13 novembro 2017

A internet pode ser uma coisa estranha



Tenho um blogue há 14 anos. Criei-o antes de ser mãe, e de ainda nem fazer ideia se isso ia ser uma possibilidade. Durante uns anos, escrevia de forma privada. Depois, moderei o que escrevia e ficou pública. Perdi completamente a noção de onde isto poderia chegar (embora nos tempos do Technorati ter a informação de leitores além fronteiras).

Houve um tempo em que a matéria para escrever era imensa e partilhável. Quando temos filhos pequenos, há muita coisa engraçada e que vale a pena registar. Quando me esqueço de alguns detalhes mais específicos, é fácil encontrá-los aqui.

Embora o registo que escolhi aqui partilhar seja o das coisas que mais tarde gostaria de recordar, não será preciso muito esforço para encontrar pequenos queixumes, ou períodos de desânimo. Nunca quis que fossem o registo deste pedaço, não porque queria passar a imagem de uma vida era perfeita, mas porque achei que esse não deveria ser o local.
- primeiro computador, primeira casa.-

Continuo a ter essa opinião. Estamos numa fase diferente da vida. Quando me perguntam pelas crianças, há quem faça o sinal das "aspas" com os dedos das mãos. Eles têm agora entre 13 e 7 anos. Ainda são crianças, mas já muitos os vêem como crescidos. São pequenas pessoas com opiniões, gostos e personalidades. Tudo cada vez mais marcado. A liberdade de partilha do que cada um diz e faz, estreita-se - obviamente.

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Quando me leio no período das fraldas, sopas e mil e um sacos e carrinhos à saída de casa, recordo-me de ansiar pelo desfralde, pela autonomia a comer, por uma refeição sem um copo de água entornado, por uma manhã de sábado na cama. Achava eu - que inocência - que esses seriam os tempos mais cansativos. Eram, de facto, tempos exigentes no nosso descanso físico. Mas hoje percebo: eram apenas um aperitivo de preocupações maiores. Hoje acordamos tarde ao sábado, verdade. Eles preparam o pequeno-almoço deles e respeitam o nosso descanso. Ainda precisam de ser lembrados de todas as tarefas que precisam fazer, e dos banhos por tomar. Mas isso é logística.

São pessoas em formação. Demonstram o que esperam, desejam, anseiam, e nós tentamos ajudá-los a crescer com a perspectiva do céu. Não há maior preocupação na minha vida que a de formar bons cristãos. Se gostava que tivessem vidas boas, com oportunidades? Gostava. É o mais importante? Não é. Vejo corações como o meu: que precisam constantemente de um Salvador. De Jesus como o modelo para vida. De um interior com o Espírito Santo.

Dizem-me que nunca mais escrevi aqui. Tenho estado ausente, também por isto. Sem encontrar as palavras certas para ser grata porque nada nos vai faltando, incluindo a saúde dos miúdos (também houve um tempo em que estava sempre algum doente, e agora já nem me recordo da última ida à urgência). Faltam-me as palavras para escrever como é esta aprendizagem da maternidade, um caminho em que nos vamos sempre sentindo incapazes, mas confiantes que Deus tem o melhor.

Voltando ao início: fico sempre espantada quando encontro pessoas que só sei vagamente quem são pelos nomes, e que me incentivam a continuar a escrever. Que às vezes se lembram de coisas que já nem eu me lembro. Obrigada. Deus tem sido bom e continuará a ser. Vamos ver se eu continuo a ter um olhar que consiga filtrar e registar fielmente o que vale a pena partilhar.

Coisas possíveis e boas desta fase: passeios nocturnos em véspera de feriado/sábado sem preocupações de que esticar mais uma hora não traz uma birra descomunal.