28 setembro 2011

Um barco à vela, a maternidade.

Tendo ou não muita experiência com crianças, sabendo muito bem aquilo que queremos ser enquanto pais, a verdade é que só o sabemos, e vamos aprendendo à medida que eles crescem. Os filhos trazem consigo todo um mundo novo, no qual nos podemos até identificar nos defeitos ou qualidades, ou nem por isso. Colocam constantemente em causa a educação que lhes damos, aquilo que queremos para a vida, e trazem consigo um desafio constante para nos colocarmos em causa. Nunca, em toda a minha vida, pensei naquilo que realmente sou, como hoje.

Com os bebés, é fácil. Vejo pais recentes cheios de certezas, como eu as tive. Os bebés choram e gritam, fazem umas birras, e nós combatemo-las. E fica por aí. As crianças, essas crescem com o pecado original bem embutido, e com a propensão para fazer coisas erradas. Não me venham com a história de que o ser humano é infinitamente bom. A verdade é que fomos criados à imagem e semelhança de Deus, mas fizemos burrada e da grande. E por isso, vivemos com esse constante desafio: o de combatermos as nossas tentações, e de nos querermos encher de coisas que nos satisfaçam.

Quando vejo amigos que ainda não são pais, ou que o são há pouco tempo, sorrio. Ainda só vou nesta caminhada há 7 anos e não se avizinha fácil. A disciplina, nos dias que correm, é uma coisa relativizada, as crianças têm uma tolerância nunca antes vista, há um facilitismo preocupante.

Sempre que um filho erra, somos também colocados em cheque. Sentimos o peso social de quem observa e julga. Não gostamos, não nos revemos naquilo que lhe ensinámos. Depois, vem aquela primeira desilusão com uma asneira cometida, mais séria, que não esperávamos. E colocamo-nos em cheque outra vez. E mais outra, e mais outra.

O caminho espera-se difícil, mas cheio de recompensas pelo meio. A Bíblia diz que devemos ensinar o menino no caminho que deve andar, para que mais tarde não se desvie dele. Não facilitar é o lema que se impõe. Remar contra a maré, é ao que nos soa a maior parte do tempo.