19 março 2018

Dor - Paciência - Espera - Confiança



Quando, agora no início do ano de 2018, comecei a estudar a carta de Tiago com as minhas amigas-irmãs da Lapa, e chegámos a este versículo : "recebei com mansidão a palavra em vós enxertada" (Tiago 1:21), e no caderno do estudo perguntava: "Com que postura devemos receber a palavra enxertada de Deus?", foi como se de repente me fosse mostrada uma parte da Bíblia que eu nunca tinha compreendido tão bem. Isto passa a vida a acontecer, porque a palavra de Deus é viva e se revela a cada um de diferentes formas através do Espírito, mas tudo fica mais claro quando pudemos experimentar esta realidade numa área da nossa vida.

No último ano e meio, andei naquilo a que chamei carinhosamente no meu instagram #asagadosossos (a saga dos ossos). Abreviando o que não é assim tão importante, passei por vários enxertos ósseos e gengivais no maxilar superior, num processo que deveria ter sido curto mas com muitos contratempos, dores e espera. Aprendi bastante sobre a relativização da dor (mesmo já tendo passado por partos sem epidural, esta foi toda uma nova realidade), e foi um caminho de alguma humilhação, até porque pelo meio deixei de poder comer as coisas que mais gostava, fiquei fisicamente alterada (os meus filhos dizem que a dada altura eu estava igual ao Grinch), e as minhas forças estiveram no limite uma data de semanas.

Quando Tiago escreve que devemos receber a palavra de Deus que nos vai ser enxertada, e que o  devemos fazer com mansidão, é isto mesmo: para que os enxertos ósseos que fiz se fixassem, levei alguma pancada, e tive de esperar e confiar que tudo ia ficar bem. De pouco me adiantava lamentar o estado das coisas, de pouco me servia reclamar porque o meu processo estava muito mais complicado que o normal. Tiago diz que para a fé ser genuína, ela precisa de ser enxertada em nós (não nos é natural), que é um processo demorado, contínuo, e sobretudo doloroso. A atitude que temos no processo é fundamental.

A chamada #sagadosossos chegou ao fim há uns dias, mas a minha caminhada na fé não. Sou agradecida porque encerrei um capítulo que me ajudou a compreender muito melhor aquilo que a minha caminhada cristã deve ser. Com paciência, mansidão no meio da dor e a confiança em Deus, que está no controlo de tudo, mesmo quando não estamos assim tão certos de qual vai ser o desfecho final.