28 outubro 2011

Eu, pequena.

Havia um blogue de que gostava muito, que se chamava Rua da Escola. Um dos textos que o João L. uma vez escreveu, tocou-me particularmente. E recordo-o muitas vezes. Aqui fica:

«Às vezes não consigo falar com Deus.A maioria das vez consigo, mas outras não. “Às vezes” e “consigo” repetidos com “não” às vezes no meio, embora não seja a norma.”Às vezes” porque não sou linear e “consigo” porque é aleatório depender de mim ou não.
É um mistério. Mas vá lá que não é um mistério confuso.
Eu pequeno, percebe? Eu pequeno e a querer pedir a Deus que fizesse um milagre à antiga. Não saía a frase pretendida por mais que me concentrasse: “Senhor Jesus, cura a doença dos meus olhos para que eu possa ver bem e não precise de usar óculos”. Ali, emperrado e surpreendido por estar a perder a hipótese de jogar à bola sem os aros de metal, sabendo-me perdido como sucessor do Humberto Coelho como capitão do Benfica. De algum modo, sabia que não fazia sentido pedir.
 “Há coisas que não faz sentido dizer a Deus?”
 Foi um choque.
Se eu tivesse conseguido orar, quem sabe?
Um pouco como hoje de manhã. De talão na mão, esperando ser chamado numa repartição pública, passou-me pela cabeça pedir a Deus uma coisa. Como dessa vez, o pensamento não passou a prece. “Metes-te nas coisas e depois vais pedir a Deus que te dê uma mãozinha”. Talvez tenha pensado algo parecido. Mas dava-me jeito, a sério que dava que orasse e as palavras fossem atendidas.
Não é um sistema. Um tipo não compra um cartão pré-pago com tempo de oração. A oração sincera sai-nos do corpo e é difícil de fazer. Tem a ver com reconhecer a grandeza, a sua autonomia e atributos que tais. De facto, Deus tem o condão de nos paralisar quando se tem respeitinho.
Qual a conclusão deste post? É esta, para que o leitor não se sinta frustrado: “Honestidade e Oração podem originar poucas palavras perante Deus”.»