27 janeiro 2015

Holocausto

Em miúda, enquanto lia e relia o Diário de Anne Frank, a par com O Refúgio Secreto, ambos sobre o período do Holocausto, imaginava como teria sido se eu própria tivesse nascido judia naquele tempo. Era comum pensar, até por se dizer que os apelidos com nomes de árvores poderiam ter essa origem.

Hoje, relembrando os 70 anos sobre a libertação de Auschwitz, as pessoas escrevem e perguntam-se como pôde o Holocausto ter acontecido, como pôde o homem fazer tanto mal a um seu semelhante. Foi horrível! Enquanto cristã, claro que ainda fico chocada com o que se fez em Auschwitz.  Mas ainda na semana passada via um documentário sobre o terror que o Boko Haram espalha pela Nigéria. Ou pela forma como mulheres cristãs são violadas, torturadas e mortas pela Argélia. Na Coreia do Norte, ter-se uma Bíblia implica ir para um campo de trabalhos forçados e ser missionário é sinónimo de escolher tortura e execução pública. 

O ser humano pôde fazer o que fez em Auschwitz, pela mesma razão que meninas que hoje desejam estudar são mortas na Nigéria, ou que cristãos que se assumam na Síria são executados: porque o homem sem Deus, entregue à sua ganância, sede de poder e ódio, é capaz de fazer o pior que poderemos imaginar. Por isso hoje, adulta, já não penso muito se terei origens judias. Penso antes que sem Deus não seria nada.