06 dezembro 2017

Advento, dia 6.

Os anos passaram e as coisas não melhoraram. As pessoas eram más e cruéis umas com as outras. Continuavam a adoecer e a morrer. O mundo de Deus continuava a encher-se de lágrimas. Mas Deus preparava-se para fazer algo quanto a isto. Ele iria transformar todas as coisas erradas em certas, e ele iria fazer isto através… de uma família.

“Abraão”, disse Deus, “Quantas estrelas consegues contar ali no céu?”
(Deus preparava-se para dizer a este amigo um segredo fantástico)
“Deixa-me ver…”, disse Abraão enquanto arregaçava as mangas.
(Já tentaste contar as estrelas? Então sabes como é difícil!)
“993, 994, 995…” ele perdia a conta. “São muitas!” disse ele.
“Imagina!” disse Deus, enquanto soltava uma gargalhada. “Vou dar-te tantos filhos, tantos filhos aos teus filhos, e ainda mais filhos aos filhos dos teus filhos, que não serás capaz de os contar”.

Abraão ficou entusiasmado com a ideia. Mas parou para pensar. Como é que ele iria ter uma família? Ele não tinha filhos, quanto mais netos. Limpou uma lágrima. Feitas as contas, era tarde demais para começar a ter bebés. Ele já tinha 99 anos! O que é que Deus estava a querer dizer com isto?

“Abraão”, disse Deus. “Acredita em mim”. E então, Deus contou a Abraão acerca do seu plano secreto de resgate. “Abraão, vou transformar a tua família numa família numerosa”, prometeu Deus. “Até que um dia, a tua família seja tão grande quanto o número de estrelas no céu”. Abraão olhou para o céu escuro, carregado de estrelas. “Tu farás parte da minha família especial, do meu povo, e através de ti todos na terra serão abençoados!”

Era uma promessa incrível, esta. Deus iria resgatar o mundo inteiro através da família de Abraão. Um dos filhos dos filhos dos seus filhos seria a criança prometida, o salvador.

“Isto é tudo tão maravilhoso!”, disse Abraão. “Como é que pode ser mesmo verdade?”

“Há alguma coisa demasiado boa para ser verdade?” perguntou Deus. “Há alguma coisa demasiado boa que eu não possa fazer?”

 Então Abraão confiou em Deus mais do que os seus próprios olhos conseguiam ver. E ele acreditou nesta promessa.

Quando a mulher de Abraão, Sara, ouviu falar desta promessa riu-se para si própria. Mas não se riu de alegria, este riso vinha acompanhado de lágrimas de tristeza. Sara sempre tinha ansiado ter um bebé, será que o seu sonho se poderia mesmo realizar? Será que era agora aos 90 anos de idade que iria gerar um filho? Não, claro que não, não sejamos tontos, era tarde demais. Sara não acreditava que Deus iria fazer o que tinha prometido. Tinha-se esquecido que quando Deus promete algo, ele vai mesmo cumprir.

(E claro que para Deus era fácil oferecer um bebé rapaz a Sara, tal como para ele tinha sido muito simples criar todas as estrelas do céu).

Pouco tempo depois, tal como Deus tinha prometido, Sara deu à luz um bebé rapaz. Deram-lhe o nome de Isaac, que significa: “filho do riso”. E Sara riu. Mas desta vez, era um sorriso glorioso de alegria. Deus faria o que prometeu. Cuidaria sempre da família de Abraão, o seu povo especial.

E um dia, Deus enviaria um outro bebé. Um bebé rapaz prometido a uma jovem que nem sequer tinha marido. E este bebé traria riso a todo o mundo. Este bebé tornaria os sonhos de todos realidade.