17 setembro 2014

Socialização



"Temos tendência a esquecer de que não há nada de sacrossanto em aprender em grandes salas de aula, e de que organizamos os alunos deste modo não porque é a melhor forma mas porque é a mais económica, e que faríamos nós com as crianças enquanto os mais velhos vão trabalhar? (...) O propósito da escola deveria ser o de preparar os miúdos para o resto das suas vidas, mas muitas das vezes o que os miúdos precisam ser preparados é sobreviver ao próprio dia de escola."
- Susan Cain, em "Quiet" 


Este excerto deste texto foi uma lufada de ar fresco para o que senti toda a vida no meu percurso escolar. Sempre detestei trabalhos de grupo. A ideia de termos de combinar encontros, irmos para as casas uns dos outros e chegar a um acordo sobre o que iríamos trabalhar, deixava-me em ansiedade. Além de que todos saberão que isso do trabalho de grupo é uma ideia inclusiva muito bonita mas o que acontece, na verdade? Há sempre alguém que trabalha mais. Pois.

Creio que hoje a própria ideia de socialização gira toda em torno de grandes massas. Como se para adquirirmos os hábitos e convivências necessários à cultura onde nos inserimos fosse urgente, desde cedo, convivermos no meio da multidão. A ideia de que um bebé tem de perceber rapidamente que não é só ele que existe no planeta passar por ter de entrar cedo no modelo escolar que nos foi imposto, por exemplo. O contacto com a diversidade não envolve necessariamente grandes números, acho.

Pode parecer um exagero para quem nunca teve estes combates interiores, mas sabem o que é saber fazer um exercício, mas a simples pergunta: "Quem quer vir ao quadro?" ser um obstáculo imenso? Não foram os anos que passei em turmas de 30 alunos que me ajudaram a ser diferente. Aliás, eu não tinha que ser diferente. Ter pudor em estar à frente de dezenas de caras não é um problema a ser combatido. Chama-se timidez.