17 setembro 2015

Ser Igreja


A Igreja é um sítio cheio de desafios, onde somos chamados a estar, não porque somos perfeitos e ali é o nosso nicho da perfeição, mas pelo contrário: porque somos imperfeitos. Porque sabemos que sozinhos a coisa fica complicada. Sempre que caminhamos em direcção à Igreja, afirmamos que precisamos existir lá, que a nossa vida cristã é uma caminhada conjunta. Não somos melhores que ninguém, pelo contrário: ao decidirmos que a nossa vida tem de ser feita necessariamente com uma família espiritual, declaramos que não somos realmente nada bons. Precisamos de ajuda, que vem do alto, mas que se vive em comunidade.

Aprendemos com todo o tipo de pessoas, e habituamo-nos a servir todo o tipo de pessoas. Existimos e a nossa vida não é apenas nossa: é dos outros a quem prestamos contas e a quem pedimos contas. Isto é uma coisa aborrecida de se dizer, numa sociedade que tanto nos imprime a ideia de que somos únicos e que precisamos afirmar a nossa identidade. Se a nossa identidade nos está a levar por caminhos menos bons, a Igreja existe para nos puxar as orelhas. Isto nem sempre é bonito de acontecer, mas também é nas lágrimas que nos encontramos e amamos. Nessas alturas não há retratos como este, pois claro. Mas retratos como este dão-me muita esperança. Há uma geração a seguir-se à minha, a continuar aquilo que deve ser Igreja: um grupo em crescimento, pronto a servir.