20 novembro 2015

Filhos do meio



2006 e 2007 regressam sempre por estes dias com mais força. Há muita coisa de que já não me lembro com exactidão (e que agradeço ter aqui registo neste blogue e num caderno que é só meu). Quando os filhos nos são entregues, na verdade não acreditamos muito nisto. Achamos que nos pertencem. No meu caso, eles geraram-se dentro de mim, e depois foram sendo arquitectados na minha cabeça. Muitas ideias e certezas que se esbatem com o passar do tempo. Os filhos não são nossos, embora se gerem dentro dos corpos das mães. Eles crescem e vão-se formando, às vezes temos de recuar e constatar que o bebé que nasceu em tão pouco condiz com a criança que hoje cresce.

Começam a aproximar-se do final da primeira década de vida, estes meus gémeos falsos. São os dois tão diferentes, como todos os filhos são. Surpreendem-me todos os dias, tiram-me do sério quase todos os dias. Queremos ajudá-los a crescer, mas percebemos que somos muito pouco do grande cenário que Deus já planeou. São projectos inventados muito antes de alguma vez os sentir na minha barriga. São criação de Deus.