29 janeiro 2010

Memória de Maria


A Maria tem uma memória quase irrepreensível. Raramente se esquece de algo que lhe dizemos, com os medicamentos - quando é preciso tomar - ela lembra-se nas horas exactas. Visualmente nada lhe escapa. Há uns tempos, teimávamos em relação a um boneco que temos aqui em casa e, quando fomos confirmar, ela é que tinha razão.

Na escola, a professora diz que ela se apercebe de tudo, e que têm de ter muito cuidado com o que dizem ou demonstram, senão ela não as larga com um interrogatório. É típico dela.

Em casa, põe a mesa há muito tempo, sem ser preciso dizer o que é para colocar (só a informamos se há segundo prato ou não, no caso do jantar) e com as roupas e cama, sabe dobrar tudo.

Na escola, a professora diz-me que sabe que se lhe der um recado, que ele chega correcto ao destino. Que é responsável e que cumpre aquilo que lhe pedem para executar. Nos trabalhos, é perfeccionista e não descansa enquanto não consegue. No outro dia, por não conseguir saltar ao pé coxinho, estava desgostosa. A professora explicou que para conseguirmos uma coisa que queremos, às vezes temos de a repetir muitas vezes, para que saia bem. A insistência da Maria era saber, exactamente, quantas vezes.

O sogro de uma amiga dizia há uns tempos: "Nós não queremos os nossos filhos iguais a nós, queremo-los melhores." E se é verdade que me orgulho tanto deste lado da Maria, por outro não quero que isto lhe pese demasiado.

Joaquim, o bebé sossego...que nunca chorava.


Na semana passada, a educadora do Joaquim:

"Hoje o Joaquim esteve ali naquela cadeira a pensar. Nem queríamos acreditar que tinha sido ele, ao almoço ainda duvidámos e ao lanche confirmámos. Descobriu que, indo em fila indiana com os colegas, se puxar o da frente, os outros vêm todos atrás, estilo dominó."

E eu chamo-o e pergunto se aquilo é mesmo verdade, e ele muito sério a olhar para o chão, com um ar envergonhado.

"E depois como ele não está habituado a ser repreendido, porque raramente nos chateamos com ele, ficou sentado na cadeira muito triste e infeliz a soluçar..."

27 janeiro 2010

Marta, 3 anos, oração da noite:

"Senhor, obrigado pelo Joaquim. Senhor, ajuda o Joaquim que é um mariquinhas e está sempre a chorar."

Acabada a oração, toca na mão do irmão e diz com o ar mais carinhoso do mundo: "Ouviste, Joaquim? A mana orou por ti!"

Eu sou deste tempo.

O meu coração não aguenta rever estas coisas. É muita emoção.









O meu bairro

Gosto da organização, do verde e do mar tão perto. Morar aqui é bom.



"Projectos" adiados

Não se cala. Há semanas que a Maria quer muito muito muito furar as orelhas. Mil e um argumentos aqui em casa, sendo o que pesa mais é que ela é pequenina, não a demovem. Na escola houve uma enfiada de colegas a fazê-lo e até uma das professoras.

O pai até já gravou uma música com o tema.

O "projecto" ficou adiado, pelo menos até fazer 6 anos. Se é crescida para furar as orelhas, também tem de ser suficientemente crescida para não fazer fitas pela manhã com a roupa que lhe escolhemos para vestir. Depois, logo se vê. Pode ser que se esqueça. ;)



26 janeiro 2010

Músicas de domingo

Cria em mim um puro coração, ó Deus
E renova um espírito recto em mim
Não me lances fora da Tua presença
Nem retires de mim o teu Espírito Santo
Torna a dar-me o gozo da tua salvação,
E renova um espírito recto em mim.

A música em inglês é esta:




De um filme que gostei tanto há anos



Os Respigadores e a Respigadora.
E porque gosto de mãos com as marcas do tempo.

25 janeiro 2010

Sexta-feira


foi dia do exame anual. Infelizmente, o progresso demonstrado o ano passado por parte da Maria, desabou este ano. Por impossibilidade do pai, a minha mãe foi connosco. Eu não podia estar em grande parte do exame por estar grávida.

Apesar de todas as explicações que lhe voltei a dar e no caminho não indiciar o que se avizinhava, foi um exame complicado. No instante em que entrámos, o pânico instalou-se e foi difícil convencê-la que ia ter mesmo de ser. A meio, acalmou-se, e na parte em que precisávamos da colaboração dela para esvaziar a bexiga, bloqueou.

Acabei por ter de estar na sala, entre entradas e saídas, com a minha mãe eternamente debruçada dentro da máquina, mais uma técnica e a médica, passando por diversas fases para a convencer: depois da primeira "Tu és capaz", para a segunda "Pode doer um bocadinho, mas depois passa", para a terceira "Tens mesmo de fazer é para teu bem", para a quarta "Não sais daqui enquanto não fizeres", acabámos por reincidir nestes argumentos todos durante mais de uma hora.

Por fim, saímos do exame, ela como se nada fosse e eu desfeita. Estas coisas acabam por colocar em perspectiva o nosso papel como educadores e eu ainda não consigo desvincular-me da sombra que me paira desde então. Sinto-me a péssima mãe que não conseguiu, apesar de todas as explicações, que ela se mantivesse calma e percebesse aquilo que me parecia tão óbvio mas que afinal não é.

20 janeiro 2010

Voltei a ter comichões

e sabia muito bem de que tipo eram. Também sabia que a probabilidade de voltar a ter o mesmo problema que tive no final da gravidez do Joaquim, era elevada. Agora que as análises confirmam, que os médicos dizem que ainda é cedo, estou medicada, desejo muito tolerar estes próximos meses em comprimidos e que tudo seja tranquilo.

Porque, infelizmente e no que toca ao meu comportamento, não há rigorosamente nada que eu possa fazer. Ainda se conhece pouco desta doença que aparece em algumas gravidezes (a não ser que há uma forte componente genética e que a minha tia Patrícia a teve nas 3 gravidezes).

Deus guarda-nos. E eu passo a ir quase todas as semanas ao Hospital.




18 janeiro 2010

Há muitas maneiras de se ser um líder.


Coisas que Deus nos ensina.



Andar de táxi pela primeira vez

com três crianças no banco de trás. Para além de não haver cadeirinhas (é muito, muito estranho), iam hipnotizados. O Joaquim chamava o condutor de "avô" e as miúdas, à saída, só perguntavam quando é que o senhor voltava para nos ir buscar. Acharam o máximo.

15 janeiro 2010

Especialmente a Maria

falava sempre em ter uma irmã. A Marta, por imitação, acabava por repetir. A forma de a convencer que até era bom ter mais um irmão (para além de fazer companhia ao Joaquim), é de que assim teriamos de fazer um quarto para as meninas e um quarto para os meninos (uma vez que até agora estão os 3 no mesmo).

Apesar de não lhe agradar particularmente a ideia de mudar de Escola para o ano, já lhe prometi que vai ter uma secretária e que nessa altura tratamos da remodelação dos quartos. Sempre que descobre os catálogos de decoração de quartos da Vertbaudet, vê exaustivamente tudo ao pormenor e só pede um quarto com parede cor-de-rosa cheio de piroseiras inimagináveis. Ou até nem são assim tão inimagináveis, ou não fosse eu este tipo de menina na idade dela.

13 janeiro 2010

Ter um filho só é tão diferente.

(Consulta minha, vacina do Joaquim.)

Mais de 2 horas entre marcações de exames, papeladas, consulta propriamente dita e espera.

Um filho, sempre de joelhos, a enfileirar carros por todas as cadeiras que encontrava. Nem se dava por ele.

12 janeiro 2010

Do amor.

Essa palavra tão banalizada, sujeita a oscilações de comportamento, flutuações temporais, conveniências de todo o tipo. Não é nesse amor que eu acredito.


07 janeiro 2010

Não há famílias perfeitas


todos sabemos e acho que já ninguém acredita nisso. Antes de termos uma casa própria sonhamos com o que teremos na nossa, como a construiremos e como serão os nossos filhos. A realidade é diferente daquela que projectámos, quase sempre. E está nas nossas mãos acreditarmos e lutarmos para fazer do lar aquilo que achamos que deve ser.

De vez em quando falo de pessoas que me são queridas, nestes últimos dias (e por causa destas fotos da Selma) reavivei esse desejo. Os Pascoais são uma família que tenho vindo a conhecer mais próximo nos últimos anos e que são um exemplo para mim no que toca a trabalho de equipa. Quando estão juntos num projecto, todos trabalham e não têm mãos a medir. Vestem a camisola, uns pelos outros. Esta, creio, é das maiores qualidades que uma família cristã pode ter.

Cada vez mais acredito que, se numas alturas nos devemos calar e escusar a palavras feias, os elogios nunca devem ficar por dizer. Aqui está.


06 janeiro 2010

Outros tempos

(estou numa de recordar)
E como explicar à Maria que a Docinho de Morango, que ela tanto gosta e que actualmente tem este aspecto,

foi inventada no ano em que eu nasci, se parecia assim e era, simplesmente, a Moranguinho?




Copos com tampa

Não sei se a Tupperware ainda faz destes copos, mas eu lembro-me de ter os meus 10/11 anos, estar em casa com a minha mãe, ela fazer batidos com morango, bolachas, leite e outras misturas, meter isso num copo e eu atravessar a rua com a tampinha encaixada, para levar ao meu irmão mais novo, no infantário. Outros tempos.



Tive um saco

muito parecido com este, mas em cinza escuro, que usei anos a fio sem me cansar. Até que se rompeu, descoseu e não teve salvação possível.



Biscoitos, embalagem e decoração

à moda da Raquel.




05 janeiro 2010

Finalmente

soube pela minha pediatra-blogger preferida que passou a existir um banco nacional e gratuito de recolha de células estaminais do cordão umbilical. Não pagando rigorosamente nada, qualquer bebé poderá usufruir das doações.

04 janeiro 2010

Hoje chorei

como tantas vezes (ver aqui). 37 anos é idade que não tardo a ter.

Adeus, Lhasa.



03 janeiro 2010

02 janeiro 2010

Quanto mais antigo e usado

mais eu gosto.