13 março 2018

Os aniversários estão sobrevalorizados



Quem já falou comigo sobre este assunto, sabe que reajo um bocadinho a comemoração de aniversários. Não me entendam mal: não sou contra festas. Mas acho que nos dias de hoje se dá uma importância exagerada ao dia e à forma de o comemorar. Chega a ser uma ofensa para alguns, haver algum tipo de esquecimento, desvalorização ou falta de comparência. Um dia sagrado.

Reconhecer os que amamos e sermos reconhecidos deve ser uma coisa presente no dia-a-dia e presentear com generosidade é um conceito que, quanto a mim, deve ser bastante alargado e até vivido. Pode ser com um postal, uma nota de apreciação, um prato de comida favorito, uma oferta de ajuda, uma oração. Sabem qual o melhor presente que me podem dar? Dizer que oram por mim. Nada me emociona e conforta mais.

Tentamos cultivar este hábito de maior simplicidade em família, não sendo escravos de festas ou presentes mas escolhendo passeios, ou de como nos apetecer estar. Ainda temos um longo caminho a percorrer, mas temos feito algumas mudanças nos últimos anos. Já aconteceu convidarmos um amigo especial de um dos miúdos (ou umas amigas próximas) para passar o dia, fazermos um piquenique, ver um filme, comermos fora. Não é preciso muito mais. Evitamos mega presentes e a expectativa do dia estar debaixo disso. Criar memórias para o futuro constrói muito mais do que super embrulhos que perdem interesse em pouco tempo, atafulham quartos e promovem a ideia de abundância e felicidade estarem directamente relacionadas.

Para isto tudo, precisamos dar o exemplo e eu sou grande entusiasta de o viver (chamem-me do contra, que não me importo nada!). Deus tem-me feito a vontade e, então, nos últimos anos tem-me oferecido dias de aniversário bem sui generis. Tenho tido dias que me fazem agradecer mais os que tenho junto a mim, os que cuidam de mim e dos meus e que estão lá neste dia e nos outros todos também.

Para o que for preciso. Só assim se explica que tenham vindo parar cá a casa dois bolos, à minha medida.