25 janeiro 2010

Sexta-feira


foi dia do exame anual. Infelizmente, o progresso demonstrado o ano passado por parte da Maria, desabou este ano. Por impossibilidade do pai, a minha mãe foi connosco. Eu não podia estar em grande parte do exame por estar grávida.

Apesar de todas as explicações que lhe voltei a dar e no caminho não indiciar o que se avizinhava, foi um exame complicado. No instante em que entrámos, o pânico instalou-se e foi difícil convencê-la que ia ter mesmo de ser. A meio, acalmou-se, e na parte em que precisávamos da colaboração dela para esvaziar a bexiga, bloqueou.

Acabei por ter de estar na sala, entre entradas e saídas, com a minha mãe eternamente debruçada dentro da máquina, mais uma técnica e a médica, passando por diversas fases para a convencer: depois da primeira "Tu és capaz", para a segunda "Pode doer um bocadinho, mas depois passa", para a terceira "Tens mesmo de fazer é para teu bem", para a quarta "Não sais daqui enquanto não fizeres", acabámos por reincidir nestes argumentos todos durante mais de uma hora.

Por fim, saímos do exame, ela como se nada fosse e eu desfeita. Estas coisas acabam por colocar em perspectiva o nosso papel como educadores e eu ainda não consigo desvincular-me da sombra que me paira desde então. Sinto-me a péssima mãe que não conseguiu, apesar de todas as explicações, que ela se mantivesse calma e percebesse aquilo que me parecia tão óbvio mas que afinal não é.