02 fevereiro 2015

Escolhas


Uma coisa que falamos cá em casa, e que tem vindo a crescer em intensidade, é acerca da forma como transmitimos aos miúdos as escolhas e a forma como nos divertimos em função disso . Ainda a respeito de coisas que não fazemos ou não deixamos fazer por convicção, talvez o que possa ganhar melhor o coração deles seja que aquilo que fazemos pese mais do que aquilo que não fazemos.

Quando escolhemos que os nossos filhos não vão fazer, ver ou participar em algumas coisas - e quando a maioria à nossa volta não tem problemas nenhuns com fazer o contrário - ficamos tristes por eles se sentirem de parte. Eu experimentei isso na pele: Portugal inteiro viu o Roque Santeiro menos a casa dos meus pais. Acontece que ainda hoje tenho um profundo desprezo por telenovelas. Poderia ter-se dado o oposto e eu hoje ser uma espectadora compulsiva. Pois podia. Mas a verdade é que acredito que nenhum princípio que consideramos fundamental para os nossos filhos deve ser quebrado porque mais tarde existe a possibilidade de eles escolherem o oposto (ou de até o tentarem fazer às escondidas no presente). O que consideramos como prejudicial no presente não é menos prejudicial se no futuro eles gostarem. Isso será uma decisão deles.

Então, voltando ao conceito de diversão: talvez o que tenha de crescer mais e mais não é aquilo que nos demarca pela negativa mas o que nos demarca pela positiva. Fazermos coisas que nós próprios inventamos. Criar tradições. Usar o tempo cada vez menos para entretenimento e cada vez mais para saber estar. Ainda ontem na Igreja, o Henrique Raposo falava da forma como esta nova geração é a da imagem, dos ipads e das tecnologias e cada vez menos dos livros e do silêncio. Ensinar o valor de saber aguardar por uma consulta a ler ou a simplesmente contemplar o que nos rodeia é o desafio dos nossos tempos. E para isso, é urgente que nós os adultos demos o exemplo. Assim Deus nos ajude.