26 novembro 2014

Não sabemos esperar

Na fila do supermercado, era difícil não reparar na impaciência daquela pessoa. "Mas será que não há um dia em que venha aqui e não tenha de esperar? Detesto filas!".

A verdade é que hoje não sabemos esperar. Vivemos impacientes, o ritmo das vidas de todos é alucinante e o acto de ter de abrandar, forçados, parece-nos um mero desperdício de tempo. Temos de estar sempre a fazer qualquer coisa e, se não estivermos, é opção nossa. Não das filas ou dos outros.

Espantamo-nos que as crianças queiram tudo no imediato, quando de facto é isso que exigimos para nós próprios. Somos impacientes, custa-nos ter de aguardar e desistimos, no geral, quando o esforço parece pedir mais do que sentimos ser capazes de dar. Ora, na Bíblia, estamos recheados de esperas. Sara esperou por ser velhinha para poder ser mãe, Jeremias falava de como Deus é bom para os que sabem esperar n'Ele, já para não falar da quantidade de personagens que esperaram sem que lhes chegasse o objectivo da espera (Moisés, por exemplo).

Enviamos mensagens e aguardamos resposta breve, decidimos fazer uma coisa e tem de ser finalizada no tempo que idealizámos, não lidamos bem quando o outro nos diz que não consegue estar à altura dos nossos prazos.

Ora, a espera trabalha muito o nosso coração. Em especial, a paciência. A nossa confiança em Deus. A forma como gerimos a ansiedade. Como diz no capítulo 5 da carta de Tiago: "Observai como o lavrador aguarda o precioso fruto da terra, esperando com paciência, até que receba as primeiras chuvas de outono e as que encerram a primavera."

Sendo que, em última análise, a nossa vida também é uma espera. Até ao dia em que saiamos desta dimensão limitada que é o tempo.