O meu pai nasceu ali para as bandas da Av. Estados Unidos da América em Lisboa. Este facto foi causador de desgosto durante toda a minha infância, dado que a minha mãe, apesar de ser originária das Beiras, também veio para cá com 4 anos.
Dizia eu que este facto me incomodava. Todos os meus colegas de Escola Primária iam à terra nas férias, traziam batatas e cebolas e tinham uma família a viver longe. As minhas composições das interrupções lectivas eram sempre demasiado pobres. Nunca soube o que era acordar com as galinhas nem andar no meio da horta com os avós. Passou-me mais tarde.
Talvez uma das compensações disto, tenham sido as histórias que o meu pai nos contava ao jantar e que me parecem hoje carregadas de algum exagero, mas que encheram o nosso imaginário de miúdos. O meu pai fazia a típica vida de rua de bairro e contava-nos as suas escapadelas para as varandas das vizinhas quando os "chuis" perseguiam os miúdos que jogavam à bola em plena rua.
Isto, à mistura com umas aventuras de uns crocodilos (que não me recordo dos nomes mas que eram inventados por ele) que tentavam a todo o custo sair do Jardim Zoológico, tornavam os nossos serões quase mágicos.
Parabéns, pai.
06 novembro 2006
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