13 novembro 2014

Memória.

Às vezes basta uma foto. Um cheiro. Um nome. Um sítio. É fogo em gasolina.


Hoje foi aquele anúncio da Mango com uma camisola com torcidos precisamente como esta que aqui tinha. 1990. Delfim Santos no meio dos montes, que se atravessavam para chegar à aula de natação no Benfica. A primeira vez que saí na estação de metro das Laranjeiras e chegar à Estrada da Luz em menos de nada. Escobar, o nome que o J. me colocou - e que foi o meu primeiro endereço de mail, mais tarde - por ser uma realizadora das novelas que eu não via. A Guerra do Golfo com o Bollycao no intervalo grande, e o dossier que forrei a autocolantes "Tou". A minha miopia a aumentar de 5 para 7 dioptrias e os óculos redondos e castanhos iguais aos do Rui Veloso, que veria nesse Verão em Porto Covo ("Roendo uma laranja na falésia..."). As minhas primeiras - e únicas - calças de ganga Mustang. Chumaços nas camisolas. "O teu amor aos céus se estende" completamente na berra. Os panados com limão ali à saída de metro em Arroios. Bryan Adams em Alvalade. Espera. Isso já foi em 91.