22 fevereiro 2017

De outros Fevereiros


Há dez anos, estávamos quase a mudar de casa. Tinha duas bebés (uma de 2 anos e outra de 3 meses). Os dias eram passados a desejar que a mais nova não precisasse de ginástica respiratória (mas precisava quase diariamente), e a pensar no que seria o meu futuro em breve, sem perspectiva de escola para as duas e uma empresa em mudança. Havia, algures, uma ideia de uma igreja a começar, mas nada de concreto acerca do que isso seria na nossa vida. Tinha umas amigas, também na mesma fase de maternidade, com quem almoçava religiosamente uma vez por semana.

Às vezes gostava de perguntar a essa pessoa aí da fotografia o que ela pensava estar a fazer daí por 10 anos. O que gostaria de manter e o que não gostaria. É que não faço a mínima ideia. Estava a dias de fazer 30 anos e, sabia, apenas que a vida ia acontecer. Algures na minha imaturidade, não me demorava em muitos sonhos ou projectos. Talvez tenha sido bom. Não sei. Nada do pouco que imaginei foi o que Deus trouxe. Ainda estou a aprender, e quase sempre com muitos encontrões e esforço, que não sou eu que sei o que é bom para mim. É Deus. Ele está a cuidar de nós, mesmo quando nem sempre estamos tão atentos, e mesmo quando estamos em vigilância.

Dias depois engravidava do Joaquim. Adormeci muitas vezes de cansaço nesta posição no sofá, no tempo em que os desenhos animados cumpriam um papel de sobrevivência nesta casa. Adormecia encostada, adormecia na carpete, adormecia.

Hoje adormeço de outras formas (já é seguro deitar-me sem estar por perto da miudagem). Quero adormecer sempre com a segurança de que Deus está a cuidar. Adormecer cansada e acordar com forças. Deus trata de tudo em todo o tempo.

"Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno." - Hebreus 4:16

18 fevereiro 2017

E se?



Pedimos-te bênçãos.
Pedimos-te paz,
Conforto para a família,
Protecção durante o sono.
Pedimos-te cura,
E prosperidade.
Pedimos o alívio
Da tua mão poderosa.

E tu ouves sempre
Cada pedido,
Mas o teu amor é tão vasto,
Não cabe em coisas tão pequenas.

E se as tuas bênçãos
Chegarem com a chuva?
E se a tua cura
Chegar com lágrimas?
E se forem precisas
Mil noites em branco
Para sentirmos a tua presença?
E se os obstáculos da vida
Forem misericórdias disfarçadas?

Pedimos-te sabedoria
O som da tua voz
E choramos, irados, 
Se não te sentimos perto.
Duvidamos da tua bondade
E do teu amor
Como se não bastasse
A promessa da tua palavra.

E tu ouves sempre
Cada súplica desesperada
E esperas que tenhamos
A fé de acreditar.

E se as tuas bênçãos
Chegarem com a chuva?
E se a tua cura
Chegar com lágrimas?
E se forem precisas
Mil noites em branco
Para sentirmos a tua presença?
E se os obstáculos da vida
Forem misericórdias disfarçadas?


Quando os amigos nos traem
E as trevas parecem vencer 
Sabemos que a dor 
Relembra ao coração
Que este não é o nosso lar.

E se as tuas bênçãos
Chegarem com a chuva?
E se a tua cura
Chegar com lágrimas?
E se forem precisas
Mil noites em branco
Para sentirmos a tua presença?
E se os obstáculos da vida
Forem misericórdias disfarçadas?


E se as maiores desilusões,
E os sofrimentos desta vida 
Revelarem uma sede maior
Que este mundo não sacia?
E se as provações desta vida 
A chuva, as tempestades, as noites mais duras 
Forem misericórdias disfarçadas?



16 fevereiro 2017

Pormenores

No meio do caos de um quarto em reorganização (fotografei a parte que não parece caótica, claro), um dos meus filhos rapazes passa e comenta: "Compraste essa caixa com a flor? É bonita".

14 fevereiro 2017

Tremeliques

Fico sempre impressionada com a segurança com que algumas pessoas falam perante outras, mesmo quando o que têm para dizer não é assim tão importante. Parece que a facilidade é tanta, que falar mais uma vez não custa nada. É uma coisa que aborrece um bocadinho a quem pensa duas vezes antes de falar, porque quem usa o tempo de antena livremente parte do pressuposto que o tempo dos outros se pode usar assim. Não tenho essa opinião. Acho, até, que há uma grande vantagem em não se ter esse à vontade para falar: pensa-se duas vezes (ou vinte) se aquilo que vamos dizer é assim tão importante. Muitas vezes, não é. Quando é, e se ganha coragem, corre-se o risco de nem sempre dizer as coisas com a mesma certeza. Mas não faz mal. Se é para dizer a verdade, ou algo importante, diz-se na mesma, ainda que a voz trema.

09 fevereiro 2017

Era uma vez dois feijões


Recordo-me do dia em que, na escola primária, fizemos experiências com os nossos feijões. Um ficava exposto ao sol, outro dentro do cacifo da professora (que tinha umas frinchas no cimo), outro no corredor. Todos eram regados da mesma forma e o objectivo era ver como se desenvolviam. Foi engraçado perceber como reagiam, consoante o meio onde estavam e a quantidade de água que recebiam.

Em Dezembro passado, os nossos rapazes também trouxeram dois feijões da escola, e ficaram de tratar deles, junto à janela da cozinha, para ver como se desenvolviam. A preocupação diária em os regarem era tanta, que acabaram por encharcá-los umas quantas vezes, em dias em que o sol não espreitou propriamente.

A dada altura colocámos uma estaca no feijoeiro que crescia a maior velocidade, e esperei pelo dia em que os deitaria no lixo, que já não se desenvolveriam mais. Mas eles continuaram e tive, até de trocar os pequenos recipientes de vidro e acrescentar mais terra. Estão, agora, com umas florinhas amorosas e simples, que comovem até corações descrentes como o meu, no que toca a plantas dentro de casa.


Recordo aquele versículo que nos lembra sobre a ansiedade que tantas vezes temos com o amanhã. Que se Deus cuida dos lírios do campo, que não trabalham, quanto mais não cuidará de nós?

O da esquerda é do Caleb e o da direita é do Joaquim. Parece-me que escolheram crescer em função da estatura dos respectivos donos.

03 fevereiro 2017

Joaquim, 9 anos



O Joaquim desenha estas coisas num piscar de olhos.
Tudo na vida dele tem Lucky Luke, de há um ano - ou mais - para cá.