10 novembro 2015

10.Novembro.1999


Vale a pena assinalar o dia em que começámos a namorar. Aqui nesta foto já na nossa primeira casa, nos últimos preparativos e limpezas de obras, antes de casarmos. Acho engraçado a quem se diz "para sempre namorado" ou se refere a "namorar" como algo que deve ser mantido eternamente. Percebo a ideia. Mas a rigor, nunca mais namorei desde que me casei. O namoro é uma coisa, o casamento é outra. E esta última é tão melhor que não tem comparação. Especialmente para pessoas para quem o namoro não se dita pelas mesmas regras do casamento. O meu caso. No namoro, somos apaixonados. Passeamos, saímos, comemos fora, ocupamos o tempo juntos, e parece ser sempre insuficiente. Aborrecemo-nos e depois cada um na sua casa, remói a chatice, e questiona-se acerca da certeza dos sentimentos que tem pelo outro. Se o amor vai sempre chegar, quando já não houver saídas à noite, surpresas e comidas românticas. Uma parvoíce. Na verdade, hoje ponho-me a pensar e o namoro é fixe por poucos meses. Não tem o melhor do casamento, e não tem aquilo porque realmente vale a pena chatearmo-nos.

Tinha uma ideia um bocado parva, quando namorava, de que uma vez comprometida e a casar, nunca mais experimentaria o arrebatamento de me apaixonar por alguém. Viria aí o amor e coisas óptimas, mas que nunca mais viveria esse estado de deslumbramento. Era uma ideia idiota, pensar que Deus não me daria a possibilidade de experimentar isto tudo ampliado, à medida que o tempo passa. À medida que somos fiéis, que nos sacrificamos, que estamos, voltamos sempre a esse primeiro estado, mas mais alicerçado.

De vez em quando eu e o meu marido saímos para passear. Um concerto, um jantar fora, um filme no cinema. Mas não saímos para namorar, porque no fim voltamos juntos para a mesma casa. O lugar onde nos pertencemos e somos família. Muito, muito melhor.

Foi há 16 anos que arranjei este namorado. O meu marido.