14 janeiro 2015

Uma casa que é um lar.


São quase 10 anos nesta casa e vários seres rastejantes depois. As paredes gritam por uma nova pintura (já estamos naquela fase em que não há esponja mágica que faça desaparecer as manchas, há pedaços de parede a faltar e vestígios de uma invenção que no início parecia maravilhosa mas que depressa virou pesadelo chamada bostik), as cadeiras acusam gatas passadas, as camas das miúdas começam a encurtar. 

Há pouca coisa (se calhar nenhuma) na lida da casa que me dê prazer. Se tivéssemos de colocar as coisas nestes termos: não nasci para isto. Espanto-me sempre que alguém me diz: "o que eu mais gosto de fazer é passar a ferro" (Oi? Engomar? Isso pode ser bom?). Não, não há absolutamente nada que me encante e a única motivação que encontro é mesmo a do tem que ser. As coisas têm que ser feitas e não temos quem as faça por nós. 

A outra face da motivação é não suportar mais do que um determinado grau de caos. Somos 6 num T3. Os miúdos desarrumam. Sujam. Brincam. Arrumam - mais ou menos - aquilo que lhes exigimos. Aguento brinquedos espalhados. Não aguento cabelos pela casa-de-banho. Aguento uma mesa com vestígios do pequeno-almoço, detesto um chão peganhento.

E depois, talvez o que reste disto tudo e ajude a disfarçar as tais paredes que um destes dias vamos mesmo ter de pintar, é o conforto de ter um lar. Eu gosto de tornar a casa num lar. Um quadro ali, um boneco acolá. Que seja confortável, que receba bem e que quem chega não tenha receio de estragar tudo. Porque as suas fragilidades estão à vista. Nada é perfeito nem tudo está no sítio. Mas é a nossa casa. E há sempre lugar para mais um.