07 dezembro 2017

Advento, dia 7.

Deus sabia que para o seu plano de resgate funcionar, Abraão teria de confiar nele completamente. Deus tinha de se certificar que Abraão fazia exactamente o que ele ordenava. Então, uns anos mais tarde, Deus pediu a Abraão que lhe oferecesse um presente.

Abraão gostava de oferecer presentes a Deus. Costumava oferecer-lhe os seus animais. Nessa altura chamavam-se estes presentes: "sacrifícios". Estes sacrifícios eram formas de dizer a Deus: "Amo-te!" Mas desta vez Deus não queria uma ovelha ou uma cabra, Deus queria que Abraão lhe desse algo mais valioso - muito mais. Ele queria que Abraão lhe desse o seu filho, o seu único filho, o filho que ele tanto amava - Isaac.

Colocar este rapazinho no altar e matá-lo como sacrifício? Como é que Deus podia querer que Abraão fizesse uma coisa tão horrível? Abraão não conseguia compreender. Mas ele sabia que Deus era o seu pai e que o amava. Então, Abraão confiou em Deus.

Na manhã seguinte, bem cedo, Abraão e Isaac saíram, subindo a íngreme e pedregosa montanha. Isaac carregava às costas a lenha, o seu pai carregava a faca e as coisas necessárias para atear o fogo. "Papá", disse Isaac, "temos tudo menos a ovelha para o sacrifício." "Deus irá providenciar a ovelha, filho." Construíram um altar e colocaram a lenha em cima. Abraão pediu ao filho para trepar para o topo e deitar-se. Isaac não compreendia este pedido do pai, mas ele sabia o quanto ele o amava. Então, confiou nele.

Abraão amarrou o filho em cima da lenha. Isaac não tentou lutar ou fugir, ficou sossegado e permaneceu deitado, sem um único som de protesto. Tudo estava pronto. Abraão pegou na faca. Os seus olhos enchiam-se de lágrimas. O seu coração despedaçava-se com dor. A sua mão tremia. Ele levantou a mão com a faca no ar... "PÁRA!" disse Deus. "Não faças mal ao rapaz. Quero que ele viva e não que morra. Agora eu sei o quanto me amas porque estavas disposto a entregar-me o teu único filho."

O coração de Abraão pulava de alegria. Desatou Isaac e abraçou-se a ele. Soluçava e tremia pelo corpo todo. As lágrimas não paravam de cair. E por algum tempo, ficaram ali, nos braços um do outro. O rapaz e o seu pai.

De repente, Abraão viu um cordeiro que tinha ficado preso nas silvas - era o sacrifício. Deus tinha-lhes providenciado o que eles precisavam, mesmo na hora exacta. O cordeiro iria morrer no lugar de Isaac. E então, Abraão sacrificou o cordeiro. Enquanto se sentavam no topo da montanha, as cinzas da fogueira iam morrendo no frio da noite e as estrelas cintilavam acima deles no céu azul veludo, Deus ajudava a que Abraão e Isaac compreendessem que queria que o seu povo vivesse, não que morresse. Deus queria resgatar o seu povo, não castigá-lo. Mas o povo precisava confiar nele.

"Um dia, alguém nascerá na tua família e trará alegria ao mundo inteiro." Deus preparava-se para dar ao mundo inteiro um presente maravilhoso. Seria a forma de Deus dizer às pessoas: "Amo-vos".

Muitos anos mais tarde, um outro filho iria trepar ao cimo de outra montanha; este filho iria confiar no seu pai e fazer tudo o que ele lhe iria pedir. Este filho também não iria lutar ou tentar fugir.

Quem era este filho? O filho de Deus, o seu único filho - o filho que ele tanto amava.
O cordeiro de Deus.