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12 junho 2019

História de um caderno de estudo




Este é um caderno que nasce como resultado de sete anos de estudo e oração de um grupo de mulheres em Lisboa. Se recuássemos a 2012, observaríamos cinco mulheres, com vontade de se conhecerem melhor (na altura, éramos uma pequena igreja acabada de nascer) e com desejo de aprofundar o estudo da Palavra. Entre livros de autores conhecidos, vários foram os temas em que nos debruçámos. 
Ao fim de algum tempo, Deus colocou no meu coração o desejo pelo estudo mais profundo da Palavra. Após a ida à conferência de mulheres da The Gospel Coalition em Junho de 2016, trouxe um caderno de estudo de uma autora que já admirava bastante, a Jen Wilkin. Desafiei o grupo de mulheres a traduzir comigo esse estudo da Primeira Carta de Pedro, e foi assim que começámos e nos debatemos com todo um mundo novo: perguntas de interpretação e compreensão do texto, toda uma nova perspectiva acerca de quem Deus é, como Ele trabalha, ganhando toda uma revelação nova da Palavra, a cada dia, mesmo em passagens que nos eram familiares. Este grupo foi aumentando, e novos estudos também se seguiram: Hebreus, Josué, Tiago, cartas de João, Juízes - todos da Jen Wilkin. A cada conclusão, a certeza de que precisávamos de continuar a estudar ao detalhe cada passagem da Bíblia, cada livro, cada carta. 
Quando, no Verão passado, regressei a esta mesma conferência, levava na bagagem o último caderno traduzido e o desejo de o entregar em mãos à Jen Wilkin, numa tentativa de a encorajar a continuar o bom trabalho, mas também com a intenção de a desafiar a vir a Portugal. Resumindo a conversa que consegui ter com ela, a moral da história foi: “até posso ir a Portugal, mas acho que está na hora de começares a pensar fazer igual no teu país”. Confesso que de início achei uma resposta demasiado fácil de dar, mas com o passar dos meses, esta ideia foi voltando, também porque no decorrer destes estudos passados, alguns tinham sido os grupos de mulheres de outras igrejas de Portugal a demonstrarem interesse, a adquirirem os estudos, a pedirem mais.
Com o incómodo a crescer, comecei a pensar na melhor maneira de arregaçar as mangas. Neste processo, chamei as mulheres que estão comigo na liderança das reuniões de estudo e oração. O desafio foi juntar ideias, alinhavar uma linha de raciocínio e tornar o estudo prático e profundo. Foi difícil, foi trabalhoso, mas nada do que vale a pena é simples ou fácil. Acredito que, enquanto Igreja, somos chamadas a trabalhar, unir esforços, identificar dons e usar de excelência. Somos capazes de isso tudo, graças ao trabalho de Cristo em nós e do seu Espírito Santo connosco. Sou agradecida a Deus pelo desejo de servir e pelo empenho de cada uma destas mulheres, que alinharam nesta primeira aventura comigo.
Para garantir que nada nos escapava, chamei o meu irmão Tiago, que estando dedicado também ele ao estudo da Palavra, ajudou à revisão do conteúdo e contribuiu com notas importantes.
Assim sendo, temos este caderno, em português de Portugal, pronto para ser distribuído e usado. O meu desejo é que o Espírito Santo ilumine o teu coração à medida que o completas.



No final de cada semana, temos uma mensagem audio que pode ser ouvida aqui.

O custo de cada caderno são 4€ e já inclui portes de envio. As encomendas deverão ser feitas para mulheresdalapa@gmail.com


24 janeiro 2019

É oficial: perdi a conta.


Quando, no posto dos correios, a senhora me cumprimenta:

"Então, menina, são mais uns livrinhos?",

dei comigo a tentar fazer as contas à quantidade de embrulhos que já fiz para enviar estudos. Já não sei. Assim por alto, sei que um grupo de adolescentes no Brasil esteve a estudar Tiago, há um grupo no Norte também a estudar Tiago, outro no Porto a estudar as cartas de João, ainda outro com a primeira carta de Pedro, além de outras igrejas que estão neste momento a estudar Juízes, como nós na Lapa. Também já perdi a conta aos pdfs que enviámos por mail, gratuitamente, para o Brasil, Inglaterra, e até Estados Unidos (portugueses pelo mundo, sim!).
São dois anos e meio a espalhar aquilo que nos abençoa, e isso comprova que há uma fome e uma sede de estudo da Bíblia, consistente. Uma vontade de conhecer quem Deus é e descobrir o que Ele quer de nós.
Além disso, as mensagens audios disponíveis para cada semana de estudo, no Youtube da Igreja da Lapa, têm sido um investimento feito cujo encorajento se recolhe pelo relatório das visualizações.

Se é o caso de quereres receber o caderno por correio ou o pdf no mail, contacta-nos para mulheresdalapa@gmail.com. O custo do caderno são 5€ e cobre apenas os custos de impressão. Todo o trabalho envolvido de tradução, revisão, edição (incluindo audios) é oferta das mulheres da Igreja da Lapa.

[Se tiver sido o caso de já me terem enviado mail ou mensagem e eu ainda não ter respondido (que também já aconteceu), avisem-me!]





14 janeiro 2019

Introdução ao estudo do livro de Juízes



O livro de Juízes não é o livro mais reconfortante da Bíblia. Fujo dele sempre que posso - quase sempre. Se o livro de Juízes fosse um filme, estaria classificado como um thriller, ou então puro horror.

É composto por 21 capítulos cujos ingredientes são a decepção, a opressão, a idolatria, o assassinato, violação, e apostasia, isto só para mencionar alguns. Os heróis, aqueles que esperaríamos que fossem as figuras modelo, não se comportam da maneira que idealizámos.

Sabemos que a Bíblia é inspirada e proveitosa, e quero acreditar que o livro de Juízes pode ser especialmente proveitoso para nós, hoje. Para mim, aqui em Lisboa. Como? Lembram-se do livro de Josué? O livro termina com a tomada de posse das terras, de uma maneira quase gloriosa. O livro de Juízes começa com o fracasso dos israelitas em tomar posse de algumas dessas terras, fazendo o povo viver no meio de uma cultura pagã, por causa da desobediência. E é aí que eu me encontro hoje, e qualquer cristão se encontra hoje: a viver numa cultura pagã. E um dos problemas é que estamos demasiado encaixados neste paganismo, também por causa da nossa desobediência, de todo um passado cheio de erros na forma de viver e ensinar.

No geral, Juízes é um conto sombrio, por que é que este livro se encontra na Bíblia?
Porque mostra a a depravação humana, a fraqueza da nossa natureza e a necessidade de um verdadeiro rei e salvador. Os seres humanos não podem salvar-se sozinhos; eles precisam de um salvador.




Quem escreveu?
Não sabemos quem o escreveu mas terá sido alguém ligado à casa de David.

É composto por várias tradições orais  – acredita-se que o cântico de Débora é um dos poemas mais antigos que do Antigo Testamento, e que foi incorporado nesta mescla de histórias, que não estão necessariamente organizadas por ordem cronológica; temos até histórias que se sobrepõem, como Sansão com Samuel.

Quando foi escrito?
O livro abarca a história entre a morte de Josué e o começo da monarquia em Israel (1400 – 1050 AC – 300 anos). Talvez tenha sido escrito entre 1010 e 1003 AC. Foi escrito há mais ou menos 3000 anos!

Para quem foi escrito?
Para a nação de Israel e com o objectivo de validar a monarquia da linhagem de David, e para nós, que vivemos deste lado da morte de Cristo, serve para validar a monarquia do próprio Cristo. 


Quais os temas centrais?
A ideia da necessidade de um rei. O povo acabou de chegar a Canaã e tomou posse mas não ocupou a terra.. Esta fase em que estão a afastar os povos – ou não, não há um governo civil que tenha sido estabelecido. Como é que eles vão governar? Esse é um dos temas.

A fidelidade de Deus é uma constante ao longo do livro.

A relação causa e efeito entre obediência e desobediência. 

Em que género literário foi escrito?
O estilo é uma narrativa histórica, mas também é um livro profético. Quando lemos esta narrativa, devemos ter em consideração que no Oriente a história era usada como propaganda. De forma a favorecer o líder. A forma como esta narrativa é escrita vai contra a cultura da época porque a nação de Israel sai bastante prejudicada. Também por  isso vemos como é inspirada por Deus. Em nenhum momento os homens saem bem na sua desobediência. 

A forma como os factos nos são dados é para nos transmitir uma mensagem sobre Deus. Não vamos assumir que só porque o escritor não demonstra repulsa nos factos que está a relatar, que não devemos sentir repulsa por episódios mesmo muito maus. Não podemos assumir que a ausência de emoções na descrição que significa que a Bíblia apoia este tipo de acontecimentos. 

Estou a começar Juízes e sei que não acaba bem. Vou ler com estas coisas em mente e com a noção de que não vou perceber muita coisa. Mas vou ler, porque a Palavra de Deus é para ser lida, digerida e absorvida. Quem está comigo?


Esta foto foi tirada em Novembro de 2016, no Vaticano, em Roma. 
Ilustra o episódio de Jael e Sísera. - Juízes 4. Lá chegarei!

05 novembro 2018

O que é o amor?



Estudar as cartas de João está a ser um enorme desafio para mim. Quanto mais leio, mais me apercebo que preciso conhecer melhor sobre o verdadeiro amor. Pesquiso no dicionário significados, reescrevo as frases por outras palavras, respondo a perguntas. E o amor, aquele de que João fala e que é o próprio Deus, precisa ser conhecido, assimilado, vivido.

Quando penso que o amor é amar sem esperar em troca, Deus mostra-me que o amor não se vive nas minhas forças e demonstrações que eu consigo encontrar, pequeninas e insignificantes. O amor só se dá aos outros quando se conhece o amor do próprio Deus, que é - ele mesmo- AMOR.

Em tempos de relativismo, João fala de preto e branco, luz e trevas, amor e ódio. Se não amas, odeias. Não há indiferença pelo meio. E isto é tão difícil de assimilar quanto de viver. Porque, num tempo em que nos dizem que amar é um sentimento que não se força, a Bíblia contrapõe e ordena que amemos os outros como nos amamos a nós. Temos de escolher amar. Não dá hipótese.

Ao mesmo tempo, a Bíblia nunca nos diz que nos precisamos amar a nós mesmos, porque já o fazemos naturalmente; mas que se procurarmos amar o próximo como buscamos os interesses para nós mesmos, já estamos a começar a viver mais além.

Logo no início da primeira carta, João coloca as coisas em termos drásticos: se dizes que amas a Deus mas não amas o próximo, estás a pecar e a ser mentiroso. Quando estamos continuamente a pecar, afirmamos três coisas:

1 - Não estamos a compreender a dimensão da Graça de Deus;
2 - Estamos a enganar-nos a nós mesmos;
3 - Fazemos de Deus mentiroso - porque só ele é santo.

Conseguimos ver se o nosso amor está nas coisas erradas, quando não nos esforçamos por obedecer ao que Deus nos pede. Se olhamos para a lei sem graça, fica difícil compreender e aceitar a dimensão do amor de Jesus, que se sacrificou por todos nós. Devemos estar atentos a todos os tipos de ensinos contrários a estes, porque a Bíblia também fala deles como enganadores. Devemos permanecer e ficarmos ancorados na verdade - Deus é amor - e que através dele saberemos como amar melhor.


[O estudo vai continuar. ]



Este estudo das cartas de João é feito seguindo o caderno de estudo "Abide" de Jen Wilkin.




08 maio 2017

Conhecer, ouvindo as histórias em primeira mão.

Na Igreja da Lapa temos uma tradição, já com algum tempo, de ouvir histórias de vida. Tantas vezes nos conhecemos mal e temos ideias acerca do presente que não têm assim tanto a ver com o passado.

Quando ouvimos o percurso de alguém, testemunhamos não apenas o que aquela pessoa é, mas sobretudo o que Deus tem feito com ela, tanto nos momentos em que não quis saber de Deus, como nos momentos em que se rendeu a ele. Os testemunhos são poderosos por isso mesmo. Conferimos o sentido de humor divino e acreditamos que qualquer coisa é possível, basta Deus querer.

Ouvir acerca da graça, da misericórdia, da correcção e do amor do Pai na vida da Hannah foi o que fizemos o sábado passado.






A Hannah é americana, mas cresceu no Quénia, e veio para Portugal em 2008, juntamente com o Mark e as três filhas, com a visão de colaborar com a evangelização em Portugal. Servem na Igreja da Lapa e têm sido preciosos no apoio, visão, amor, crescimento.

 Fotos de Patrícia Leal.

23 maio 2016

Ouvir histórias.




Tem sido habitual, na Igreja da Lapa, ouvirmos testemunhos. Quando lá chegámos, há pouco mais de três anos, dedicámos largos meses a ouvir cada história singular de quem já lá estava, e de quem estava a chegar.

Quando ouvimos histórias de pessoas, não as passamos apenas a conhecer e compreender melhor,  mas conhecemos cada vez mais Deus. A forma como cada detalhe de cada vida esteve e está sempre nas suas mãos, mesmo quando não desejamos. Graças a Deus que não nos entrega a todas as nossas vontades, mesmo quando achamos que sim, que controlamos o nosso destino.

Nos nossos encontros de mulheres, temos continuado esta tradição. Queremos ouvir do que Deus tem feito e está a fazer nas vidas de mulheres de diferentes idades, culturas e lugares. No sábado passado ouvimos a Mirela, outro testemunho comovente de como Deus cuida, protege, abençoa e corrige.

24 abril 2015

Testemunhar.

Ouvir da fidelidade de Deus, presente em testemunhos de vida (desta vez, com a Madalena).
Alegria. Perseverança. Oração. Confiança. Fé.


"Ele cumprirá o desejo dos que o temem; ouvirá o seu clamor, e os salvará." - Salmos 145:19



"perseverança", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/perseveran%C3%A7a [consultado em 24-04-2015].

11 março 2015

Mulheres de Deus

Quando Paulo escreve a Tito e lhe recomenda que as mulheres mais velhas devem ensinar as mais novas a amarem os seus maridos e os seus filhos, sabia do que falava. Só uma mulher mais velha e com maturidade pode ensinar a mais nova a ter paciência, a ver com o distanciamento do tempo que passou, a colocar em perspectiva o que deve ter importância e o que não tem assim tanta importância. Estas mulheres mais velhas podem dizer às mais novas que, sabendo o que sabem hoje, teriam tido menos ansiedade, que teriam desfrutado mais, que apreciariam o tempo de uma forma mais intensa. Que se chateariam menos e seriam mais firmes no essencial. Podem encorajar e advertir.

Eu ainda sou nova, mas com o tempo a passar de uma forma que não via há dez anos, quero e preciso muito de mulheres mais velhas. Mulheres a quem reconheça maturidade e a capacidade de dizer coisas sérias e à luz da palavra de Deus. Mulheres a quem vejo humildade, amor e um carácter mais e mais à imagem de Jesus. A Magali é uma dessas mulheres e hoje foi dia de a absorver no nosso grupo na Lapa. Ah, e como foi bom!


07 janeiro 2015

Uma foto onde me falha a legenda.

Todas as mulheres nesta foto são reincidentes nas nossas reuniões. À excepção de uma: a minha cunhada Marta, de quem tenho estado afastada nos últimos dois anos e meio, e da qual me vou voltar a afastar dentro de duas semanas (esta doeu!).

Dá para perceber uma das mil razões pelas quais ela veio cá agora: dar-nos uma perspectiva diferente de como se vive além fronteiras. Ou de poder ver a forma criativa como Deus trabalha em todos os pequenos detalhes das nossas vidas e a nossa responsabilidade em agir. Acção é talvez o que mais sonho para 2015. Fazer coisas acontecer, servir os outros com amor, combater desculpas e ganhar forças na alegria de o fazer. Siga!

08 maio 2014

Não renunciar

Aquela cadeira pretende evitar que alguém estacione num lugar reservado à Igreja. Desde o ano passado andamos a reeducar a vizinhança acerca dos três lugares identificados e legalmente exclusivos de quem vem até à Lapa. Tem sido um longo processo, até porque a Igreja esteve sem ter  o afluxo de gente que agora tem (aos domingos estamos perto da centena de pessoas, às quartas-feiras chegamos a ser 12 mulheres, algumas com bebés de colo, outras grávidas. Às 5ºf à noite o grupo pode ter duas dezenas) e toda esta zona tem parquímetro. Alguém usar um dos nossos lugares, além do incómodo de termos de procurar outro, implica ter uma despesa  evitável, a dias de semana (sendo que o Tiago está por lá praticamente todos os dias).

Ontem esperava que chegassem as mulheres do costume e certificava-me que ninguém tirava a cadeira do lugar, e pensava que nisto da vida damos connosco tantas vezes a ter de relembrar aquilo que é nosso, a pedir pelo que já nos deveria ter sido concedido por direito, a reclamar do que não abdicamos.Convém nunca perder de vista aquilo que não queremos renunciar. E não falo de lugares de estacionamento, claro.

26 fevereiro 2014

As minhas quartas-feiras de manhã

Neste grupo semanal, além da parte essencial de partilha e oração, já estudámos as Bem-aventuranças, o propósito de Deus sobre a oração, o livro de Rute e agora começámos o livro de Ester.

Tirem-me pequenos prazeres, mas não me arranquem as quartas de manhã.

(Tenho colocado apontamentos destes estudos aqui.)

23 janeiro 2014

Na reunião de oração, ora-se!


4ª feira de manhã, as mulheres mais pequeninas da Igreja dão o exemplo!

- Salomé, 1 mês. Isabel, 2 meses -

26 setembro 2013

Dream team

Assim de repente, que me lembre, faltam aqui pelo menos 10 mulheres que nem sempre podem estar presentes. Mas o que importa dizer sobre este retrato é que representa aquilo que temos sido: uma equipa. Completa-se por estes dias um ano desde que começámos estes encontros todas as semanas, um dia pela manhã. Dividem-se fardos e contam-se inúmeros motivos de gratidão, dos mais pequeninos aos maiores. Se eu fizesse uma lista da quantidade de motivos pelos quais orámos e que obtivemos respostas, nunca mais acabava de escrever.
Deus é bom!

Salmos 121 na ponta da língua

. A escola começou e o vagar no sofá não é o mesmo. Mas seja a crochetar, a lavar a loiça, a tomar banho, a conduzir, há sempre oportuni...