07 março 2017

40 anos

Cheguei a este número bonito.

Numa fase da vida em que sinto o peso da responsabilidade como nunca antes (é isto a maturidade, pessoas maduras?), em que aquilo para que vivo foi algo que veio ter comigo e não uma escolha. Sim, deixei de trabalhar fora de casa. Sim, faço trabalhos em casa ocasionalmente, mas aquilo a que sou chamada a ser, em primeiro lugar (tapem os ouvidos as capazes deste Portugal), é a ser mulher e mãe. Depois, vem a vocação que Deus tem alargado, num misto de muito trambolhão, cabeçadas, cansaço, noites mal dormidas, horários fora do normal.

Vivo, com o meu marido, para servir Deus em todo o tempo. Servimos na nossa família, servimos ao nosso redor, servimos na Igreja, e a Igreja são pessoas. Servir pessoas e estar com elas não é necessariamente ter intimidade, empatia, constância com todas, mas é cuidar de formas diferentes, é saber ter de lidar com expectativas que criam acerca de nós e que nunca se poderão concretizar, é gastar tempo a carregar os seus fardos, é orar. Isto é cansativo e vive-se com muito recato, porque o sigilo assim exige.

A Bíblia bem que ensina mas foi preciso aprender por mim que ter um sentimento constante de incapacidade é essencial (e não uma fraqueza) para poder depender cada vez mais de Deus e menos  nas minhas forças para estas coisas todas acontecerem. Tenho um marido que, mesmo que se abale, não vacila neste amor pelo nosso Deus, e isso traz-me muita confiança e segurança, é para isto que existimos e somos chamados. Isso não me retira a fragilidade, mas fortalece-me (o apóstolo Paulo sabia bem quando escrevia que quando estava fraco, então era forte) e é a essa esperança que me agarro.

Não sei quantos dias tenho deste lado de cá. Mas quero saber gozá-los bem e ansiar pelo dia em que poderei ver o rosto de Jesus, o meu querido Salvador. Deus me ajude a "contar os meus dias, para que possa alcançar um coração sábio" - Salmo 90:12

A gratidão é muita.