"Eu compreendo aqueles que querem ser rigorosamente e distintamente Cristãos, que querem libertar-se do mundo e de qualquer raiz pagã que possa estar por trás da nossa celebração do Natal, mas não vou por esse caminho nesta questão, porque penso que a certa altura as raízes já estão de tal forma distantes que o significado presente não acarreta mais nenhuma conotação pagã. Fico mais preocupado com um novo paganismo que se sobreponha a feriados cristãos.
Eis um exemplo que eu uso: todos os idiomas têm raízes em algum lugar. A maioria dos nossos dias da semana [em inglês] —se não todos— também têm origem em nomes pagãos. Deveríamos então deixar de usar a palavra “Sunday” (domingo) por ela poder ter estado relacionada com a adoração ao Sol num tempo distante? No inglês moderno, “Sunday” (domingo) já não tem aquela conotação, e é essa a própria natureza da linguagem. De certa forma, os feriados são como uma linguagem cronológica.
O Natal significa agora que marcamos, de uma forma cristã, o nascimento de Jesus Cristo. Penso que o nascimento, a morte e a ressurreição de Cristo são os eventos mais importantes na história humana. Não os marcar de alguma forma, através de uma celebração especial, parece-me que seria insensatez.
Lembro-me de, nos tempos de seminário, ter tido um vizinho que não comemorava os aniversários do filho. A ideia era, em parte, que todos os dias eram especiais para a criança. Mas se todos os dias são especiais, então provavelmente significa que não há dias especiais. Contudo, há coisas tão boas e preciosas — como aniversários e até mesmo mortes — que são dignas de serem marcadas. Quanto mais marcantes não são o nascimento e a morte de Jesus Cristo!
Na realidade, vale a pena o risco, mesmo que a data de 25 de Dezembro tenha sido escolhida por causa da sua proximidade com algum tipo de festival pagão. Vamos apenas tomá-la, santificá-la e aproveitá-la da melhor forma, porque Cristo é digno de ser celebrado no seu nascimento.
Não faz sentido escolher outra data. Não vai funcionar."
Original aqui.