08 dezembro 2017

Advento, dia 8.

Eram duas irmãs. A mais nova era muito bonita e chamava-se Raquel. Mas a irmã mais velha não era assim tão bonita (havia até quem a achasse feia), e chamava-se Lia. Raquel era o tipo de menina que era sempre convidada para as festas e de quem toda a gente gostava. E a pobre da Lia? Ninguém dava por ela.

Certo dia, o primo Jacó apareceu para ficar lá em casa. Era um dos filhos de Isaac e andava fugido (Jacó tinha enganado, roubado, e por isso conquistado alguns inimigos – incluindo o seu próprio irmão gémeo – andando por aí escondido).

 O engraçado nesta história é que Jacó – entre tanta gente – era aquele a quem Deus tinha dado a promessa especial, a mesma promessa que tinha dado ao seu avô Abraão: “Resgatarei o mundo através da tua família”. (Deus geralmente escolhe as pessoas que menos esperamos, como irás ver mais à frente.)

 Jacó ficou a trabalhar para o seu tio Labão. Um dia, Labão disse: “Jacó, decidi pagar-te pelo trabalho que tens feito. O que queres?”. E de repente, teve uma ideia: “Que tal casares com uma das minhas filhas?” Jacó olhou para Raquel e depois para Lia. Quem é que ele iria escolher? Raquel, pois claro.

“Trabalharei 7 anos de graça”, disse Jacó. “Se me deres Raquel em casamento”. Então Jacó trabalhou 7 anos e por fim, o dia do casamento chegou. Mas nessa noite, Labão pregou uma rasteira a Jacó. Em vez de enviar Raquel para se casar com Jacó, enviou Lia. (Naqueles dias não existia ainda electricidade, e por isso quando anoitecia ficava realmente escuro dentro das tendas. Além disso, as mulheres usavam véus que impediam de ver as suas caras a descoberto. Por isso, Jacó não suspeitou de nada.)

Na manhã seguinte, Jacó acordou… e gritou! A sua esposa dormia ao seu lado mas não era Raquel – era Lia. Jacó saltou da cama.
“Labão!” – chorava. “És um patife!”
Mas Labão disse: “Trabalha para mim mais sete anos e poderás casar com Raquel”.

 Então Jacó trabalhou mais sete anos, e por fim, Raquel tornou-se a sua mulher. Agora, Jacó tinha duas mulheres, mas das duas, quem ele amava mais era Raquel.

“Ninguém me ama”, disse Lia. “Sou muito feia…” Mas Deus não achava nada disso. E quando ele viu que Lia não era amada e que ninguém a queria, Deus escolheu-a para lhe entregar uma responsabilidade muito importante. Um dia, Deus iria resgatar o mundo como já tinha avisado, e iria fazê- lo através da família de Lia.

Sabendo que Deus a amava, Lia já não se importava com o facto de o marido não a preferir, ou se ela não era assim tão bonita. Alguém a tinha escolhido, alguém de facto a amava – com um amor que não tinha fim.

Então, quando Lia teve um filho rapaz, deu-lhe o nome de Judá, que quer dizer: “A partir de agora, louvarei o Senhor!” E foi isso que ela fez. Nem imaginas que tarefa Deus deu a Lia. Sabes, quando Deus olhava para Lia, ele via uma princesa. E com toda a certeza, foi nisso que ela se tornou. Uma das crianças nascida das crianças de Lia tornar-se-ia num príncipe. O príncipe do céu, o filho de Deus. Este príncipe amaria o povo de Deus. Amaria este povo, independentemente de ele ser bonito. Ele amaria este povo com todo o seu coração. E este povo tornar-se-ia bonito porque Deus os amava. Tal como Lia.