06 março 2018

Ontem completei 41 anos


Ontem completei 41 anos.
Durante muito tempo fazia orações a Deus que, na verdade, não queria ver respondidas. Ou achava eu que podia ter respostas simples a pedidos complexos. Pedia-lhe que me desse mais dele, e menos de mim - a tentar contrariar o anúncio do leite matinal - mas queria continuar cheia de mim e preencher os buraquinhos vazios com ele.

Durante muito tempo comportei-me como o povo no deserto, que não satisfeito com as provas que tinha da providência divina, guardou o maná que sabia que tinha de ser consumido naquele dia, para o dia seguinte. Achava eu que era melhor ir sempre guardando um bocadinho da graça, não fosse faltar-me para o futuro. Por causa disso, não vivia suficientemente grata no presente e constantemente a interrogar-me com o futuro.

Durante quase toda a vida quis acreditar que a cruz de Cristo me seria suficiente, mas que as consequências de a aceitar poderiam ser vividas quando tivesse mais vagar e maturidade.Como quem contrai um empréstimo, usufrui do dinheiro mas só o começa a pagar mais tarde.
Deus sabia que responder a estas coisas todas implicaria tirar-me bastantes. Algumas, que eu achava serem fundamentais, não eram. Outras, que não via como dádivas, passei a apreciar. Em todo o tempo, mas especialmente nessas alturas, vejo melhor o seu amor, vivo mais a sua graça, bebo sofregamente da sua misericórdia.

As minhas orações são hoje, mais cuidadosas. Estremeço tantas vezes vezes neste caminho de obediência tropeçada.
Peço-lhe constantemente que me ajude a depender só do seu amor, e nada do reconhecimento dos outros. Ainda assim, o seu amor superabunda - também - através dos que me rodeiam.

Tenho muito que agradecer. Quero e creio que a graça de Jesus continuará a bastar-me.
Bastou ontem, basta hoje, e bastará todos os dias em que viver.