09 maio 2016

12 são uma dúzia

Quando a Maria nasceu, pregou-nos um grande susto. Eu, que até já tinha assistido antes a um parto, apercebi-me que aquele novelo roxo e que foi levado sem hesitação para uma sala ao lado, sem proferir qualquer som, não estava bem. Não me ocorreu dizer nada, fiquei numa espécie de apatia que durou quase até ao dia seguinte, quando vi a minha primeira bebé numa incubadora. Nem lhe conseguia tocar. Uns dias depois viemos para casa. Em poucos meses perceberíamos que esta miúda era pouco silenciosa. Começou a falar um dialecto muito próprio desde cedo, e foi também desde cedo que desenvolvemos uma teoria acerca deste episódio de reanimação, que talvez lhe tivesse despoletado uma incapacidade de fazer silêncio.

São 12 os anos connosco. Continua a ter dificuldade em estar calada. Desde que se levanta até que se deita. Há duas semanas, ao acordar para um dia de escola como qualquer outro, apanhámos um enorme susto semelhante ao do nascimento, mas desta vez não estávamos no hospital nem com ninguém que nos socorresse. Tínhamos irmãos aflitos a presenciar, e uma ambulância a chegar. Foi mesmo e apenas só um susto, mas que não nos livrou de uns momentos de aflição, em que as nossas orações foram  pouco mais do que: "Senhor, ajuda-nos, Senhor!". Deus foi bom. Ele é sempre bom. Por isso este aniversário, uma dúzia de anos, teve um sabor ainda mais especial.