22 outubro 2015

Despertar


O despertador toca às 6h50. São apenas dez os minutos de tolerância para começar a abrir estores, confirmar estado do tempo, e colocar as roupas do dia. Custa-me falar logo ao acordar, até a voz me sai com dificuldade. Não são os almoços a colocar no saco, nem o leite para  aquecer, as torradas para fazer que me cansam. São as palavras que temos sempre de repetir: "Vistam-se", "façam a cama", "colaborem, por favor". Depois, as vozes em simultâneo: "Não quero esta camisola", ou "Não acho a minha outra meia", ou ainda "Mamã, ele está a olhar para mim, pára com isso!". Depois, as eternas preferências entre torradas, pão fresco, ou cereais. "Vá lá, comam", "vão lavar os dentes", "têm o que precisam?"- São 8h05 e precisamos começar a sair. "Não sei onde está o meu casaco". Temos mesmo de sair. "Ponham o cinto, não pousem os casacos no chão do carro, por favor.".
Partimos. Colocar a música no rádio e finalmente alguma calma que se instala.

E o céu, sempre o céu, completamente indiferente a toda esta correria.