25 setembro 2014

"Sou uma tola por estar a chorar num sítio tão bonito como este!"

O mar. O cheiro do pinhal. O céu de tantas formas. O calor depois de dias frios. A areia e as conchas. Não sou indiferente a estas coisas. Ando muitas vezes de máquina atrás porque perder a possibilidade de registar, além da memória, sítios onde a vista se alegra, me parece desperdício. A Bíblia também fala de como contemplar a natureza e as coisas boas que Deus nos dá ser uma forma de não só comprovar que Ele existe como de O adorar.

Acho até que me é muito fácil, em cenários que me agradam, agradecer a Deus pelo tanto que podemos desfrutar. Também penso que o caminho da gratidão é muito vasto, e que os olhos ainda me falham nesta descoberta de coisas boas, além das evidentes.

Neste primeiro episódio da série do Marco, a mãe preparava-se para se separar da família, para longe. Estava triste, ainda não tinha dito ao filho mais novo, e trocava umas últimas impressões com o pai. Desata a chorar: "Sou uma tola por estar a chorar num sítio tão bonito como este!", dizia a senhora. Parecia-lhe desperdício chorar de tristeza no meio daquele prado verde.

Também é possível sentir uma terrível angústia, nos cenários mais maravilhosos. Ou sentir alegria, em sítios feios ou catastróficos. Porque o que importa é em que reside a nossa alegria. Se depender constantemente do bom que os meus olhos alcançam, fico dependente do critério que eles definem. Se decidir que a minha alegria não está dependente do mar, do sol, nem de nada que seja exterior a mim, então estarei alegre. Ainda que haja lugar coisas menos boas, feias e difíceis, a alegria existe porque já lá estava. E não desaparece, se ela vier de Jesus.