26 maio 2011

Uma semana depois

da minha primeira ida às urgências, prefiro não me lembrar de algumas cenas tristes (as desvantagens de ter ficado o tempo todo no Balcão de Medicina, a assistir a tudo) mas recordar-me das cenas surreais, tal como:

da quantidade inqualificável  de gente que uma família de ciganos consegue juntar no mesmo espaço, graças à matriarca da família estar com uma cólica renal (e de como choram e gritam e gesticulam).

Ou talvez de me relembrar do senhor que, sempre que acordava, insultava o mundo inteiro, para no segundo depois adormecer profundamente.

Ou do sem-abrigo que se finge doente, faz a triagem e fica fictíciamente na sala de aerossóis a ser medicado, isto é, a dormir (e de na passagem de turno isto ser referido, entre enfermeiros).

Ou de como às 3 da manhã dei comigo na casa-de-banho a ajudar uma senhora que se aguentava melhor em pé do que eu.

Ou da cena de uma mulher alterada e drogada que não queria estar na mesma sala de espera e dos gritos de outra alucinada: "Ai, filha, deves ser melhor que à gente, deves!"

E mais.