar lá para cima. Uma sala bonita tem de ser acolhedora. E esta sala, em Santa Comba Dão, era assim. Queremos muito lá voltar, a cinco.


(Agosto de 2006)