18 maio 2018

Muito mais. Muito menos.

Tenho muito mais do que alguma vez imaginei. Também tenho muito menos do que alguma vez imaginei.

Sempre imaginei ter uma família, com filhos. Mas duvidava seriamente que seria capaz de encontrar um marido ou sequer de manter uma vida a longo prazo (e isto tinha claramente a ver com a noção que eu tinha das minhas imperfeições). Se por um lado me assustava uma vida sozinha, por outro achava que me iria safar. Projectei muita coisa mas nada se concretizou como eu achava. Uma coisa tinha por garantida na minha cabeça: iria ser independente e, desde que me fosse dada saúde, sustento nunca me faltaria. Duvidava das minhas capacidades de conciliação amorosa, não duvidava do meu eventual mérito pelo resto da vida.

Uma confusão arrumar estas coisas todas. Deus deu-me, de facto, um marido. Que ao longo destes (quase) 16 anos, tem-me amado mais do que eu poderia imaginar ser possível. Que cuida de mim e acredita em mim mais do que eu, na maior parte das vezes. Deus deu-me filhos, mais do que a conta que eu fiz (na verdade, não havia contas na minha cabeça). Eles ensinam-me todos os dias que tenho mais do que mereço. Perdoam-me, também, todos os dias.

Tenho menos de mim do que projectei e mais do que Deus quer de mim. E isso é bom, ainda que seja tão imperfeito no presente. É melhor do que ontem e - pela fé - será melhor amanhã. Não porque é tudo bom, fácil ou harmonioso, mas porque é o que Deus tem para quem o ama.

(Foto tirada pelo Jónatas Luzia, na Igreja da Lapa, a 12 de Maio de 2018)