03 abril 2014

Quando as nossas palavras não chegam, Bíblia.


Hoje em dia é comum prevalecer a ideia de que para falarmos sobre um tema da vida, precisamos ter conhecimento de causa. E ajuda muito, claro. Eu, por exemplo, sou uma pessoa bastante tímida a falar perante um conjunto de pessoas superior a 5, vá. Tenho por hábito desabafar com amigos com a mesma dificuldade (fobia?), porque compreendem o estado de nervos em que fico quando estou numa situação dessas. Quando abortei, também. Senti que as pessoas que já tinham passado pelo mesmo percebiam melhor a minha dor.

Ora a dor é uma coisa muito relativa e a forma como a sentimos também. Basta pensar que quando abortei, com cerca de 10 semanas, fiquei largos dias a aguardar em casa, mas acabei internada num hospital para fazer uma raspagem, e passei um Verão chato de recuperação. Passados largos meses, num episódio corriqueiro, sei que provavelmente terei abortado novamente, mas sem certezas (as análises assim indicavam, e a ter sido mesmo, teria umas 4 semanas se tanto). Como na minha cabeça eu não estava grávida, saltei este último episódio com uma leveza que não saltei no anterior. Porquê? Porque a minha perspectiva da dor foi diferente, a forma como a enfrentei também.

São muitas as circunstâncias em que me sinto incompreendida. Ninguém tem a minha vida, na verdade.  Eu não tenho a dos outros. Nisto de sermos ajuda é complicado saber onde agir, falar, estar.

Mas aqui começam as boas notícias. Sendo cristã, acreditando que a Bíblia é o meu guia principal, porque nela creio que está escrito tudo o que é importante para a minha vida, e que foi aquilo que Deus escolheu deixar registado para me orientar, eu posso falar e aceitar que me falem sobre qualquer assunto, se for baseado nas Escrituras. Sei que testemunhos pessoais ajudam muito, mas quando não os tenho, firmo-me naquilo que não falha e que sei que é bom.

Quando me sinto fraca, por exemplo, recordo-me de Isaías 43:1: "Mas agora, assim diz o Senhor que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu.".

Quando me sinto sozinha, vou a Josué 1:9: "Esforça-te, e tem bom ânimo; não te atemorizes, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus está contigo, por onde quer que andares".

Quando me olho ao espelho e não gosto do que vejo, lembro que: "Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.", em Génesis 1:27.

Quando me sinto inútil e sem objectivos, "Pois eu bem sei os planos que tenho para vocês, diz o Senhor; planos de paz, e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança.", Jeremias 29:11

Quando estou com medo: "No amor não existe medo; o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor” , I João 4:18.

Quando ando preocupada com as contas: "Portanto, não se preocupem, dizendo: 'Que vamos comer?' ou 'Que vamos beber?' ou 'Que vamos vestir?' (...)  Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal." em  Mateus 6:31-34. E poderia continuar.

O consolo de ser cristã e poder dar e receber apoio em qualquer circunstância da vida, é este: A Bíblia pode e deve ser o livro mais citado. Ouve-se, lê-se e pede-se ajuda a Deus para viver como ela nos ensina. "A minha graça te basta" escrevia Paulo aos Coríntios. E peço a Deus que me baste sempre.