10 julho 2014

Elegante ou provocante?

Já houve um tempo em que a piscina me atraía por ausência de areia e desgaste de carregar com brinquedos. Agora os miúdos já levam os seus próprios brinquedos, já se vestem e despem sozinhos e já mergulham e tomam banho sem a nossa intervenção directa (embora a supervisão tenha de ser igualmente cerrada).

Pus-me a pensar o porquê de, de cada vez mais, me custar uma ida à piscina. A primeira é que o cloro não me faz bem. Tive reacções estranhas na pele o ano passado que só a água do mar ajudou a cicatrizar. Depois, e tendo em conta que Cabanas é uma praia onde temos muito espaço (já quando vamos a Carcavelos a cena é diferente), a piscina torna-se um lugar de exposição que chega a ser constrangedor.

Chegamos aqui ao ponto delicado mas que me apetece falar: a forma como me apresento hoje num espaço balnear é muito diferente de há uns anos. E isto não tem nada que ver com a forma física pós 4 filhos mas com uma compreensão a que fui chegando sobre a facilidade com que passámos a ver como normal andar a exibir partes do corpo a desconhecidos. Ir à praia e à piscina é a confirmação disso. Há uma grande confusão entre elegante e provocante (podem até rimar, mas deve ser a única coisa que têm em comum). A discussão não passa pelo embaraçoso que é corpos gelatinosos a saltarem de biquinis (que há tantos, céus!) ou por se estar em forma e aquele modelo assentar na perfeição, mas por decidir o que mostro e a quem.

Compartimentamos demasiado as coisas, relativizamo-las demais. Confunde-se pudor com ser retrógrado. E acabo com um exemplo simples: é raro o caso de mulheres que amamentam em público sem nenhuma fralda ou avental a tapar que não seja condenado com olhares. Mas se for na praia, essa mesma (ou outra) parte do corpo já não tem problema. Estranhos tempos estes.