27 outubro 2014

E por falar em rugas e em beleza.


Não sei se já vos aconteceu - comigo acontece frequentemente- alguém vos parecer mais bonito com o passar do tempo. Pode até ser uma pessoa a quem não reconheciam uma beleza extraordinária, mas que com a convivência, conhecimento ou a simples passagem dos anos, vos faz reparar num brilho que nunca antes tinham visto. Não tem de ser necessariamente alguém com quem tenhamos intimidade, mas também pode ser. É curioso porque já andava desde o início do ano para tentar colocar em palavras isto que me salta tantas vezes à vista, quando em Março alguém me enviou um texto sucinto, claro e muito revelador daquilo que eu não conseguia passar para o papel. Uma parte dele dizia assim:

"Pensei em exemplos de mulheres de Deus à minha volta, e cheguei mesmo à conclusão que à medida que vamos crescendo, compreendendo e vivendo lado a lado com Cristo, a beleza de Cristo é visível em nós, tanto a nível espiritual como físico. As mulheres casadas, as mulheres com filhos, as avós ficam sempre mais bonitas quando o tempo e a vida vão passando por elas, como se ao estarem a completar o plano belo de Deus nas suas vidas, Deus reflectisse até nos seus corpos o perfeito significado da palavra beleza."

E era isto! As pessoas a quem eu descobria beleza eram as pessoas a quem estava a ver uma maturidade espiritual a acontecer. Exacto! Pessoas por quem as doenças passam e deixam marcas, mas não roubam o sorriso. Pessoas com desafios sérios, mas cheias de entusiasmo. Pessoas com muito que chorar, mas preocupadas com o choro das outras. Pessoas a serem transformadas, quebrantadas, renovadas, melhoradas. Pessoas que apesar de não serem poupadas de sofrimentos, não ficam gastas.

Pessoas a cumprir o plano de Cristo ganham diferentes tipos de beleza, que fluem de dentro para fora. Uma beleza que tem a ver com uma forma de estar. A ver com virtudes. Com amor. Alegria. Maturidade. Segurança. Humildade. Não dá para não notar.

- ilustração de Lizzy Stewart -