10 março 2015

38, mulher de Pastor e mãe de 4.

Tal como eu.

Comecei por ler a Kara como mais um diário de luta contra o cancro, no tempo em que os médicos ainda acreditavam poder combatê-lo. Há muitos meses foi assim. O cancro voltou como nunca e os médicos disseram que já chega. Nada mais há a fazer, do ponto de vista humano.

Nas últimas semanas, assisto a uma família de 6, como a minha, a preparar-se para uma despedida. A cada momento que abro o computador, é como se pressentisse uma nova confirmação de que o fim se aproxima. Desde a enfermeira que conversa abertamente sobre o momento da morte, ora a cadeira de rodas que chegou para ficar. Uma perda progressiva de funcionalidade, à vista de todos. Quando hoje lia que a cama articulada de hospital chegou e que, pela primeira vez nestes anos, esta mulher da minha idade, dormirá ao lado do marido, mas já não na mesma cama, sinto uma dor profunda no peito. Como é que uma mãe de 38 anos prepara filhos pequenos para crescerem sem ela? Como se diz adeus a um marido com quem se sonhou envelhecer?

Mas a cada relato de uma morte que se anuncia ao virar da esquina, encontro sempre, sempre, sempre a fé e confiança na soberania do Deus que está a tomar conta de tudo, ainda que seja muito difícil de compreender em alturas como esta.


"I can’t understand that I’m not sleeping in my wedding bed with my guy tonight. I hurt that I understand what this greater pain I’m experiencing means. I feel too young to be in this battle, but maybe I’m not in a battle at all. Maybe I’m on a journey, and the journey is more beautiful than any of us can comprehend. And if we did understand, we would hold very loosely to one another because I’m going to be with Jesus. There is grace that will seep into all the cracks and pained places when we don’t understand. In the places we don’t understand we get to seek. And how lovely is one seeking truth. Stunning."

                  

Podem acompanhar a história da Kara aqui, e se for o caso, intercedam aos pés do Pai do céu por esta família.