30 março 2009

Quando os vou buscar à Escola

nunca vimos logo para casa. Vamos comprar pão ao café das traseiras, passamos pela frutaria, pelo Pingo Doce, ou simplesmente passeamos por aqui.

À quinta-feira, estamos sempre com os meus pais, um hábito que se criou dos tempos em que o Joaquim era recém-nascido, o marido nunca estava em casa ao entardecer e se tinha de ir buscar as miúdas à Escola. Às quintas-feiras, fazemos essas mesmas coisas e mais algumas. Há determinados rituais, dos avós: ir andar numa espécie de carrossel da arca de Noé, e desde há três semanas, comer um gelado enquanto se espera que o pão saia quentinho e bem cozido.

Um destes dias da semana, sozinha com eles, a Marta pediu um gelado. Resposta da Maria: "Olha lá, hoje por acaso é quinta-feira? Estás a ver os avós? Não estás, pois não? Então não há gelado para ninguém."

Os mais lindos do Universo inteiro e arredores

são todos meus.


Devem-se ter enganado na casa

eu ando em modo enfermeira há largas semanas. Quando não são os filhos, é o pai. Nunca gostei especialmente da área médica nem sonhei ser nada parecido. As maleitas aterraram na casa errada, o meu marido queixa-se que a dar-lhe os medicamentos à boca parece que estou a tratar de um cavalo.

Seja lá o que isso queira dizer.

28 março 2009

Palavreado de Joaquim

Mamã
Papá
Maria (Aía...)
Gata (Cá-ca)
Não
Não quero! (Não qué!)
Água (Iá-iá)
Joaquim (Caquim ou simplesmente Quim)
Bela ( Béia, que é a professora preferida dele)
Cereais (Iais)
Tudo o que é comida diz-se Papa, pois claro.

Há mais mas não me lembro.

Sempre quis uma Polaroid


Agosto 2003. Ando numa de repescar fotos em cds guardados.

A formiga tem catarro



Amua, contrariado. Se nos rimos dele, atira-se para o chão ofendido e chora com lágrima.

Ainda das diferenças das filhas.

No contexto de uma crise de choro por nos termos chateado com alguma delas, ou ter dado uma palmada (nós fazemos parte desse grupo tiranos de pais que batem nos filhos sempre que consideramos necessário) e queremos que acabem com a fita,

com a Maria:


dizemos-lhe que já chega de choro, contamos até 3, voz firme, repetida várias vezes. Quando não se cala, perguntamos-lhe se quer continuar de castigo. Se não quer, cala-se e a cena acaba.

com a Marta:

dizemos que já passou, que ficámos tristes com ela mas que já passou. Uma festa, um abraço, um beijo e a cena acaba.

Se tentarmos fazer com a Maria aquilo que fazemos com a Marta, ela continua no seu teatro aos berros e nunca mais se cala. Se tentarmos fazer com a Marta aquilo que fazemos com a Maria, ela berra ainda mais alto e se preciso for, suspende o ar.

27 março 2009

Diferenças

A Maria dorme sempre tapada, nunca se destapa e com o maior número de bonecos possível à volta.

A Marta está sempre destapada, por mais vezes que a tape, não quer bonecos na cama, atira com tudo o que lá estiver, para o chão.

O Joaquim destapa-se todo, dorme com uma fralda de pano e se tiver bonecos na cama, também voam para terras distantes.

26 março 2009

Lições


A história é um bocado comprida mas sempre que íamos ao Pingo doce, a Maria me pedia para lhe comprar estes carros. Para além de não serem baratos, achei que era mais uma tralha a juntar à muita que circula por aqui e que passo a vida a reciclar. Através da minha mãe, a minha irmã sugeriu ao meu sobrinho que emprestasse os dele, por algum tempo.

Valeria a pena eu ter filmado a cara da Maria quando lhe mostrei o que trazia no saco. A minha filha está numa fase particularmene egoísta e custa-me assistir ao apego com que se liga a tudo e com que não empresta a ninguém. Dizem que é da idade, mas juro que não consigo tolerar muito bem. Esta medida veio mesmo a calhar. Tem brincado a semana toda com os carros, juntamente com os irmãos. Repete constantemente que os devolverá ao primo e que vai agradecer muito.

O que ela ainda não sabe, mas que é o passo seguinte e necessário, é que vai emprestar uma coisa dela, que goste e que calcule que o Tomás gostará de brincar. Assim se aprende a partilhar.

Quando me quer dar graxa

começa as frases, ternurentamente, com um "Mamãzona".
Adoro a invenção.

25 março 2009

Eu não acredito em coincidências

eram mais ou menos 15h30m quando desisti ir aos correios aqui ao pé de casa para enviar encomendas, porque me faltava ainda uma. Adiei para amanhã. Eram 18h quando vejo esta notícia.

Como há sempre alguma coisa a dizer,

as pessoas não me perguntam pelo 4º filho, mas encerram a questão com um "Já está despachadinha" que perante o meu silêncio é quase sempre seguido de um "Mas vocês querem mais? Eu não condeno, se podem..." ou "Nos dias que correm, é muito complicado, mas vocês é que sabem..."

A parte mais gira é mesmo o sermos eventualmente julgados por termos filhos, mais do que o normal. Como se andássemos por aí a pedir a opinião.

A Primavera chegou,

que bom. Tecidos novos na loja.



23 março 2009

Eu sabia que a Primavera andava por aí...






Consta por aí

que a Dora, uma das pragas cá de casa, vai crescer. Esperemos que não entre em decadência e queira ser uma espécie de morangos com açúcar ou winx, que aqui por casa não entram. Se se mantiver uma menina, como é suposto ser na infância, parece que a Dora se manterá por cá como a boneca favorita.

22 março 2009

16 meses

A Maria passa a vida a repetir que ela vai fazer 5 anos, a Marta fará 3 e o Joaquim 2. O espanto por me aperceber que, quando for Natal, o Joaquim será um pequeno rapazinho.
Habituou-se a ser o mais novo e zanga-se se lhe tiram as bolas ou os balões (brinquedos preferidos) da mão. Amua e desvia o olhar. Guincha, para grande espanto de todos os que viram um bebé sempre muito calmo. Cheira-me que o pequeno comichoso sorridente quer ser uma pequena pestinha.
16 meses.

20 março 2009

Não se trata de não ter ambição

mas manter baixas as expectativas é uma boa forma de nos alegrarmos com pequenas coisas.

19 março 2009

Vida de pai

adormecer às 21h36m sobre o livro que se tentava ler minutos antes.

Dia do pai

O bom de eles andarem na Escola é que trazem presentes feitos por eles para comemorar estes dias.
Da Maria.

Da Marta.
Do Joaquim.


18 março 2009

O computador cá de casa

pifou a meio de um dos meus trabalhos. Tive de o recomeçar, no portátil do meu pai, que felizmente não precisa dele. Algures por aqui, acho umas fotografias que ainda nem dois anos têm, mas que nunca tinha visto. As minhas filhotas, ainda tão bebés. E deu-me uma crise de nostalgia.

Quando ando com a mente muito ocupada

nunca me apetece escrever. Muito ocupada talvez ande sempre, mas as preocupações dificultam-me as multi-tarefas. Eu sonho com os problemas alheios, gosto de ouvir os meus amigos e tentar fazer com eles aquilo que quero que façam sempre comigo: apoiar-me e chatearem-se comigo quando estou errada. Últimamente sonho muito e acordo muitas vezes durante a noite. Doem-me as costas e tenho tido grandes enxaquecas mas uma das preocupações que tinha em mente já a deixei de carregar hoje: o nosso pequeno Lourenço foi operado e segundo a mãe, é um valente.

Com licença, que por agora continuarei a arrumar as ideias dos outros na minha cabeça.

16 março 2009

Dia do pai

Para o pai: "Fiz uma coisa para ti na Escola mas não posso dizer o que é."

15 março 2009

Ao terceiro filho

quando demos conta uma das irmãs (mais conhecida por Marta) já lhe deu a provar chocolate, chupas e batatas fritas.

13 março 2009

Quando for avó


pode ser assim.

12 março 2009

A Maria Cavaco, aqui de Oeiras cantou para a Maria Cavaco Silva, a de Belém.


Fila da frente, a terceira a contar de cá. Aniversário dos 25 anos da Escola.

7.30 da manhã

e quando aparece na minha cama com pézinhos de lã (raramente dou por ela chegar) já traz um anel em cada mão e o relógio no pulso.

Boas novidades

Hoje, em raio-x e consulta a alegria da médica e a nossa: a Marta está sem vestígios de pneumonia, de derrame e com uma auscultação de menina saudável.
Esperamos que por muito tempo!

Faz dois anos

que abandonámos a nossa primeira casa.

11 março 2009

Os filhos não são todos iguais

À saída da escola, a Maria com dois chupas (prenda de um colega da sala dela) oferece um à Marta e começa a comer o dela. Cedo descobre que tem um buraco e por isso não o queria comer (poupo os pormenores que me levaram a deitar fora o chupa). Numa fita desgraçada por ficar sem chupa, eu com o Joaquim ao colo e a chamá-la para entrar no carro, a Marta tira o chupa dela da boca e oferece-o à irmã.

Nota:

Para dizermos aquilo que gostamos não precisamos de desfazer nos gostos dos outros.

10 março 2009

Ele é bochechudo


mas é quando o despimos que constatamos que não é tão cheio como as irmãs na mesma idade. Prova disso é que os bodies que eram delas lhe ficam assim: grandes.

Novidades

na loja.

09 março 2009

Faz hoje 50 anos.

Devo ser uma ave rara, mas nunca tive uma Barbie.

Fomos ver.



06 março 2009

2 meninas e 1 bebé




Ainda há pouco tempo eram 1 menina e 2 bebés.

Imperdível:

A Marta na sala de espera do Hospital a cantar:

"As tuas mãos não terão mais sangue, as tuas mãos não terão mais sangue..."

dos Pontos Negros e a perguntar (tal como faz a Maria): "É o Filipe que está a cantar, é?"

Pronto,

passou-se mais um ano. O terceiro em que o dia não é passado num local de trabalho (sempre me incomodou naquele dia me sorrirem pessoas que no dia-a-dia eram trombudas). Talvez a única boa memória de passar o dia de aniversário num escritório era que o meu irmão Tiago se dava ao trabalho de aparecer lá sempre com um ramo de flores, deixando no ar se aquele romântico seria o meu marido ou não.

Ontem esteve vento e a Marta ainda está em casa comigo. Tive a minha mãe, irmã, Tia Lena e sobrinho Tomás a almoçar por cá e mais para o final do dia o meu irmão Gi e o meu pai. O dia foi simples, todas as prendas que recebi condizem comigo, mas guardo no coração 4 presentes especiais que não são fotografáveis. Quatro. Três foram escritos, um foi verbalizado. 2009 promete ser um ano bonito e eu tenho à minha volta pessoas únicas.



05 março 2009

É oficial: tenho 32 anos.

que quando nasci parecia um ratinho (2680g tal como o Joaquim), pelas 7h20m.
E estou como há um ano: agradecida por tudo.

04 março 2009

6 coisas sobre mim

Via Juro.

As regras são:
(1) publicar o link e quem nomeou.
(2) publicar as regras.
(3) contar 6 coisas aleatórias sobre si.
(4) indicar mais seis pessoas e publicar os respectivos links.
(5) avisar quem nomeou.
(6) não apressar os nomeados.

1 - Quando tinha 11 anos escorreguei numa aula de Educação Visual (a tentar fugir de um colega), caí com a cara no chão e parti os dentes da frente (os definitivos, sim, que tiveram de ser reconstruídos).

2 - Tive um blogue, em 2003, em que caricaturava cenas da minha vida profissional e a minha colega de gabinete, que por acaso (ou não) é a pessoa que me desafiou para este post.

3 - Sou dependente de fruta. Como maçãs sem nenhum tipo de critério ou variedade (gosto de todas) o que me levou a ser detida por uns minutos no aeroporto JFK, Nova Iorque, por levar 4 kg de maçãs na mochila, escondidos. (Sim, por lá a fruta não presta e eu não queria passar fome de fruta como da primeira vez. Passei na mesma.)

4 - No Inverno, não me deito sem ligar a base eléctrica que me aquece a cama. Sou friorenta.

5 - Não gosto de andar de avião nem de viagens longas de nenhum tipo. Ainda assim gosto de viajar, conhecer o destino.

6 - Ranjo os dentes, ocasionalmente, durante a noite. O meu marido dá-me cotoveladas para mudar de posição e, assim, parar com o barulho.

Passo o desafio a quem o quiser.

A Marta está quase boa,

assim disse o médico que a examinou via eco durante mais de 20 minutos. Mantemos medicação e aguardamos por uma próxima semana normal. Saio do Hospital, não sem antes encontrar uma amiga, que carrega um dos 10 bebés que nascerão este ano. Temos mais um rapaz. Destes todos, o balanço é masculino: 1 menina contra 7 rapazes. E dois ainda por saber.

03 março 2009

Da irreversibilidade.

Pesa 15 kg. Está grande, as minhas costas sofrem. Tiraram-se as grades da cama, para grande alegria de uma menina que quer ser crescida como a irmã. Encosto o que sobra das cabeceiras para levar para a arrecadação e tenho uma crise de nostalgia. A minha bebé de há dois anos, quando mudámos para esta casa, torna-se aos poucos uma menina. O tempo não perdoa.

Ontem o céu não teve nuvens.

Pelo menos por aqui. Por isso, faz de conta que esteve assim:

Parabéns, Zé Mário.


A minha filha Maria


4 anos, quase 5. E a minha paciência a ser testada todos os dias. Está numa fase tramada, sim. O meu stock de nervos também anda pelos limites. Tento todos os dias respirar fundo, especialmente se estamos com pessoas, quando o quadro se agrava. Responde, desafia, desobedece. Quer escolher as roupas que veste, os pentados que faz, os acessórios a combinar. Argumenta com esperteza e leva-nos das gargalhadas ao desespero, em poucos minutos. É alegre, viva, engraçada, dramática. Quer ser independente, cada vez mais e é tão sensível. Lida ainda mal com as frustrações. Zanga-se quando falha, decora músicas à segunda vez de as ouvir, é responsável, é organizada e anda especialmente egoísta. Segundo sabemos, na escola é comandada pelos da idade dela, em casa ser ela a liderar. A irmã segue-a, com a admiração típica de mais nova.

Tenho de volta a minha Maria calma, tranquila, sem crises sempre que estou sozinha com ela. Mas é com os outros que crescemos, com as contrariedades e com limites. O amor, esse nunca falta, porque somos pais e é incondicional. Está a crescer, mais e mais.

Querido,

O meu preferido está a acabar.





Flower, by Kenzo

02 março 2009

Há seis anos,

desfazia-me de uma vida inteira a ver mal. Vários pares de óculos depois, muitas lentes de contacto, conjuntivites e dores de cabeça, descobria à vinda de Coimbra pormenores na rua nunca antes vislumbrados. A minha córnea disse adeus às 7 dioptrias que me chegaram bem cedo, na Escola Primária. Eu, que sempre me levantei a meio da noite para ir à casa-de-banho, demorei largos meses a lembrar-me que já não precisava de armações na cara para fazer o trajecto. Não foram poucas as vezes, que não os achando na mesa de cabeceira, me pus de rabo para o ar a tentar achá-los no chão. E a voz do marido "Ó mulher, mas tu já não usas óculos!"

Escritas da Maria


Joaquim, Marta, Maria.

wishlist









Esta já foi há algum tempo.

Maria: "As pessoas casam e depois têm filhos porquê?"

Pai: "É o amor."

Maria: "Espiritual?"