05 dezembro 2017

Advento, dia 5.


Noé e a sua família permaneceram na terra, tiveram filhos, os seus filhos tiveram filhos, que por sua vez tiveram mais filhos. Já percebeste a ideia, a terra estava novamente cheia de pessoas. Até essa altura, todos falavam a mesma língua. Ninguém precisava aprender inglês ou japonês, porque bastava dizer “olá!” e toda a gente se compreendia.

Um dia, algumas pessoas estavam a falar e tiveram uma ideia: “Vamos construir uma cidade bonita para vivermos! Será a nossa nova casa. Ficaremos seguros para todo o sempre.” E tiveram outra ideia: “Vamos construir uma torre que chegue ao céu”. “Sim, sim!”, disseram. “Depois diremos: “Olhem para nós aqui em cima!”. E olharemos para baixo, e todos irão ver como somos importantes. Seremos como Deus. Famosos e a salvo, felizes como nunca, tudo será maravilhoso”. Então, começaram a trabalhar. Tijolo a tijolo, a torre foi crescendo, até que ficou acima da cidade, quase a tocar no céu. Construíram escadas na torre para conseguirem chegar mesmo ao topo. Era como uma escada gigante para o céu. “Vejam!”, diziam, enquanto brindavam. “Somos o máximo! Vejam só o que somos capazes de construir com as nossas próprias mãos!” Estavam muito orgulhosos deles próprios.

Mas Deus não estava nada agradado com eles. Deus via tudo o que estavam a fazer. Na verdade, eles estavam a tentar viver sem Deus, mas Deus sabia que sem ele, nada os faria felizes, seguros, completos. Se continuassem por este caminho, apenas se destruiriam a eles próprios, e Deus não ia deixar isso acontecer. Então interrompeu estes planos.

Uma manhã, eles saíram para trabalhar, como habitualmente, mas tudo estava diferente. As palavras que lhes saíam das bocas eram novas e engraçadas. Deus tinha dado a cada pessoa uma nova linguagem. De repente, não se entendiam uns aos outros. Alguém perguntava: "Como é que estás?" e a outra pessoa pensava que tinha ouvido: "És tão feio!" Não teve graça nenhuma. Imagina estares a dizer que está uma linda manhã e receberes em troca um soco no nariz, porque a pessoa tinha percebido: "Despacha-te, és tão aborrecido!" (Nem sequer poderias dizer: Pardon? para certificares que tinhas ouvido bem, porque ninguém iria compreender mesmo essa palavra).

Não era fácil continuarem a trabalhar depois de isto ter acontecido. A partir daí, todos discutiam e embirravam, sem se conseguirem entender, até ao dia em que tiveram de desistir de prosseguir com a construção da torre.

Depois disso, as pessoas espalharam-se por todos os lugares do mundo (e foi assim que acabámos a ter tantas línguas em tantos lugares). Tudo isto porque Deus sabia que não importava o quão alto que chegassem, o muito que se esforçassem, as pessoas nunca poderiam voltar para o céu pelas suas próprias forças.

As pessoas não precisavam de uma escada gigante; precisavam de um salvador. Porque o caminho de regresso ao céu não era feito através de uma escadaria, mas de uma pessoa. As pessoas, só por si, nunca conseguiriam chegar ao céu, por isso era necessário o céu vir até elas.

E um dia, viria mesmo.