17 dezembro 2017

Advento, dia 17.



Naamã era um homem muito importante, pertencia a um exército importante, de uma cidade importante. Como podes ver, ele era uma pessoa muito, muito importante.

Mas Naamã estava doente. Tinha lepra, que é uma doença contagiosa que impede de começar a sentir partes do corpo. Pequenas partes começam a cair sem se dar conta. Pedaços de dedo, de pele, de corpo. Parece uma coisa cómica de acontecer, mas Naamã não achava graça nenhuma a isto. A lepra não tinha cura, só piorava e acabava por matar quem a tinha.

Havia uma pequena criada que trabalhava para Naamã e ela sabia de alguém que o poderia ajudar. Mas havia um problema: Naamã era seu inimigo.Não muito tempo antes, Naamã tinha deixado que invadissem a casa desta menina. Mataram toda a sua família, raptaram-na da Síria, e tinham-na tornado escrava. Todos os dias, esta menina adormecia a chorar – tinha perdido tudo o que tinha.

Por que razão quereria ela, de entre todas as pessoas no mundo, ajudar Naamã? Será que ela não o odiava por tudo o que ele tinha feito? Não quereria vingança? Não quereria fazê-lo pagar por tudo o que tinha feito?

Era isto que nós esperaríamos, no mínimo. Mas em vez de o odiar, esta menina amava Naamã. Em vez de desejar vingança, ela perdoou-o. “Quero que Naamã melhore”, disse a menina à sua patroa. “Há um homem em Israel chamado Eliseu que o pode ajudar a ficar bom.”

“Vou lá” disse Naamã. “Mas vou ao palácio, porque é lá que pode estar alguém importante que me ajude.”Então ele apressou-se a ir ter com o rei. “Quero a minha cura, por favor!”.

“Posso fazer muitas coisas!” respondeu o rei. “Mas apenas Deus pode curar.”
Naquele preciso momento, chegou uma mensagem de Eliseu: “Digam a Naamã que venha ter comigo.”

Então Naamã foi logo ao encontro de Eliseu. Mas Eliseu não apareceu para o cumprimentar sequer, enviou um criado no seu lugar. “Será que Eliseu não tem a noção de quem eu sou?”, pensou Naamã.Mas o que o criado lhe transmitiu, ainda o enervou mais. “Toma banho neste rio!”

“Tomar banho?” Naamã riu-se. “Neste rio malcheiroso?” Olhou em volta para tentar perceber se isto era uma brincadeira. Mas não era. “Qualquer um se pode lavar no rio!” pensou ele, “Eu sou Naamã, sou importante. Deveria fazer algo especial para que Deus me curasse!”

Então partiu cheio de raiva. (Claro que eu e tu sabemos a forma como Deus trabalha. Naamã necessitava de uma coisa que não tinha).

Deus sabia que Naamã estava a ficar cada vez mais doente, tanto no exterior, como no interior. Naamã era orgulhoso. Pensava que não precisava de Deus. O seu coração não estava bem, era insensível. Na verdade, Naamã também tinha lepra no coração. Deus preparava-se para o curar não só no seu corpo como no seu interior.

Naamã finalmente acedeu em lavar-se no rio, e quase instantaneamente, a sua pele ficou lisinha como a de um bebé. Naamã queria pagar a Eliseu.

“Deus curou-te. Isso não se paga. É gratuito!”, disse Eliseu.
E assim foi a história de um homem que foi curado graças à sua pequena criada que o perdoou.

Deus sabia que o pecado era como lepra. Fazia com que os corações das pessoas deixassem de funcionar bem, e em última instância, iria matá-las. Anos mais tarde,Deus iria enviar um outro servo, que perdoasse como esta menina fez, que perdoasse todos os pecados da humanidade, de forma a curar os seus corações. Os seus corações estavam doentes.

E apenas Deus pode tratar de os curar.