Aqui há uns dias, a ideia voltou, porque me pus a pensar em coisas que me ajudassem a parar, a meditar no meio de toda a correria que agora se avizinha. Depois de uns vídeos no Youtube e uma ida ao armazém, comecei o projecto simples de uma mantinha às riscas. As mãos depressa ganharam memória, deixando livre a minha mente para pensar, descontrair, orar, recitar os textos que sei de cor e propor-me a novos. É a conjugação perfeita, agora que sentar-me no sofá não é correr o risco de ter a casa a pegar fogo, noutra divisão.
Mostrar mensagens com a etiqueta eu. Mostrar todas as mensagens
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01 janeiro 2020
Tricotar rima com orar, decorar e recitar
Aqui há uns anos, ao meu redor pela família e amigas, instalava-se uma febre de crochês e tricôs à qual eu, mãe quase desesperada entre fraldas, birras, caos, escapei sem fraquejar. Nada em mim se deliciava ao ver crescer as linhas, a minha disponibilidade para essas lides era nenhum. Não era claramente a altura para mim, e essa foi uma das lições que fui aprendendo com a maternidade: há um tempo para tudo, e aquele não era o meu tempo.
Aqui há uns dias, a ideia voltou, porque me pus a pensar em coisas que me ajudassem a parar, a meditar no meio de toda a correria que agora se avizinha. Depois de uns vídeos no Youtube e uma ida ao armazém, comecei o projecto simples de uma mantinha às riscas. As mãos depressa ganharam memória, deixando livre a minha mente para pensar, descontrair, orar, recitar os textos que sei de cor e propor-me a novos. É a conjugação perfeita, agora que sentar-me no sofá não é correr o risco de ter a casa a pegar fogo, noutra divisão.
Para a semana recomeçamos a escola e o horário aperta. O desafio será saber parar com um propósito, sempre que o relógio permita, não sucumbindo a distracções.
Aqui há uns dias, a ideia voltou, porque me pus a pensar em coisas que me ajudassem a parar, a meditar no meio de toda a correria que agora se avizinha. Depois de uns vídeos no Youtube e uma ida ao armazém, comecei o projecto simples de uma mantinha às riscas. As mãos depressa ganharam memória, deixando livre a minha mente para pensar, descontrair, orar, recitar os textos que sei de cor e propor-me a novos. É a conjugação perfeita, agora que sentar-me no sofá não é correr o risco de ter a casa a pegar fogo, noutra divisão.
14 dezembro 2019
Escangalhada
O cansaço nunca é bom medidor de emoções ou discernimento, portanto tenho passado os últimos dias a dar-me um enorme desconto a mim mesma, embora por vezes me sinta mais a ser levada pelos dias do que eu a dominá-los. Mas já passei pelo jetlag vezes suficientes para saber que a sensação de ausência, de flutuar, de confusão, leva sempre alguns dias a passar. A juntar ao jetlag, regresso geralmente com viagens marcantes, experiências, encontros que levam tempo a processar.
Desta vez, não é apenas uma conferência ou uma experiência que trago comigo, são 4 meses e meio de uma vida nova que nunca mais será a mesma. De repente, estou de regresso ao meu lar, a tudo o que conheço e tenho saudades, e sou assaltada por um sentimento de receio, de dúvida, de falta de encaixe. Vejo tudo com um olhar diferente e novo e isso é lento a ser processado.
Não volto a este lugar para continuar a vida como sempre foi porque isso já não vai ser possível. Deus fez-me uma pessoa diferente e preciso de recomeçar e voltar a pertencer com tudo aquilo que é novo. Aquilo que Deus mudou, prometeu e mostrou do lado de lá é verdade em qualquer lugar - só preciso de perceber como se aplica a toda a realidade que ficou, sabendo que essa mesma realidade pode ter mudado ou não; e que esse acerto terá os seus custos, mas que tudo o que acontece aos filhos de Deus contribui para o seu bem. E eu confio que Deus tem sempre o melhor para mim.
29 outubro 2019
Não sei não escrever
Mais ou menos em Junho, em preparação para o sabático, fui deixando de postar online nas redes sociais (mais especificamente no instagram, onde era mais assídua). Numa primeira fase, desinstalei as aplicações e deixei mesmo de consultar. Dei comigo a pegar de forma instintiva no telemóvel, e a não ter nada para ver. Foi difícil, a sensação era que tinha deixado de existir e de de ter acesso ao mundo real.
Com o tempo, habituei-me a não receber feedback do que colocava, que na maioria dos dias era um feedback positivo, mas também deixei de sentir oscilação de sentimentos. Sei que isso está estudado, a quantidade de hormonas /adrenalina / outras coisas acabadas em "ina", whatever, que são activadas nesta interação. E eu sentia esses mecanismos a acontecer dentro de mim, que com a minha retirada deixaram de existir dessa maneira, e isso acabou por ir sabendo bem.
Ao fim de algum tempo, voltei a consultar o instagram mas sem postar. Mas em vez de ficar à mercê do mural principal, passei a consultar as pessoas que quero ver. Sinto-me uma espécie de fantasma que vê mas não interage, mas deduzo que não haja uma forma certa de estar - talvez possa ser encontrada uma maneira equilibrada para quem quer estar. E isto deve variar de pessoa para pessoa (embora demasiada frequência nunca seja bom sinal).
Ao mesmo tempo, é rara a semana em que não recebo alguma mensagem de "desconhecidos" a perguntar se está tudo bem e quando vou voltar a escrever. Isto deixa-me sempre a pensar qual é o meu lugar e papel nestas coisas todas.
Eu não sei não escrever. Talvez essa seja a afirmação mais abrangente de toda a minha vida, desde que o sei fazer. Muita coisa mudou em mim no meu crescimento, menos isto. Não sei não tomar notas, não sei não registar. Não sou uma escritora nem tenho essa presunção, mas escrever é o meu verbo de acção preferido no que toca a gostos pessoais (fotografar, também).
Enquanto reflicto nestas coisas todas, é incontornável concluir que tem sido através dos meus registos que Deus mais me tem usado para abençoar outros, e que poderá continuar a usar.
Só preciso descobrir qual a medida certa.
21 agosto 2019
4 semanas
São quatro as semanas que se completam hoje fora de casa. Temos, agora uma rotina, que engloba dias longos. Amanhecemos cedo, para quem ainda está de férias, mas o jetlag em Nova Iorque acertou-nos os relógios biológicos para as 7 da manhã, o que acaba por ser um bocadinho providencial para os horários que aqui se fazem, e que implicam um esforço da nossa parte. Não estamos habituados a almoçar entre as 11h30 e o meio-dia, ou a jantar às 17h30, coisa que tem acontecido sempre que estamos com alguém de cá, incluindo a nossa família. Quando estamos só nós, o mais cedo que conseguimos é almoçar pelas 12h30 e jantar pelas 19h.
Escrevo agora da Biblioteca de Ridgeland, onde planeio o novo ano lectivo que se iniciará na nossa casa a meio de Setembro. Têm sido muitas as vezes que me questiono se seremos capazes deste novo modelo familiar, mas tenho de me relembrar que isto não é acerca de capacidades, é acerca de dependência em Deus.
Escrevo agora da Biblioteca de Ridgeland, onde planeio o novo ano lectivo que se iniciará na nossa casa a meio de Setembro. Têm sido muitas as vezes que me questiono se seremos capazes deste novo modelo familiar, mas tenho de me relembrar que isto não é acerca de capacidades, é acerca de dependência em Deus.
12 julho 2019
Há 14 anos
era internada no hospital para fazer aquilo que se chama de curetagem.
Há 10 dias que eu sabia que o bebé que esperávamos para Fevereiro de 2006, afinal não ia nascer. Nem sequer ia crescer, já que na segunda ecografia, com 11 semanas, não encontrámos lá bebé nenhum. A placenta crescia sozinha, sem vestígios do embrião. De nada adiantava dizerem-me que não existia bebé nenhum, porque eu bem o tinha visto umas semanas antes, no ecrã ecográfico. Na minha cabeça, alberguei um segundo filho durante quase dois meses, e desfazer-me dessa ideia ia para lá da dor física de expulsar restos placentares. Poucos dias depois, partíamos de férias. Uma família de três, com uma pequenina a caminhar tropegamente.
Estávamos muito longe de imaginar - nem mesmo nos nossos melhores sonhos - tudo aquilo que Deus tinha ainda guardado para nós. Também estava longe de perceber o que este episódio me trouxe. Entre outras coisas, uma empatia especial com aquelas mulheres que perdem bebés ou que simplesmente não os conseguem gerar. Nada como experimentar uma ponta de sofrimento para ganhar compaixão.
Há 10 dias que eu sabia que o bebé que esperávamos para Fevereiro de 2006, afinal não ia nascer. Nem sequer ia crescer, já que na segunda ecografia, com 11 semanas, não encontrámos lá bebé nenhum. A placenta crescia sozinha, sem vestígios do embrião. De nada adiantava dizerem-me que não existia bebé nenhum, porque eu bem o tinha visto umas semanas antes, no ecrã ecográfico. Na minha cabeça, alberguei um segundo filho durante quase dois meses, e desfazer-me dessa ideia ia para lá da dor física de expulsar restos placentares. Poucos dias depois, partíamos de férias. Uma família de três, com uma pequenina a caminhar tropegamente.
Estávamos muito longe de imaginar - nem mesmo nos nossos melhores sonhos - tudo aquilo que Deus tinha ainda guardado para nós. Também estava longe de perceber o que este episódio me trouxe. Entre outras coisas, uma empatia especial com aquelas mulheres que perdem bebés ou que simplesmente não os conseguem gerar. Nada como experimentar uma ponta de sofrimento para ganhar compaixão.
04 julho 2019
Eu ainda acredito em blogues. Ainda leio blogues!
Criei um blogue a 1 de Abril de 2003 e estava longe de imaginar o que viriam a ser as redes sociais. Dele, colhi tanta coisa que fica impossível escrever. Nunca me rendi à hipótese de comentários e sempre gostei muito de escrever sem saber muito bem quem vai ler. Também me surpreendi quando, tantas vezes, alguém escrevia um mail a reagir a algo.
Ainda acredito em escrever desta forma. Por isso, este meu primeiro amor vai continuar, mesmo em tempos em que me apetece desaparecer das conhecidas redes sociais. Acredito que vale a pena escrever, registar. Para mais tarde recordar (ou envergonhar, também acontece).
Há mais ou menos 9 anos, trabalhar ao computador e ter um blogue era tão fixe quanto isto.
Ainda acredito em escrever desta forma. Por isso, este meu primeiro amor vai continuar, mesmo em tempos em que me apetece desaparecer das conhecidas redes sociais. Acredito que vale a pena escrever, registar. Para mais tarde recordar (ou envergonhar, também acontece).
11 junho 2019
Até que a morte nos separe
"... na saúde e na doença,
na alegria e na tristeza,
na riqueza e na pobreza,
até que a morte nos separe."
Quando disse os votos no dia do meu casamento, disse-os como quem acredita que o casamento é para a vida, que é uma aliança que se faz perante Deus e outras testemunhas, que é algo muito sério. Na minha cabeça, estaria fora de hipótese desfazê-lo com contrariedades, eu iria ficar.
Não sabia eu o poder que estas frases teriam quando se tornassem verdade. Quando a doença, ou a tristeza, ou a pobreza chegassem, eu não fazia ideia.
Hoje tenho um vislumbre e sei que é por isso mesmo que se fazem os votos: porque é difícil. O que eu não sabia e hoje sei porque experimentei - é que seria a dificuldade a transformar tudo isto algo de um plano muito maior. Que seriam as dificuldades a fortalecer, a dar visão, a permanecer. E afazer tudo mais significativo e bonito. Como esta paisagem em Dubrovnik, sítio que eu desconhecia poder ser tão bonito (desculpa, Croácia, a minha ignorância).
10 junho 2019
Uns dias em Dubrovnik
Quando, em Julho passado, dissemos sim a uma oferta de retiro para líderes do Sul da Europa que têm colaborado com o City to City, não fazíamos ideia de que estes dias de pausa total iriam ser providenciais, em tempos de cansaço e mudança. Deus é bom!
18 janeiro 2019
Desafio dos 10 anos
Anda por aí um desafio dos 10 anos, que desconfio que sirva para todos nos dizerem como éramos mais novos mas também para nos assegurar que o nosso processo de envelhecimento está a ser generoso. Vou poupar-me a isso, fico à espera dos vossos comentários para quando eu estiver mesmo ali na decadência total e começar a pensar em botox (estou a brincar!).
Resolvi ir ver o que se passava com a minha pessoa há uma década, e ora me dá vontade de rir, ora me apetece mandar-me calar. Bolas, que chata.
Basicamente, no início de 2009 eu tentava encontrar um equilíbrio entre ter três filhos abaixo dos 4 anos, que ora iam à escola porque eu tinha um trabalho permanente ao computador que era essencial ao nosso rendimento, ora estavam doentes com mil e uma coisas. Nesta fase, a rainha das doenças era mesmo a Marta, e era raríssimo estar sem a companhia dela em casa.
Há 10 anos, eu precisava muito de encontrar alguém nas mesmas circunstâncias que eu, e isso vê-se nas minhas maravilhosas declarações no Facebook, ou neste blogue. Exorcizar o meu desespero era parte da terapia e acho que teve o seu papel. Mas... prometo que não voltarei a esse nível. Se começar a descarrilar, por favor dêem-me uma paulada na cabeça e o assunto fica encerrado.
Ao mesmo tempo, vejo ali uma pessoa cansada, mas ainda assim com energia. Eu queria mesmo sair à rua com três crianças, só porque não aguentava mais estar em casa? Eu trabalhava no computador a todas as horas e mais algumas, inclusive ao serão de sexta-feira? No final desse ano, não contente com o caos desta casa, engravidei mesmo do quarto filho?
Efectivamente, passaram-se 10 anos. Os meus níveis de energia estão mesmo nos 40 (desculpem, pessoas super jovens e cheias de energia com a mesma idade que eu), não me passa pela cabeça ter o computador ligado ao serão de uma sexta-feira, estar em casa sem ter um plano é coisa que hoje me agrada sobremaneira, embora passeios sem destino também me soem bem, e uma boa notícia: os miúdos raramente estão doentes. De tal maneira que tive de usar o termómetro a semana passada com a nossa gata, e ele não reagia por falta de uso.
Dez anos depois, ainda não comprei o papel para a polaroid que a Miriam me deu. Prometo que compro nos próximos dez anos, ok? Uma década depois, acho que há lugar para tudo mas sobretudo para a gratidão. Deus foi bom nesses tempos e deu-nos tudo o que precisávamos e até mais. Tem feito crescer os miúdos de forma saudável, harmoniosa, e tem-nos ajudado enquanto pais. Hoje, o trabalho ao computador deixou de ser essencial para os dias. Quase tudo o que faço é voluntário, e escrevo para abençoar outros, sobretudo. Sirvo com o Tiago na Igreja que Deus nos deu, e quero ter a capacidade de olhar sempre para trás e identificar quem se possa estar a sentir sozinho nas suas dificuldades. Ter alegria, independentemente das circunstâncias, continua a ser um desafio, mas não vamos desistir.
2009 parece que foi ontem, mas não parece nada que foi ontem. É sempre assim, certo?
04 janeiro 2019
Esta noite dormi mal
Aqui há uns tempos cometi a ousadia de comentar, na presença de jovens mães, que não tinha passado bem a noite.
"Duvido que esteja aqui alguém que tenha dormido bem a noite." - foi a resposta pronta.
Num pequeno instante, as reacções saltaram. Como pipocas.
E foi assim que me calei quase instantaneamente, porque me senti a provar do meu próprio veneno. De nada valia a pena explicar a estas mães que eu vivi durante largos anos um estado zombie, que sei muito bem o que é estar no limite das minhas forças e paciência, que vivi vários internamentos de filhos, que também sei o que é estar eu mesma doente e ter filhos doentes, que sei o que é ter o pai ausente e ter de acudir a vários colos de pequeninos... enfim.
O que eu experimentei naquele dia, razão pela qual me calei no imediato, foi aquilo que eu acreditei durante muito tempo, e ainda hoje é uma tendência para mim em muitas áreas: acharmos que aquilo que nós vivemos é mais difícil do que os outros vivem.
Não foram poucas as vezes, que perante uma mãe de filho único a queixar-se, eu tinha a resposta presente: "era tudo tão fácil quando tinha só um". Ou quando uma mãe se lamentava de uma bronquiolite, eu pensava: "sei o que são bronquiolites há meses seguidos". Quando alguém dizia que era impossível ir às compras com os filhos, eu dava uma gargalhada cínica: "Nunca deixei de ir às compras com filhos atrás". Podia continuar o chorrilho de respostas que me tornavam a maior mártir da história da maternidade.
Ainda hoje caio facilmente neste tipo de julgamentos. Quando alguém se queixa de algo, minimizar a queixa (nem que seja em pensamento); ou também, ao contrário: quando alguém faz algo visto como extraordinário, desvalorizar esse esforço lembrando as inúmeras pessoas algures na história da humanidade que fizeram igual ou melhor (eu, incluída).
Este tipo de pensamentos não são nada bons, e muito menos cristãos - falo por experiência própria. Alimentam as nossas fraquezas. Se tendemos para a auto-comiseração, aumentam-na. Se tendemos para o ressentimento, alimentamos esse ressentimento. E por diante.
Outro dos perigos é resguardarmo-nos em conversas com "pessoas que nos compreendem". Se por um lado é bom falar com pessoas que estão na mesma fase ou a passar pelo mesmo desafio, por outro isso convence-nos que só essas pessoas sabem das nossas lutas e nos podem ajudar.
Descobri que ver em perspectiva é sempre uma boa opção. Darmo-nos o benefício da dúvida. A história do copo meio cheio ou meio vazio. Claro que uma mãe que está privada de sono sabe que esta fase não durará o resto da vida e não encontra grande conforto no: "Isso vai passar". Pode, até, ficar irritada com o "Ainda vais ter saudades". Mas alargar a visão e buscar ouvir não só o que nos conforta ou agrada, pode parecer um contra senso, mas tenho aprendido que ajuda a olhar além de nós.
Experimento, há alguns anos, a presença de amigas que desejariam muito ter uma noite mal dormida. Mas não conseguem por nada engravidar. Foi com elas que aprendi a refrear os meus queixumes, numa primeira fase. O poder que um olhar triste e desejoso de ter esse tipo de angústias teve no modo de me expressar acerca dos meus dramas, foi muito grande. Já viram ou partilharam as lágrimas de alguém que vive infertilidade? Experimentem.
Desde aquele dia que peço ainda mais ajuda a Deus para me calar. Para me ajudar a reagir com amor, com compreensão e sem julgamento. Para que haja lugar a um desabafo (eu tinha mesmo dormido mal aquela noite graças a uma enxaqueca com aura), porque acredito no poder aliviador de um fardo. Às vezes, o silêncio é a melhor compreensão. Outras vezes, "vais conseguir ultrapassar, sei o que isso é", e ainda outras: "nunca passei por isso, mas lamento muito" e sempre: "Vou orar por ti".
Imagens retiradas daqui.
"Duvido que esteja aqui alguém que tenha dormido bem a noite." - foi a resposta pronta.
Num pequeno instante, as reacções saltaram. Como pipocas.
E foi assim que me calei quase instantaneamente, porque me senti a provar do meu próprio veneno. De nada valia a pena explicar a estas mães que eu vivi durante largos anos um estado zombie, que sei muito bem o que é estar no limite das minhas forças e paciência, que vivi vários internamentos de filhos, que também sei o que é estar eu mesma doente e ter filhos doentes, que sei o que é ter o pai ausente e ter de acudir a vários colos de pequeninos... enfim.
O que eu experimentei naquele dia, razão pela qual me calei no imediato, foi aquilo que eu acreditei durante muito tempo, e ainda hoje é uma tendência para mim em muitas áreas: acharmos que aquilo que nós vivemos é mais difícil do que os outros vivem.
Não foram poucas as vezes, que perante uma mãe de filho único a queixar-se, eu tinha a resposta presente: "era tudo tão fácil quando tinha só um". Ou quando uma mãe se lamentava de uma bronquiolite, eu pensava: "sei o que são bronquiolites há meses seguidos". Quando alguém dizia que era impossível ir às compras com os filhos, eu dava uma gargalhada cínica: "Nunca deixei de ir às compras com filhos atrás". Podia continuar o chorrilho de respostas que me tornavam a maior mártir da história da maternidade.
Ainda hoje caio facilmente neste tipo de julgamentos. Quando alguém se queixa de algo, minimizar a queixa (nem que seja em pensamento); ou também, ao contrário: quando alguém faz algo visto como extraordinário, desvalorizar esse esforço lembrando as inúmeras pessoas algures na história da humanidade que fizeram igual ou melhor (eu, incluída).
Este tipo de pensamentos não são nada bons, e muito menos cristãos - falo por experiência própria. Alimentam as nossas fraquezas. Se tendemos para a auto-comiseração, aumentam-na. Se tendemos para o ressentimento, alimentamos esse ressentimento. E por diante.
Outro dos perigos é resguardarmo-nos em conversas com "pessoas que nos compreendem". Se por um lado é bom falar com pessoas que estão na mesma fase ou a passar pelo mesmo desafio, por outro isso convence-nos que só essas pessoas sabem das nossas lutas e nos podem ajudar.
Descobri que ver em perspectiva é sempre uma boa opção. Darmo-nos o benefício da dúvida. A história do copo meio cheio ou meio vazio. Claro que uma mãe que está privada de sono sabe que esta fase não durará o resto da vida e não encontra grande conforto no: "Isso vai passar". Pode, até, ficar irritada com o "Ainda vais ter saudades". Mas alargar a visão e buscar ouvir não só o que nos conforta ou agrada, pode parecer um contra senso, mas tenho aprendido que ajuda a olhar além de nós.
Experimento, há alguns anos, a presença de amigas que desejariam muito ter uma noite mal dormida. Mas não conseguem por nada engravidar. Foi com elas que aprendi a refrear os meus queixumes, numa primeira fase. O poder que um olhar triste e desejoso de ter esse tipo de angústias teve no modo de me expressar acerca dos meus dramas, foi muito grande. Já viram ou partilharam as lágrimas de alguém que vive infertilidade? Experimentem.
Desde aquele dia que peço ainda mais ajuda a Deus para me calar. Para me ajudar a reagir com amor, com compreensão e sem julgamento. Para que haja lugar a um desabafo (eu tinha mesmo dormido mal aquela noite graças a uma enxaqueca com aura), porque acredito no poder aliviador de um fardo. Às vezes, o silêncio é a melhor compreensão. Outras vezes, "vais conseguir ultrapassar, sei o que isso é", e ainda outras: "nunca passei por isso, mas lamento muito" e sempre: "Vou orar por ti".
"O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria,
não se orgulha.
Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira
facilmente, não guarda rancor."
Imagens retiradas daqui.
09 outubro 2018
Uma coisa chamada Vitiligo
É rara a semana que não recebo mensagens de pessoas que têm, como eu, vitiligo. Querem saber como se desenvolveu, se já experimentei tratamentos, como lido com esta particularidade de ter a pele às manchas. O Verão está a chegar ao fim, e é neste período do ano que a coisa é mais sensível. Ainda estou no rescaldo de estar mais exposta, tanto ao sol, como a perguntas inocentes de quem não sabe o que isto é - perguntas inocentes, mas muito incómodas de responder. Este é o lado chato de alguém viver com uma diferença: lidar com as reacções dos outros.
Tinha 7 anos quando me apareceram umas manchas pequenas nos joelhos e a minha mãe me levou ao dermatologista. Foi logo identificado como sendo vitiligo e quais os cuidados a ter com o sol. O assunto cingiu-se a isso: cuidados com o sol. Tive uma experiência muito privilegiada com estas manchas. Apesar de muito morena, tive sempre uma pele isenta de borbulhas e de pelos - um paraíso para uma miúda adolescente, convenhamos. As manchas nunca me incomodaram, e a verdade é que em todo o percurso escolar tive apenas e só um pequeno episódio com um miúdo, que ainda hoje me dá vontade de rir, de tão ridículo que foi.
Quando casei, com 25 anos, além das manchas nos joelhos e pés, tinha também umas novas, no canto da boca e nas mãos. Raramente me lembrava delas, a não ser quando me perguntavam.
Aos 30, engravidei do terceiro filho. Coincidência ou não, foi-me diagnosticada uma colestase, e com ela, manchas novas que surgiram. Com a quarta gravidez, igual. Hoje tenho 41 anos e uma grande parte do corpo branquinha, além de estar completamente grisalha. É impossível não dar nas vistas, sobretudo no Verão.
Sobre as perguntas que me fazem:
Alguma vez procuraste tratamento?
Não. Apesar de ser muito limitador com o sol, fico-me por aí. Do pouco que sei do assunto, há tratamentos experimentais, pesados para a carteira, e dos quais não há garantia de resultados nem certezas de efeitos secundários posteriores. Pareceu-me sempre que não valia a pena aborrecer-me, antes contar com os cuidados a ter. Sendo uma doença auto-imune há associações com outras doenças, e essas sim: poderão ser preocupantes e exigirem tratamento.
Como lidas com os olhares dos outros?
Tem dias. De uma forma geral, faço como no Madagáscar ("é sorrir e acenar"); se o cenário é incómodo, basta olhar fixamente para a pessoa perceber. Mas este Verão tive de tudo: uma senhora a tirar fotos à socapa em plena praia, depois de a ouvir comentar que eu não parecia preocupada, pessoas no café a especularem sobre a minha doença, etc. Pode ser divertido ou não. Depende do meu estado de espírito.
Como lidas com as perguntas que te fazem?
Há dois tipos de pessoas: as que têm vitiligo e que sofrem com isso, e me perguntam por soluções, e há as que têm curiosidade e querem saber.
Para as que têm vitiligo, tento oferecer respostas que ajudem, embora eu sei que sou uma privilegiada: nunca sofri socialmente durante o meu crescimento, a minha família nunca valorizou o assunto e isso fez toda a diferença na forma como me olhei ao espelho. Vivemos com os outros e onde estamos e como nos tratam determina muito de como nos vemos. Por isso, não posso ser grande ajuda para aqueles que tiveram mães obcecadas à procura de tratamentos, ou que foram gozados na escola. Só posso lamentar. Mas para o presente, recomendo pedir ajuda terapêutica e - para quem é cristão, como eu - pedir ajuda a Deus. Este é um processo como outros na questão da imagem: precisamos aceitar-nos como somos. Se pensarmos que todos vivemos com as nossas limitações (pessoas com peso a mais a quem a tiróide não se compadece com alimentação saudável e exercício físico, por exemplo) e que há doenças realmente graves sem possibilidade de cura, isso ajuda muito a ver em perspectiva. Copo meio cheio ou copo meio vazio? Prefiro o copo meio cheio.
Para as que têm curiosidade: Haja prudência e bom senso na forma como expressamos as nossas opiniões ou cedemos à nossa curiosidade. Vivemos numa cultura que comenta a aparência dos outros com uma liberdade excessiva. Nós não somos o centro do universo e se passamos a vida a apregoar a tolerância e a aceitação da diferença, comecemos por nos contrariar nos nossos instintos. Já viajei alguma coisa, e acreditam que noutros países onde estive - como nos Estados Unidos - nunca me perguntaram nada acerca das minhas manchas nem me senti olhada com diferença como no meu próprio país? Portugal precisa de crescer um bocadinho (e já agora, o Brasil também, a maior parte das pessoas que me contactam são de lá).
Qual a perspectiva de um cristão?
Quando digo que nunca procurei tratamento, não é porque seja contra. Nunca considerei necessário. Mas acredito que há liberdade para isso, como há liberdade por procurar contornar algo do nosso aspecto físico que nos incomode. Mas acho que há limites, e devemos saber aceitá-los com humildade e confiança.
Eu acredito que Deus me criou. Vivo num mundo caído, e embora todas as limitações tenham que ver com a natureza caída, continuo a acreditar que não há nada - mas nada - que escape ao plano de Deus. Nenhuma criança deficiente é gerada porque Deus se distraiu, nenhuma doença vem sem que isso sirva para Deus cumprir o seu propósito. O sofrimento faz parte da vida, e é com ele que crescemos também. Não o digo em tom fatalista.
Comparar-me com casos realmente graves parece-me pura ingratidão, e por isso tendo sempre a desvalorizar. Para mim, ter vitiligo tem-me ensinado algumas coisas. Uma delas: o facto de ter tido de abdicar de coisas simples como a praia da forma como a fazia ( passei de estar ao sol como me apetecia, para sair da água e vestir uma túnica debaixo do chapéu), ajudou-me a perceber melhor a minha pequenez. Não serei eternamente jovem nem saudável, e isso faz parte. Não controlo tudo o que acontece nem é susposto.
Vivemos em tempos que nos convencemos que a medicina oferece diagnóstico e tratamento para tudo, mas apesar de todas as evoluções, não oferece. Vivemos tempos em que nos convencemos que é possível ter filhos e ficar eternamente iguais, mas são poucos os casos em que isso acontece (e geralmente à custa de abdicar de muita coisa). Vivemos tempos em que idealizamos que os relacionamentos se alimentam de aparência, mas os nossos olhos são muito mais do que aquilo que vêem, e o desejo não depende de forma física - o cuidado que devemos ter vai muito além disso. E poderia continuar.
Que produtos usas?
Aqui há uns anos, descobri que fiquei intolerante ao perfume, portanto tudo o que uso é sem fragrâncias. No dia-a-dia uso uma base na cara que uniformiza a pele e protege do sol. A minha preferida é esta, porque não dá trabalho nenhum pela manhã e protege realmente.
Para o cuidado do corpo, a minha protecção solar preferida é esta, por uma razão simples: não mancha a roupa e é muito eficaz no bloqueio do sol, além de ser um spray transparente que não custa nada a espalhar.
Geralmente pesquiso estes produtos online, e aproveito promoções. Só assim é possível comprá-los, indo a farmácias podem custar quase o dobro.
Por último: recomendo este livro que li o ano passado. Fala de todos os dispositivos que se conhecem que influenciam o aparecimento e o alastramento, possíveis tratamentos, etc. Comprei na Amazon UK.
E acho que é o essencial. Ando há meses para escrever sobre isto. Mas há sempre o risco de receber mensagens de conforto (não é o objectivo deste texto) ou de se sobrevalorizar o assunto. Não é a minha intenção. A ideia é desdramatizar e dizer que a vida continua! Vamos aproveitá-la com o que temos e que Deus nos dá.
18 maio 2018
Muito mais. Muito menos.
Tenho muito mais do que alguma vez imaginei. Também tenho muito menos do que alguma vez imaginei.
Sempre imaginei ter uma família, com filhos. Mas duvidava seriamente que seria capaz de encontrar um marido ou sequer de manter uma vida a longo prazo (e isto tinha claramente a ver com a noção que eu tinha das minhas imperfeições). Se por um lado me assustava uma vida sozinha, por outro achava que me iria safar. Projectei muita coisa mas nada se concretizou como eu achava. Uma coisa tinha por garantida na minha cabeça: iria ser independente e, desde que me fosse dada saúde, sustento nunca me faltaria. Duvidava das minhas capacidades de conciliação amorosa, não duvidava do meu eventual mérito pelo resto da vida.
Uma confusão arrumar estas coisas todas. Deus deu-me, de facto, um marido. Que ao longo destes (quase) 16 anos, tem-me amado mais do que eu poderia imaginar ser possível. Que cuida de mim e acredita em mim mais do que eu, na maior parte das vezes. Deus deu-me filhos, mais do que a conta que eu fiz (na verdade, não havia contas na minha cabeça). Eles ensinam-me todos os dias que tenho mais do que mereço. Perdoam-me, também, todos os dias.
Tenho menos de mim do que projectei e mais do que Deus quer de mim. E isso é bom, ainda que seja tão imperfeito no presente. É melhor do que ontem e - pela fé - será melhor amanhã. Não porque é tudo bom, fácil ou harmonioso, mas porque é o que Deus tem para quem o ama.
(Foto tirada pelo Jónatas Luzia, na Igreja da Lapa, a 12 de Maio de 2018)
Sempre imaginei ter uma família, com filhos. Mas duvidava seriamente que seria capaz de encontrar um marido ou sequer de manter uma vida a longo prazo (e isto tinha claramente a ver com a noção que eu tinha das minhas imperfeições). Se por um lado me assustava uma vida sozinha, por outro achava que me iria safar. Projectei muita coisa mas nada se concretizou como eu achava. Uma coisa tinha por garantida na minha cabeça: iria ser independente e, desde que me fosse dada saúde, sustento nunca me faltaria. Duvidava das minhas capacidades de conciliação amorosa, não duvidava do meu eventual mérito pelo resto da vida.
Uma confusão arrumar estas coisas todas. Deus deu-me, de facto, um marido. Que ao longo destes (quase) 16 anos, tem-me amado mais do que eu poderia imaginar ser possível. Que cuida de mim e acredita em mim mais do que eu, na maior parte das vezes. Deus deu-me filhos, mais do que a conta que eu fiz (na verdade, não havia contas na minha cabeça). Eles ensinam-me todos os dias que tenho mais do que mereço. Perdoam-me, também, todos os dias.
Tenho menos de mim do que projectei e mais do que Deus quer de mim. E isso é bom, ainda que seja tão imperfeito no presente. É melhor do que ontem e - pela fé - será melhor amanhã. Não porque é tudo bom, fácil ou harmonioso, mas porque é o que Deus tem para quem o ama.
(Foto tirada pelo Jónatas Luzia, na Igreja da Lapa, a 12 de Maio de 2018)
06 março 2018
Ontem completei 41 anos
Ontem completei 41 anos.
Durante muito tempo fazia orações a Deus que, na verdade, não queria ver respondidas. Ou achava eu que podia ter respostas simples a pedidos complexos. Pedia-lhe que me desse mais dele, e menos de mim - a tentar contrariar o anúncio do leite matinal - mas queria continuar cheia de mim e preencher os buraquinhos vazios com ele.
Durante muito tempo comportei-me como o povo no deserto, que não satisfeito com as provas que tinha da providência divina, guardou o maná que sabia que tinha de ser consumido naquele dia, para o dia seguinte. Achava eu que era melhor ir sempre guardando um bocadinho da graça, não fosse faltar-me para o futuro. Por causa disso, não vivia suficientemente grata no presente e constantemente a interrogar-me com o futuro.
Durante quase toda a vida quis acreditar que a cruz de Cristo me seria suficiente, mas que as consequências de a aceitar poderiam ser vividas quando tivesse mais vagar e maturidade.Como quem contrai um empréstimo, usufrui do dinheiro mas só o começa a pagar mais tarde.
Deus sabia que responder a estas coisas todas implicaria tirar-me bastantes. Algumas, que eu achava serem fundamentais, não eram. Outras, que não via como dádivas, passei a apreciar. Em todo o tempo, mas especialmente nessas alturas, vejo melhor o seu amor, vivo mais a sua graça, bebo sofregamente da sua misericórdia.
As minhas orações são hoje, mais cuidadosas. Estremeço tantas vezes vezes neste caminho de obediência tropeçada.
Peço-lhe constantemente que me ajude a depender só do seu amor, e nada do reconhecimento dos outros. Ainda assim, o seu amor superabunda - também - através dos que me rodeiam.
Tenho muito que agradecer. Quero e creio que a graça de Jesus continuará a bastar-me.
Bastou ontem, basta hoje, e bastará todos os dias em que viver.
02 novembro 2017
!
O tempo existe para
nos lembrar que não somos omnipresentes. Que dizer "sim" implica muitas
das vezes ter de dizer "não". Somos limitados, não conseguimos fazer
tudo o que gostaríamos (e ainda bem!). Tudo o que está planeado, Deus
fará acontecer. Estarmos disponíveis para este plano não é
necessariamente estarmos sempre disponíveis para tudo. É esta, talvez, a
maior lição que tenho aprendido em 2017.
30 outubro 2017
És um bom, bom pai.
(tradução livre)
Ouvi contar mil histórias acerca de quem acham que tu és
Mas eu ouvi suaves sussurros de amor na escuridão da noite
E tu dizes que te agradas de mim
E que eu nunca estou sozinho
Tu és um bom, bom pai
É quem tu és, é quem tu és, é quem tu és
E eu sou amado por ti
É quem eu sou, é o quem eu sou, é quem eu sou
Tenho visto muitos à procura de respostas
Mas eu sei que todos procuramos
Respostas que só tu podes dar
Porque tu sabes exactamente o que precisamos
Mesmo antes de dizermos uma palavra sequer
Tu és um bom, bom pai
É quem tu és, é quem tu és, é que tu és
E eu sou amado por ti
É quem eu sou, é o quem eu sou, é quem eu sou
Porque tu és perfeito em tua vontade,
perfeito em tua vontade,
perfeito em tua vontade para nós
Oh, é amor tão inegável
Mal consigo falar
Paz tão inexplicável
Mal consigo pensar.
22 julho 2017
15 anos em Tróia
Recordam-se do tempo em que Tróia não era muito mais do que aquelas duas torres feiosas logo à chegada do ferry? Em 2005 deram cabo delas para fazer daquela península um local de passeio à altura da enorme beleza. Deus estava particularmente inspirado quando disse: "Haja Tróia!".
15 anos de casamento são um bocadinho como Tróia. O casamento, tal como a península, sempre foi bonito porque é uma ideia do Criador. Mas, muitas vezes, inventamos "mamarrachos" que distraem da verdadeira beleza do seu propósito inicial. Tróia está, agora, num estado ainda maior de beleza. Lá para o meio ainda há umas vivendas também dignas de demolição, mas são uma minoria muito pequena e que - na nossa opinião enquanto lá passeávamos - ainda devolvem alguma normalidade ao lado estético quase perfeito. Estamos longe da perfeição. Mas também já demolimos alguns "mamarrachos" monumentais.
São 15 anos a experimentar da grande generosidade de Deus na nossa família!
03 maio 2017
Maria Ana
Foi-nos dada uma filha há 13 anos. Na verdade, ela foi-nos emprestada por quem a inventou e um dia nos pedirá contas. Se é verdade que a Bíblia promete coisas bonitas a quem educa bem os seus filhos, por outro reforça que nada está nas nossas mãos. Difícil, este equilíbrio entre responsabilidade e descanso. Dependemos sempre mais, mais, mais. As noites já não nos são interrompidas nem nos doem as costas com o peso a carregar. Mas pesa-nos a incerteza do que virá, numa mistura de alegria pelo que já é, e espanto do tanto que já se viveu. Agarramo-nos a quem nos sustenta, dia após dia. A gratidão é muita.
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