06 novembro 2006

Nov 1949

O meu pai nasceu ali para as bandas da Av. Estados Unidos da América em Lisboa. Este facto foi causador de desgosto durante toda a minha infância, dado que a minha mãe, apesar de ser originária das Beiras, também veio para cá com 4 anos.

Dizia eu que este facto me incomodava. Todos os meus colegas de Escola Primária iam à terra nas férias, traziam batatas e cebolas e tinham uma família a viver longe. As minhas composições das interrupções lectivas eram sempre demasiado pobres. Nunca soube o que era acordar com as galinhas nem andar no meio da horta com os avós. Passou-me mais tarde.

Talvez uma das compensações disto, tenham sido as histórias que o meu pai nos contava ao jantar e que me parecem hoje carregadas de algum exagero, mas que encheram o nosso imaginário de miúdos. O meu pai fazia a típica vida de rua de bairro e contava-nos as suas escapadelas para as varandas das vizinhas quando os "chuis" perseguiam os miúdos que jogavam à bola em plena rua.

Isto, à mistura com umas aventuras de uns crocodilos (que não me recordo dos nomes mas que eram inventados por ele) que tentavam a todo o custo sair do Jardim Zoológico, tornavam os nossos serões quase mágicos.

Parabéns, pai.

Salmos 121 na ponta da língua

. A escola começou e o vagar no sofá não é o mesmo. Mas seja a crochetar, a lavar a loiça, a tomar banho, a conduzir, há sempre oportuni...