07 abril 2014


Sábado passado visitámos um grupo de amigos-família na Igreja Baptista em Belas, a propósito do nosso livro. Na parte de perguntas e respostas pediram-me que partilhasse o porquê da minha escolha de já não trabalhar fora de casa. É uma resposta tão longa e complicada que tento sempre enquadrar a nossa história familiar. Creio que sou uma pessoa que poderá eventualmente falar ao coração quem não se identifica com esta escolha porque ela também não foi a minha. Nunca sonhei não trabalhar fora de casa. Nunca sonhei ser mulher de pastor (eu sou mesmo mulher de pastor? - é o que me pergunto frequentemente). Nunca sonhei ser mãe a tempo inteiro. Nunca sonhei depender financeiramente do meu marido.

Eu fui empurrada para uma decisão por falta de alternativas e foi esta a forma que Deus me mostrou que assim deveria ser. Há cerca de um ano dei o testemunho da minha vida na Igreja. Basicamente sintetizava que a pessoa que sou hoje nada tem a ver com a pessoa que era no passado, e que sou a prova viva que nunca devemos dizer nunca, acerca de nada (e que Deus tem um valente sentido de humor!).

Desta fotografia ali de cima, à porta de uma escola primária à espera de ser recebida, sobra pouco mais  que o casaco de ganga e o cachecol cinzento que ainda hoje uso. São só uns 9 anos que me separam deste clique mas a mudança é assim a modos que... imensa.

Não sei o que o futuro nos reserva. Não sei se voltarei a trabalhar fora. Não sei que caminhos ainda teremos de traçar. Mas sei que desejo nunca mais ter certezas acerca de nada, porque só Deus sabe o que ainda tem reservado para mim. E que o meu coração amoleça mais e mais. Pela graça de Deus.