04 dezembro 2017

Advento, dia 4.



O tempo passou e a terra foi-se enchendo de pessoas. Por todo o lado, todos se tinham esquecido de Deus e só faziam coisas más o tempo todo. O coração de Deus entristecia-se ao ver o que estava a acontecer com o mundo que tinha criado. Por todo o lado havia doenças, destruição e morte – coisas que Deus abomina.

 Mas havia um homem que amava Deus (uma coisa rara por aqueles dias). Noé ouvia Deus. Conversava com Deus. Gostava de estar na presença de Deus, da mesma forma que gostamos quando estamos com o nosso melhor amigo.

“Noé”, disse Deus, “O cenário está desastroso. As pessoas encheram o meu mundo com ódio em vez de amor. Estão a destruir-se a elas próprias… umas às outras… e ao mundo. Tenho de acabar com isto. Primeiro, vamos construir uma arca”. (Sabes como construir uma arca? Noé também não sabia. Mas Deus sabia e iria ensinar-lhe.) “Vem aí uma tempestade”, Deus disse a Noé. “Mas irei salvar-te. Prometo. Irão contigo todo o tipo de animais, desde os que rastejam, aos que galopam, aos que saltitam e aos que trepam. Não te esqueças de armazenar comida para todos”.

A tempestade iria lavar todo o ódio, tristeza, e tudo o que tinha corrido errado, e iria tornar o mundo num lugar limpo novamente. Deus já tinha um plano para manter Noé a salvo, mas Noé tinha de confiar completamente em Deus e fazer exactamente o que ele iria mandar.

Então, Noé construiu uma arca. Os vizinhos apareciam para observar… apontar e troçar, simplesmente porque eles não acreditavam no que Noé dizia acerca deste barco… nem desta tempestade… ou até da necessidade de serem salvos. Este barco estava a ser construído no deserto, e o deserto não ficava minimamente perto do mar, além de que não se vislumbravam nuvens no céu. Se ninguém precisava sequer de um guarda-chuva, quanto mais de um barco? Mas Noé não se importava com o que os outros pensavam. Ele preocupava-se com o que Deus pensava. E então, ele limitou-se a fazer o que Deus mandou.

Quando a arca ficou pronta, Deus disse: “Todos a bordo!” e Noé e a sua família e animais entraram para dentro da arca. E Deus fechou a porta. Começou a chover – durante minutos, horas, dias, semanas e semanas… A chuva juntou-se aos rios, aos lagos, e subiu de tal forma que cobriu o mundo inteiro. O barco que parecia grande, de repente parecia tão pequenino. Mas no meio da grande tempestade, das enormes ondas, no meio de todos os relâmpagos e trovões, Deus estava a cuidar de Noé e da sua família.

Finalmente, a chuva parou. O sol apareceu, Noé abriu a janela e todos gritaram: “Viva!” Noé enviou uma pomba para sair e explorar, e não demorou muito a que a pomba voltasse com uma folha de oliveira no bico. Eles sabiam exactamente o que isto queria dizer: a pomba tinha encontrado uma árvore, terra! A água estava a descer.Por fim, o barco assentou no cimo de uma grande montanha. Assim que ficou seguro, Deus disse: “Podem sair!”. Então eles saíram, contentes, a dançar e a pular.

A primeira coisa que Noé fez,  foi agradecer a Deus por os ter mantido a salvo, tal como tinha prometido. E a primeira coisa que Deus fez, foi uma nova promessa: “Nunca mais destruirei o mundo.” E tal como um guerreiro que pousa a sua flecha e o seu arco no fim de uma grande batalha, Deus disse: “Vês, pendurei o meu arco nas nuvens. “E lá em cima, no meio das nuvens – naquele lugar onde a tempestade se encontra com o sol – estava um bonito arco-íris cheio de luz.

Era um novo começo no mundo de Deus.

Não demorou muito que as coisas começassem a piorar, mas Deus não estava surpreendido, ele já sabia o que ia acontecer. Foi por isso que antes do início de tudo, Deus já tinha um plano – um plano melhor. Um plano, não para destruir o mundo, mas para o resgatar. Um plano para um dia enviar o seu filho, o salvador. Deus iria zangar-se mais uma vez contra o ódio, a maldade, a tristeza, a morte. Mas não iria zangar-se com o seu povo.
Não, a flecha de Deus já não estaria apontada para o seu povo. A flecha iria estar apontada para o coração do céu.