22 novembro 2011

My little Jack.

Recordo-me como se fosse neste instante, do sentimento que tive quando vi um bebé de 12 semanas e 5 dias no ecrã ecográfico, sem saber que estava grávida. Não foi o Joaquim que eu vi ali, foi um empecilho à minha vida. Desejei muito que ele não existisse, que fosse um engano. Estava sozinha, e quando me levantei da marquesa, queria gritar e chorar, mas não podia.

Quando liguei ao Tiago, numa calma mal disfarçada, desejei desespero do outro lado. Reacção que ele não teve. Andámos uma semana aqui em casa muito calados. Chorei muitas lágrimas, até começar a desejar soluções. Despedir-me do meu emprego foi um alívio, enfrentar as reacções das pessoas um grande desafio. Com a gravidez do Joaquim, enfrentei pela primeira vez problemas na minha saúde, que se repercutem até hoje. A chegada dele foi um bálsamo, às 35 semanas. Foi sempre um bebé muito calmo, e perdoei-me por todos os sentimentos que tive, assim que o vi.

Os meses que se seguiram foram muito cansativos, mas também muito felizes. O meu casamento ganhou uma consistência que nunca tinha tido antes e ficámos mais unidos do que nunca. A chegada do Joaquim permitiu-nos aprender muitas lições, mas a maior de todas é que não existem conceitos, ideais, planos que Deus não possa virar do avesso e torná-los harmoniosos.

O Joaquim é um miúdo doce, que encanta por onde passa. Ainda hoje, na sua virilidade, quer colo e mimos. Fica feliz com coisas muito pequeninas, e emociona-se quando lhe oferecem prendas. É o nosso primeiro rapaz e enche os nossos dias de luz, muita luz.