30 dezembro 2016

Leituras de 2016

Em 2016 li alguns livros. Todos eles com um objectivo muito interesseiro (acho que já estou numa idade em que posso ler apenas e só porque me apetece), e nem sempre com disciplina. Alguns deles tiveram uma leitura muito intermitente, outros li mais do que uma vez (O "Cuidado com o alemão" três vezes no espaço de duas semanas). Há um que ainda não terminei.

Mas em 2016 contrariei-me nesta tendência de leitura ao encontro das minhas necessidades. Pratiquei uma leitura mais intencional da Bíblia e menos errática. Li a primeira carta de Pedro mais de 20 vezes, toda de seguida, mesmo quando Pedro me soava a brutamontes ou não me conseguia identificar com nada do que ele estava a querer transmitir. Decorei alguns versículos que não quero esquecer e estudei-o durante uns dias na conferência da Gospel Coalition em Indianapolis com a cunhada Marta (uma das coisas muito doces de 2016, ouvir e ver algumas das pessoas que leio há uma década pela internet, e estar com o meu irmão e família no Mississipi), e mais tarde - durante 9 semanas - com o grupo de mulheres da Igreja da Lapa.

Não sei que livros lerei em 2017 (e recomendo qualquer um desta foto) mas a Bíblia no centro permanece. Tenho um caminho ainda longo a percorrer nesta história da distracção e das leituras pela internet (que nem sempre são muito producentes) mas quero aumentar esta intenção: ler o livro mais importante de todos e estudá-lo como deve ser, todos os dias.

Venha 2017!

24 dezembro 2016

A genealogia de Jesus como uma lembrança.

Chegamos ao Natal com a lembrança de que Jesus foi um ser humano?

A genealogia de Jesus ajuda-nos a recordar esta humanidade. Que embora fosse concebido de forma sobrenatural, Jesus teve uma família como nós e a sua árvore genealógica, embora bem real, não tinha muito de realeza. Que nasceu da forma mais humilde possível, que chegou em forma de um bebé.

Deus preparou este plano e cumpriu-o com todos os detalhes. Quando recordo que teve de existir primeiro Natal para depois a Páscoa, devo ter sempre presente de que não há rigorosamente nada que aconteça aqui na terra, em termos de dificuldades, que Jesus não tenha experimentado. Embora nunca tenha pecado, Jesus foi confrontado com os mesmos dilemas que eu e tu podemos viver em qualquer momento da vida. Jesus foi tentado. Jesus sofreu. Mais tarde, venceu a própria morte e deu-nos vida.
Agarremo-nos a esta certeza e enfrentemos as dificuldades com a companhia de alguém que já tudo isso experimentou.

É Natal porque Jesus um dia se tornou como um de nós. Glória nas alturas!

12 dezembro 2016

Jesus, o filho perfeito.

Quando o Natal está para chegar, não consigo evitar tentar imaginar como terá sido tudo. Não vale a pena contrariar os pensamentos com um "se não está na Bíblia é porque Deus não considerou que fosse importante saberes, Ana Rute", porque vou lá parar sempre. A verdade é que fico sempre intrigada com a forma como Deus escolhe fazer acontecer os seus planos, e no final reclino-me satisfeita. Já sei o final da história, que também é acerca de mim.

Bom, mas começando pela minha imaginação, penso sempre em Maria. Estima-se que seria uma adolescente. Como é que uma menina noiva confia mais do que os seus olhos podem ver, deixando que a sua reputação possa ser questionada por todos, é uma lição de tudo o que é a fé. É o que basta para a minha vida. Se Deus está comigo e sabe o que é melhor para mim, vou temer o quê?

Depois, estar grávida sem nunca ter tido um marido. Bem sei que os tempos eram outros e não havia grandes contemplações para as grávidas, mas como terá sido sentir um corpo todo em transformação sem em nada ter participado nisso? Como foi parir Jesus? Terá sido um parto com muitas ou poucas dores? Ganhou logo peso e mamou até que idade? Deu "boas noites" ou estava sempre a acordar?

E ser mãe de Jesus? É nesta parte que me detenho mais. Jesus foi um filho perfeito porque ele nunca pecou. Ah, quase sinto inveja de Maria. Uma mãe pecadora com um filho obediente! Alguém consegue imaginar? "Jesus, arruma o teu quarto!" - e ele arrumava. Um sonho. "Jesus, está na hora de tomar banho!" - e ele ia, sem protestos. Ma-ra-vi-lho-so! (Também penso naquela parte em que ninguém sabia dele e que o acharam no templo. Ele quase que parece indelicado. Mas não, ele dá os seus motivos e os tempos eram outros, as crianças não andavam atreladas aos pais).

Também penso me dava imenso jeito assistir a algumas cenas da infância de Jesus por uma razão: Jesus terá feito as coisas típicas de uma criança da idade dele, certo? Mas nunca errou. Portanto, podendo ver como Jesus se comportou facilmente poderíamos distinguir entre o que é típico da idade (e que devemos deixar passar) e o que é desobediência (os tempos de hoje não distinguem estas duas, e é tramadíssimo para quem quer educar um filho partindo do princípio que a sua natureza é má).

Um dos versículos que gosto mais, quando penso em Maria, é aquele em Lucas que fala de como Maria ouvia tanta coisa que os outros diziam mas que as guardava (ponderava) no seu coração. Fala-me sobre serenidade. Confiança. Certeza.

E vocês, o que pensam ou imaginam sobre esta história do Natal?






06 dezembro 2016

Fazer questão de parar. E esperar.

Tentamos abrandar o passo a caminho do Natal, mas parece que o tempo voa. Precisamos parar e voltar sempre ao mesmo início, e para isso não vamos ao anúncio do anjo a Maria. Vamos ao Éden. Relemos uma e outra vez e nunca parece o suficiente, a forma como fomos criados e a forma como nos perdemos.

Não abrandar o passo para meditar no Advento, é voltar a cair no mesmo erro que foi cometido no jardim: queremos ser como Deus, queremos ser donos do nosso tempo, queremos entreter-nos com coisas que - achamos nós - nos vão trazer felicidade. Precisamos mesmo inverter o processo. Precisamos perceber a urgência da chegada do Messias, e do privilégio que é termos a certeza de que ele veio e que já cumpriu tudo o que era necessário para nos libertar.

Não são as prendas, o bacalhau, ou até mesmo os que amamos ao nosso redor que tornarão esta época especial, mas ao contrário. Só nos juntamos e comemoramos porque esta época é especial. Marca o início de uma nova vida e uma esperança que é uma certeza.

Ou como diria Dietrich Bonhoeffer: "Uma cela de prisão, na qual alguém aguarda - e depende completamente no facto de que a porta para a liberdade só pode ser aberta do lado de fora, é uma boa imagem do que é o Advento".