27 fevereiro 2014

Ter um lado desajeitado e trapalhão


Nasci com dedos tortos, e já não deve ser com esta idade que se corrigem. Os dedos que me pareciam ser ao lado do meu avô, afinal estão cada vez mais ao lado da minha mãe. Herdei um lado trapalhão que não é detectável, logo ao primeiro contacto. A verdade é que é com relativa facilidade que uma montra me parece mais longe do que está e bato lá com a cabeça, que pego em coisas e elas me escapam pelos dedos, que as ombreiras das portas parecem mais estreitas que o habitual.

Ser um bocadinho trapalhona é chato, porque numa mulher fica pouco elegante. É uma verdadeira chatice, pensando bem. Os que têm a sorte de pegarem em coisas e nunca as deixarem cair não entendem isto, porque não se trata de falta de atenção ou mera distracção. É mesmo uma incapacidade, tudo nos correr direitinho. Não quero exagerar, porque até acho que não me posso catalogar uma trapalhona com um T grande, mas existe uma intolerância trocista com os desajeitados desta vida. Vou-me esforçando como posso, e tal qual alcoólica anónima, quero que fique registado que há largos meses que não parto uma peça de loiça (elas caem e miraculosamente, rebolam), que não bato com a cara na montra da loja dos animais, e não tropeço... ui, há meses e meses. Há esperança para mim!